Terceira halachá de Massechet Sheviit, abrindo uma nova Mishná: seja uma árvore estéril (que não produz frutos), seja uma árvore frutífera, olha-se para elas como se fossem figueiras — se aptas a produzir um bolo de figos prensados de sessenta manés em peso itálico, lavra-se o bet-seá inteiro por causa delas; sendo menos aptas do que isso, lavra-se por elas apenas o quanto lhes é necessário. Se, de um pequeno grupo de árvores, apenas algumas produziam esse bolo e outras não, mantém-se essa regra mínima até que sejam três, e de três até nove; sendo dez, ou mais de dez, quer produzam quer não, lavra-se o bet-seá inteiro por causa delas, com base no versículo "na lavoura e na ceifa, descansarás" — aplicado não ao sétimo ano em si, mas à lavoura da véspera que nele entra, e à ceifa que dele sai. Fecha a Mishná Rabi Yishmael, para quem, assim como a lavoura é facultativa, também a ceifa é facultativa, excetuada a ceifa do Ômer. A guemará abre perguntando por que a Mishná tomou a figueira, e não outra árvore, como padrão de medida, comparando-a ao etrog e à oliveira, e trazendo Rabi Chiya bar Ada sobre a frutificação da figueira todo ano, ao contrário das demais árvores. Seguem Rabi Bivi, em nome de Rabi Chanina, e Zeira bar Chinena, sobre a proporção mínima entre árvores produtoras e o total do grupo, e a questão de árvores muito próximas ou muito distantes, remetida à disputa de Rabi Shimon e os Sábios sobre o vinhedo plantado em espaçamento menor que quatro côvados. A halachá discute ainda se o fundamento bíblico citado para o grupo de dez árvores também sustenta a regra da primeira cláusula, sobre grupos menores, e fecha com a posição de Rabi Yishmael de que o Ômer não vem de grão trazido da Síria, o que faz da ceifa do Ômer uma exceção obrigatória à regra geral de que toda ceifa do sétimo ano é facultativa.
Mishná: Seja uma árvore estéril (que não produz frutos), seja uma árvore frutífera, olha-se para elas como se fossem figueiras (isto é, aplica-se a elas a mesma medida usada para as figueiras): se aptas a produzir um bolo de figos prensados de sessenta manés, em peso itálico, lavra-se o bet-seá inteiro por causa delas; sendo menos aptas do que isso, não se lavra por elas senão o quanto lhes é necessário. Se uma delas produzia o bolo de figos e duas não produziam, ou duas produziam e uma não produzia, não se lavra por elas senão o quanto lhes é necessário — até que sejam três; e de três até nove (mantém-se essa mesma proporção mínima enquanto o grupo crescer até nove árvores). Sendo dez, e de dez para cima, quer produzam quer não produzam, lavra-se o bet-seá inteiro por causa delas, pois está dito: "na lavoura e na ceifa, descansarás" (Êxodo 34:21). Não é necessário dizer isso quanto à lavoura e à ceifa do próprio sétimo ano, mas sim quanto à lavoura da véspera do sétimo ano, que entra no sétimo ano, e à ceifa do sétimo ano, que sai para depois do sétimo ano. Rabi Yishmael diz: assim como a lavoura é facultativa, também a ceifa é facultativa — excetuada fica a ceifa do Ômer (que é obrigatória, por constituir um preceito positivo).
(Citando a Mishná:) "Seja uma árvore estéril..." etc. E por que a Mishná falou em figos (tomando a figueira como padrão de medida, e não outra árvore)? Porque seus frutos são grandes e ela produz muito. Eis o etrog: seus frutos são grandes, mas não produz muito. Eis as oliveiras: produzem muito, mas seus frutos não são grandes. E estas (as figueiras) produzem muito e seus frutos são grandes (reunindo as duas qualidades que nenhuma outra árvore reúne por igual). Disse Rabi Chiya bar Ada: todas as árvores frutificam um ano e ficam ociosas (sem produzir, ou produzindo pouco) outro ano, mas esta figueira frutifica todo ano.
(Citando a Mishná:) "Se uma delas produzia..." etc. Disse Rabi Bivi, em nome de Rabi Chanina: contanto que a proporção não caia abaixo da conta dos triplicados (isto é, contanto que ao menos uma em cada três árvores do grupo produza o bolo de figos). Zeira bar Chinena disse: contanto que a proporção não caia abaixo da conta dos nonagesimados (isto é, contanto que ao menos uma em cada nove árvores do grupo produza o bolo de figos).
