Oitava e última halachá do Perek Bet de Massechet Kilayim: a Mishná ensina que tudo o que está dentro do bet rova conta para a medida do bet rova; o entorno da videira, a sepultura e a rocha contam para a medida do bet rova; cereal com cereal precisa de um bet rova, verdura com verdura de seis palmos; cereal com verdura e verdura com cereal precisam de um bet rova — Rabi Eliezer diz: verdura com cereal, seis palmos; cereal pendendo sobre cereal, verdura sobre verdura, cereal sobre verdura e verdura sobre cereal, tudo é permitido, exceto a delaat yevanit (cabaça grega) — Rebbi diz: também o pepino e a fava egípcia, mas prefiro as palavras deles às minhas. A guemará, extensa, traz Rabi Bun bar Chiya em nome de Rabi Zeirá sobre o entorno da videira e da sepultura; a exigência de que o cereal não fique enjaulado por quatro lados; a pergunta de Rabi Zeirá sobre o vale de Simonia; a objeção de Rabi Eliezer aos sábios sobre a leniência da fileira e o rigor do retângulo; o caso de quem planta meia fileira e para; a disputa entre Rabi Chiya bar Aba e Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak sobre três fileiras em seis palmos; e os cinco, ou sete, ensinamentos sobre a delaat yevanit quanto a impureza, cobertura e votos. Com esta halachá, encerra-se o Perek Bet de Massechet Kilayim.
Mishná: Tudo o que está dentro do bet rova (o espaço vazio exigido como separação entre dois campos de espécies distintas) conta para a medida do bet rova (mesmo que não seja terra própria para lavoura). O entorno da videira (o espaço reservado para seu cultivo), a sepultura, e a rocha (um afloramento de rocha com menos de dez palmos de altura) contam para a medida do bet rova. Cereal com cereal precisa de um bet rova; verdura com verdura, seis palmos. Cereal com verdura, e verdura com cereal, precisam de um bet rova. Rabi Eliezer diz: verdura com cereal, seis palmos. Cereal pendendo sobre cereal, e verdura sobre verdura; cereal sobre verdura, e verdura sobre cereal — tudo é permitido, exceto a delaat yevanit (cabaça grega, de folhas largas e ramos rastejantes que invadem o campo vizinho). Rebbi diz: também o pepino verde e a fava egípcia (devem ser proibidos de pender sobre o campo vizinho, como a cabaça grega); mas prefiro as palavras deles (dos sábios, que permitem) às minhas.
Halachá: Rabi Bun bar Chiya, em nome de Rabi Zeirá: não ensinaram (que conta para a medida do bet rova) senão o entorno da videira (uma videira seca, sem frutos) — mas a própria videira, não (não conta, pois se trata de uma videira frutífera, cujos frutos tornariam qualquer semeadura próxima kilayim por decreto bíblico). Por quê (o entorno de uma videira seca conta, apesar de tudo)? Porque é proibido para proveito (o espaço reservado ao cultivo da videira não pode ser aproveitado para outra coisa, e por isso serve como separação). Mas eis que a sepultura (mencionada junto no mesmo verso da Mishná) também é proibida para proveito (e ainda assim caberia perguntar por que precisou ser mencionada à parte)! A sepultura (se distingue porque) sua proibição não é reconhecível (visualmente, sendo coberta apenas por uma laje rasa, ao contrário do entorno da videira, que se reconhece pelo cultivo ao redor). E o trabalho (o espaço de cultivo) da videira só é proibido para proveito segundo Rabi Yishmael, pois Rabi Yishmael disse que uma videira isolada não tem (direito a) espaço de trabalho (uma única videira, sem parceiras, não recebe a faixa de terreno reservada ao cultivo — de modo que, segundo ele, o "entorno da videira" da Mishná só se refere a uma videira que tem parceiras, e por isso goza desse espaço reservado, proibido para proveito). Mas eis que a sepultura também é proibida para proveito (repetição da mesma objeção e resposta)! A sepultura, sua proibição não é reconhecível.
Halachá: "Cereal com cereal (precisa) de um bet rova" (citação da Mishná) — contanto que (o campo) não esteja chavushá (enjaulado) em seus quatro lados (um campo de trigo não pode ficar cercado, nos quatro lados, por outros campos de cereal de espécie diferente, mesmo respeitando a distância do bet rova). Rabi Zeirá perguntou diante de Rabi Yasa: quando dizemos isso (a exigência de que o campo não fique enjaulado), (vale também para) este vale de Simonia (uma região estreita entre encostas, a oeste de Natzrat)? (Nele) não se semeia senão uma única espécie (pois todo o vale, cercado pelas encostas dos quatro lados, ficaria "enjaulado" como um único campo — a pergunta fica sem resposta explícita na guemará).
