Segunda halachá do Perek Guimel de Massechet Kilayim: a Mishná ensina que não se semeia no canteiro nenhuma espécie de sementes, mas semeia-se nele qualquer espécie de verduras; mostarda e ervilhas lisas são espécie de sementes, ervilhas graúdas são espécie de verdura; uma borda que era alta um palmo e diminuiu é válida, porque era válida no início; o sulco e a valeta de água, fundos um palmo, recebem três espécies de sementes, uma de cada lado e uma no meio. A guemará distingue a mostarda e as ervilhas lisas semeadas para uso como verdura das ervilhas graúdas e favas egípcias semeadas para produzir semente, e trata das demais sementes de horta não comestíveis; discute o alcance da validade da borda diminuída — se vale apenas para o que já estava plantado nela ou também para plantio novo — com a pergunta de Rabi Yirmeyáh sobre a ordem de arrancar as plantas antigas e as novas, resolvida pelo paralelo da cama de traves trocadas; e fecha com a disputa entre Rabi Zeirá e Rabi Imi, em nome de Rabi Yochanan, sobre se apoia-se o plantio a uma cerca mas não a uma borda, trazendo a objeção sobre quantas fileiras se semeariam dentro da valeta se a borda servisse de apoio.
Mishná: Nenhuma espécie de sementes se semeia no canteiro (a técnica do canteiro descrita na halachá anterior, que permite reunir cinco espécies próximas, aplica-se apenas a hortaliças, não a grãos e leguminosas cultivados como sementes), mas qualquer espécie de verduras se semeia no canteiro. Mostarda e ervilhas lisas são espécie de sementes (e portanto não podem ser semeadas pela técnica do canteiro). Ervilhas graúdas são espécie de verdura (e podem). Uma borda (elevada em torno do canteiro) que era alta um palmo e diminuiu (de altura, com o tempo) é válida (continua a servir de separação suficiente para o que já foi semeado), porque era válida no início. O sulco e a valeta de água, que são fundos um palmo, semeiam-se dentro deles três espécies de sementes: uma de um lado, uma do outro lado, e uma no meio.
Halachá: "Nenhuma espécie de sementes etc." (a Mishná explica agora os casos concretos): mostarda e as ervilhas lisas, que são espécie de sementes — se as semeou para uso como verdura, não se colocam sobre o canteiro (mesmo semeadas com intenção de colhê-las ainda verdes, continuam classificadas como sementes, por sua natureza, e não podem usar a técnica do canteiro). As ervilhas graúdas e a fava egípcia, que semeou para produzir semente, não se colocam sobre o canteiro (quando a intenção do plantio é a colheita da semente madura, mesmo essas espécies, normalmente classificadas como verdura, ficam excluídas). Se as semeou para uso como verdura, colocam-se sobre o canteiro (a classificação depende, nesse caso, da intenção declarada de quem semeia). E as demais sementes de horta que não são comestíveis (plantas cultivadas por outro fim que não o consumo, como certas ervas ou flores) — ainda que as tenha semeado para produzir semente, colocam-se sobre o canteiro (por não serem alimento, escapam à distinção entre semente e verdura, e são sempre tratadas como permitidas na técnica do canteiro).
Halachá: "Diminuiu, é válida" (a cláusula da Mishná sobre a borda que perdeu altura). Disse Rabi Imi: isso que dizes vale para as sementes que já estavam nela (a validade da borda diminuída se refere apenas ao que já fora plantado quando a borda tinha altura completa), mas semear nela de início (depois que já diminuiu) é proibido. (Se alguém) transgrediu e semeou (mesmo assim, depois da borda ter diminuído) — visto que estas (as sementes antigas) são permitidas, também estas (as novas) são permitidas (pois, uma vez misturadas no mesmo canteiro, não se distingue mais entre elas para fins de proibição). Rabi Yirmeyáh perguntou: está bem que, se as segundas (sementes novas) forem arrancadas, as primeiras (antigas) permaneçam permitidas (pois seu status original não se altera); mas se as primeiras forem arrancadas, o que são as segundas (elas continuam permitidas, tendo dependido do status das primeiras, ou passam a proibidas)? Ouçamos isto de um caso paralelo: a cama cujas duas traves (longitudinais) foram retiradas, e fizeram-se novas para ela, sem mudar os furos (de encaixe) — se as novas se quebraram, é impura (a impureza original da cama permanece, pois as travessas continuam ligadas pelos mesmos furos); se as antigas (se quebraram, mesmo já removidas e substituídas, o status) é puro, pois tudo segue as antigas (o status depende sempre das peças originais, não das substitutas). Isso ensina: se as segundas forem arrancadas, as primeiras permanecem permitidas; se as primeiras forem arrancadas, as segundas ficam proibidas (pois o status permitido das novas dependia inteiramente da presença das antigas, que lhes serviam de base).
