Segunda halachá de Massechet Kilayim: a Mishná ensina que o kishut (pepino, ou um tipo de melão verde) e o melafefon (melão) não são kilayim um com o outro — embora Rabi Yehudá discorde, considerando-os kilayim —, e do mesmo modo a alface e a alface silvestre, a chicória e a chicória do campo, o alho-poró e o alho-poró do campo, o coentro e o coentro do campo, a mostarda e a mostarda egípcia, a abóbora egípcia e a abóbora de cinzas, e a fava egípcia e a alfarroba. A guemará explica, na boca de Rabi Yudan bar Menashe, como uma pequena semente do broto de um pepino, plantada, se torna melancia, e uma semente do broto de uma melancia se torna melão — e como uma semente de melancia e uma semente de maçã, plantadas juntas numa mesma cova, se unem e se tornam kilayim, dando origem ao nome grego "melopepon". Segue-se a pergunta sobre a opinião de Rabi Yehudá quanto a pepino e melancia, resolvida por uma baraita que trata os três pares separadamente. A halachá fecha com identificações regionais dos tipos de alface e chicória por Rabi Chananya, Shimon filho de Rabi Avi e Rabi Yossei beRabi Bun, a explicação de Rabi Nechemia sobre a abóbora aramaica, egípcia e grega, a definição de Rabi Chinena da abóbora de cinzas como uma abóbora amarga adoçada em cinzas quentes, e a identificação de Rabi Yona da alfarroba com um tipo de fava egípcio-persa cujas vagens se parecem com a alfarroba verdadeira.
Mishná: O kishut (pepino, ou um melão verde alongado) e o melafefon (melão) não são kilayim (mistura proibida de espécies) um com o outro. Rabi Yehudá diz: são kilayim. A alface e a chazeret gelin (alface silvestre, ou de campo aberto), as ulshin (chicórias cultivadas) e as chicórias do campo, os alhos-porós cultivados e os alhos-porós do campo, o coentro cultivado e o coentro do campo, a mostarda cultivada e a mostarda egípcia, e a abóbora egípcia e a rumtsa (abóbora de cinzas, naturalmente amarga), e a fava egípcia e a alfarroba (aqui, um feijão alongado que imita a forma da alfarroba) — todos esses pares não são kilayim um com o outro.
Halachá: Disse Rabi Yudan bar Menashe: a opinião dos sábios é que a pessoa toma uma pequena semente do pitma (a extremidade do broto, junto ao pedúnculo) de um pepino e a planta, e ela se torna melancia (isto é, a mesma planta, sob certas condições de cultivo, produz um fruto que passa a ser identificado como outra espécie). A pessoa toma uma pequena semente do pitma de uma melancia e a planta, e ela se torna melão. Rabi Yehudá diz: por isso mesmo, a própria planta, em sua raiz e origem, já é kilayim (isto é, precisamente porque uma espécie se transforma na outra através do cultivo, Rabi Yehudá as considera espécies distintas, sujeitas à proibição de kilayim entre si, e não uma só espécie em variação). A pessoa toma uma pequena semente do pitma de uma melancia e uma pequena semente do pitma de uma maçã, e as coloca dentro de uma mesma cova, e elas se unem e se tornam kilayim (isto é, o cruzamento entre essas duas sementes produz um fruto híbrido, reconhecido como mistura de duas espécies verdadeiras). Por isso a chamam, na língua grega, melafefon ("melopepon", literalmente "melão-maçã", composto dos termos gregos para maçã e fruto amadurecido ao sol — nome que preserva a memória dessa origem híbrida).
A guemará pergunta: o pepino e a melancia — o que disse Rabi Yehudá a respeito deles, visto que a Mishná só menciona sua opinião sobre pepino e melão, sem citar explicitamente a melancia? Ouçamo-lo a partir desta baraita: "o pepino, a melancia e o melão não são kilayim um com o outro; Rabi Yehudá diz: são kilayim." Diríamos então, ao explicar essa baraita, que ela na verdade contém duas afirmações distintas: primeiro, o pepino e o melão não são kilayim um com o outro — e é só sobre este par que Rabi Yehudá discorda, dizendo que são kilayim, exatamente como já sabíamos pela Mishná; e, segundo, a melancia e o melão não são kilayim um com o outro — caso em que Rabi Yehudá diz: são kilayim (uma opinião nova, não mencionada explicitamente na Mishná). Mas, se assim for, resta a dúvida sobre o terceiro par: a opinião de Rabi Yehudá sobre o pepino e a melancia ainda é necessária — isto é, permanece sem solução explícita, pois nem a Mishná nem esta baraita a mencionam por si só, e não se pode inferi-la automaticamente das outras duas, já que a ausência de kilayim, como se viu, não é uma relação transitiva.
