Talmud Yerushalmi · Massechet Demai · Perek Dalet · Halachá 3
דְּמַאי

Ninguém precisa dar nome ao dízimo do pobre do demai — mas os sábios dizem que se dá o nome sem precisar separar

Perek Dalet, Halachá 3 — Talmud Yerushalmi, Massechet Demai

Nova Mishná: Rabi Eliezer diz que ninguém precisa dar nome ao dízimo do pobre do demai, mas os sábios dizem que se dá o nome, sem precisar separá-lo de fato. Quem deu nome à teruma do dízimo do demai e ao dízimo do pobre certo (vadai) não os toma no Shabat (por envolver transferência de posse); mas se um cohen ou um pobre estavam acostumados a comer à sua mesa, podem vir comer com ele, contanto que os avise (do que estão comendo). A guemará traz Rabi Ba bar Huna em nome de Rav: quem come seu produto sem separar o dízimo do pobre incorre em pena de morte — e explica as razões de Rabi Eliezer e dos sábios a partir disso; discute a confiabilidade recíproca entre quem separa o primeiro e o segundo dízimo, com a disputa entre Rabi Eliezer e os sábios; traz o caso de quem tira o segundo dízimo de casa e diz que está resgatado; compara com a regra da challá e dos presentes ao cohen em Yom Tov, segundo Bet Shamai e Bet Hilel; traz a baraita sobre não importunar quem não quer ser hóspede nem insistir com presentes a quem não os aceitaria, e o costume de Jerusalém de virar o fecho da capa; proíbe levar vasilhas de vidro colorido à casa do enlutado; e fecha com a assistência comunitária a pobres, doentes, mortos e enlutados gentios por causa das relações humanas (darchei shalom), e a pergunta dos tecelões a Rabi Imi sobre a festa de casamento de gentios, respondida por Rabi Ba citando Rabi Chiya.

A Mishná · מַתְנִיתִין

רִבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר אֵין אָדָם צָרִיךְ לִקְרוֹת שֵׁם עַל מַעֲשֵׂר עָנִי שֶׁל דְּמַאי. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים קוֹרֵא שֵׁם וְאֵינוֹ צָרִיךְ לְהַפְרִישׁ. מִי שֶׁקָּרָא שֵׁם לִתְרוּמַת מַעֲשֵׂר שֶׁל דְּמַאי וּלְמַעֲשֵׂר עָנִי שֶׁל וַדַּאי לֹא יִטְּלֵם בַּשַּׁבָּת וְאִם הָיָה כֹהֵן אוֹ עָנִי לִמּוּדִים לוֹכַל מִמֶּנּוּ אֶצְלוֹ יָבוֹאוּ וְיֹּאכְלוּ וּבִלְבַד שֶׁיּוֹדִיעֵם.

Mishná: Rabi Eliezer diz: ninguém precisa dar nome (designar formalmente uma parte do produto como sendo) ao dízimo do pobre do demai (pois, tratando-se de produto apenas duvidoso, e o dízimo do pobre sendo mera obrigação civil sem santidade, sem que ninguém possa exigi-lo em juízo, não há necessidade de o formalizar). Mas os sábios dizem: dá-se o nome (designa-se qual parte será o dízimo do pobre), mas não é necessário separá-lo de fato (destacá-lo fisicamente do resto do produto). Quem deu nome à teruma do dízimo do demai e ao dízimo do pobre certo (vadai, isto é, de produto que certamente não foi dizimado) não os toma (não os retira fisicamente para entregá-los a seus destinatários) no Shabat (pois isso envolveria transferência de posse, vedada no Shabat). Mas se um cohen ou um pobre estavam acostumados a comer à sua mesa (regularmente, como convidados de confiança), podem vir até ele e comer (a parte que lhes cabe, sentando-se à mesma mesa e comendo diretamente do que já foi designado como sendo deles), contanto apenas que ele os avise (de que aquilo que comem é teruma ou dízimo, e não produto comum).

