Segunda halachá do Perek Bet de Massechet Sheviit: a Mishná ensina até quando se aduba e se capina as hortas de pepinos e de cabaças na véspera do ano sabático — até Rosh Hashaná, o mesmo valendo para o campo irrigado —, até quando se remove brotos, se desfolha, se poeira e se defuma, com Rabi Shimon permitindo remover a folha do cacho já dentro do próprio ano sabático, até quando se tiram as pedras do campo, e até quando se desbasta, corta e apara a árvore, com as opiniões de Rabi Yehoshua, equiparando o sexto ano ao quinto, e de Rabi Shimon, ligando a poda ao próprio direito de trabalhar a árvore. A guemará discute se lavrar a terra para adubá-la também é permitido pelo mesmo critério, traz a baraita sobre o campo irrigado com os prazos de três dias ou de três meses fixados por Rabi, conforme se semeia ou se transplanta, explica um a um os termos técnicos do cuidado com a árvore, trata de quando se amarra e se distendem os ramos da videira conforme o costume do lugar, examina se a posição de Rabi Shimon sobre a folha do cacho se contradiz diante do que ele próprio ensina sobre mexer o arroz, distingue pedras soltas de pedras presas ao solo, e fecha mostrando que há, na verdade, três posições tannaíticas distintas sobre podar e aparar — e não apenas duas, como se pensava.
Mishná: Aduba-se e capina-se as hortas de pepinos e as de cabaças até Rosh Hashaná; e o mesmo vale no campo irrigado (bet ha-shalechin). Removem-se os brotos (excedentes, das árvores), desfolham-se (os cachos), aplica-se pó sobre elas e defuma-se (sob elas), até Rosh Hashaná. Disse Rabi Shimon: pode-se até remover a folha do cacho no próprio ano sabático. Tiram-se as pedras (do campo) até Rosh Hashaná. Desbasta-se, corta-se os ramos e apara-se (a árvore) até Rosh Hashaná. Disse Rabi Yehoshua: assim como se corta e se apara no quinto ano, assim também no sexto. Disse Rabi Shimon: todo o tempo em que me é permitido trabalhar a árvore, me é permitido também aparar-lhe os ramos.
Halachá: (Citando a Mishná:) "Aduba-se e capina-se as hortas de pepinos..." etc. É permitido lavrar para elas (isto é, arar o adubo sob a terra, antes de adubar e capinar)? Foi ensinado: todo o tempo em que te é permitido lavrar, te é permitido adubar e capinar; se não te é permitido lavrar, não te é permitido nem adubar nem capinar.
Disse Rabi Yossah: e a baraita diz assim: aduba-se e capina-se as hortas de pepinos e de cabaças até Rosh Hashaná, e o mesmo vale no campo irrigado. E foi ensinado sobre isso (na Tosefta): lavra-se o campo irrigado até Rosh Hashaná. Disse Rabi: até três dias antes de Rosh Hashaná, para que se semeie e crie raiz, ou se plante e crie raiz. Mas, criaria raízes em três dias?! Disse Rabi: até três meses antes de Rosh Hashaná, para que se semeie arroz e crie raiz, e se transplante o arroz e volte a criar raiz.
Halachá: "Removem-se os brotos" — tiram-se os rebentos (excedentes, da árvore). "Desfolham-se" — (removem-se) as folhas. "Aplica-se pó" — coloca-se pó sobre ela. "Defuma-se" — assim o ensinamos (na Mishná); mas foi ensinado (numa baraita): "endireita-se, faz-se crescer para o lado" — endireita-se, e faz-se crescer para os lados. Os colegas dizem: faz-se-lhe um suporte bifurcado. Disse Rabi Yossah: pendura-se-lhe uma pedra (para pesar o ramo para baixo).
Halachá: Foi ensinado: "amarra-se e distende-se" — assim ensina a baraita: amarra-se as videiras, e distende-se (os ramos) sobre as varas. No lugar onde se costuma amarrar e distender antes da festa (Sucot), amarra-se e distende-se antes da festa; depois da festa, amarra-se e distende-se depois da festa. Disse Rabi Shimon: contanto que seja a partir do entalhe (do tronco, onde ele se ramifica) para cima.
