Segunda halachá do Perek Tet de Massechet Kilayim: a Mishná ensina que os panos de mãos, as capas de rolos de livro e as toalhas do sapag (o banhista) não têm neles kilaim; Rabi Elazar proíbe; e os panos de barbeiro são proibidos por causa de kilaim. A guemará abre citando a Mishná de Kelim sobre os três tipos de panos e as impurezas próprias de cada um — o pano de mãos, que se torna impuro por pressão; a capa de rolo, que se torna impura pelo contato com um morto; e o envoltório das harpas dos levitas, sempre puro —, e traz duas razões para por que o pano de mãos é considerado veste apesar de servir a outros objetos: Rabi La, em nome de Rabi Yochanan, porque se põe sobre o travesseiro e se dorme sobre ele; Rav, porque se põe sob as axilas. Rav afirma que os três tipos são proibidos, e que a prática segue quem proíbe, sem que se diga que segue Rabi Elazar — pois há tanaim que trocam as posições na Mishná. Narra-se que Rabi Yochanan pôs um pano sobre sua própria veste, não como veste, mas para que esta não se desgastasse; e que deram a Rabi Avina um ovo sobre um pano com kilaim, que ele recusou, citando o ensinamento da Mishná seguinte sobre os vendedores de vestes, que não podem ter a intenção de se proteger do sol ou da chuva. Quanto às capas de rolos de livro, Rabi Shmuel bar Nachman, em nome de Rabi Yonatan, explica que servem de estojo para o rolo da Torá; Rabi Aba e Rabi Chiya bar Yossef, em nome de Rav, que servem para aquecer as mãos do escriba; e se registra a réplica de Rabi Bun bar Chiya a Rabi Aba, e a de Rabi Yona, sobre por que não se haveria de dizer, mais simplesmente, que o próprio rolo da Torá proíbe seu envoltório para qualquer uso profano. Por fim, quanto às toalhas do banhista, explica-se que às vezes servem para a pessoa se cobrir diante do mestre; Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan, ensina que as toalhas de banho das mulheres não têm nelas kilaim, sendo as mesmas toalhas usadas pelos homens; e fecha-se distinguindo o uso como veste do uso que não é como veste.
Mishná: Os panos de mãos, as capas de rolos de livro e as toalhas do sapag (o banhista, aquele que enxuga com a esponja) não têm neles kilaim. Rabi Elazar proíbe. E os panos de barbeiro são proibidos por causa de kilaim (pois estes se põem sobre os ombros e o peito do cliente, e por isso contam como veste).
Halachá: "Os panos de mãos" etc. Ali (na Mishná de Kelim) ensinamos: há três tipos de panos. O de mãos torna-se impuro por pressão (midrás, a impureza própria de um objeto feito para se sentar ou se apoiar sobre ele); o de rolos torna-se impuro pelo contato com um morto; o envoltório das harpas dos filhos de Levi é puro de tudo (não se torna impuro de nenhuma forma). Rabi La, em nome de Rabi Yochanan: o pano de mãos torna-se impuro por pressão porque a pessoa o põe sobre o travesseiro e dorme sobre ele. Rav disse: porque a pessoa o põe sob as axilas.
Halachá: Rav disse: os três tipos de panos mencionados na Mishná são proibidos, e a prática segue as palavras de quem proíbe (Rabi Elazar). E por que não disse simplesmente que a prática segue Rabi Elazar? Porque há tanaim que ensinam a disputa de forma trocada (atribuindo a proibição aos sábios anônimos, e não a Rabi Elazar em particular, de modo que Rav preferiu falar em geral "segundo quem proíbe").
Halachá: Rabi Yochanan pôs um pano sobre sua própria veste, e isso não é proibido por causa de kilaim, pois a intenção era apenas que suas vestes não se desgastassem (e não usar o pano como veste em si). Disse Rabi Zerikan: deram a Rabi Avina um ovo quente sobre um pano em que havia kilaim, e ele não aceitou assim, invocando o ensinamento seguinte, de que os vendedores de vestes com kilaim podem vesti-las para negociá-las contanto que não tenham a intenção, no calor, de se proteger do calor, e nas chuvas, de se proteger das chuvas (do mesmo modo, não se deve usar um pano com kilaim para se proteger do calor do ovo).