A Halachá · הֲלָכָה ג

01Quem come tevel do dízimo do pobre incorre em pena de morte — e daí as razões de Rabi Eliezer e dos sábios
Yerushalmi · Demai 4:3
רִבִּי בָּא בַּר הוּנָא בְשֵׁם רַב הָאוֹכֵל פֵּירוֹתָיו טְבוּלִין לְמַעֲשֵׂר עָנִי חַיָיב מִיתָה. מַה טַעַם דְּרִבִּי לִיעֶזֶר מִכֵּיוָן שֶׁהוּא יוֹדֵעַ שֶׁהוּא בַּעֲוֹן מִיתָה מַפְרִישׁ. מַה טַעַם דְּרַבָּנָן בְּלֹא כָךְ קוֹרֵא שֵׁם וְאֵינוֹ צְרִיךְ לְהַפְרִישׁ.

Rabi Ba bar Huna disse em nome de Rav: quem come seu produto tevel (sem nenhum dízimo separado) quanto ao dízimo do pobre incorre em pena de morte (por decreto divino, tal qual quem come tevel quanto aos demais dízimos). Qual é a razão de Rabi Eliezer (para dizer que não é necessário sequer dar nome ao dízimo do pobre no demai)? Visto que o dono sabe que é passível de pena de morte (caso não separe o dízimo do pobre de seu produto certo), ele mesmo o separa (por conta própria, temendo a pena — de modo que, no caso do demai, produto apenas duvidoso, essa preocupação é ainda menor, e a exigência formal se torna dispensável). Qual é a razão dos sábios (para exigirem ao menos a designação do nome)? Mesmo sem isso (sem a designação formal), o dono dá o nome de todo modo (por hábito ou precaução), mas não precisa separá-lo de fato.

02Confiabilidade recíproca entre o primeiro e o segundo dízimo
Yerushalmi · Demai 4:3
תַּנִּי הַנֶּאֱמָן רָאוּ אוֹתוֹ מַפְרִישׁ שֵׁנִי. תַּנִּי לַשֵּׁנִי נֶאֱמָָן לָרִאשׁוֹן דִּבְרֵי רִבִּי אֱלִיעֶזֶר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים הַנֶּאֱמָן לָרִאשׁוֹן נֶאֱמָן לַשֵּׁנִי. הַנֶּאֱמָן לַשֵּׁנִי אֵינוֹ נֶאֱמָן לָרִאשׁוֹן. מַה טַעַם דְּרִבִּי אֱלִיעֶזֶר מִשּׁוּם שֶׁאֵינוֹ חָשׁוּד לְהַקְדִּים אוֹ מִשּׁוּם שֶׁהִפְרִישׁ שֵׁנִי חֲזָקָה שֶׁהִפְרִישׁ רִאשׁוֹן. וְהָתַנֵּינָן רִבִּי לִיעֶזֶר אוֹמֵר אֵין אָדָם צָרִיךְ לִקְרוֹת שֵׁם לְמַעֲשֵׂר עָנִי שֶׁל דְּמַאי. הָא שֵׁנִי צָרִיךְ מַה אִם שֵׁנִי שֶׁאֵין לְרַבּוֹ טוֹבַת הֲנָיָיה צָרִיךְ לְהַפְרִישׁ. רִאשׁוֹן שֶׁיֵּשׁ לְרַבּוֹ טוֹבַת הֲנָיָיה לֹא כָל שֶׁכֵּן.

Foi ensinado: é confiável aquele a quem viram separar o segundo dízimo. Foi ensinado: quem é confiável para o segundo é confiável para o primeiro — palavras de Rabi Eliezer. Mas os sábios dizem: quem é confiável para o primeiro é confiável para o segundo; porém quem é confiável para o segundo não é confiável para o primeiro. Qual é a razão de Rabi Eliezer? É porque ele não é suspeito de antecipar (separar o segundo dízimo antes do primeiro, o que seria proibido), ou é porque, tendo separado o segundo, há presunção de que separou o primeiro (pois seria incomum separar o segundo dízimo sem antes ter separado o primeiro, dado que este é o mais rigoroso)? Mas não ensinamos: Rabi Eliezer diz que ninguém precisa dar nome ao dízimo do pobre do demai (o que mostra que, para Rabi Eliezer, quem separa um dízimo mais leve não implica necessariamente ter separado o mais severo)? Eis que para o segundo dízimo é necessário separar de fato, ainda segundo Rabi Eliezer, o que prova que a base de sua opinião acima é a segunda razão, e não a primeira: pois, se para o segundo, do qual seu dono não obtém benefício de gratidão (já que deve ser consumido apenas em Jerusalém, sem poder ser distribuído livremente a quem o dono escolher), é necessário separá-lo de fato, para o primeiro, do qual seu dono obtém benefício de gratidão (podendo entregá-lo a qualquer levita ou cohen de sua escolha, granjeando favores), não seria ainda mais necessário presumir que o separou?