Halachá: Disse Rabi Yoná: Rabi Zeirá e Rabi Imi, ambos em nome de Rabi Yochanan (transmitiram opiniões diferentes): um disse: apoia-se o plantio a uma cerca (usando-a como uma das distâncias exigidas de separação), mas não se apoia a uma borda (elevada de terra, que não serve para esse fim). E o outro disse: uma borda que diminuiu é válida (citando a própria Mishná), logo uma cerca que diminuiu é inválida (pois, ao contrário da borda, a cerca perde sua função de separação assim que diminui de altura). E não se sabe quem disse isto e quem disse aquilo. A partir do que disse Rabi Yosei: Rabi Zeirá, em nome de Rabi Yochanan: apoia-se à cerca, mas não se apoia à borda — conclui-se que foi Rabi Imi quem disse: uma borda que diminuiu é válida, logo uma cerca que diminuiu é inválida. Disse Rabi Yosei: também nós ensinamos ambas as coisas: uma borda que diminuiu é válida, logo uma cerca que diminuiu é inválida; apoia-se à cerca, como ensinamos: "apoia-se a um campo baldio, a um campo lavrado, a um muro de pedra, a um caminho, e a uma cerca que tem dez palmos de altura" (citação da Mishná anterior, sobre as distâncias dispensadas junto a certas fronteiras); não se apoia à borda, como ensinamos: "o sulco e a valeta de água, que são fundos um palmo, semeiam-se dentro deles três espécies de sementes, uma de um lado, uma do outro lado, e uma no meio" (se bastasse apoiar-se à borda do sulco como se apoia à cerca, essa limitação a três espécies não faria sentido). Se disseres que se apoia à borda (do sulco, como a uma cerca), que semeie embaixo (dentro da valeta) quantas fileiras quiser (sem limite, pois a borda já cumpriria a função de separação)! Disseram os colegas diante de Rabi Shmuel bar Avin: explica-se que ele estava semeando no topo da borda (do sulco — nesse caso, uma única planta no alto já contaria como marcador, sem contradizer a regra). Ele lhes disse: se é assim, que arranque aquele pé (a única planta do topo) e semeie embaixo quantas fileiras quiser (pois, se o topo bastasse como apoio, não haveria razão para mantê-lo ali)! Não é melhor arrancar um único pé e semear embaixo quantas fileiras quiser (do que manter a planta solitária no topo — a pergunta permanece como uma dificuldade não plenamente resolvida, fechando a unidade)?
Esta é a segunda halachá do Perek Guimel de Massechet Kilayim. Depois de estabelecer, na halachá anterior, a técnica do canteiro de seis palmos para semear até cinco espécies próximas, a Mishná agora limita essa técnica: ela vale apenas para verduras, nunca para sementes de grãos e leguminosas propriamente ditas. A Mishná classifica casos concretos — mostarda e ervilhas lisas como sementes, ervilhas graúdas como verdura — e acrescenta duas regras derivadas: a borda elevada que perdeu altura continua válida, por ter sido válida no início, e o sulco ou valeta de água de um palmo de profundidade comporta três espécies de sementes, uma de cada lado e uma no meio, repetindo em miniatura a lógica do canteiro maior.
A guemará abre distinguindo, dentro da mostarda, das ervilhas lisas, das ervilhas graúdas e da fava egípcia, o que depende da intenção de plantio — para semente ou para verdura — e nota que as demais sementes de horta não comestíveis escapam a essa distinção, por não serem alimento; discute em seguida o alcance exato da regra "diminuiu, é válida", que Rabi Imi restringe às sementes já plantadas antes da borda diminuir, proibindo plantio novo depois disso — com a pergunta de Rabi Yirmeyáh sobre a ordem em que se arrancam as plantas antigas e as novas, resolvida pelo paralelo da cama de traves substituídas, cuja pureza sempre acompanha as peças originais; e fecha com a disputa, transmitida por Rabi Yoná, entre Rabi Zeirá e Rabi Imi em nome de Rabi Yochanan, sobre se o plantio pode se apoiar a uma cerca mas não a uma borda de terra — debate que Rabi Yosei resolve citando as duas fontes lado a lado, e que termina com a objeção não plenamente resolvida sobre quantas fileiras poderiam ser semeadas dentro da valeta, se a borda servisse de apoio como a cerca.