Halachá: "As capas de rolos de livro." Rabi Shmuel bar Nachman, em nome de Rabi Yonatan: não têm nelas kilaim porque a pessoa a faz como uma espécie de estojo e põe seu rolo da Torá sobre ela. Rabi Aba, e Rabi Chiya bar Yossef, em nome de Rav: porque o escriba aquece nela as mãos. Disse Rabi Bun bar Chiya a Rabi Aba: sem isso (sem essa razão de aquecer as mãos), já não seria proibida por causa de kilaim? Disse-lhe: acaso não é Rav quem ensina isso? E Rav disse que os três tipos de panos são proibidos, e a prática segue as palavras de quem proíbe. Disse Rabi Yona a Rabi Aba: e por que não lhe disse simplesmente que quando o rolo se retira dela, ela fica proibida por completo, sendo consagrada ao rolo da Torá? Se lhe tivesse dito que sem isso não seria proibida nem para usufruto, o que teria ele podido lhe responder?
Halachá: "As toalhas do sapag": têm nelas kilaim, contra a Mishná, porque às vezes a pessoa vê seu mestre chegando e se embrulha nela (usando-a como veste para se cobrir com respeito, e não apenas para se enxugar). Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan: as toalhas de banho das mulheres não são proibidas por causa de kilaim. A toalha de banho das mulheres é a mesma toalha de banho dos homens. O que é a toalha de banho das mulheres? Os rabinos de Cesareia diziam: antitiyá. "As toalhas do sapag" — isto se diz quando a pessoa tem a intenção de usá-la como veste; mas se não tem a intenção de usá-la como veste, não é assim (e não há proibição de kilaim).
Esta é a segunda halachá do Perek Tet de Massechet Kilayim, que continua o tratamento do sha'atnez aberto em 9:1, agora voltado a objetos têxteis que não são propriamente vestes: panos de mãos, capas de rolos de livro e toalhas do banhista, que a Mishná isenta de kilaim — embora Rabi Elazar discorde —, em contraste com os panos de barbeiro, que se põem sobre os ombros e o peito do cliente e por isso contam como veste, sendo proibidos. A guemará começa recorrendo à Mishná de Kelim, que distingue os três tipos de panos por suas impurezas próprias, e explica, em nome de Rabi La e de Rav, por que o pano de mãos é tratado como objeto sobre o qual se põe peso ou se dorme. Rav decide que a prática segue quem proíbe os três tipos mencionados na Mishná, preferindo essa formulação geral à menção direta de Rabi Elazar, pois há tanaim que invertem as posições na tradição da Mishná. Seguem-se dois episódios que ilustram os limites da intenção: Rabi Yochanan, que usou um pano apenas para proteger sua própria veste do desgaste, e Rabi Avina, que recusou um ovo quente sobre um pano com kilaim, por analogia com a proibição de usar vestes de kilaim para se proteger do calor ou da chuva. Quanto às capas de rolos de livro, a guemará regista duas razões concorrentes — servir de estojo ao rolo da Torá, ou aquecer as mãos de quem o maneja — e a réplica de Rabi Bun bar Chiya e de Rabi Yona a Rabi Aba, questionando por que não se apontou, mais diretamente, que o próprio rolo sagrado tornaria proibido para uso profano tudo o que o envolve. Fecha-se com as toalhas do banhista, que às vezes servem para a pessoa se cobrir com respeito diante do mestre, com o ensinamento de Rabi Abahu em nome de Rabi Yochanan de que as toalhas de banho das mulheres — as mesmas usadas pelos homens — não têm nelas kilaim, e com a distinção final entre usar o pano com a intenção de veste, o que o sujeita a kilaim, e usá-lo sem essa intenção, quando a proibição não se aplica.