Halachá: Rabi Yirmiyá em nome de Rabi Hoshaya, Rabi Yaakov bar Acha, Rabi Yossi bar Chanina em nome de Rabi Chama, pai de Rabi Hoshaya: remove com ela (a folha) também os cachos agrupados. Disse Rabi Shimon: pode-se até remover a folha do cacho no ano sabático.
A posição de Rabi Shimon está invertida? Ensinamos ali (em outra Mishná): mexe-se o arroz no ano sabático — palavras de Rabi Shimon —, mas não se apara. E aqui ele diz assim (que se pode remover a folha)? É diferente aqui, pois é como quem salva do incêndio (salva os cachos da perda, e não trata de um cuidado agrícola comum).
Halachá: "Tiram-se as pedras até Rosh Hashaná" etc. Ensinamos ali (em outra Mishná, sobre o próprio ano sabático): quem tira as pedras do seu campo remove as de cima e deixa as que tocam a terra. E aqui dizes assim (que se tiram todas, até Rosh Hashaná)? Disse Rabi Yoná: ali é quando estão soltas, aqui é quando estão presas ao solo.
Halachá: Disse Rabi Yossi: pensávamos dizer que Rabi Shimon concorda com Rabi Yehoshua quanto ao desbaste, de modo que haveria apenas duas posições tannaíticas: "tiram-se as pedras até Rosh Hashaná, desbasta-se, corta-se os ramos e apara-se até Rosh Hashaná" — segundo os rabinos; "disse Rabi Yehoshua: assim como se corta e se apara no quinto ano, assim também no sexto" — (sendo esta, supunha-se, também a posição de Rabi Shimon).
Eis que há, na verdade, três posições tannaíticas: "tiram-se as pedras até Rosh Hashaná, desbasta-se, corta-se os ramos e apara-se até Rosh Hashaná" — segundo os rabinos; "disse Rabi Yehoshua: assim como se corta e se apara no quinto ano, assim também no sexto" — mesmo além disso (sem limite adicional); "disse Rabi Shimon: todo o tempo em que me é permitido trabalhar a árvore, me é permitido também aparar-lhe os ramos" — até Atzeret.
Esta é a segunda halachá do Perek Bet de Massechet Sheviit. A Mishná dá continuidade ao tema aberto em 2:1 — os limites do trabalho agrícola na véspera do ano sabático —, estendendo-o de lavrar o campo para uma série de cuidados menores: adubar e capinar as hortas de pepinos e de cabaças (e o campo irrigado), remover brotos, desfolhar, aplicar pó e defumar as árvores, tirar pedras do campo, e desbastar, cortar e aparar a árvore, todos permitidos até Rosh Hashaná. Rabi Shimon acrescenta uma permissão à parte, já dentro do próprio ano sabático: remover a folha de um cacho de uvas. Rabi Yehoshua, por sua vez, equipara os limites de poda do sexto ano aos do quinto — o ano comum —, e Rabi Shimon liga o direito de aparar a árvore ao próprio direito de trabalhá-la.
A guemará abre perguntando se lavrar a terra para adubá-la segue o mesmo critério de lavrar em geral, respondendo que sim, e traz a baraita sobre o campo irrigado, na qual Rabi fixa em três meses — e não três dias, prazo insuficiente para criar raiz — o limite para semear e transplantar arroz. Em seguida, explica um a um os termos técnicos da Mishná — remover brotos, desfolhar, aplicar pó, endireitar os ramos, apoiá-los com suporte bifurcado ou com uma pedra pendurada —, e trata de quando se amarram e se distendem os ramos da videira, conforme o costume de cada lugar antes ou depois de Sucot. Examina, então, se a permissão de Rabi Shimon para remover a folha do cacho contradiz o que ele próprio ensina sobre não aparar o arroz, concluindo que não: remover a folha para salvar o cacho é como salvar algo do incêndio, e não um cuidado agrícola comum. Distingue pedras soltas — que se tiram apenas as de cima — de pedras presas ao solo — que se tiram todas, até Rosh Hashaná —, e fecha corrigindo a suposição inicial de que haveria apenas duas posições tannaíticas sobre podar e aparar a árvore: há, na verdade, três, incluindo a de Rabi Shimon, que estende a permissão até Atzeret.