Nova Mishná: quem quer separar teruma e teruma do dízimo juntas (num único gesto, sem separar cada uma em seu tempo próprio) toma um em trinta e três e um terço, e diz: "um por cento do que há aqui, eis que de um lado é chulin (produto comum, já não sagrado), e o restante é teruma sobre tudo; e do chulin que há aqui, eis que de um lado é dízimo, e o restante do dízimo fica adjacente a ele; isto que fiz de dízimo é feito de fato dízimo, a teruma do dízimo recai sobre ele (e o restante é challá), e o segundo dízimo fica ao norte ou ao sul dele, e é resgatado com o dinheiro". A guemará traz a baraita paralela que acrescenta a challá a esse mesmo cálculo, elevando a proporção para um em vinte; discute quantas bênçãos se deveria recitar sobre tantas separações, segundo Rabi Shmuel bar Nachman em nome de Rabi Yonatan e Rabi Chiya; pergunta se um Israel comum poderia mesmo separar teruma do dízimo sobre produto que ainda não é seu; examina a ordem correta entre dízimo e teruma, e o que ocorre quando se separa uma proporção maior ou menor que a exata, à luz da "condição do bet din" segundo Rabi Yossei e Rabi Yochanan; e fecha com os casos práticos das cem figueiras — cinquenta grandes e cinquenta pequenas — e das dez figueiras, resolvidos por Rabi Bun bar Cahana e Rabi Aba de Cartagena, e com a razão pela qual se declara primeiro "tevel comum" em vez de nomear diretamente o dízimo ou a teruma.
Mishná: Quem quer separar teruma e teruma do dízimo juntas (num único gesto, sem esperar para separar cada uma na sua vez própria) toma um em trinta e três e um terço (cerca de 3% do total, uma proporção deliberadamente maior que a soma exata das duas terumot, para cobrir com folga ambas), e diz: "um por cento do que há aqui — eis que, de um lado, é chulin (produto comum, ainda não separado como teruma nem dízimo), e o restante de tudo o que designei é teruma sobre tudo (cobrindo toda a massa original). E do chulin que há aqui (a porção que acabei de declarar comum), eis que, de um lado, é dízimo, e o restante do dízimo fica adjacente a ele (designando mentalmente um ponto para o dízimo, com o restante contíguo a ele). Isto que eu fiz de dízimo é feito de fato dízimo; a teruma do dízimo recai sobre ele (o restante é challá), e o segundo dízimo fica ao norte ou ao sul dele (adjacente à porção já designada), e é resgatado com o dinheiro (pois não seria prático levá-lo fisicamente a Jerusalém)."
Foi ensinado numa baraita: quem quer separar teruma, teruma do dízimo e challá juntas toma a quantia necessária para teruma, teruma do dízimo e challá juntas — e quanto é isso? Um em vinte. E diz: "um por cento do que há aqui — eis que, de um lado, é chulin tevel (produto comum ainda não dizimado), e mais um em quarenta e oito adjacente a ele (a porção correspondente à challá, que é 1/48 da massa), e o restante é teruma sobre tudo. E do chulin que há nele — isto que eu fiz chulin tevel é feito dízimo, e o restante do dízimo fica adjacente a ele. E isto que eu fiz de dízimo é feito teruma do dízimo sobre ele. E o segundo dízimo fica ao norte ou ao sul dele, e é resgatado com o dinheiro."
Rabi Shmuel bar Nachman, em nome de Rabi Yonatan: é preciso recitar cinco bênçãos (uma para a teruma, uma para o primeiro dízimo, uma para a teruma do dízimo, uma para o segundo dízimo e uma para a challá, já que cada separação é, em princípio, um preceito distinto). Ensinou Rabi Chiya: reúne-se todas numa única bênção (uma vez que todas as separações são feitas no mesmo ato).