Halachá: Rabi Eliezer objetou (ben Yaacov, retomando um debate anterior) aos rabanan: assim como vós tendes (o princípio de ser) leniente na fileira e rigoroso no retângulo (exigindo apenas alguns palmos de separação para uma fileira estreita de verdura, mas um bet rova inteiro para um retângulo)? Assim de fato encontramos que os rabanan têm leniência na fileira e rigor no retângulo, como se ensinou: quem quer fazer uma fileira de verdura dentro de um campo de cereal faz a fileira com o comprimento de dez côvados e meio por seis (palmos) de largura (uma fileira estreita, ao contrário de um retângulo, que exigiria a área plena de um bet rova). Disse Rabi Yochanan: nela (nessa fileira estreita) não se semeia senão uma única espécie. Disse Rabi Zeirá: Rabi Yochanan concorda que, quando (a largura) era de sete (palmos), semeia-se um palmo de um lado e um palmo do outro, e aqueles cinco (palmos do meio) se julgam para cá e para lá (contam para ambos os lados, permitindo duas espécies distintas de verdura na mesma fileira, cada uma com seus seis palmos completos). A partir do que Rabi Zeirá objetou (esta explicação de) Rabi Yochanan, ali (fica clara a posição debatida).
Halachá: (Se alguém) plantou meia fileira e parou, e quis começar outra fileira (ao lado, sem terminar a primeira) — Rav Chisda disse: é proibido; diz-se a ele: arranca a fileira (que começou), ou completa a fileira (antes de iniciar outra, pois uma meia fileira, sendo mais curta que o comprimento exigido de dez côvados e meio, não goza da leniência da fileira e passaria a exigir a distância do retângulo).
Halachá: Disse Rabi Yudan: Rabi Chiya bar Aba e Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak discordam (sobre quantas fileiras de verdura cabem lado a lado dentro da largura de seis palmos). Um disse: até três (fileiras) dentro de seis (palmos, sem exigir espaçamento fixo entre elas, contanto que estejam em ordem). E o outro disse: até uma de um lado, uma do outro lado, e uma no meio (exigindo que as três fileiras fiquem igualmente espaçadas, uma em cada extremidade e uma centralizada). E não sabemos quem disse isto e quem disse aquilo. A partir do que disse Rabi Yossei — Rabi Chiya, em nome de Rabi Yochanan: contanto que não haja ali um trecho charevá (seco, sem plantação) — segue-se que é Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak quem disse "até uma de um lado, uma do outro lado, e uma no meio" (pois só faz sentido exigir ausência de trecho seco entre as fileiras se a posição de cada uma já é fixa, um em cada lado). Se as laterais (com boa terra) eram maiores do que o trecho seco, é permitido (pois, havendo terra boa suficiente nas margens, o trecho seco no meio deixa de ser um obstáculo à separação exigida).
Halachá: Ensinou-se: cinco coisas se disseram sobre a delaat yevanit (cabaça grega): não se deixa que ela sirva de cobertura sobre sementes (suas folhas largas não podem crescer estendidas sobre outra plantação, pois pareceria kilayim, como explicado na halachá anterior); ela traz a impureza e interrompe a impureza (suas folhas, quando formam uma cobertura contínua, funcionam como teto: um cadáver sob parte da folhagem traz impureza a tudo o que está sob as demais folhas da mesma planta, mas o que está acima da folhagem fica livre); seu talo é de um palmo (a parte que liga o fruto ao caule, que pode se tornar impura, mede um palmo); e ela proíbe (a mistura) em qualquer quantidade (por sua importância, mesmo a menor porção dela misturada a outro alimento torna tudo proibido); e quem faz voto de se abster de cabaças não fica proibido senão da delaat yevanit somente. Rabi Yoná perguntou: e por que não dizemos "traz a impureza" e "interrompe a impureza" como duas (coisas separadas, o que somaria seis, não cinco)? Ensinou Bar Kapara: sete. Não se deixa que ela sirva de cobertura sobre sementes; e traz a impureza; e interrompe a impureza; e sua mão (o talo) é de um palmo; e se lhe dá seu espaço de trabalho (como à videira, o espaço reservado ao seu cultivo não conta como separação disponível); e é kilayim com a cabaça aramaica; e é kilayim com a harmutzá (outra variedade regional de cabaça — completando sete); e não ensinou "proíbe" (em qualquer quantidade), nem ensinou sobre votos (Bar Kapara discordou desses dois pontos da lista anterior).
