Talmud Yerushalmi · Massechet Berachot · Perek Zayin · Halachá 3
בְּרָכוֹת

As fórmulas graduadas do zimún: "nevarech" e "barechu", o copeiro que abençoa a cada copo, dez e dez mil, a derivação de que "congregação" é dez, e a grandeza restituída por Ezra

Perek Zayin, Halachá 3 — terceira halachá do capítulo "Shloshá Sheachlú"

A Mishná desta halachá detalha como se formula o convite ao zimún conforme o número de comensais — com três, com dez, com cem, com mil, com uma miríade —, cada patamar acrescentando um título divino à fórmula, e traz a divergência entre Rabi Yossei HaGelili, Rabi Akivá e Rabi Ishmael sobre a fórmula usada na sinagoga. A halachá abre com o episódio de quatro sábios à mesa, em que Rabi Yaakov bar Acha diz "nevarech" e é questionado por Rabi Chiyya bar Abba, gerando a regra de que não se é meticuloso quanto à formulação — exceto para os "pedantes". Discute-se ainda a bênção da Torá, a prática do copeiro que abençoa a cada copo servido mas não a cada pedaço de pão, se dez e dez mil realmente se equivalem segundo os sábios, a derivação bíblica de que "congregação" (edá) significa sempre dez, o sentido da palavra "assembleias" no salmo citado por Rabi Yossei HaGelili, dois episódios de leitura da Torá envolvendo Rav Chiyya bar Ashi e Rabi Zeirá, e se encerra com a longa análise de por que Moshé, Yirmeyahu e Daniel usaram fórmulas diferentes para descrever a grandeza, o poder e o temor de D'us, e como os Homens da Grande Assembleia restituíram a fórmula plena.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

כֵּיצַד מְזַמְּנִין. בִּשְׁלֹשָׁה אוֹמֵר נְבָרֵךְ. בִּשְׁלֹשָׁה וְהוּא אוֹמֵר בָּרְכוּ. בַּעֲשָׂרָה אוֹמֵר נְבָרֵךְ אֱלֹהֵינוּ. בַּעֲשָׂרָה וְהוּא אוֹמֵר בָּרְכוּ. אֶחָד עֲשָׂרָה וְאֶחָד עֶשֶׂר רִבּוֹא. בְּמֵאָה אוֹמֵר נְבָרֵךְ לַיי אֱלֹהֵינוּ. בְּמֵאָה וְהוּא אוֹמֵר בָּרְכוּ. בְּאֶלֶף אוֹמֵר נְבָרֵךְ לַיי אֱלֹהֵינוּ אֱלֹהֵי יִשְׂרָאֵל. בְּאֶלֶף וְהוּא אוֹמֵר בָּרְכוּ. בְּרִבּוֹא אוֹמֵר נְבָרֵךְ לַיי אֱלֹהֵינוּ אֱלֹהֵי יִשְׂרָאֵל אֱלֹהֵי הַצְּבָאוֹת יֹשֵׁב הַכְּרוּבִים עַל הַמָּזוֹן שֶׁאָכַלְנוּ. רִבִּי יוֹסֵי הַגְּלִילִי אוֹמֵר לְפִי רוֹב הַקָּהָל מְבָרְכִין שֶׁנֶּאֱמַר בְּמַקְהֵלוֹת בָּרְכוּ אֱלֹהִים יי מִמְּקוֹר יִשְׂרָאֵל. אָמַר רִבִּי עֲקִיבָה מַה מָצִינוּ בְּבֵית הַכְּנֶסֶת אֶחָד מְרוּבִּין וְאֶחָד מוּעָטִין אוֹמֵר בָּרְכוּ אֶת יי. רִבִּי יִשְׁמָעְאֵל אוֹמֵר בָּרְכוּ אֶת יי הַמְבוֹרָךְ.