03Quem tira o segundo dízimo de casa e diz "está resgatado"
Yerushalmi · Demai 4:3
הוֹצִיא לָהֶן מַעֲשֵׂר שֵׁינִי מִתּוֹךְ בֵּיתוֹ אָמַר לָהֶן פָּדוּי הוּא נֶאֱמָן. פְּדוּ לוֹ וּפְדוּ לָכֶם אֵינוֹ נֶאֱמָן. מַתְנִיתָא דְּרִבִּי לִיעֶזֶר דְּרִבִּי לִיעֶזֶר אוֹמֵר הַנֶּאֱמָן עַל הַשֵּׁנִי נֶאֱמָן עַל הָרִאשׁוֹן. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי דִּבְרֵי הַכֹּל הִיא עָשׂוּ אוֹתוֹ כְתוֹסֶפֶת הַבִּיכּוּרִים מַה תּוֹסֶפֶת הַבִּיכּוּרִים נֶאֱכֶלֶת בְּטָהֳרָה וּפְטוּרָה מִן הַדְּמַאי אַף זֶה נֶאֱכֶלֶת מִשּׁוּם שֵׁנִי וּפָטוּר מָשׁוּם רִאשׁוֹן. אָתָא רִבִּי חֲנַנְיָה בְשֵׁם רִבִּי אִיסִּי דְּרִבִּי לִיעֶזֶר הִיא.

Se alguém tirou para eles segundo dízimo de dentro de sua casa e lhes disse: "está resgatado" — é confiável. Mas se disse: "resgatai -o para mim e para vós" — não é confiável. Essa baraita é de Rabi Eliezer, pois Rabi Eliezer diz que quem é confiável quanto ao segundo é confiável quanto ao primeiro (e por isso, dizendo apenas "está resgatado", presume-se que também separou e resgatou corretamente todo o processo, incluindo o primeiro dízimo e a teruma da teruma). Disse Rabi Yossei: é opinião de todos (mesmo dos sábios que discordam de Rabi Eliezer na regra geral) — fizeram esse caso como o acréscimo aos bikurim (primícias; frutos adicionados ao cesto de primícias além do fruto formalmente consagrado): assim como o acréscimo aos bikurim é comido em pureza e é isento do dever de separar dele demai, também isso (o produto tirado como segundo dízimo) é comido como parte do segundo dízimo e é isento quanto ao primeiro. Veio Rabi Chananya em nome de Rabi Issi e disse: é opinião apenas de Rabi Eliezer (não de todos, contradizendo Rabi Yossei).

04Não tomá-los no Shabat: a comparação com a challá e os presentes ao cohen em Yom Tov
Yerushalmi · Demai 4:3
כֵּנִי מַתְנִיתָא לֹא יִתְּנֵם בְּשַׁבָּת דְּתַנֵּינָן תַּמָּן בֵּית שַׁמַּיי אוֹמְרִים אֵין מוֹלִיכִין חַלָּה וּמַתָּנוֹת לַכֹּהֵן בְּיוֹם טוֹב בֵּין שֶׁהוּרְמוּ מֵאֶמֶשׁ בֵּין שֶׁהוּרְמוּ מֵהַיּוֹם וּבֵית הִלֵּל מַתִּירִין. הָדָא יַלְּפָא מִן הַהִיא וְהַהִיא יַלְּפָא מִן הָדָא. הָדָא יַלְּפָא מִן הַהִיא הִיא יוֹם טוֹב הִיא שַׁבָּת. וְהַהִיא יַלְּפָא מִן הָדָא בְּלִימּוּדִין אֲבָל בִּשֶׁאֵין לִימּוּדִין לָא סְלַק עָל בָּר נַשָּׁא מֵיכוּל פִּיסָּתֵיהּ בְּבֵיתֵיהּ דְּחַבְרֵיהּ.

