Talmud Yerushalmi · Massechet Demai · Perek Zayin · Halachá 6
דְּמַאי

Duas cestas de figos de tevel, uma designada pela outra

Perek Zayin, Halachá 6, no Talmud Yerushalmi, Massechet Demai

Nova Mishná dentro do Perek Zayin: quem tinha diante de si duas cestas de figos de tevel (não dizimados) e disse "os dízimos desta estão nesta, e os desta estão nesta" (designando cada cesta como portadora dos dízimos da outra, uma pela outra), a primeira fica dizimada (pois a declaração vale para ela); os dízimos delas são válidos (mesmo quanto à segunda cesta), mas quem chamar uma cesta pela sua companheira dá nome (fixa a designação de dízimo para as duas ao mesmo tempo, o que traz consequências distintas). A guemará discute quanto se deve tomar de uma cesta para servir de dízimo e de dízimo do dízimo em relação a outra, conforme as cestas tenham quantidades iguais ou desiguais — dez, cem, mil ou dez mil figos —, com Shmuel negando que a baraita possa ser ensinada como está; traz o ensino de Rabi Yossei bar Chanina sobre a transgressão de um preceito positivo na primeira cesta e de um preceito positivo e um negativo na segunda; a leitura de Rabi Elazar ligando a Mishná à opinião de Rabi Meir, segundo a qual só a primeira designação feita se prende, com o paralelo da têmura de olá e de shelamim; a concordância dos sábios com Rabi Meir nos casos de teruma e de animais consagrados feitos um após o outro, com a distinção entre a intenção de diminuir e a de aumentar, e o princípio de que a pessoa é interrogada sobre seu voto de consagração mas não sobre sua teruma; e fecha descrevendo o procedimento prático de tomar vinte figos de cestas iguais ou desiguais, e o método de quem quer dizimar uma única cesta ou introduzir em casa cem figos já consertados, citando Rabi Zeira sobre "as palavras dos sábios e seus enigmas".

A Mishná · מַתְנִיתִין

הָיוּ לְפָנָיו שְׁתֵי כַלְכָּלוֹת שֶׁל טֵבֵל וְאָמַר מַעְשְׂרוֹת שֶׁל זוּ בְזוּ וְשֶׁל זוּ בְזוּ הָרִאשׁוֹנָה מְעוֹשֶּׂרֶת. מַעְשְׂרוֹתֵיהֶם מַעְשְׂרוֹת כַּלְכָּלָה בַחֲבֵירָתָהּ קָרָא לָהּ שֵׁם.

Mishná: Se havia diante dele duas cestas de tevel (figos ainda não dizimados), e ele disse: "os dízimos desta (primeira cesta) estão nesta (segunda), e os desta (segunda) estão nesta (primeira)" — a primeira (cesta sobre a qual a declaração recaiu antes) fica dizimada (pois a designação feita nela toma efeito de imediato, já que a segunda ainda estava intacta no momento em que se falou dela). Os dízimos delas (ambas as cestas) são válidos (a designação surte efeito para as duas), mas quem chamar a cesta pela sua companheira (isto é, quem disser algo como "os dízimos desta cesta estão em sua companheira", referindo-se às duas de uma vez, sem a ordem sucessiva da fórmula anterior) dá nome (fixa a designação sobre ambas simultaneamente, situação que a guemará examinará quanto às suas consequências).

A Halachá · הֲלָכָה ו

01Quanto se toma da segunda cesta: dois figos, dois dízimos e o dízimo do dízimo — e a objeção de Shmuel
Yerushalmi · Demai 7:6
וְתַנִּי עֲלָהּ נוֹטֵל מִן הַשְּׁנִיָיה שְׁתֵּי תְאֵנִים וּשְׁתֵּי עִישּׂוּרִין וְעִישּׂוּרוֹ שֶׁל עִישּׂוּר. שְׁמוּאֵל אָמַר לָא מָצֵי תַנִּיתָהּ. אִין יְסַב חָדָא לְעֶשֶׂר. צָרִיךְ מֵיסַב חָדָא לְמֵאָת. אִין יְסַב חָדָא לְמֵאָת. צָרִיךְ מֵיסַב חָדָא לְאֶלֶף. אִין יְסַיב חָדָא לְאֶלֶף. צָרִיךְ מֵיסַב חָדָא לַעֲשָׂרָה אֲלָפִין.

