Talmud Yerushalmi · Massechet Demai · Perek Heh · Halachá 2
דְּמַאי

Quem quer separar teruma, teruma do dízimo e challá juntas: as proporções e a ordem correta

Perek Heh, Halachá 2, no Talmud Yerushalmi, Massechet Demai

Nova Mishná: quem quer separar teruma e teruma do dízimo juntas (num único gesto, sem separar cada uma em seu tempo próprio) toma um em trinta e três e um terço, e diz: "um por cento do que há aqui, eis que de um lado é chulin (produto comum, já não sagrado), e o restante é teruma sobre tudo; e do chulin que há aqui, eis que de um lado é dízimo, e o restante do dízimo fica adjacente a ele; isto que fiz de dízimo é feito de fato dízimo, a teruma do dízimo recai sobre ele (e o restante é challá), e o segundo dízimo fica ao norte ou ao sul dele, e é resgatado com o dinheiro". A guemará traz a baraita paralela que acrescenta a challá a esse mesmo cálculo, elevando a proporção para um em vinte; discute quantas bênçãos se deveria recitar sobre tantas separações, segundo Rabi Shmuel bar Nachman em nome de Rabi Yonatan e Rabi Chiya; pergunta se um Israel comum poderia mesmo separar teruma do dízimo sobre produto que ainda não é seu; examina a ordem correta entre dízimo e teruma, e o que ocorre quando se separa uma proporção maior ou menor que a exata, à luz da "condição do bet din" segundo Rabi Yossei e Rabi Yochanan; e fecha com os casos práticos das cem figueiras — cinquenta grandes e cinquenta pequenas — e das dez figueiras, resolvidos por Rabi Bun bar Cahana e Rabi Aba de Cartagena, e com a razão pela qual se declara primeiro "tevel comum" em vez de nomear diretamente o dízimo ou a teruma.

A Mishná · מַתְנִיתִין

הָרוֹצֶה לְהַפְרִישׁ תְּרוּמָה וּתְרוּמַת מַעֲשֵׂר כְּאֶחָד נוֹטֵל אֶחָד מִשְּׁלֹשִׁים וְשְׁלֹשָׁה וּשְׁלִישׁ וְאוֹמֵר אֶחָד מִמֵּאָה מִמַּה שֶׁיֵּשׁ כָּאן הֲרֵי זֶה בְּצַד זֶה חוּלִין וּשְׁאָר תְּרוּמָה עַל הַכֹּל. וּמֵהַחוּלִין שֶׁיֵּשׁ כָּאן הֲרֵי זֶה בְּצַד זֶה מַעֲשֵׂר וּשְׁאָר מַעֲשֵׂר סָמוּךְ לוֹ. זֶה שֶׁעָשִׂיתִי מַעֲשֵׂר עָשׂוּי תְּרוּמַת מַעֲשֵׂר עָלָיו (וּשְׁאָר חַלָּה) וּמַעֲשֵׂר שֵׁנִי בִּצְפוֹנוֹ וּבִדְרוֹמוֹ וּמְחוּלָּל עַל הַמָּעוֹת.

Mishná: Quem quer separar teruma e teruma do dízimo juntas (num único gesto, sem esperar para separar cada uma na sua vez própria) toma um em trinta e três e um terço (cerca de 3% do total, uma proporção deliberadamente maior que a soma exata das duas terumot, para cobrir com folga ambas), e diz: "um por cento do que há aqui — eis que, de um lado, é chulin (produto comum, ainda não separado como teruma nem dízimo), e o restante de tudo o que designei é teruma sobre tudo (cobrindo toda a massa original). E do chulin que há aqui (a porção que acabei de declarar comum), eis que, de um lado, é dízimo, e o restante do dízimo fica adjacente a ele (designando mentalmente um ponto para o dízimo, com o restante contíguo a ele). Isto que eu fiz de dízimo é feito de fato dízimo; a teruma do dízimo recai sobre ele (o restante é challá), e o segundo dízimo fica ao norte ou ao sul dele (adjacente à porção já designada), e é resgatado com o dinheiro (pois não seria prático levá-lo fisicamente a Jerusalém)."