Até aqui (no procedimento descrito), trata-se de um cohen ou de um levita (que, sendo donos tanto do produto quanto do dízimo devido a si mesmos, podem legitimamente separar teruma e teruma do dízimo juntas). Mas quanto a um Israel comum — se ele disser a fórmula da teruma do dízimo (declarando que uma porção se torna teruma do dízimo), não se constata que ele está separando sobre uma coisa que não é sua (pois a teruma do dízimo pertence, de direito, ao levita ou cohen, e não ao Israel que ainda não entregou o dízimo a ninguém)?
Se alguém dá primeiro o dízimo e depois a teruma, constata-se que ele se adiantou (pois é proibido separar o dízimo antes da teruma; a formulação mesma da Mishná pressupõe essa ordem). Se dá primeiro a teruma e depois o dízimo, constata-se que ele ou dá menos do que deve de seus dízimos, ou acrescenta a mais aos seus dízimos (pois o dízimo deve ser exatamente dez por cento, e a teruma do dízimo exatamente um por cento deste, e ao separar por estimativa dificilmente se acerta a proporção exata) — como foi ensinado: quem dá menos do que deve de seus dízimos, seus dízimos estão em ordem, mas seus frutos estão estragados (pois ainda resta neles dízimo não separado, e comê-los seria falta grave); quem acrescenta a mais aos seus dízimos, seus dízimos estão estragados (pois o excedente contém, na proporção, segundo dízimo ou dízimo do pobre indevidamente misturado), mas seus frutos estão em ordem. Disse Rabi Yossei: ele se apoia numa condição do bet din (tribunal, cuja autoridade permite aceitar estimativas não perfeitamente exatas como válidas). O que é a condição do bet din? Até onde a mente pode errar (isto é, toda estimativa razoável, ainda que não matematicamente exata, é aceita como válida, dentro da margem natural de erro humano).
O que é a condição do bet din? Disse Rabi Yochanan: que o dono fixe o primeiro dízimo ao norte da porção designada, o segundo dízimo ao sul dele, e a teruma do dízimo no extremo norte (seguindo sempre a mesma ordem espacial, como disciplina para não se confundir e não esquecer nenhum passo — e, seguindo essa disciplina, a estimativa de boa-fé vale como medida exata). O que mais é a condição do bet din? É que, quando se resgata o segundo dízimo, o que estiver em excesso nele também é considerado resgatado (a possibilidade de estimar aplica-se não só ao primeiro, mas também ao segundo dízimo). Até aqui, tratamos do produto seco; e quanto ao líquido?
Se alguém tinha cem figos, cinquenta grandes e cinquenta pequenos (e precisa separar deles a teruma do dízimo, que deve ser exatamente um por cento) — se ele tomar dos grandes, precisa tomar nove (pois, sendo maiores, nove deles equivalem, em volume, a um por cento do total); dos pequenos, precisa tomar onze. Mas se tomou dez dos grandes (um número redondo, mais fácil de contar, mas que excede levemente o um por cento exato), há ali nesse excedente uma parte de chulin (produto comum, além do que corresponderia exatamente à teruma do dízimo), e devemos nos preocupar que, ao tomar esse chulin excedente junto com o resto, ele o torne teruma do dízimo num lugar que não é o seu (isto é, misture indevidamente produto comum à designação de teruma do dízimo); e está escrito (Números 18:26): "a teruma do Eterno, dízimo do dízimo" — e não chulin do dízimo (a Torá exige que a teruma do dízimo venha exatamente do dízimo, não de produto comum misturado a ele). Disse Rabi Bun bar Cahana: ele estipula e diz: "este dízimo, que estes frutos devem, eis que fica fixado desde o início de cada haste (de cada figo, a partir do ponto onde se prende ao galho) e se estende até chegar (a um certo ponto)" — assim, em cada um dos dez figos tomados há teruma do dízimo e uma pequena quantidade de chulin (pois a estipulação garante que, proporcionalmente, dentro de cada figo tomado exista a porção exata de teruma do dízimo, com o excedente sendo apenas chulin comum e inofensivo, e não teruma do dízimo mal colocada).
