Nova Mishná dentro do Perek Zayin: quem tinha figos de tevel (não dizimados) em casa, mas ele mesmo estava na casa de estudo ou no campo (na sexta-feira à tarde, sem tempo de voltar e separar fisicamente as porções antes do shabat), declara antecipadamente que dois figos serão teruma, dez serão dízimo, e nove serão segundo dízimo; e, se os figos eram demai (dúvida sobre dizimação anterior), formula-se de modo distinto, com o dízimo a ser separado no dia seguinte e o restante do dízimo contíguo a ele. A guemará pergunta qual é exatamente o texto dessa declaração, distinguindo o caso em que a porção se tornará teruma pura do caso em que se tornará teruma impura, e fecha citando o ensino de que se pode mover no shabat tanto a teruma pura quanto a impura, o que Rabi Zeira lê como permissão de mover, no shabat, o próprio tevel sujeito a essa condição — desde que a pessoa mantenha em mente qual parte é a teruma reservada, e coma o restante.
Mishná: Se alguém tinha figos de tevel (não dizimados) dentro de sua casa, mas ele mesmo estava na casa de estudo ou no campo (na tarde de sexta-feira, sem tempo de voltar para casa e efetuar a separação antes de entrar o shabat), diz: "dois figos que hei de separar no futuro são teruma (a porção devida ao cohen); e dez são dízimo (maaser rishon, devido ao levita); e nove são segundo dízimo (maaser sheni)." E se eram demai (figos sobre os quais paira apenas dúvida quanto a terem sido dizimados por seu vendedor), diz: "o que hei de separar amanhã (no shabat, quando a declaração feita hoje produzirá efeito automático) é dízimo, e o restante do dízimo (isto é, a segunda porção de dízimo devida) está contíguo a ele (na porção adjacente à primeira). Este figo que fiz dízimo está feito (a designação é válida); teruma do dízimo está sobre ele (dentro dessa mesma porção contígua); e o segundo dízimo está ao seu norte ou ao seu sul (numa posição determinada relativa à porção do dízimo), e é resgatado pelas moedas (previamente destinadas a esse fim)."
O que é isto que se faz, isto é, qual é o texto exato da declaração a ser dita? "Desde já (a partir do momento da declaração, na sexta-feira), para quando eu a separar (efetivamente, já no shabat, quando a designação se tornará automaticamente válida por força da declaração antecipada)." Considera a ti mesmo (formula alternativa, conforme o caso): se fosse teruma pura, "desde já, para quando eu a comer (pois a teruma pura, uma vez separada, pode ser consumida pelo cohen sem mais demora, e não há necessidade de outro ato além de comê-la)." Considera a ti mesmo: se fosse teruma impura (que não pode ser comida nem queimada no shabat), "desde já, para quando eu a depositar num canto (guardando-a de lado, já que a única ação permitida no shabat com teruma impura é afastá-la do uso comum, e não consumi-la nem destruí-la)."
Ensina-se (numa baraita): "pode-se movê-la (no shabat), seja teruma pura, seja teruma impura (embora à primeira vista se pudesse pensar que a teruma impura, por não poder ser usada no shabat — nem comida, nem queimada — também não pudesse ser movida, por analogia às demais coisas cujo uso é vedado)." Disse Rabi Zeira: isto ensina que o tevel sobre o qual há uma condição (isto é, a declaração antecipada feita antes do shabat, que designa retroativamente certas partes como teruma e dízimo) é permitido movê-lo no shabat (pois, uma vez feita a declaração, a designação toma efeito automaticamente e o tevel remanescente torna-se apto para o consumo, sendo portanto alimento e não mero produto proibido). Como ele faz isso na prática? Ele põe os olhos (mantém em mente e atenção) numa parte dele (reservando mentalmente qual porção específica é a teruma e o dízimo já designados) e come o restante (sem tocar na parte reservada, que permanece separada em sua intenção, ainda que fisicamente misturada ao resto).
Esta halachá traz uma nova Mishná dentro do Perek Zayin: quem tem figos de tevel em casa mas está na casa de estudo ou no campo na tarde de sexta-feira, sem poder voltar para separar fisicamente as porções antes do shabat, declara antecipadamente dois figos como teruma, dez como dízimo e nove como segundo dízimo. Se os figos eram apenas demai, a fórmula muda: fala-se do dízimo a ser separado no dia seguinte, com o restante do dízimo contíguo a ele, e o segundo dízimo situado ao norte ou ao sul dessa porção, resgatado pelas moedas.
A guemará pergunta qual é o texto exato dessa declaração e distingue dois casos: se a porção se tornará teruma pura, diz-se "desde já, para quando eu a comer"; se se tornará teruma impura, diz-se "desde já, para quando eu a depositar num canto" — pois a teruma impura não pode ser consumida nem queimada no shabat, apenas guardada de lado. Fecha citando o ensino de que se pode mover no shabat tanto a teruma pura quanto a impura, o que Rabi Zeira interpreta como permissão de mover, no shabat, o próprio tevel sujeito a essa condição prévia — já que a declaração antecipada o torna, retroativamente, alimento apto ao consumo. Na prática, quem assim procede mantém em mente qual parte específica é a teruma e o dízimo já designados, e come o restante sem tocar nessa porção reservada.