A Mishná ensina: "a alface e a chazeret galim (alface silvestre)." Rabi Chananya disse: trata-se da "alface dos telhados" (chassa digrin) (um tipo cultivado em terraços). Shimon, filho de Rabi Avi, disse: trata-se da alface "antioquina" (originária de Antioquia). Rabi Yossei beRabi Bun disse: trata-se da "doce yasei" (uma planta não identificada com precisão). As ulshin (chicórias cultivadas) são chamadas troxsimon (termo grego para "o que se come cru"). As chicórias do campo são chamadas ultin. A Mishná ensina também: "os alhos-porós cultivados." Os alhos-porós do campo são chamados kefalotin (termo grego para "de cabeça grande").
A Mishná ensina: "a abóbora egípcia." A guemará observa: a nossa Mishná não segue Rabi Nechemia. Em nome de Rabi Nechemia se ensina, numa baraita, que a abóbora aramaica é a mesma que a abóbora egípcia; e, sendo espécies verdadeiramente distintas, a abóbora egípcia é kilayim com a abóbora grega, e também é kilayim com a rumtsa (abóbora de cinzas) — ao contrário da nossa Mishná, que trata a abóbora egípcia e a abóbora de cinzas como não sendo kilayim entre si.
A Mishná ensina: "e a rumtsa." Disse Rabi Chinena: trata-se de um tipo de abóbora amarga, e a adoçam assando-a em cinzas (remets) quentes — daí seu nome, derivado da palavra "cinza".
A Mishná ensina: "e a alfarroba." Disse Rabi Yona: não se trata da alfarroba verdadeira, mas de um tipo de fava egípcio-persa, cujas vagens (ketsitsoy) se parecem com a alfarroba (daí o nome popular dado a essa espécie de feijão).
Esta é a segunda halachá de Massechet Kilayim: a Mishná ensina que o pepino e o melão não são kilayim entre si — embora Rabi Yehudá discorde —, e do mesmo modo a alface e a alface silvestre, a chicória e a chicória do campo, o alho-poró e o alho-poró do campo, o coentro e o coentro do campo, a mostarda e a mostarda egípcia, a abóbora egípcia e a abóbora de cinzas, e a fava egípcia e a alfarroba.
A guemará explica, na boca de Rabi Yudan bar Menashe, o fenômeno agrícola por trás desses pares: uma semente do broto de um pepino, plantada, torna-se melancia, e uma semente do broto de uma melancia torna-se melão — daí a razão de tratá-los como uma mesma espécie em transformação. Rabi Yehudá, ao contrário, entende que essa própria capacidade de transformação prova que se trata de espécies distintas desde a raiz, sendo por isso kilayim. A guemará ilustra ainda como uma semente de melancia e uma semente de maçã, plantadas juntas, se unem e formam um híbrido reconhecido como kilayim — origem do nome grego "melopepon".
Segue-se a pergunta sobre a opinião de Rabi Yehudá quanto ao par pepino-melancia, não mencionado explicitamente nem na Mishná nem na baraita citada, permanecendo como dúvida não resolvida. A halachá fecha com identificações regionais dos tipos de alface (por Rabi Chananya, Shimon filho de Rabi Avi e Rabi Yossei beRabi Bun) e chicória, a nota de que a Mishná não segue Rabi Nechemia quanto à relação entre a abóbora egípcia, aramaica, grega e de cinzas, a explicação de Rabi Chinena sobre a abóbora de cinzas amarga adoçada em brasas, e a identificação de Rabi Yona da alfarroba da Mishná com um feijão egípcio-persa de vagens semelhantes à alfarroba verdadeira.