Como se convida ao zimún? Com três, diz-se: "louvemos (nevarech)". Com três além dele mesmo, e ele diz: "louvai (barechu)!" Com dez, diz-se: "louvemos o nosso D'us". Com dez além dele mesmo, e ele diz: "louvai!" Não há diferença entre dez e dez miríades. Com cem, diz-se: "louvemos ao Eterno, nosso D'us". Com cem além dele mesmo, e ele diz: "louvai!" Com mil, diz-se: "louvemos ao Eterno, nosso D'us, D'us de Israel". Com mil além dele mesmo, e ele diz: "louvai!" Com uma miríade, diz-se: "louvemos ao Eterno, nosso D'us, D'us de Israel, D'us dos Exércitos, que Se assenta sobre os querubins, pelo alimento que comemos". Rabi Yossei HaGelili diz: conforme o tamanho da assembleia se abençoa, como está dito: "nas assembleias louvai a D'us, o Eterno, desde a fonte de Israel" (Tehilim 68:27). Disse Rabi Akivá: acaso não encontramos na sinagoga que, seja muita gente, seja pouca, diz-se "louvai o Eterno"? Rabi Ishmael diz: "louvai o Eterno, o Louvado!"

A Halachá · הֲלָכָה ג

01Esclarecimento: Rabi Yaakov bar Acha diz "nevarech" em vez de "barechu"; a baraita de que não se é meticuloso, exceto com os pedantes; o desconforto de Rabi Zeirá
Yerushalmi · Berachot 7:3
דְּלֹּמָה. רִבִּי זְעִירָא וְרִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא וְרִבִּי חִיָיא בַּר בָּא רִבִּי חֲנִינָא חֲבֵרוֹן דְּרַבָּנָן הֲווּ יָתְבִין אָכְלִין. נְסָב רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא כַּסָּא וּבֵירַךְ וַאֲמַר נְבָרֵךְ וְלָא אֲמַר בָּרְכוּ. אֲמַר לֵיהּ רִבִּי חִיָיא בַּר בָּא. וְלָמָּה לֹא אָמַרְתָּ בָּרְכוּ. אֲמַר לֵיהּ וְלֹא כֵן תַּנִּי אֵין מְדַקְדְּקִין בַּדָּבָר. בֵּין שֶׁאָמַר נְבָרֵךְ בֵּין שֶׁאָמַר בָּרְכוּ אֵין תּוֹפְסִין אוֹתוֹ עַל כַּךְ. וְהַנּוֹקְדָּנִין תּוֹפְסִין אוֹתוֹ עַל כַּךְ. וּבְאִישׁ לְרִבִּי זְעִירָא בְּגִין דִּצְוַוח רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא לְרִבִּי חִיָיא בַּר בָּא נוֹקְדָנָא.

Esclarecimento (introdução à discussão que segue). Rabi Zeirá, Rabi Yaakov bar Acha, Rabi Chiyya bar Abba e Rabi Chanina, o colega dos sábios, estavam sentados, comendo juntos. Tomou Rabi Yaakov bar Acha o cálice e abençoou, e disse: "louvemos", e não disse: "louvai!" Disse-lhe Rabi Chiyya bar Abba: e por que não disseste "louvai"? Disse-lhe: acaso não foi ensinado assim: "não se é meticuloso quanto a este assunto; quer alguém diga 'louvemos', quer diga 'louvai', não se lhe faz reparo por isso — mas os pedantes é que lhe fazem reparo por isso"? E isto ficou mal aos olhos de Rabi Zeirá, porque Rabi Yaakov bar Acha havia chamado Rabi Chiyya bar Abba de pedante.

02Shmuel: não me excluo do grupo; a objeção da bênção da Torá; a resposta de Rabi Abun sobre "o Louvado"
Yerushalmi · Berachot 7:3
שְׁמוּאֵל אָמַר אֵינִי מוֹצִיא אֶת עַצְמִי מִן הַכְּלָל. הוֹתִיבוּן הֲרֵי בִּרְכַת הַתּוֹרָה הֲרֵי הוּא אוֹמֵר בָּרְכוּ. אָמַר רִבִּי אָבוּן מִכֵּיוָן דְּיֵימַר הַמְּבוֹרָךְ אַף הוּא אֵינוֹ מוֹצִיא עַצְמוֹ מִן הַכְּלָל.

Shmuel disse: eu não me excluo do grupo (por isso digo "louvemos" e não "louvai"). Objetaram: eis que na bênção da Torá (ao ser chamado para a leitura), ele diz "louvai"! Disse Rabi Abun: como o chamado dirá em seguida "o Louvado", também ele com isso não se exclui do grupo (pois inclui a si mesmo ao responder).