A Halachá · הֲלָכָה ב

01A baraita paralela: incluindo também a challá, a proporção sobe para um em vinte
Yerushalmi · Demai 5:2
תַּנִּי הָרוֹצֶה לְהַפְרִישׁ תְּרוּמָה וּתְרוּמַת מַעֲשֵׂר וְחַלָּה כְּאַחַת נוֹטֵל כְּדֵי תְּרוּמָה וּתְרוּמַת מַעֲשֵׂר וְחַלָּה כְּאַחַת וְכַמָּה הֵן אֶחָד מֵעֶשְׂרִים. וְאָמַר אֶחָד מִמֵּאָה מִמַּה שֶׁיֵּשׁ כָּאן הֲרֵי הֵן בְּצַד זֶה חוּלִין טֵבֵל וְעוֹד אֶחָד מֵאַרְבָּעִים וּשְׁמוֹנֶה סָמוּךְ לוֹ וְהַשְּׁאָר תְּרוּמָה עַל הַכֹּל. וּמֵהַחוּלִין שֶׁיֵּשׁ בּוֹ וְזֶה שֶׁעָשִׂיתִי חוּלִין טֵבֵל עָשׂוּי מַעֲשֵׂר וּשְׁאָר מַעֲשֵׂר סָמוּךְ לוֹ. וְזֶה שֶׁעָשִׂיתִי מַעֲשֵׂר עָשׂוּי תְּרוּמַת מַעֲשֵׂר עָלָיו. וּמַעֲשֵׂר שֵׁנִי בִּצְפוֹנוֹ וּבִדְרוֹמוֹ מְחוּלָּל עַל הַמָּעוֹת.

Foi ensinado numa baraita: quem quer separar teruma, teruma do dízimo e challá juntas toma a quantia necessária para teruma, teruma do dízimo e challá juntas — e quanto é isso? Um em vinte. E diz: "um por cento do que há aqui — eis que, de um lado, é chulin tevel (produto comum ainda não dizimado), e mais um em quarenta e oito adjacente a ele (a porção correspondente à challá, que é 1/48 da massa), e o restante é teruma sobre tudo. E do chulin que há nele — isto que eu fiz chulin tevel é feito dízimo, e o restante do dízimo fica adjacente a ele. E isto que eu fiz de dízimo é feito teruma do dízimo sobre ele. E o segundo dízimo fica ao norte ou ao sul dele, e é resgatado com o dinheiro."

02Quantas bênçãos recitar? Rabi Shmuel bar Nachman em nome de Rabi Yonatan exige cinco; Rabi Chiya as reúne numa só
Yerushalmi · Demai 5:2
רִבִּי שְׁמוּאֵל בַּר נַחְמָן בְּשֵׁם רִבִּי יוֹנָתָן צָרִיךְ לְבָרֵךְ חָמֵשׁ בְּרָכוֹת. תַּנִּי רִבִּי חִיָיא כּוֹלְלָן בְּרָכָה אַחַת.

Rabi Shmuel bar Nachman, em nome de Rabi Yonatan: é preciso recitar cinco bênçãos (uma para a teruma, uma para o primeiro dízimo, uma para a teruma do dízimo, uma para o segundo dízimo e uma para a challá, já que cada separação é, em princípio, um preceito distinto). Ensinou Rabi Chiya: reúne-se todas numa única bênção (uma vez que todas as separações são feitas no mesmo ato).

03Até aqui, para cohen ou levita; mas um Israel comum poderia separar teruma do dízimo sobre o que não é seu?
Yerushalmi · Demai 5:2
עַד כְּדוֹן כֹּהֵן לֵוִי וְיִשְׂרָאֵל אִין יֹאמַר תְּרוּמַת מַעֲשֵׂר נִמְצָא מַפְרִישׁ עַל דָּבָר שֶׁאֵינוֹ שֵׁלּוֹ.

Até aqui (no procedimento descrito), trata-se de um cohen ou de um levita (que, sendo donos tanto do produto quanto do dízimo devido a si mesmos, podem legitimamente separar teruma e teruma do dízimo juntas). Mas quanto a um Israel comum — se ele disser a fórmula da teruma do dízimo (declarando que uma porção se torna teruma do dízimo), não se constata que ele está separando sobre uma coisa que não é sua (pois a teruma do dízimo pertence, de direito, ao levita ou cohen, e não ao Israel que ainda não entregou o dízimo a ninguém)?

04A ordem correta: dízimo antes da teruma é adiantar-se; teruma antes do dízimo arrisca errar a quantidade — e a resposta de Rabi Yossei sobre a "condição do bet din"
Yerushalmi · Demai 5:2
מַעֲשֵׂר וְאַחַר כַּךְ תְּרוּמָה נִמְצָא מַקְדִּים. תְּרוּמָה וְאַחַר כַּךְ מַעֲשֵׂר נִמְצָא אוֹ פּוֹחֵת מִמַּעְשְׂרוֹתָיו אוֹ מוֹסִיף עַל מַעְשְׂרוֹתָיו כְּהָדָא דְתַנִּי הַפּוֹחֵת מִמַּעְשְׂרוֹתָיו מַעְשְׂרוֹתָיו מְתוּקָּנִין וּפֵירוֹתָיו מְקוּלְקָלִין. הַמַּעֲדִיף עַל מַעְשְׂרוֹתָיו מַעְשְׂרוֹתָיו מְקוּלְקָלִין וּפֵירוֹתָיו מְתוּקָּנִין. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי בְּסָמוּךְ עַל לִתְנַיי בֵּית דִּין הוּא. מַהוּ תְּנַיי בֵּית דִּין. עַד מַקוֹם שֶׁהַדַּעַת טוֹעָה.

