A sexta e última halachá do Perek Chet comenta a Mishná final do capítulo, que exclui três velas e três conjuntos de especiarias da bênção da havdalá — os de gentios, os de mortos e os de idolatria — e exige que a vela só seja abençoada quando sua luz é de fato aproveitada. A guemará discute quando se abençoa especiarias de gentio, a diferença entre brasa e chama para efeito de bênção e de outras leis, casos de fogo transmitido entre judeu e gentio, o beco habitado por um único judeu, velas e especiarias feitas apenas para outro fim em Tiberíades e Tsipori, a distinção entre luz posta acima ou diante do leito do morto, a extensa homilia sobre a luz da criação e a havdalá entre luz e trevas, a disputa entre Rav e Shmuel sobre a leitura exata de "יֵאוֹתוּ", e por fim os critérios práticos para saber quando já se aproveitou da luz da vela, encerrando com a posição de que mesmo num salão grande e bem iluminado se abençoa.
Não se abençoa sobre a vela nem sobre as especiarias de gentios, nem sobre a vela nem sobre as especiarias de mortos, nem sobre a vela nem sobre as especiarias que estão diante da idolatria. E não se abençoa sobre a vela até que se aproveite de sua luz.
Ensinou Rabi Yaacov diante de Rabi Yirmeyá: abençoa-se sobre as especiarias de gentios. Isto discorda da Mishná? Estabeleceram-na referindo-se a especiarias perfumadas colocadas diante de sua loja (para atrair fregueses e perfumar o ambiente, não para uso ritual de idolatria, por isso podem ser abençoadas).
Uma lanterna, ainda que sua chama não tenha se apagado (estando acesa desde antes de Shabat, sem ter sido reacendida), abençoa-se sobre ela. Uma vela dentro de seu manto, ou dentro de um lampião, ou dentro de um vidro translúcido (especularia): em certos casos, quem a vê vê a chama mas não se serve de sua luz; em outros, serve-se de sua luz mas não vê a chama. Em todo caso, não se abençoa sobre ela até que se dê ambas as condições: vê a chama e serve-se de sua luz.
Cinco coisas foram ditas sobre a brasa, e cinco sobre a chama. Da brasa consagrada ao Templo, comete-se sacrilégio ao usá-la; e da chama consagrada, nem se desfruta nem se comete sacrilégio (pois o fogo em si, sendo imaterial, não é objeto de consagração nem de sacrilégio, mas o combustível sólido da brasa sim). A brasa de idolatria é proibida ao uso, e a chama é permitida. Quem fez voto de não desfrutar de seu próximo está proibido quanto à sua brasa e permitido quanto à sua chama. Quem transporta a brasa para o domínio público em Shabat é culpado, e quem transporta a chama está isento. Abençoa-se sobre a chama, e não se abençoa sobre a brasa. Rabi Chiya bar Ashi, em nome de Rav: se as brasas estão em labareda (chamejando), abençoa-se. Rabi Yochanan de Karztion, em nome de Rabi Nachum bar Simai: somente quando a chama está destacando-se por si mesma da brasa.
Foi ensinado: o caso do gentio que acendeu sua vela a partir da vela de um judeu, e o caso do judeu que acendeu a partir da vela de um gentio (ambos permitidos para a bênção, contanto que a chama tenha origem em israelita). Está bem quanto ao caso do gentio que acendeu a partir de um judeu (há origem israelita). Mas, segundo isso, deveria também ser permitido no caso de um gentio que acendeu a partir de outro gentio (se a origem remota for israelita). Encontrou-se uma baraita que ensina: no caso de gentio que acendeu a partir de outro gentio, não se abençoa.
Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan: um beco todo habitado por gentios, com um único judeu morando nele, e a luz saiu de uma das casas sem se saber qual — abençoa-se sobre ela por causa daquele judeu que está ali (presume-se que a luz possa ser dele). Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan: não se abençoa nem sobre as especiarias da noite de Shabat em Tiberíades, nem sobre as especiarias da saída dos Shabatot em Tsipori, nem sobre a vela nem sobre as especiarias da luz da véspera de Shabat em Tsipori — pois ali não são feitas senão para outra finalidade (perfumar o ambiente ou simplesmente iluminar a entrada do Shabat, não para a mitzvá da havdalá ou do kidush).
"E não sobre a vela e as especiarias de mortos." Rabi Chizkiyá e Rabi Yaacov bar Achá, em nome de Rabi Yossei bei Rabi Chanina: isto que dizes (que não se abençoa) é quando estão postas acima do leito do morto. Mas se estivessem postas diante do leito do morto, abençoa-se; eu digo que, neste caso, são feitas em honra dos vivos (que ali se reúnem, e não em honra do morto).
"E não sobre a vela e as especiarias de idolatria." Mas, afinal, não é a mesma vela dos gentios que é a vela de idolatria (por que a Mishná as separou em duas categorias distintas)? Resolve-se que a segunda cláusula trata de idolatria pertencente a um israelita (que, embora proibida a um judeu, se distingue no caso da vela dos gentios em geral).
"Não se abençoa sobre a vela até que se aproveite de sua luz." Expôs Rabi Zeirá, filho de Rabi Abahu: está escrito (Bereshit 1:4): "E viu Deus a luz, que era boa", e depois disso: "e separou Deus entre a luz e as trevas" (dando a entender que primeiro se deve desfrutar e reconhecer o bem da luz, e só então proceder à separação — daí a exigência de aproveitar a luz da vela antes de abençoá-la). Disse Rabi Berechia: assim expuseram os dois grandes do mundo, Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish: "e separou Deus" — uma separação certa e definitiva. Rabi Yehudá bei Rabi Simon disse: separou-a a luz para Si (reservando-a). E os sábios dizem: separou-a para os justos, para o porvir. Fizeram-lhe uma parábola: a que se compara a coisa? A um rei que tinha dois generais (estrategos); este dizia "eu sirvo de dia", e aquele dizia "eu sirvo de dia" (ambos reivindicavam o mesmo posto). Chamou o primeiro e disse-lhe: o dia será teu domínio. Chamou o segundo e disse-lhe: a noite será teu domínio. Isto é o que está escrito: "e chamou Deus à luz dia, etc." — à luz disse: o dia será teu domínio; e às trevas disse: a noite será teu domínio. Disse Rabi Yochanan: isto é o que lhe disse o Santo, bendito seja, a Jó (Jó 38:12): "Acaso, em teus dias, ordenaste à manhã? Fizeste conhecer à aurora o seu lugar?" — soubeste qual é o lugar da luz dos seis dias da criação, onde foi ela escondida (reservada)? Disse Rabi Tanchuma: eu disse a razão disso: a fórmula da bênção "que forma a luz e cria as trevas, que faz a paz" (Yeshaiahu 45:7, base da bênção matinal de Yotser Or) — desde que a luz saiu, Ele faz paz entre elas (entre luz e trevas, delimitando o domínio de cada uma).
"Não se abençoa sobre a vela até que se aproveite (ye'utu) de sua luz." Rav disse: lê-se ye'utu. E Shmuel disse: lê-se ye'utu (com outra vogal, de raiz diferente). Quem diz ye'utu (de "consentir, aceitar"): como em (Devarim 33:16) "e o favor (retson) daquele que habitou na sarça"; alternativamente, como em (Bereshit 34:22) "somente nisto consentirão (ne'otu) a nós os homens". Quem diz ye'utu (de "socorrer, reanimar"): como em (Yeshaiahu 50:4) "para saber socorrer (la'ut) ao cansado com uma palavra". Ali (noutro contexto) ensinamos: como se intercala (me'abrin) os anos das cidades (o calendário)? Rav disse: lê-se me'abrin. E Shmuel disse: lê-se me'abrin. Quem diz me'abrin (de "membro, adicionar um membro"): acrescentam-lhe um membro (um mês extra, como um membro adicional ao corpo do ano). Quem diz me'abrin (de "gestar"): como uma mulher grávida (o ano "gesta" um mês extra). Ali (noutro contexto) ensinamos: diante das festas (eideihen) dos gentios. Rav disse: lê-se eideihen. E Shmuel disse: lê-se eideihen. Quem diz eideihen (de "festa, calamidade"): como em (Devarim 32:35) "porque próximo está o dia de sua calamidade (eidam)". E quem diz eideihen (de "testemunhas"): como em (Yeshaiahu 44:9) "e suas testemunhas (ve'edeihem) elas são, que nada veem e nada sabem, para que se envergonhem". Quem sustenta a posição de Shmuel também pode explicar a razão de Rav: "e suas testemunhas elas são" — que estão destinadas a envergonhar seus próprios adoradores no dia do juízo.