03Rabi Abba bar Zamina e Rabi Zeirá: o copeiro abençoa a cada copo, mas não a cada pedaço; a intenção mútua e o "amém"; a baraita de Rosh Hashaná sobre quem age por distração
Yerushalmi · Berachot 7:3
רִבִּי אַבָּא בַּר זְמִינָא הֲוָה מְשַׁמֵּשׁ קוֹמֵי זְעִירָא. מְזַג לֵיהּ כַּסָּא. אֲמַר לֵיהּ סָב בְּרִיךְ. אֲמַר לֵיהּ וְהַב דַעְתָּךְ דְּאַתְּ מִישְׁתִּי חוֹרָנָה. דְּתַנִּי הַשַּׁמָּשׁ מְבָרֵךְ עַל כָּל כּוֹס וְכוֹס. וְאֵינוֹ מְבָרֵךְ עַל כָּל פְּרוּסָה וּפְרוּסָה. אֲמַר לֵיהּ כְּמָא דַּאֲנָא יְהַב דַּעְתִּי מַפְקָא יָתָיךְ יְדֵי חוֹבָתָךְ בְּבִרְכָתָה. כֵּן הַב דַּעְתָּךְ מַפְקָא יְדֵי חוֹבָתִי בְאָמֵן. אָמַר רִבִּי תַנְחוּם בַּר יִרְמְיָה מַתְנִיתָא אָמְרָה כֵן הַמִּתְעַסֵּק לֹא יָצָא וְהַשּׁוֹמֵעַ מִן הַמִּתְעַסֵּק לֹא יָצָא.

Rabi Abba bar Zamina servia diante de Zeirá. Serviu-lhe um cálice (misturando vinho e água). Disse-lhe Zeirá: toma tu mesmo e abençoa. Disse-lhe Rabi Abba bar Zamina: tem tu também a intenção de que beberás de outro copo depois deste, para que minha bênção também valha para ti. Pois foi ensinado: o copeiro abençoa a cada copo, mas não abençoa a cada pedaço de pão que serve. Disse-lhe Zeirá: assim como eu ponho minha intenção para te desobrigar por meio da minha bênção, põe tu também tua intenção para me desobrigar por meio do "amém" que responderei. Disse Rabi Tanchum bar Yirmeyahu: uma mishná ensina isto assim: quem age por distração (sem intenção) não cumpre sua obrigação, e quem a ouve de quem age por distração também não cumpre a sua.

04"Com cem, diz-se..." — Rabi Yochanan: isto é opinião de Rabi Yossei HaGelili, mas os sábios dizem que não há diferença entre dez e dez mil; Rabi Abba decide conforme os sábios
Yerushalmi · Berachot 7:3
בְּמֵאָה אוֹמֵר כו׳. אָמַר רִבִּי יוֹחָנָן זוּ דִבְרֵי רִבִּי יוֹסֵי הַגָּלִילִי אֲבָל דִּבְרֵי חֲכָמִים אֶחָד עֶשֶׂר וְאֶחָד עֶשֶׂר רִיבּוֹא. רָבָא אָמַר הֲלָכָה כְּמִי שֶׁאוֹמֵר אֶחָד עֶשֶׂר וְאֶחָד עֶשֶׂר רִיבּוֹא.

"Com cem, diz-se..." etc. Disse Rabi Yochanan: isto são as palavras de Rabi Yossei HaGelili, mas as palavras dos sábios são: não há diferença entre dez e dez miríades (a mesma fórmula serve para ambos). Rabá disse: a halachá segue quem diz que não há diferença entre dez e dez miríades.