Assim é o sentido correto da Mishná quando diz que: não os entregará (não os transferirá materialmente aos seus destinatários) no Shabat — pois ensinamos ali (em outra Mishná, tratado Challá): Bet Shamai diz: não se leva challá nem outros presentes (sacerdotais, como as porções do animal abatido) ao cohen em Yom Tov, quer tenham sido destacados na véspera, quer tenham sido destacados no próprio dia; mas Bet Hilel permite. Esta Mishná (de Demai) se deriva daquela (de Challá), e aquela se deriva desta. Esta se deriva daquela: pois não há diferença entre Yom Tov e Shabat quanto à proibição de transferir bens. E aquela se deriva desta: ou seja, se o cohen e o pobre estão acostumados a vir comer, permite-se; mas se não estão acostumados, ninguém (bar nash) tem por hábito ir comer seu pedaço de pão na casa de seu companheiro (sem convite prévio, de modo que só se permite a transferência indireta — comendo à mesa do dono — quando já há costume estabelecido de recebê-lo como convidado regular).

05Não importunar quem não quer ser hóspede, nem insistir com presentes indesejados
Yerushalmi · Demai 4:3
תַּנִּי לֹא יְסָרֵב אָדָם בַּחֲבֵירוֹ לְאָרְחוֹ בְּשָׁעָה שֶׁהוּא יוֹדֵעַ שֶׁאֵינוֹ רוֹצֶה. וְלֹא יַרְבֶּה לוֹ בְתַקְרוֹבֶת בְּשָׁעָה שֶׁהוּא יוֹדֵעַ שֶׁאֵינוֹ מְקַבֵּל. מַהוּ בְתַקְרוֹבֶת יְדַע דְּהוּא רָחֵיץ וְהָא מַטְרַח עֲלוֹי. וּבִירוּשָׁלֵם הֲוָה מַפִּיךְ פִּילְכֵּיהּ דִּשְׂמָלָא לִימִינָא.

Foi ensinado: ninguém deve importunar seu companheiro para hospedá-lo (insistir para que este aceite ser seu hóspede) quando sabe que ele não quer. E não deve multiplicar-lhe presentes de aproximação (oferecer-lhe repetidamente favores ou dádivas) quando sabe que ele não os aceitará. O que são "presentes de aproximação"? É quando quem oferece sabe que o outro hesitará em aceitar, mas mesmo assim o sobrecarrega com a insistência. E em Jerusalém, quando alguém já havia aceito outro convite e não podia aceitar mais nenhum, costumava-se virar o fecho (fivela) da capa da esquerda para a direita (como sinal visível de que já estava comprometido, evitando assim que outros o importunassem com novos convites).

06Não levar vasilhas de vidro colorido à casa do enlutado
Yerushalmi · Demai 4:3
תַּנִּי אֵין מוֹלִיכִין לְבֵית הָאֵבֶל בִּכְלֵי זְכוּכִית צְבוּעָה מִפְּנֵי שֶׁהוּא טוֹעֲנוֹ טַעֲנַת חִנָּם.

Foi ensinado: não se leva à casa do enlutado comida em vasilhas de vidro colorido, porque isso lhe impõe um encargo em vão (pois o vidro colorido aparenta ser vasilha valiosa e cheia, quando na verdade, sendo opaco, pode conter pouca comida — fazendo o enlutado crer, sem necessidade, que se gastou generosamente com ele, ou obrigando-o a cuidados de devolução desproporcionais ao conteúdo recebido).

07Assistência comunitária a pobres, doentes, mortos e enlutados gentios, por causa das relações humanas
Yerushalmi · Demai 4:3
תַּנִּי עִיר שֶׁיֵּשׁ בָּהּ גּוֹיִם וְיִשְׂרָאֵל הַגַּבָּיִּים גּוֹבִין מִשֶּׁל יִשְׂרָאֵל וּמִשֵּׁל גּוֹיִם וּמְפָרְנְסִין עֲנִיֵּי יִשְׂרָאֵל וַעֲנִיָּי גּוֹיִם וּמְבַקְּרִין חוֹלֵי יִשְׂרָאֵל וְחוֹלֵי גוֹיִם וְקוֹבְרִין מֵתֵי יִשְׂרָאֵל וּמֵתֵי גּוֹיִם. וּמְנַחֲמִין אֲבֵילֵי יִשְׂרָאֵל וַאֲבֵילֵי גּוֹיִם. וּמַכְנִיסִין כְּלֵי גּוֹיִם וּכְלֵי יִשְׂרָאֵל מִפְּנֵי דַּרְכֵי שָׁלוֹם.