Halachá: Disse Rabi Yossei: Rabi Gamliel beRabi saiu ao mercado. Vieram e perguntaram-lhe: a cobertura de que falaram (como proibida, referente à cabaça grega) é (só quando as folhas) se tocam (o próprio produto vizinho, ou já quando se estendem por cima, ainda que suspensas em treliça alta, sem tocar)? Foi e perguntou a seu pai, que lhe disse: a cobertura de que falaram é quando se toca. Disse Rabi Yoná: Rabi Hilel beRabi Vales saiu ao mercado. Vieram e perguntaram-lhe (a mesma questão): a cobertura de que falaram é quando se toca? Foi e perguntou a seu pai, que lhe disse: a cobertura de que falaram é quando se toca.
Halachá: O que significa (a frase da Mishná) "prefiro as palavras deles às minhas" (dita por Rebbi, que queria proibir também o pepino e a fava egípcia de pender sobre o campo vizinho)? Disse Rabi Chinena: se sobre a cabaça egípcia, que (também) serve de cobertura, ele disse que é permitida (pender livremente), o pepino e a fava egípcia, não seria ainda mais evidente (que são permitidos, sendo menos abrangentes em sua folhagem)? Disse Rabi Aba Mari: não foi assim que Rabi Mana costumava dizer. (Antes,) Rebbi disse: em todo lugar em que ensinamos "o pepino e a fava egípcia", também a cabaça egípcia está incluída (no mesmo grupo permitido). O que significa "prefiro as palavras deles às minhas"? Que nenhum deles serve de cobertura como a delaat yevanit (a cabaça grega — isto é, Rebbi reconhece que sua preocupação original não se aplica a essas outras espécies, cujas folhas não formam a mesma cobertura densa, e por isso aceita a posição mais permissiva dos sábios).
Esta é a oitava e última halachá do Perek Bet de Massechet Kilayim. A Mishná fecha o capítulo reunindo várias regras dispersas sobre o que conta, ou não, para a medida do espaço de separação entre campos de espécies diferentes: terrenos improdutivos como o entorno da videira, a sepultura e afloramentos de rocha contam para completar o bet rova; fixam-se as distâncias específicas entre cereal e cereal, verdura e verdura, e as combinações cruzadas de cereal com verdura (com a posição mais branda de Rabi Eliezer); e trata-se do caso de uma planta pendendo sobre a plantação vizinha, permitido em geral, mas proibido para a cabaça grega, cujas folhas largas formam uma cobertura contínua que pareceria kilayim — com Rebbi propondo estender a proibição ao pepino e à fava egípcia, mas cedendo, ao final, à posição mais permissiva dos sábios.
A guemará, a mais extensa do capítulo, percorre oito unidades de discussão: explica, com Rabi Bun bar Chiya em nome de Rabi Zeirá, por que o entorno da videira conta para a medida mas a própria videira não, e por que a sepultura precisa de menção própria, apesar de também ser proibida para proveito; fixa que um campo de cereal não pode ficar enjaulado por quatro lados de outros campos, com a pergunta em aberto de Rabi Zeirá sobre o vale de Simonia; traz a objeção de Rabi Eliezer aos rabanan sobre a leniência da fileira estreita de verdura em contraste com o rigor do retângulo pleno, ilustrada pela medida de dez côvados e meio por seis palmos e pela explicação de Rabi Zeirá sobre a divisão de sete palmos entre duas espécies; decide, por Rav Chisda, que quem planta meia fileira deve completá-la ou arrancá-la; registra a disputa não resolvida entre Rabi Chiya bar Aba e Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak sobre três fileiras de verdura em seis palmos, com a ressalva de Rabi Yochanan quanto a um trecho seco entre elas; lista os cinco ensinamentos sobre a delaat yevanit — cobertura, impureza, talo, proibição em qualquer quantidade e votos —, ampliados por Bar Kapara para sete; esclarece, por dois episódios paralelos envolvendo Rabi Gamliel beRabi e Rabi Hilel beRabi Vales, que a cobertura proibida só se configura quando as folhas efetivamente se tocam; e fecha explicando a frase final da Mishná, "prefiro as palavras deles às minhas", como o reconhecimento de Rebbi de que o pepino, a fava egípcia e a própria cabaça egípcia não formam a cobertura densa que caracteriza a cabaça grega. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Bet de Massechet Kilayim.