Se alguém dá primeiro o dízimo e depois a teruma, constata-se que ele se adiantou (pois é proibido separar o dízimo antes da teruma; a formulação mesma da Mishná pressupõe essa ordem). Se dá primeiro a teruma e depois o dízimo, constata-se que ele ou dá menos do que deve de seus dízimos, ou acrescenta a mais aos seus dízimos (pois o dízimo deve ser exatamente dez por cento, e a teruma do dízimo exatamente um por cento deste, e ao separar por estimativa dificilmente se acerta a proporção exata) — como foi ensinado: quem dá menos do que deve de seus dízimos, seus dízimos estão em ordem, mas seus frutos estão estragados (pois ainda resta neles dízimo não separado, e comê-los seria falta grave); quem acrescenta a mais aos seus dízimos, seus dízimos estão estragados (pois o excedente contém, na proporção, segundo dízimo ou dízimo do pobre indevidamente misturado), mas seus frutos estão em ordem. Disse Rabi Yossei: ele se apoia numa condição do bet din (tribunal, cuja autoridade permite aceitar estimativas não perfeitamente exatas como válidas). O que é a condição do bet din? Até onde a mente pode errar (isto é, toda estimativa razoável, ainda que não matematicamente exata, é aceita como válida, dentro da margem natural de erro humano).

05Rabi Yochanan detalha a condição do bet din: a ordem espacial das separações, e o resgate do excedente do segundo dízimo
Yerushalmi · Demai 5:2
מַהוּ תְּנַיי בֵּית דִּין. אָמַר רִבִּי יוֹחָנָן כְּדֵי שֶׁיְּהֵא קוֹבֵעַ מַעֲשֵׂר רִאשׁוֹן בִּצְפוֹנוֹ וּמַעֲשֵׂר שֵׁינִי לִדְרוֹמוֹ וּתְרוּמַת מַעֲשֵׂר בִּצְפוֹן צְפוֹנוֹ. מַהוּ תְּנַיי בֵּית דִּין. הוּא לִכְשֶׁיִּפָּדֶה מַעֲשֵׂר שֵׁנִי שֶׁבְּעוֹדֶף פָּדוּי. עַד כְדוֹן בְּיָבֵשׁ בְּלַח.

O que é a condição do bet din? Disse Rabi Yochanan: que o dono fixe o primeiro dízimo ao norte da porção designada, o segundo dízimo ao sul dele, e a teruma do dízimo no extremo norte (seguindo sempre a mesma ordem espacial, como disciplina para não se confundir e não esquecer nenhum passo — e, seguindo essa disciplina, a estimativa de boa-fé vale como medida exata). O que mais é a condição do bet din? É que, quando se resgata o segundo dízimo, o que estiver em excesso nele também é considerado resgatado (a possibilidade de estimar aplica-se não só ao primeiro, mas também ao segundo dízimo). Até aqui, tratamos do produto seco; e quanto ao líquido?

06O caso das cem figueiras — cinquenta grandes e cinquenta pequenas — e a solução de Rabi Bun bar Cahana
Yerushalmi · Demai 5:2
הֲוָה לֵיהּ מֵאָה תְאֵנִין חַמְשִׁין רַבְרְבִין וְחַמְשִׁין דְּקִיקִין. אִין יְסַב מִן רַבְרְבָיָא צָרִיךְ מֵיסַב תֵּשַׁע. מִן דְּקִיקָתָא צָרִיךְ מֵיסַב אַחַת עֶשְׂרֵה. נְסַב עֲשָׂרָה מִן רַבְרְבָיָא אִית תַּמָּן חָדָא חוּלִין וְחָשׁ לוֹמַר שֶׁמָּא אוֹתָהּ חוּלִין עוֹשֶׂה אוֹתָהּ תְּרוּמַת מַעֲשֵׂר לְמָקוֹם אַחֵר. וּכְתִיב תְּרוּמַת יי מַעֲשֵׂר מִן הַמַּעֲשֵׂר. וְלֹא חוּלִין מִן הַמַּעֲשֵׂר. אָמַר רִבִּי בּוּן בַּר כַּהֲנָא מַתְנֶה וְאוֹמֵר מַעֲשֵׂר הַזֶּה שֶׁהַפֵּירוֹת הַלָּלוּ חַיָיבוֹת הֲרֵי הוּא קָבוּעַ בִּתְחִילַּ[ת] כָּל עוֹקֶץ וְעוֹקֶץ וּמְהַלֵּךְ עַד שֶׁהוּא מַגִּיעַ בְּכָל עֶשֶׂר מֵיסַב אִית בְּהוֹן חָדָא תְּרוּמַת מַעֲשֵׂר וְכָל שֶׁהוּא חוּלִין.