Foi ensinado: numa cidade onde há gentios e judeus vivendo juntos, os cobradores de caridade cobram tanto dos judeus quanto dos gentios, e sustentam tanto os pobres de Israel quanto os pobres dos gentios, e visitam tanto os doentes de Israel quanto os doentes dos gentios, e enterram tanto os mortos de Israel quanto os mortos dos gentios, e consolam tanto os enlutados de Israel quanto os enlutados dos gentios, e recolhem (devolvem a seus donos os achados de) vasilhas de gentios e vasilhas de Israel — tudo por causa das relações humanas (darchei shalom).

08Os tecelões perguntam a Rabi Imi sobre a festa de casamento de gentios
Yerushalmi · Demai 4:3
גִּירְדָּאֵי שָׁאֲלוּן לְרִבִּי אִימִּי יוֹם מִשְׁתֶּה שֶׁל גּוֹיִם מַהוּ. סְבַר מִישְׁרֵי לוֹן מִן הָכָא מִפְּנֵי דַּרְכֵי שָׁלוֹם. אָמַר לוֹן רִבִּי בָּא וְהָתַנִּי רִבִּי חִיָיא יוֹם מִשְׁתֶּה שֶׁל גּוֹיִם אָסוּר. אָמַר רִבִּי אִימִּי אִילוּלֵי רִבִּי בָּא הָיָה לָנוּ לְהַתִּיר עֲבוֹדָה זָרָה שֶׁלָּהֶן וּבָרוּךְ שֶׁרִיחֵקָנוּ מֵהֶם.

Os tecelões perguntaram a Rabi Imi: o que se diz sobre participar de um dia de festa de casamento de gentios (se é permitido comparecer como convidado)? Rabi Imi pensou em permitir-lho com base nisto (no ensinamento anterior), por causa das relações humanas. Disse-lhes Rabi Ba: acaso não ensinou Rabi Chiya que o dia de festa de casamento de gentios é proibido (por envolver necessariamente cerimônias e libações de culto idólatra)? Disse Rabi Imi: se não fosse por Rabi Ba, teríamos chegado a permitir sua idolatria (avodá zará) — bendito seja Aquele que nos afastou deles.

Nota

Esta terceira halachá do Perek Dalet traz uma nova Mishná: Rabi Eliezer diz que ninguém precisa dar nome ao dízimo do pobre do demai, mas os sábios dizem que se dá o nome sem precisar separá-lo de fato; quem deu nome à teruma do dízimo do demai e ao dízimo do pobre certo não os toma no Shabat, mas se um cohen ou pobre estavam acostumados a comer à sua mesa, podem vir e comer, contanto que se avise.

A guemará abre com Rabi Ba bar Huna em nome de Rav sobre a pena de morte de quem come tevel do dízimo do pobre, e daí deriva as razões de Rabi Eliezer e dos sábios; discute a confiabilidade recíproca entre o primeiro e o segundo dízimo, com a disputa entre Rabi Eliezer e os sábios, e o caso de quem tira o segundo dízimo de casa dizendo que está resgatado, com a leitura de Rabi Yossei sobre o acréscimo aos bikurim, contestada por Rabi Chananya em nome de Rabi Issi; explica a proibição de tomá-los no Shabat pela comparação com a challá e os presentes ao cohen em Yom Tov segundo Bet Shamai e Bet Hilel; traz a baraita sobre não importunar quem não quer ser hóspede nem insistir com presentes indesejados, e o costume de Jerusalém de virar o fecho da capa; proíbe levar vasilhas de vidro colorido à casa do enlutado; e fecha com a assistência comunitária a pobres, doentes, mortos e enlutados gentios por causa das relações humanas, e a pergunta dos tecelões a Rabi Imi sobre a festa de casamento de gentios — respondida por Rabi Ba, citando Rabi Chiya, que a proíbe por envolver idolatria.