Nova Mishná: quem compra pão do padeiro pode separar dízimo do pão quente sobre o frio e do frio sobre o quente, mesmo de muitos formatos (moldes ou fornadas diferentes), segundo Rabi Meir; Rabi Yehuda proíbe, dizendo que o trigo de ontem pode ter vindo de uma fonte e o de hoje de outra (uma dizimada, a outra não); Rabi Shimon proíbe quanto à teruma do dízimo e permite quanto à challá. A guemará traz, em nome dos alunos de Rabi Chiya, citando Rabi Yehoshua ben Levi, o limite de trinta dias para que pães de compras sucessivas ainda contem como do mesmo tipo, com o caso de quem compra no início, no meio e no fim desse período; depois retoma a opinião de Rabi Shimon e pergunta se, por consequência, também Rabi Yehuda proíbe quanto à challá; discute se a challá já se torna obrigatória na casa do padeiro independentemente da origem da farinha, levanta a hipótese de tomar emprestado fermento impuro ou pão impuro de outro padeiro para completar a massa ou o forno, e resolve a contradição entre Rabi Yehuda e Rabi Shimon através das posições de Rabi Yochanan, Rabi Elazar e Rabi Yudan, pai de Rabi Matanya — concluindo com a diferença exata entre as duas opiniões quanto ao que pode, ou não, ser dizimado de uma fornada sobre outra.
Mishná: Quem compra pão do padeiro pode separar o dízimo do pão quente sobre o frio e do frio sobre o quente (isto é, do pão de hoje sobre o de ontem e do de ontem sobre o de hoje), mesmo que sejam de muitos formatos (moldes, fornadas ou tipos diferentes) — palavras de Rabi Meir. Rabi Yehuda proíbe, pois eu digo que o trigo de ontem à noite era de um lote, e o de hoje era de outro (um pode ter sido dizimado corretamente e o outro não, de modo que não se pode presumir que sejam do mesmo tratamento). Rabi Shimon proíbe quanto à teruma do dízimo e permite quanto à challá.
Até quando vale a permissão de Rabi Meir de dizimar um pão sobre o outro? Os alunos de Rabi Chiya, em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: até trinta dias (sem incluir o trigésimo dia; depois desse prazo, presume-se que a fonte do trigo tenha mudado). Como se dá o caso concreto? Se alguém comprou dele pão no início dos trinta dias, no meio dos trinta, e no fim dos trinta dias — o primeiro lote pode ser dizimado sobre o segundo, pois ainda são um único tipo (estão dentro do mesmo período de trinta dias); o primeiro sobre o terceiro já não pode, pois são dois tipos (o intervalo entre o primeiro e o terceiro excede os trinta dias, ainda que cada par sucessivo, tomado isoladamente, caiba dentro do prazo).
Repete-se a fórmula da Mishná: "Rabi Shimon proíbe quanto à teruma do dízimo e permite quanto à challá." Se assim é para Rabi Shimon, segue-se que também Rabi Yehuda proíbe quanto à challá (pois, se a Mishná menciona Rabi Shimon como discordando de Rabi Yehuda especificamente quanto à challá, é porque Rabi Yehuda, ao calar-se sobre a challá, na verdade também a proíbe, sendo Rabi Shimon o mais brando dos dois nesse ponto).
Mas não é em sua própria casa, a do padeiro, que a massa se torna sujeita a tevel (obrigada à separação de challá — pois a obrigação de challá começa quando o padeiro amassa sua própria massa, e não depende de onde ele comprou a farinha, sendo portanto irrelevante se o trigo de ontem e o de hoje vieram de fontes diferentes)? A resposta é: a não ser que ele tome emprestado fermento impuro (de um am haaretz, isto é, comprado de alguém que não se preocupa com a pureza ritual de seu alimento, embora não seja literalmente impuro no sentido cerimonial, mas que também não leva a sério a separação da teruma do dízimo) para fazer sua massa (nesse caso, uma parte do fermento usado veio de uma fonte já dizimada e outra parte não, o que reintroduz o problema levantado por Rabi Yehuda mesmo dentro da própria casa do padeiro).
Mesmo assim (mesmo no caso do fermento emprestado), não é em sua própria casa que a challá se torna sujeita a tevel (pois a distinção quanto à origem, embora relevante para a teruma do dízimo, é irrelevante para a challá, que depende apenas do ato de amassar). A resposta é: a não ser que ele tome emprestado um pão impuro (de outro padeiro, am haaretz) para completar o forno (preenchendo o espaço vazio com pães já assados alheios, misturando-os fisicamente com os seus próprios antes de retirá-los).