E ensina-se a respeito dela (desta Mishná, numa baraita): toma-se da segunda cesta dois figos, e dois que servem de dízimos, e o dízimo do dízimo (isto é, além da porção que passa a ser dízimo, uma porção adicional que serve de teruma do dízimo, retirada de dentro do próprio dízimo). Shmuel disse: não se pode ensiná-la assim (esta proporção fixa de "dois figos" não pode valer em geral, pois depende do tamanho da cesta). Se toma um figo para dez (quando a cesta tem apenas dez figos, um basta como dízimo), é preciso tomar um para cem (quando a cesta tem cem figos, é preciso tomar um figo a mais, pois a proporção muda). Se toma um para cem, é preciso tomar um para mil (quando a cesta chega a mil figos, é preciso ainda outro ajuste). Se toma um para mil, é preciso tomar um para dez mil (e assim sucessivamente, a cada multiplicação por dez a proporção exige o acréscimo de mais um figo, de modo que a regra fixa da baraita — "dois figos" — não pode ser ensinada como valendo para toda cesta, seja qual for seu tamanho).

02Rabi Yossei bar Chanina: transgressão de preceito positivo na primeira cesta, e de positivo e negativo na segunda
Yerushalmi · Demai 7:6
אָמַר רִבִּי יוֹסֵה בַּר חֲנִינָא עַל הָרִאשׁוֹנָה עוֹבֵר בַּעֲשֵׂה וְעַל הַשְּׁנִיָיה בַּעֲשֵׂה וְלֹא תַעֲשֶׂה. עַל הָרִאשׁוֹנָה עוֹבֵר בַּעֲשֵׂה שֶׁקָּבַע שְׁנֵי שֵׁמוֹת כְּאַחַת וְעַל הַשְּׁנִיָיה בַּעֲשֵׂה וְלֹא תַעֲשֶׂה שֶׁקָּבְעוּ שְׁנֵי שֵׁמוֹת כְּאַחַת וְשֶׁהִקְדִּים שֵׁנִי שֶׁבָּרִאשׁוֹנָה לָרִאשׁוֹן שֶׁבִּשְׁנִיָיה.

Disse Rabi Yossei bar Chanina: quanto à primeira cesta, quem declarou daquele modo transgride um preceito positivo, e quanto à segunda, um preceito positivo e um negativo. Quanto à primeira, transgride um preceito positivo, porque fixou dois nomes (duas designações, teruma e dízimo de fontes diferentes) ao mesmo tempo (o que a Torá não prescreve como modo correto de separar dízimos, que devem seguir uma ordem própria); e quanto à segunda, um preceito positivo e um negativo, porque fixaram (as duas cestas juntas) dois nomes ao mesmo tempo, e porque antecipou o segundo dízimo, que deveria vir depois, que estava na primeira cesta, ao primeiro dízimo, que deveria vir antes, que estava na segunda cesta (invertendo assim a ordem correta de separação, o que constitui uma transgressão adicional, específica da segunda cesta).

03Rabi Elazar: é a opinião de Rabi Meir — só a primeira designação se prende; o paralelo da têmura de olá e shelamim
Yerushalmi · Demai 7:6
אָמַר רִבִּי לָעְזָר דְּרִבִּי מֵאִיר הִיא דְּרִבִּי מֵאִיר אָמַר אֵין אַתְּ תּוֹפֵס אֶלָּא רִאשׁוֹן רִאשׁוֹן בִּלְבַד. תַּמָּן תַּנֵּינָן הֲרֵי זוּ תְּמוּרַת עוֹלָה וּתְמוּרַת שְׁלָמִים הֲרֵי זוּ תְּמוּרַת עוֹלָה דִּבְרֵי רִבִּי מֵאִיר. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי הֲוֵינָן סָבְרִין מֵימַר מַה פְלִיגִין רִבִּי מֵאִיר וְרַבָּנִין לְאַחַר כְּדֵי דִיבּוּר אֲבָל בְּתוֹךְ כְּדֵי דִיבּוּר לֹא. מִן מַה דְאָמַר רִבִּי לָעְזָר רִבִּי מֵאִיר הִיא. הָדָא אָמְרָה אֲפִילוּ בְּתוֹךְ כְּדֵי דִיבּוּר אֵינוֹ חוֹזֵר בּוֹ.