"Não se abençoa sobre a vela até que se aproveite de sua luz." Rav Yehudá, em nome de Shmuel: a luz deve ser suficiente para que mulheres fiem à sua luz. Disse Rabi Yochanan: para que o olho de alguém veja o que há no copo e o que há no prato. Disse Rav Chinena: para que se saiba distinguir entre uma moeda e outra.
Ensinou Rabi Oshaya: mesmo num salão (triclínio) de dez côvados por dez côvados (grande e já bem iluminado por outras fontes), abençoa-se ainda assim sobre a vela, contanto que sua luz seja de algum modo aproveitada. Rabi Zeirá aproximava diante de si a tocha (para garantir que sua luz fosse efetivamente utilizada, ainda que já houvesse luz suficiente no ambiente). Disseram-lhe seus discípulos: Mestre, por que te tornas rigoroso conosco (exigindo isso de nós também)? Pois não ensinou Rabi Oshaya: mesmo num salão de dez por dez côvados, abençoa-se sem essa exigência extra?
Esta sexta e última halachá do Perek Chet comenta a Mishná final do capítulo, que restringe a bênção da havdalá sobre vela e especiarias em três casos — os pertencentes a gentios, os pertencentes a mortos e os postos diante de idolatria — e exige que a vela só seja abençoada quando sua luz é realmente aproveitada. A guemará abre distinguindo especiarias de gentio usadas como perfume comercial, permitidas, da mera vizinhança com gentios; explica a diferença entre lanterna, chama vista e luz usada; enumera cinco leis que distinguem brasa e chama quanto a sacrilégio, idolatria, voto de proibição, transporte em Shabat e a própria bênção, com a posição adicional sobre brasas em labareda; discute a transmissão de fogo entre judeus e gentios e o caso do beco majoritariamente gentio com um único morador judeu; explica por que certas especiarias e velas em Tiberíades e Tsipori nunca se abençoam, por servirem só a outro fim; distingue vela e especiarias de mortos postas acima do leito (proibidas) das postas diante dele (permitidas, por honrarem os vivos); resolve a aparente redundância entre "vela de gentios" e "vela de idolatria" restringindo esta última à idolatria de um israelita; desenvolve uma extensa homilia, iniciada por Rabi Zeirá bar Rabi Abahu e continuada por Rabi Berechia, Rabi Yehudá bei Rabi Simon, os sábios e Rabi Tanchuma, sobre a luz da criação, sua separação das trevas, a parábola do rei e os dois generais, e a bênção "que forma a luz e cria as trevas"; examina a leitura exata da palavra "ye'utu" e outras leituras análogas em nome de Rav e Shmuel; e fecha com os critérios práticos de Rav Yehudá, Rabi Yochanan e Rav Chinena para saber quando a luz da vela já foi aproveitada — fiar, distinguir o que há no copo e no prato, reconhecer moedas —, e a posição final de Rabi Oshaya de que mesmo num salão grande se abençoa, contrastada com o costume mais rigoroso de Rabi Zeirá. Com esta halachá encerra-se o Perek Chet de Berachot no Talmud Yerushalmi.