E se o caso é o de quem toma emprestado um pão impuro para completar seu forno (misturando pães de fontes diferentes, indistinguíveis entre si depois de assados), não seria necessário então que ele separasse o dízimo de cada pão individualmente (já que o outro padeiro pode já ter separado challá de sua própria massa, e depois de assado não há mais como distinguir um pão do outro; não se pode separar challá — que é uma forma de teruma — de um pão já pronto e "em ordem", restando apenas a solução de tratar cada pão isoladamente, como demai, sem confiar num único ato para todos)?
Esta conclusão está de acordo com Rabi Yochanan, pois Rabi Yochanan disse a respeito de outra Mishná (5:4): aqui trata-se de quem trabalha em pureza (e ali cada pão precisa ser tratado por si), e aqui (no nosso caso), trata-se de quem trabalha em impureza (e por isso o pão emprestado pode ser misturado sem distinção). Mas como isso se sustenta de acordo com Rabi Elazar, pois Rabi Elazar disse que, tanto aqui quanto ali, trata-se de quem trabalha em pureza (caso em que a distinção entre os dois casos, que Rabi Yochanan propôs, não se sustentaria)? Disse Rabi Yudan, pai de Rabi Matanya: estamos lidando aqui com quem trabalha em impureza, e é em sua própria casa que a massa se torna sujeita a tevel (pois quem não se importa com pureza também não se importa em separar corretamente o dízimo, e por isso o problema levantado por Rabi Yehuda permanece mesmo aqui); também Rabi Yehuda concorda com isso.
E foi assim ensinado numa baraita: "Rabi Yehuda e Rabi Shimon proíbem quanto à teruma do dízimo e permitem quanto à challá." Isso mostra que, afinal, Rabi Yehuda proíbe quanto à teruma do dízimo e permite quanto à challá; Rabi Shimon proíbe quanto à teruma do dízimo e permite quanto à challá (a mesma posição, aparentemente, para os dois — contradizendo a leitura anterior, que via Rabi Yehuda como mais restritivo quanto à challá). Se assim é, qual é a diferença entre eles (já que a Mishná os apresenta como discordantes)?
Na opinião de Rabi Yehuda, não se separa o dízimo nem do pão de hoje sobre o de ontem à noite, nem do de ontem à noite sobre o de hoje (quanto à teruma do dízimo, por causa da possível diferença de fonte entre um dia e outro); mas separa-se o dízimo de um forno sobre outro forno (quando ambas as fornadas são do mesmo dia, pois nesse caso presume-se a mesma fonte de trigo, e a separação entre uma fornada e outra do mesmo dia é permitida). Na opinião de Rabi Shimon, nem sequer de um forno sobre outro forno se separa (pois ele é mais restritivo, e não confia nem mesmo em fornadas do mesmo dia como sendo necessariamente da mesma fonte de trigo, quanto à teruma do dízimo).
Esta terceira halachá do Perek Heh traz uma nova Mishná sobre quem compra pão do padeiro: segundo Rabi Meir, pode-se separar o dízimo do pão quente sobre o frio e vice-versa, mesmo entre formatos diferentes; Rabi Yehuda proíbe, temendo que o trigo de dias diferentes venha de fontes distintas, uma dizimada e outra não; Rabi Shimon distingue, proibindo quanto à teruma do dízimo mas permitindo quanto à challá. A guemará fixa em trinta dias o limite dentro do qual pães de compras sucessivas ainda contam como do mesmo tipo, segundo os alunos de Rabi Chiya em nome de Rabi Yehoshua ben Levi, com o exemplo de quem compra no início, no meio e no fim desse período.
A guemará então examina se, por paralelismo com Rabi Shimon, também Rabi Yehuda proibiria quanto à challá, levantando a objeção de que a obrigação de challá nasce já na casa do padeiro, independente da origem da farinha — a menos que ele tome emprestado fermento ou pão impuro de um am haaretz para completar sua massa ou seu forno, misturando fisicamente produtos de fontes distintas. Essa linha de raciocínio é reconciliada com a posição de Rabi Yochanan sobre pureza e impureza, contra a objeção de Rabi Elazar, através da resolução de Rabi Yudan, pai de Rabi Matanya. Por fim, uma baraita citada mostra que tanto Rabi Yehuda quanto Rabi Shimon proíbem quanto à teruma do dízimo e permitem quanto à challá, o que levanta a pergunta final sobre a real diferença entre eles: Rabi Yehuda permite dizimar de um forno sobre outro forno do mesmo dia, enquanto Rabi Shimon proíbe até isso.