Terceira halachá do Perek Bet de Massechet Sheviit: a Mishná ensina até quando se unta as mudas (contra os vermes), se amarra-as, se apara-lhes a ponta, se lhes fazem abrigos e se rega-as — até Rosh Hashaná —, com Rabi Elazar bei Rabi Tzadok permitindo regar a copa já no próprio ano sabático, contanto que não a raiz; e até quando se unta e se fura os figos verdes (pagim), também até Rosh Hashaná, com a distinção entre os figos verdes da véspera do sabático que entraram no próprio ano sabático e os do sabático que saíram para depois dele — que já não se untam nem se furam —, e as opiniões de Rabi Yehudá, que faz depender do costume de cada lugar, e de Rabi Shimon, que permite quanto à árvore, pois lhe é permitido trabalhá-la. A guemará explica que a baraita de Rabi restringe o untar à proteção contra os vermes, e não ao período do Moed, e que em ambos os casos não se apara em excesso, mas apenas se remove a parte visivelmente afetada; distingue untar de fazer um abrigo — este faz sombra e leva a árvore a crescer por causa dele, ao contrário do simples untar, que é como colocar um guarda —, e traça o mesmo paralelo entre cobrir a fenda da oliveira com palha ou com terra; traz a controvérsia entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre se se rega apenas a copa, deixando a água descer sobre a raiz, ou também diretamente a raiz, e descreve o costume de regar com cesto, para que não pareça trabalho da terra; e fecha com a machloket entre Rabi Elazar e Rabi Yochanan sobre se a posição de Rabi Yehudá, quanto aos figos verdes, veio para abrandar ou para agravar.
Mishná: Unta-se as mudas (contra os vermes), amarra-se-as, apara-se-lhes a ponta, fazem-se-lhes abrigos e rega-se-as, até Rosh Hashaná. Disse Rabi Elazar bei Rabi Tzadok: pode-se até regar a copa no ano sabático, mas não a raiz. Unta-se os figos verdes (com óleo) e fura-se-os, até Rosh Hashaná. Os figos verdes da véspera do ano sabático que entraram no ano sabático, e os do ano sabático que saíram para a saída do ano sabático, não se untam nem se furam. Disse Rabi Yehudá: no lugar onde se costuma untar, não se unta, porque isso é um trabalho (proibido no ano sabático); no lugar onde não se costuma untar, unta-se. Rabi Shimon permite quanto à árvore, pois lhe é permitido trabalhar a árvore.
Halachá: (Citando a Mishná:) "Unta-se as mudas..." etc. A baraita de Rabi, porém, está conforme os rabinos: unta-se contra os vermes no ano sabático, mas não no Moed (o período intermediário da festa, cujo próprio conjunto de proibições é distinto). Em ambos os casos não se apara em excesso, mas remove-se apenas a parte visivelmente afetada.
Halachá: Disse Rabi Yossá: Rabi Avuna perguntou: qual a diferença entre quem unta (a muda, contra os vermes) e quem lhe faz um abrigo? Quem unta é apenas como quem coloca um guarda (uma proteção passiva, que não faz a planta crescer); o abrigo lhe faz sombra, e ela cresce por causa dele (sendo, por isso, mais próximo de um trabalho agrícola ativo).
Halachá: Ensinamos ali (em outra Mishná): quem abre uma fenda na oliveira (para extrair a resina ou tratar o tronco) não deve cobri-la com terra, mas pode cobri-la com pedras e com palha. Disse Rabi Yoná: Rabi Avuna perguntou: qual a diferença entre a palha e a terra? A palha é apenas como quem coloca um guarda; a terra faz-lhe lama, e ela (a fenda) cicatriza por causa dela (sendo por isso equiparada a um trabalho ativo, vedado no ano sabático).
Halachá: Ensinou Rabi Yossi ben Kufar, em nome de Rabi Elazar ben Shamua: a Casa de Shamai diz: rega-se toda a copa, e a água desce sobre a raiz; e a Casa de Hilel diz: rega-se tanto sobre a copa quanto sobre a raiz.
Na casa de Rabi Yanai regavam com cesto (para que não parecesse rega direta da terra, prática típica de trabalho agrícola). Disse Rabi Yaakov bar Zavdi: Rabi Yitzchak bar Tavlai regava com cesto. Disse Rabi Chiya bar Ba: Rabi Yudan bar Guriá regava com cesto — e teria ele, de fato, a intenção de trabalhar a terra? (Certamente que não; o cesto mostra que sua intenção era apenas dar água à árvore.) Nos dias de Rabi Chiya bar Ba, regavam as tamareiras na Sinagoga Nova e em Charavata.
Halachá: "Unta-se os figos verdes..." etc. Nós ensinamos (na Mishná): "unta-se os figos verdes" (sem especificar quais); os tannaítas da casa de Rabi ensinam, e são estes: os figos verdes da véspera do ano sabático que entraram no ano sabático. Rabi Elazar sustenta conforme a nossa Mishná; Rabi Yochanan, conforme esta baraita dos tannaítas da casa de Rabi.
Segundo a opinião de Rabi Elazar, Rabi Yehudá veio apenas para abrandar (pois a Mishná já proibia untar todo figo verde, e Rabi Yehudá vem permitir onde não há costume de untar). Segundo a opinião de Rabi Yochanan, Rabi Yehudá veio apenas para agravar (pois a baraita já permitia untar os figos da véspera que entraram no sabático, e Rabi Yehudá vem proibir onde há costume de untar).
Esta é a terceira halachá do Perek Bet de Massechet Sheviit. A Mishná abre uma nova unidade sobre o cuidado com as mudas jovens: untá-las contra os vermes, amarrá-las, aparar-lhes a ponta, fazer-lhes abrigos e regá-las, tudo permitido até Rosh Hashaná — com Rabi Elazar bei Rabi Tzadok acrescentando que se pode regar a copa já dentro do próprio ano sabático, contanto que a água não alcance a raiz. Em seguida, trata dos figos verdes: unta-se e fura-se para acelerar o amadurecimento, também até Rosh Hashaná, mas não os figos que atravessam a fronteira entre um ano e outro — nem os da véspera que entraram no sabático, nem os do sabático que saíram dele. Rabi Yehudá faz a permissão depender do costume local, e Rabi Shimon permite untar a árvore sempre que lhe é permitido trabalhá-la.
A guemará esclarece que a baraita de Rabi restringe o untar contra os vermes ao ano sabático, excluindo o Moed, e que em ambos os casos não se apara em excesso, mas apenas se remove o que está visivelmente afetado. Distingue, então, untar — ação passiva, como colocar um guarda — de fazer um abrigo, que faz sombra e leva a planta a crescer por causa dele, traçando o mesmo paralelo entre cobrir a fenda da oliveira com palha (passivo) ou com terra (que gera cicatrização ativa). Traz a controvérsia entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre regar apenas a copa, deixando a água escorrer até a raiz, ou regar diretamente também a raiz, e descreve o uso do cesto para regar sem que a ação parecesse trabalho direto da terra. Fecha com a machloket entre Rabi Elazar e Rabi Yochanan sobre qual formulação da Mishná é a original, e se, por consequência, a posição de Rabi Yehudá sobre os figos verdes veio para abrandar a proibição ou para agravá-la.