Se alguém tinha cem figos, cinquenta grandes e cinquenta pequenos (e precisa separar deles a teruma do dízimo, que deve ser exatamente um por cento) — se ele tomar dos grandes, precisa tomar nove (pois, sendo maiores, nove deles equivalem, em volume, a um por cento do total); dos pequenos, precisa tomar onze. Mas se tomou dez dos grandes (um número redondo, mais fácil de contar, mas que excede levemente o um por cento exato), há ali nesse excedente uma parte de chulin (produto comum, além do que corresponderia exatamente à teruma do dízimo), e devemos nos preocupar que, ao tomar esse chulin excedente junto com o resto, ele o torne teruma do dízimo num lugar que não é o seu (isto é, misture indevidamente produto comum à designação de teruma do dízimo); e está escrito (Números 18:26): "a teruma do Eterno, dízimo do dízimo" — e não chulin do dízimo (a Torá exige que a teruma do dízimo venha exatamente do dízimo, não de produto comum misturado a ele). Disse Rabi Bun bar Cahana: ele estipula e diz: "este dízimo, que estes frutos devem, eis que fica fixado desde o início de cada haste (de cada figo, a partir do ponto onde se prende ao galho) e se estende até chegar (a um certo ponto)" — assim, em cada um dos dez figos tomadosteruma do dízimo e uma pequena quantidade de chulin (pois a estipulação garante que, proporcionalmente, dentro de cada figo tomado exista a porção exata de teruma do dízimo, com o excedente sendo apenas chulin comum e inofensivo, e não teruma do dízimo mal colocada).

07Quantidade pequena: dez figueiras, e a solução de Rabi Aba de Cartagena, marcando o ponto exato
Yerushalmi · Demai 5:2
עַד כְּדוֹן דָּבָר מְרוּבָּה הָיָה דָּבָר מְמוּעָט הֲוָה לֵיהּ עֶשֶׂר תְּאֵנִין חָמֵשׁ רַבְרְבִין וְחָמֵשׁ דְּקִיקִין. אִין יְסַב מִן רַבְרְבָתָא צָרִיךְ מֵיסַב חָדָא פָּרָא צִיבְחַד. מִן דְקִיקָתָא צָרִיךְ מֵיסַב חָדָא וְעוֹד צִיבְחַד. נְסַב חַד מִן רַבְרְבָתָא אִית תַּמָּן כָּל שֶׁהוּא חוּלִין וְחָשׁ לוֹמַר שֶׁמָּא אוֹתוֹ הַחוּלִין עוֹשֶׂה תְּרוּמַת מַעֲשֵׂר לְמָקוֹם אַחֵר. וּכְתִיב תְּרוּמַת יי מַעֲשֵׂר מִן הַמַּעֲשֵׂר וְלֹא חוּלִין מִן הַמַּעֲשֵׂר. אָמַר רִבִּי אַבָּא קַרְתֵּיגַנָּיָיא מַתְנֶה וְאוֹמֵר הַמַּעֲשֵׂר הַזֶּה שֶׁהַפֵּירוֹת הַלָּלוּ חַיָיבוֹת הֲרֵי הוּא קָבוּעַ בִּתְחִילָּת הָעוֹקֶץ וּמְסַיֵים וְאוֹמֵר לַכֹּהֵן עַד כָּאן סִיַימְתִּי.

Até aqui, era caso de quantidade grande; e se era quantidade pequena? Por exemplo, se alguém tinha dez figos, cinco grandes e cinco pequenos: se tomar dos grandes, precisa tomar um menos um pouco; dos pequenos, precisa tomar um mais um pouco. Mas se tomou um dos grandes (um número redondo, prático, mas ainda assim impreciso), há ali nesse figo alguma quantidade de chulin, e devemos nos preocupar que esse chulin se torne teruma do dízimo num lugar que não é o seu; e está escrito: "a teruma do Eterno, dízimo do dízimo" — e não chulin do dízimo. Disse Rabi Aba de Cartagena: ele estipula e diz: "este dízimo, que estes frutos devem, eis que fica fixado desde o início da haste" — e então ele marca fisicamente o ponto e diz ao cohen: "até aqui eu terminei (isto é, a teruma do dízimo se estende apenas da haste até a marca que fiz; tudo além da marca é chulin comum)."