Disse Rabi Elazar: a Mishná é segundo Rabi Meir, pois Rabi Meir disse: não te prendes senão à primeira designação feita, e somente a ela (de modo que, ao dizer "os dízimos desta estão nesta, e os desta estão nesta", só a primeira frase produz efeito, e é por isso que a Mishná declara dizimada apenas a primeira cesta). Ali (em outro tratado) ensinamos: "eis que esta é têmura de olá (sacrifício de oferenda queimada por inteiro, ao trocar um animal já consagrado por outro)", e logo em seguida diz "têmura de shelamim (sacrifício de paz)" — eis que esta é têmura de olá (a segunda declaração não tem efeito, prevalecendo apenas a primeira), palavras de Rabi Meir. Disse Rabi Yossei: nós pensávamos dizer que Rabi Meir e os sábios discordam apenas quanto ao que ocorre depois do tempo de uma fala (isto é, depois que já passou tempo suficiente para se dizer outra frase, quando uma retratação já não seria natural), mas dentro do tempo de uma fala (uma retratação imediata, feita ainda no mesmo fôlego), não discordariam, e todos admitiriam que a segunda declaração poderia reverter a primeira). Mas, a partir do que disse Rabi Elazar — que é opinião de Rabi Meir — isto ensina que mesmo dentro do tempo de uma fala a pessoa não se retrata dela, e prevalece sempre a primeira designação, ainda que a segunda tenha sido dita imediatamente em seguida.

04A baraita paralela e a concordância dos sábios com Rabi Meir em teruma e em animal consagrado
Yerushalmi · Demai 7:6
דִּי מַתְנִיתָא מַעְשְׂרוֹתֵיהֶן מַעְשְׂרוֹת כַּלְכָּלָה וַחֲבֵירָתָהּ קָרָא שֵׁם. מִפְּנֵי שֶׁקָּבַע שְׁנֵי שֵׁמוֹת כְּאַחַת. הָא זֶה אַחַר זֶה אֵין אַתְּ תּוֹפֵשׂ אֶלָּא רִאשׁוֹן רִאשׁוֹן בִּלְבַד. אָמַר רִבִּי אָבוּנָא מוֹדִין חֲכָמִים לְרִבִּי מֵאִיר בְּאוֹמֵר תְּרוּמָה זוּ תַּחַת שֵׁנִי חַיָיב. בְּהֵמָה זוּ תַּחַת זְבָחִים שֵׁנִי חַיָיב מִפְּנֵי שֶׁקָּבַע שְׁנֵי שֵׁמוֹת כְּאַחַת הָא זֶה אַחַר זֶה אֵין אַתְּ תּוֹפֵשׂ אֶלָּא רִאשׁוֹן רִאשׁוֹן בִּלְבַד. לֹא כֵן אָמַר רִבִּי שְׁמוּאֵל בַּר רַב יִצְחָק בְּשֵׁם רַב הוּנָא אָמַר זוּ תְמוּרַת עוֹלָה חוֹזֵר בּוֹ אֲפִילוּ בְּתוֹךְ כְּדֵי דִיבּוּר. כָּאן בְּמִתְכַּוֵּין לִפְחוֹת. כָּאן בְּמִתְכַּוֵּין לְהוֹסִיף. אָמַר הֲרֵי זוּ תְּרוּמָה אֲפִילוּ בְּתוֹךְ כְּדֵי דִיבּוּר אֵינוֹ חוֹזֵר בּוֹ. אָדָם נִשְׁאַל עַל הֶקְדֵּישׁוֹ וְאֵין אָדָם נִשְׁאַל עַל תְּרוּמָתוֹ.