05De onde se deduz que "congregação" (edá) significa dez: derivações por analogia verbal a partir dos espiões, de "no meio", e de "filhos de Israel"
Yerushalmi · Berachot 7:3
מְנַיִין לְעֵדָה שֶׁהִיא עֲשָׂרָה. רִבִּי בָּא וְרִבִּי יָסָא בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן נֶאֱמַר כַּאן עֵדָה וְנֶאֱמַר לְהַלָּן עֵדָה. מַה עֵדָה שֶׁנֵּאֱמַר לְהַלָּן עֲשָׂרָה. אַף עֵדָה שֶׁנֵּאֱמַר כַּאן עֲשָׂרָה. אָמַר רִבִּי סִימוֹן נֶאֱמַר כַּאן תּוֹךְ וְנֵאֱמַר לְהַלָּן תּוֹךְ וַיָּבֹאוּ בְּנֵי יִשְׂרָאֵל לִשְׁבּוֹר בָּר בְּתוֹךְ הַבָּאִים. מַה תוֹךְ הָאָמוּר לְהַלָּן עֲשָׂרָה. אַף כַּאן עֲשָׂרָה. אֲמַר לֵיהּ רִבִּי יוֹסֵי בֵּי רִבִּי בּוּן כִּי אִם מִתּוֹךְ אַתְּ יְלִיף לָהּ סַגִּין אִינוּן. אֶלָּא נֶאֱמַר כַּאן בְּנֵי יִשְׂרָאֵל וְנֶאֱמַר לְהַלָּן בְּנֵי יִשְׂרָאֵל. מַה בְּנֵי יִשְׂרָאֵל שֶׁנֶּאֱמַר לְהַלָּן עֲשָׂרָה. אַף כַּאן עֲשָׂרָה.

De onde se deduz que "congregação" (edá) é dez? Rabi Abba e Rabi Yassa, em nome de Rabi Yochanan: está dito aqui "congregação" (Vayikrá 19:2, "fala a toda a congregação dos filhos de Israel"), e está dito ali "congregação" (Bamidbar 14:27, "até quando esta má congregação"). Assim como "congregação" que ali é dita refere-se a dez (os dez espiões que trouxeram relatório ruim), também "congregação" que aqui é dita refere-se a dez. Disse Rabi Simon: está dito aqui "no meio" (Vayikrá 22:32, "serei santificado no meio dos filhos de Israel"), e está dito ali "no meio" (Bereshit 42:5, "vieram os filhos de Israel a comprar grão no meio dos que vinham"). Assim como "no meio" que ali é dito refere-se a dez (dos doze irmãos, sem Yossef e Binyamin), também aqui refere-se a dez. Disse-lhe Rabi Yossei bei Rabi Bun: mas se é de "no meio" que tu o deduzes, há versículos onde "no meio" se refere a muitos (mais que dez)! Mas sim, a prova correta é esta: está dito aqui "filhos de Israel" (Vayikrá 22:32), e está dito ali "filhos de Israel" (Bereshit 42:5). Assim como "filhos de Israel" que ali é dito refere-se a dez, também aqui refere-se a dez.

06Como os sábios sustentam o fundamento de Rabi Yossei HaGelili a partir de "assembleias": Rabi Chanina bar Abahu nota a grafia defectiva
Yerushalmi · Berachot 7:3
מַה מְקַיְימִין רַבָּנָן טַעְמָא דְּרִבִּי יוֹסֵי הַגָּלִילִי בְּמַקְהֵלוֹת בְּכָל קְהִילָּה וּקְהִילָּה. אָמַר רִבִּי חֲנִינָא בְּרֵיהּ דְּרִבִּי אַבָּהוּ במקהלת כְּתִיב.

Como sustentam os sábios (que rejeitam a distinção quantitativa) o fundamento de Rabi Yossei HaGelili (que se apoia no versículo) "nas assembleias" (Tehilim 68:27)? Explicam-no como referindo-se a cada congregação e cada congregação separadamente, e não a uma gradação por tamanho. Disse Rabi Chanina, filho de Rabi Abahu: a palavra "bemakhelot" está escrita de forma defectiva (sem a letra vav, permitindo lê-la no singular, "bemakhelat" — o que reforça a leitura dos sábios).

07Rav Chiyya bar Ashi lê a Torá e diz apenas "barechu"; a intervenção de Rav; Rabi Zeirá lê como cohen no lugar do levita e abençoa duas vezes
Yerushalmi · Berachot 7:3
אָמַר רַבִּי עֲקִיבָה מַה מָּצִינוּ בְּבֵית הַכְּנֶסֶת כו׳. רִבִּי חִיָיא בַּר אַשִּׁי קָם מִקְרֵי בְּאוֹרַיְיתָא וְאָמַר בָּרְכוּ וְלֹא אָמַר הַמְבוֹרָךְ. בְּעוּן מִישְׁתּוּקִינֵיהּ אֲמַר לָהֶן רַב אַרְפּוּנֵיהּ. דִּנְהִיג כְּרִבִּי עֲקִיבָה. רִבִּי זְעִירָא קָם מִקְרֵי כֹּהֶן בִּמְקוֹם לֵוִי וּבֵירַךְ לְפָנֶיהָ וּלְאַחֲרֶיהָ וּבְעוּן מִישְׁתּוּקִינֵיהּ אֲמַר לוֹן רִבִּי חִיָיא בַּר אַשִּׁי אַרְפּוּנֵיהּ. דְּכֵן אִינּוּן נְהִיגִין גַּבֵּיְיהוּ.