08Por que declarar "tevel comum" em vez de nomear diretamente dízimo ou teruma? Para não errar a ordem nem a quantidade
Yerushalmi · Demai 5:2
הֲרֵי הוּא בְּצַד זֶה חוּלִין טֵבֵל. וְיֹאמַר הֲרֵי הוּא בְּצַד זֶה מַעֲשֵׂר. נִמְצָא מַקְדִּים. וְיֹאמַר הֲרֵי הוּא בְּצַד זֶה תְרוּמָה. נִמְצָא אוֹ פוֹחֵת עַל הַתְּרוּמָה אוֹ מוֹסִיף עַל הַתְּרוּמָה. מִתּוֹךְ שֶׁהוּא אוֹמֵר הֲרֵי הוּא בְּצַד זֶה חוּלִין טֵבֵל אוֹ פוֹחֵת מִן הַתְּרוּמָה אוֹ מוֹסִיף עַל הַתְּרוּמָה אֵין בְּכַךְ כְּלוּם.

Volta-se agora à fórmula da baraita citada acima: por que se diz "eis que, de um lado, é chulin tevel" e não algo mais direto? Pois se ele dissesse "eis que, de um lado, é dízimo" diretamente, constatar-se-ia que ele se adiantou (nomeando o dízimo antes de separar a teruma, o que é proibido). E se ele dissesse "eis que, de um lado, é teruma" diretamente, constatar-se-ia que ele ou diminui a teruma (devida) ou acrescenta à teruma (pois o dízimo, do qual depende o cálculo exato da teruma do dízimo, ainda não foi fixado com precisão). Mas, uma vez que ele diz "eis que, de um lado, é chulin tevel" (uma designação neutra e provisória, que não fixa de imediato nem o dízimo nem a teruma), quer diminua da proporção exata da teruma quer acrescente à teruma (dentro dessa margem inicial ainda não nomeada), não há problema algum nisso (pois a designação final e vinculante só ocorre no passo seguinte, protegida pela condição do bet din já estabelecida).

Nota

Esta segunda halachá do Perek Heh traz uma nova Mishná, que generaliza o procedimento da halachá anterior: quem quer separar teruma e teruma do dízimo juntas toma um em trinta e três e um terço, declarando primeiro uma porção como chulin comum, depois fixando dentro dela o dízimo, e por fim a teruma do dízimo — com o segundo dízimo resgatado em dinheiro. A guemará traz a baraita paralela que inclui também a challá nesse mesmo cálculo, elevando a proporção para um em vinte, e discute quantas bênçãos recitar sobre tantas separações simultâneas, com Rabi Shmuel bar Nachman exigindo cinco e Rabi Chiya reunindo-as numa só.

Pergunta-se então se esse procedimento vale apenas para cohen ou levita, donos legítimos do dízimo e da teruma do dízimo, ou também para um Israel comum — que, ao nomear a teruma do dízimo, pareceria separar sobre algo que ainda não é seu. Discute-se a ordem correta entre dízimo e teruma: dar o dízimo antes é adiantar-se indevidamente, mas dar a teruma antes arrisca errar a proporção exata do dízimo. Rabi Yossei responde que tudo se apoia numa "condição do bet din", que Rabi Yochanan detalha como a disciplina de sempre fixar as porções na mesma ordem espacial — o que torna válida a estimativa de boa-fé mesmo sem exatidão matemática perfeita — e que também autoriza incluir o excedente do segundo dízimo em seu resgate. A halachá examina, em seguida, dois casos práticos com figos — cem figos (cinquenta grandes e cinquenta pequenos) e dez figos (cinco grandes e cinco pequenos) — mostrando como tomar um número redondo de frutos grandes pode acidentalmente misturar chulin à teruma do dízimo, com as soluções de Rabi Bun bar Cahana (estipulação proporcional ao longo de cada fruto) e Rabi Aba de Cartagena (marcação física do ponto exato). Fecha explicando por que a fórmula declara primeiro "tevel comum", e não diretamente dízimo ou teruma: essa designação neutra evita tanto o adiantamento indevido quanto o erro de proporção, pois a fixação vinculante só ocorre no passo seguinte.