Até aqui, era caso de quantidade grande; e se era quantidade pequena? Por exemplo, se alguém tinha dez figos, cinco grandes e cinco pequenos: se tomar dos grandes, precisa tomar um menos um pouco; dos pequenos, precisa tomar um mais um pouco. Mas se tomou um dos grandes (um número redondo, prático, mas ainda assim impreciso), há ali nesse figo alguma quantidade de chulin, e devemos nos preocupar que esse chulin se torne teruma do dízimo num lugar que não é o seu; e está escrito: "a teruma do Eterno, dízimo do dízimo" — e não chulin do dízimo. Disse Rabi Aba de Cartagena: ele estipula e diz: "este dízimo, que estes frutos devem, eis que fica fixado desde o início da haste" — e então ele marca fisicamente o ponto e diz ao cohen: "até aqui eu terminei (isto é, a teruma do dízimo se estende apenas da haste até a marca que fiz; tudo além da marca é chulin comum)."
Volta-se agora à fórmula da baraita citada acima: por que se diz "eis que, de um lado, é chulin tevel" e não algo mais direto? Pois se ele dissesse "eis que, de um lado, é dízimo" diretamente, constatar-se-ia que ele se adiantou (nomeando o dízimo antes de separar a teruma, o que é proibido). E se ele dissesse "eis que, de um lado, é teruma" diretamente, constatar-se-ia que ele ou diminui a teruma (devida) ou acrescenta à teruma (pois o dízimo, do qual depende o cálculo exato da teruma do dízimo, ainda não foi fixado com precisão). Mas, uma vez que ele diz "eis que, de um lado, é chulin tevel" (uma designação neutra e provisória, que não fixa de imediato nem o dízimo nem a teruma), quer diminua da proporção exata da teruma quer acrescente à teruma (dentro dessa margem inicial ainda não nomeada), não há problema algum nisso (pois a designação final e vinculante só ocorre no passo seguinte, protegida pela condição do bet din já estabelecida).
Esta segunda halachá do Perek Heh traz uma nova Mishná, que generaliza o procedimento da halachá anterior: quem quer separar teruma e teruma do dízimo juntas toma um em trinta e três e um terço, declarando primeiro uma porção como chulin comum, depois fixando dentro dela o dízimo, e por fim a teruma do dízimo — com o segundo dízimo resgatado em dinheiro. A guemará traz a baraita paralela que inclui também a challá nesse mesmo cálculo, elevando a proporção para um em vinte, e discute quantas bênçãos recitar sobre tantas separações simultâneas, com Rabi Shmuel bar Nachman exigindo cinco e Rabi Chiya reunindo-as numa só.
Pergunta-se então se esse procedimento vale apenas para cohen ou levita, donos legítimos do dízimo e da teruma do dízimo, ou também para um Israel comum — que, ao nomear a teruma do dízimo, pareceria separar sobre algo que ainda não é seu. Discute-se a ordem correta entre dízimo e teruma: dar o dízimo antes é adiantar-se indevidamente, mas dar a teruma antes arrisca errar a proporção exata do dízimo. Rabi Yossei responde que tudo se apoia numa "condição do bet din", que Rabi Yochanan detalha como a disciplina de sempre fixar as porções na mesma ordem espacial — o que torna válida a estimativa de boa-fé mesmo sem exatidão matemática perfeita — e que também autoriza incluir o excedente do segundo dízimo em seu resgate. A halachá examina, em seguida, dois casos práticos com figos — cem figos (cinquenta grandes e cinquenta pequenos) e dez figos (cinco grandes e cinco pequenos) — mostrando como tomar um número redondo de frutos grandes pode acidentalmente misturar chulin à teruma do dízimo, com as soluções de Rabi Bun bar Cahana (estipulação proporcional ao longo de cada fruto) e Rabi Aba de Cartagena (marcação física do ponto exato). Fecha explicando por que a fórmula declara primeiro "tevel comum", e não diretamente dízimo ou teruma: essa designação neutra evita tanto o adiantamento indevido quanto o erro de proporção, pois a fixação vinculante só ocorre no passo seguinte.