Se eram quatro árvores, e o gado passa entre elas com seus utensílios (com o arado atrelado, sinal de que o espaçamento é o normal); mas se eram apenas duas, e o gado não passa entre elas com seus utensílios — já que o gado não passa entre elas com seus utensílios (sinal de que estão anormalmente próximas), tu as vês como se fossem cinco (isto é, conta-se o espaço apertado entre as duas como equivalente a mais árvores para efeito da proporção exigida). Se eram cinco árvores nessa condição — é a disputa entre Rabi Shimon e os Sábios, conforme ensinamos ali (em outra Mishná, sobre as leis de diversidade de espécies): um vinhedo plantado em espaçamento menor que quatro côvados entre suas fileiras — Rabi Shimon diz: não é vinhedo (para certos efeitos, por estarem as fileiras próximas demais para contarem como tal); e os Sábios dizem: é vinhedo, e olha-se para as fileiras do meio como se não existissem (isto é, contam-se apenas as fileiras das extremidades, tratando o conjunto apertado do meio como uma unidade só).
(Citando a Mishná:) "E lavra-se o bet-seá inteiro por causa delas, pois está dito: 'na lavoura e na ceifa, descansarás'." A guemará observa: isto não vem senão para mostrar que o mesmo versículo se aplica também à primeira cláusula, "não se lavra por elas senão o quanto lhes é necessário", pois também ali está dito: "na lavoura e na ceifa, descansarás" (isto é, o mesmo fundamento bíblico citado pela Mishná apenas a respeito do grupo de dez árvores sustenta igualmente a regra mais restrita dos grupos menores, mostrando que ambas as cláusulas derivam do mesmo versículo).
(Citando a Mishná:) "Não é necessário dizer..." etc. A posição de Rabi Yishmael segue sua própria opinião noutro lugar: Rabi Yishmael disse que o Ômer (a oferenda de grão trazida no dia seguinte a Pêssach) não vem de grão da Síria (isto é, o grão para essa oferenda deve provir da Terra de Israel propriamente dita, e não de território sírio anexado). Por isso, excetuada fica a ceifa do Ômer (da regra geral de que toda ceifa do sétimo ano é facultativa), pois ela é um preceito (positivo obrigatório, que deve ser cumprido a tempo com grão da própria Terra).
Esta é a terceira halachá de Massechet Sheviit, abrindo uma nova Mishná: seja uma árvore estéril, seja uma árvore frutífera, olha-se para elas como se fossem figueiras — se aptas a produzir um bolo de figos prensados de sessenta manés em peso itálico, lavra-se o bet-seá inteiro por causa delas; sendo menos aptas, lavra-se apenas o quanto lhes é necessário. Essa regra mínima se mantém enquanto o grupo de árvores produtoras crescer de três até nove; a partir de dez árvores, quer produzam quer não, lavra-se o bet-seá inteiro por causa delas, com base no versículo "na lavoura e na ceifa, descansarás" — aplicado à lavoura da véspera do sétimo ano e à ceifa que sai dele. Fecha a Mishná Rabi Yishmael, para quem a ceifa é facultativa como a lavoura, excetuada a ceifa do Ômer.
A guemará abre perguntando por que a Mishná tomou a figueira como padrão de medida, comparando-a ao etrog, cujos frutos são grandes mas escassos, e à oliveira, que produz muito mas com frutos pequenos — sendo a figueira a única que reúne as duas qualidades —, e trazendo Rabi Chiya bar Ada sobre sua frutificação todo ano, ao contrário das demais árvores.
Seguem Rabi Bivi, em nome de Rabi Chanina, e Zeira bar Chinena, discordando sobre a proporção mínima exigida entre árvores produtoras e o total do grupo — um terço, segundo o primeiro, ou um nono, segundo o segundo —, e a questão de árvores anormalmente próximas ou distantes, remetida à disputa de Rabi Shimon e os Sábios sobre o vinhedo plantado em espaçamento menor que quatro côvados entre fileiras.
A halachá discute ainda que o fundamento bíblico citado pela Mishná para o grupo de dez árvores também sustenta a regra mais restrita da primeira cláusula, sobre grupos menores, derivando ambas do mesmo versículo. Fecha com a posição de Rabi Yishmael de que o Ômer não vem de grão da Síria, o que torna sua ceifa uma exceção obrigatória à regra geral de que toda ceifa do sétimo ano é facultativa.