Que a baraita diz: "os dízimos delas são válidos, mas quem chamar a cesta pela sua companheira dá nome" — porque fixou dois nomes ao mesmo tempo (referindo-se às duas cestas de uma vez, e não uma após a outra); eis que, se fosse uma declaração após a outra, não te prenderias senão à primeira, e somente a ela. Disse Rabi Avuna: os sábios concordam com Rabi Meir em quem diz "esta teruma substitui a segunda (uma teruma anterior já designada)" — o falante é responsável (a segunda designação também toma efeito, ao contrário do que ocorre com a têmura). "Este animal substitui os segundos sacrifícios (já consagrados)" — o falante é responsável, porque fixou dois nomes ao mesmo tempo; eis que, se fosse um ato depois do outro, não te prenderias senão à primeira designação, e somente a ela. Não foi assim que disse Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak em nome de Rav Huna: quem diz "esta é têmura de olá" se retrata dela mesmo dentro do tempo de uma fala (contradizendo o que se disse acima, de que não há retratação)? Resposta: aqui trata-se de quem tem em mente diminuir (reverter a primeira designação para reduzir sua obrigação, o que não é permitido); ali trata-se de quem tem em mente aumentar (acrescentar uma nova obrigação sobre a anterior, o que é permitido, pois ninguém se prejudica com isso). Prova disso é que, quanto à teruma, se disse "eis que esta é teruma", mesmo dentro do tempo de uma fala não se retrata dela (pois retratar-se ali seria diminuir a obrigação já contraída): a pessoa é interrogada (pode pedir a um sábio que a libere) sobre seu voto de consagração (hekdesh), mas a pessoa não é interrogada sobre sua teruma (uma vez separada, a teruma não pode ser desfeita por meio de consulta a um sábio, ao contrário do hekdesh).

05Na prática: vinte figos de cestas iguais, e o cálculo para cestas desiguais — cem e duzentos, cem e mil
Yerushalmi · Demai 7:6
כֵּיצַד הוּא עוֹשֶׂה נוֹטֵל עֶשְׂרִים תְּאֵנִים מֵאֵי זוּ מֵהֶן שֶׁיִּרְצֶה. וְכָל עֶשֶׂר דִּיסַב אִית בְּהוֹן תְּרוּמַת מַעֲשֵׂר. עַד כְדוֹן בְּשָׁווֹת. הָיָה בְזוּ מֵאָה וּבְזוּ מָאתַיִם אִם לְשֵׁם מֵאָה הוּא נוֹטֵל אַחַת עֶשְׂרֵה. אִם לְשֵׁם מָאתַיִם הוּא נוֹטֵל ששים תְּאֵנִים. בְּזוּ מֵאָה וּבְזוּ אֶלֶף אִם לְשֵׁם מֵאָה הוּא נוֹטֵל חֲמֵשׁ עֶשְׂרֵה. אִם לְשֵׁם אֶלֶף הוּא נוֹטֵל אֲפִילוּ הוּא נוֹטֵל אֶת כּוּלָּהּ אֵינוֹ מַשְׁלִים.

Como ele faz isso na prática? Toma vinte figos, de qualquer uma delas (das duas cestas) que quiser, e em cada dez que tomar há neles teruma do dízimo (a proporção correta já está embutida). Até aqui, tratando-se de cestas iguais (de mesmo tamanho). Mas se havia nesta cem e nesta duzentos figos: se a designação é feita em nome dos cem, toma onze figos; se em nome dos duzentos, toma sessenta figos (as proporções mudam conforme a cesta usada como referência de cálculo). Se havia nesta cem e nesta mil: se em nome dos cem, toma quinze; se em nome dos mil, toma tantos que mesmo tomando a cesta inteira não completa (a proporção correta exigiria mais figos do que a própria cesta contém, de modo que é impossível atingir exatamente o valor necessário só com aquela cesta).

06Quem quer dizimar uma cesta, ou trazer cem figos consertados para casa: "as palavras dos sábios e seus enigmas"
Yerushalmi · Demai 7:6
מִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ כַלְכָּלָה וְהוּא מְבַקֵּשׁ לְעַשְּׂרָהּ נוֹטֵל שְׁנֵי תִישּׁוּעִין וְתִישּׁוּעַ שֶׁל תִישׁוּעַ שֶׁהֵן עֶשֶׂר מַעֲשֵׂר וְתֵשַׁע מַעֲשֵׂר שֵׁנִי. וְיֹאמַר תְּשַׁע עֶשְׂרֵה. אָמַר רִבִּי זְעִירָא דִּבְרֵי חֲכָמִים וְחִידּוֹתָם. הָרוֹצֶה לְהַכְנִיס מֵאָה תְאֵנִים מְתוּקָּנוֹת לְתוֹךְ בֵּיתוֹ הֲרֵי זֶה נוֹטֵל עַל כָּל תְּאֵינָה וּתְאֵינָה שְׁנֵי תִישּׁוּעִין וְתִישּׁוּעַ שֶׁל תִישׁוּעַ שֶׁהֵן עֶשְׂרִים וְשָׁלֹשׁ תְּאֵינָה אַרְבָּעָה אָמַר תִּישּׁוּעוֹ שֶׁל תִישׁוּעַ.

