Quinta halachá do Perek Zayin de Massechet Kilayim, abrindo uma Mishná nova: o vento que faz as videiras pender sobre o grão vizinho — deve-se cortá-las (o excesso de ramos) de imediato, mas se sobreveio um caso de força maior (impedindo o corte a tempo), é permitido deixá-las, sem que isso santifique o grão; o grão que se inclina sob a videira, e do mesmo modo a verdura, apenas se afasta de volta, e não santifica; e fixa-se desde quando o grão e as uvas começam a se santificar — o grão, desde que atinge um terço de seu crescimento, e as uvas, desde que se tornam do tamanho do dobro do feijão-branco —, esclarecendo por fim que grão totalmente seco e uvas totalmente maduras já não se santificam. A guemará traz, sobre o ramo partido pela tempestade e agora estendido sobre o grão, a disputa entre Rabi Akiva, que manda prendê-lo de volta à videira, e Ben Azai, que manda cortá-lo; registra que alguns tanaítas ensinam "desde que enraíza" no lugar de "um terço", apoiando, respectivamente, Rabi Hoshaya e Rabi Yochanan; e fecha com Rabi Chananya filho de Rabi Hillel, que deriva do versículo "e o produto da vinha" (Devarim 22:9) por que somente o grão ainda em crescimento, e não o já totalmente seco ou maduro, é capaz de se santificar.
Mishná: O vento que fez as videiras pender sobre o grão (do vizinho, ameaçando santificá-lo) — corta-se (o excesso de ramos) de imediato; mas se lhe sobreveio um caso de força maior (que impediu o corte a tempo), é permitido (deixá-las estendidas por enquanto, sem que isso santifique o grão sob elas). O grão que se inclina sob a videira, e do mesmo modo a verdura, ele o afasta de volta, e não santifica. Desde quando o grão começa a se santificar? Desde que atinge um terço de seu crescimento. E as uvas, desde que se tornam do tamanho do dobro do feijão-branco. Grão que secou por completo, e uvas que amadureceram por completo, não se santificam.
Halachá: E, segundo Ben Azai, corta-se (o ramo partido pelo vento e agora estendido sobre o grão). Encontrou-se ensinado: disse Rabi Akiva, prende-se de volta (o ramo partido, fixando-o novamente à videira, sem cortá-lo); Ben Azai disse, corta-se.
Halachá: "Desde quando se santifica? Desde que atinge um terço." Há tanaítas que ensinam: desde que enraíza. Quem diz "desde que atinge um terço" apoia Rabi Yochanan; quem diz "desde que enraíza" apoia Rabi Hoshaya.
Halachá: "E as uvas, desde que se tornam do tamanho do dobro do feijão-branco." Disse Rabi Chananya filho de Rabi Hillel: porque está escrito "e o produto da vinha" (Devarim 22:9 — a Torá chama de "produto" aquilo que se santifica, exigindo por isso algo já visivelmente crescido). Assim se entende a Mishná: "não se santificam" (referindo-se à frase final da Mishná — grão totalmente seco e uvas totalmente maduras não se santificam, pois, deixando de crescer, já não são "produto" no sentido exigido pelo versículo, ainda que continuem a santificar, por sua simples presença, o que ainda cresce ao seu redor).
Esta é a quinta halachá do Perek Zayin de Massechet Kilayim, e abre uma Mishná nova, tratando de um caso distinto do da halachá anterior: o vento que faz as videiras penderem sobre o grão do vizinho, ameaçando santificá-lo. Nesse caso, deve-se cortar o excesso de ramos imediatamente; mas se sobreveio um caso de força maior, que impediu o corte a tempo, é permitido deixá-las estendidas por enquanto, sem que isso santifique o grão sob elas. Já quando é o próprio grão, ou a verdura, que se inclina sob a videira — por seu próprio crescimento, não por ação do vento sobre a videira —, basta afastá-lo de volta, e ele não santifica. A Mishná fecha fixando desde quando o grão e as uvas passam a ser capazes de santificar o que estiver sob a videira: o grão, desde que atinge um terço de seu crescimento; as uvas, desde que atingem o tamanho do dobro do feijão-branco; e esclarece que grão totalmente seco e uvas totalmente maduras já não se santificam, por terem cessado de crescer.
A guemará abre com uma disputa sobre o ramo partido pela tempestade que fica estendido sobre o grão: segundo Ben Azai, corta-se esse ramo; mas encontrou-se ensinado que Rabi Akiva, discordando, manda prendê-lo de volta à videira, sem cortá-lo. Em seguida, a guemará registra uma variante textual da própria Mishná: no lugar de "desde que atinge um terço", alguns tanaítas ensinam "desde que enraíza" como o momento em que o grão começa a se santificar — e nota-se que cada uma dessas leituras apoia a posição de um amora distinto, Rabi Yochanan a primeira, e Rabi Hoshaya a segunda. A guemará fecha com Rabi Chananya, filho de Rabi Hillel, que ancora na Torá a última frase da Mishná — "grão totalmente seco e uvas totalmente maduras não se santificam" —, derivando do versículo "e o produto da vinha" (Devarim 22:9) que apenas aquilo que ainda é reconhecível como produto em crescimento pode ser santificado pela proximidade da videira; o que já secou ou amadureceu por completo, tendo cessado de crescer, escapa a essa condição. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.