Disse Rabi Akivá: "acaso não encontramos na sinagoga..." etc. Rav Chiyya bar Ashi levantou-se para ler na Torá e disse "louvai", e não disse "o Louvado". Quiseram silenciá-lo (interrompê-lo por julgar errado). Disse-lhes Rav: deixai-o, pois ele segue Rabi Akivá (que não exige "o Louvado"). Rabi Zeirá levantou-se para ler como cohen no lugar de um levita (por não haver levita presente), e abençoou antes da leitura e depois dela, uma segunda vez, por ter sido chamado duas vezes. E quiseram silenciá-lo. Disse-lhes Rabi Chiyya bar Ashi: deixai-o, pois assim é o costume deles (na comunidade de origem de Rabi Zeirá).

08"E Ezra louvou o Eterno, o D'us grande": em que consistiu Sua grandeza; as fórmulas de Moshé, Yirmeyahu e Daniel; os Homens da Grande Assembleia restituem a grandeza ao seu lugar; os profetas não bajulam
Yerushalmi · Berachot 7:3
כְּתִיב וַיְבָרֶךְ עֶזְרָא אֵת יי הָאֱלֹהִים הַגָּדוֹל. בְּמַה הוּא גוֹדְלוֹ. גּוֹדְלוֹ בְשֵׁם הַמְפוֹרָשׁ. רַב מַתָּנָה אָמַר גּוֹדְלוֹ בִּבְרָכָה. רִבִּי סִימוֹן בְּשֵׁם רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי לָמָּה נִקְרוּ אַנְשֵּׁי כְנֶסֶת הַגְּדוֹלָה שֶׁהֶחֱזִירוּ הַגְּדוּלָּה לְיוֹשְׁנָהּ. אָמַר רִבִּי פִּינְחָס מֹשֶׁה הִתְקִין מַטְבְּעָהּ שֶׁל תְּפִילָּה הָאֵל הַגָּדוֹל הַגִּיבּוֹר וְהַנּוֹרָא. יִרְמְיָה אָמַר הָאֵל הַגָּדוֹל הַגִּיבּוֹר וְלֹא אָמַר הַנּוֹרָא. לָמָּה אָמַר הַגִּיבּוֹר לְזֶה נָאֶה לִקְרוֹת גִּיבּוֹר שֶׁהוּא רוֹאֶה חוּרְבָּן בֵּיתוֹ וְשׁוֹתֵק. וְלָמָּה לֹא אָמַר נוֹרָא אֶלָּא שֶׁאֵין נוֹרָא אֶלָּא בֵית הַמִּקְדָּשׁ שֶׁנֶּאֱמַר נוֹרָא אֱלֹהִים מִמִּקְדָּשֶׁךָ. דָּנִיֵּאל אָמַר הָאֵל הַגָּדוֹל וְהַנּוֹרָא וְלֹא אָמַר הַגִּבּוֹר בְּנָיו מְסוּרִין בְּקוֹלָרִין הֵיכָן הִיא גְּבוּרָתוֹ. וְלָמָּה אָמַר הַנּוֹרָא. לְזֶה נָאֶה לִקְרוֹת נוֹרָא בְּנוֹרָאוֹת שֶׁעָשָׂה לָנוּ בְּכִבְשָׁן הָאֵשׁ. וְכֵיוָן שֶׁעָמְדוּ אַנְשֵּׁי כְנֶסֶת הַגְּדוֹלָה הֶחֱזִירוּ הַגְּדוּלָּה לְיוֹשְׁנָהּ. הָאֵל הַגָּדוֹל הַגִּיבּוֹר וְהַנּוֹרָא. וּבָשָׂר וְדָם יֵשׁ בּוֹ כֹּחַ לִיתֵּן קִצְּבָה לַדְּבָרִים הַלָלוּ. אָמַר רִבִּי יִצְחָק בֶּן אֶלְעָזָר יוֹדְעִין הֵן הַנְבִיאִיִּם שֶׁאֱלוֹהֵן אֶמֶּת וְאֵינָן מַחֲנִיפִין לוֹ.