Quem tem uma cesta e deseja dizimá-la (dizimar toda a cesta de uma só vez, sem tomar cesta contra cesta) toma dois dízimos (duas porções de um décimo) e o dízimo do dízimo (mais uma porção de um décimo do décimo, retirada de dentro dele), que são dez (figos, correspondendo ao) dízimo, e nove (figos, correspondendo ao) segundo dízimo. E dirá: estes são "dezenove" (a fórmula abreviada que engloba as duas porções de uma só vez). Disse Rabi Zeira: são palavras dos sábios e seus enigmas (expressões concisas e um tanto enigmáticas, que exigem explicação para se compreender exatamente o que designam). Quem deseja trazer cem figos já consertados (devidamente dizimados) para dentro de sua casa toma, sobre cada figo, dois dízimos e o dízimo do dízimo, que são vinte e três (figos, para o total de cem); e, sobre o vigésimo terceiro, figo quarto (a quarta unidade da contagem correspondente), diz: "dízimo do dízimo" (designando-o especificamente como a porção de teruma do dízimo dentro do conjunto separado).

Nota

Esta halachá traz uma nova Mishná dentro do Perek Zayin: quem tinha diante de si duas cestas de figos de tevel e disse "os dízimos desta estão nesta, e os desta estão nesta", a primeira cesta fica dizimada, pois é sobre ela que a declaração toma efeito primeiro; os dízimos de ambas são válidos, mas quem chamar uma cesta pela sua companheira — designando as duas ao mesmo tempo, sem a ordem sucessiva — dá nome a ambas simultaneamente, o que traz consequências diferentes, discutidas pela guemará.

A guemará começa discutindo a proporção exata a tomar da segunda cesta: uma baraita fala em "dois figos, dois dízimos e o dízimo do dízimo", mas Shmuel objeta que essa proporção fixa não pode valer para toda cesta, pois a cada multiplicação por dez no tamanho da cesta — de dez para cem, de cem para mil, de mil para dez mil — a proporção correta exige um figo a mais. Rabi Yossei bar Chanina explica que, na primeira cesta, transgride-se um preceito positivo, e na segunda, um positivo e um negativo, por se fixarem dois nomes ao mesmo tempo e por se inverter a ordem correta entre primeiro e segundo dízimo. Rabi Elazar liga a Mishná à opinião de Rabi Meir, para quem só a primeira designação feita se prende, com o paralelo da têmura de olá e de shelamim; e uma baraita mostra que os sábios concordam com Rabi Meir nos casos de teruma que substitui teruma e de animal consagrado que substitui outro, distinguindo a intenção de diminuir (que não vale) da intenção de aumentar (que vale), e fechando com o princípio de que a pessoa é interrogada sobre seu voto de consagração, mas não sobre sua teruma, que uma vez separada não pode ser desfeita.

Por fim, a halachá descreve o procedimento prático: de cestas iguais, toma-se vinte figos de qualquer uma delas, cada dez já contendo a teruma do dízimo embutida; de cestas desiguais — cem e duzentos, ou cem e mil — o número exato de figos a tomar muda conforme qual cesta serve de referência para o cálculo, podendo até se tornar impossível de completar exatamente. Fecha com o método de quem quer dizimar uma única cesta, tomando "dezenove" figos como fórmula abreviada para dízimo e segundo dízimo — expressão que Rabi Zeira chama de "palavras dos sábios e seus enigmas" —, e com o método de quem quer introduzir em casa cem figos já consertados, tomando vinte e três figos, dos quais o quarto é designado especificamente como dízimo do dízimo.