Está escrito: "e Ezra louvou o Eterno, o D'us grande" (Nechemiá 8:6). Em que consistiu a Sua grandeza (o que Ezra disse ao louvá-lO como "grande")? A Sua grandeza foi proclamada pelo Nome Explícito (o Tetragrama, pronunciado por extenso). Rav Matená disse: a Sua grandeza foi proclamada por uma bênção (a primeira bênção da Amidá, que contém "o D'us grande, forte e temível"). Rabi Simon, em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: por que foram chamados "Homens da Grande Assembleia"? Porque restituíram a grandeza ao seu antigo lugar. Disse Rabi Pinchas: Moshé instituiu a fórmula da oração: "o D'us grande, forte e temível" (Devarim 10:17). Yirmeyahu disse: "o D'us grande, forte" (Yirmeyahu 32:18), e não disse "temível". Por que disse "forte"? A este convém chamar de forte, pois vê a destruição de Sua Casa e se cala. E por que não disse "temível"? Porque não há "temível" senão a Casa do Santuário, como está dito: "temível é D'us, desde o Teu santuário" (Tehilim 68:36). Daniel disse: "o D'us grande e temível" (Daniel 9:4), e não disse "forte" — pois os filhos d'Ele estão entregues em correntes ao pescoço; onde está a Sua força? E por que disse "temível"? A este convém chamar de temível pelas coisas temíveis que fez por nós na fornalha de fogo. E, quando os Homens da Grande Assembleia se levantaram, restituíram a grandeza ao seu antigo lugar: "o D'us grande, forte e temível". Mas como pode ser que mero carne e sangue tenha poder para fixar limite a estas coisas (alterando a fórmula conforme a época)? Disse Rabi Yitzchak ben Elazar: os profetas sabem que seu D'us é verdade, e não Lhe bajulam (por isso cada um descreveu apenas o que via manifesto em sua geração, sem falsear).

Nota

Esta terceira halachá do Perek Zayin comenta a Mishná que estabelece as fórmulas graduadas do zimún — de três pessoas até uma miríade —, cada patamar acrescentando um título divino à fórmula de convite. A halachá abre com o episódio de quatro sábios à mesa, em que a escolha entre "nevarech" e "barechu" gera uma discussão sobre meticulosidade e o desconforto de Rabi Zeirá ao ouvir um colega ser chamado de "pedante". Segue-se a posição de Shmuel, que prefere não se excluir do grupo, e o costume do copeiro, que abençoa a cada copo servido mas não a cada pedaço de pão — ilustrando o princípio de que quem age por distração, sem intenção, não cumpre sua obrigação, nem quem o ouve. A halachá então retoma a Mishná para estabelecer, segundo Rabi Yochanan e a decisão de Rabá, que os sábios rejeitam a gradação de Rabi Yossei HaGelili e sustentam que não há diferença entre dez e dez mil. Uma sequência de derivações por analogia verbal (guezerá shavá) estabelece que a palavra "congregação" (edá) sempre significa dez, com Rabi Simon e Rabi Yossei bei Rabi Bun refinando a prova até chegar à expressão "filhos de Israel". Dois episódios práticos — Rav Chiyya bar Ashi lendo a Torá sem dizer "o Louvado", e Rabi Zeirá lendo como cohen no lugar de um levita — mostram como diferentes costumes locais foram tolerados pelos sábios. A halachá se encerra com uma extensa reflexão sobre o versículo de Ezra, "o D'us grande": por que Moshé usou a fórmula completa "grande, forte e temível", por que Yirmeyahu omitiu "temível" ao ver a destruição do Templo, por que Daniel omitiu "forte" ao ver Israel acorrentado, e como os Homens da Grande Assembleia, após o retorno do exílio, restituíram a fórmula plena — encerrando com o princípio de que os profetas, por conhecerem a verdade, nunca bajulam a D'us, mas descrevem apenas o que é manifesto em sua própria geração.