Quinta halachá do Perek Bet de Massechet Sheviit: a Mishná ensina que o arroz, o milho painço, as papoulas e o gergelim que criaram raízes antes de Rosh Hashaná são dizimados como produção do ano anterior e permitidos no ano sabático; e, se não criaram raízes antes disso, ficam proibidos no sabático e são dizimados como produção do ano seguinte — com Rabi Shimon de Shezur estendendo a mesma regra ao feijão egípcio semeado desde o início para grão, Rabi Shimon às ervilhas altas, e Rabi Elazar restringindo isso às ervilhas altas que já formaram vagem antes de Rosh Hashaná. A guemará estabelece que a produção em geral segue o critério do terço maduro, o arroz o do enraizamento, e a verdura o do momento da colheita, apoiando-se nos versículos de Deuteronômio sobre "a tua eira e o teu lagar" e sobre dizimar "toda a novidade da tua semente", e no argumento de Rabi Yochanan a partir da festa de Sucot; discute por que esse mesmo critério do terço maduro não se aplica ao arroz, ao painço, às papoulas e ao gergelim, e enfrenta a objeção de que o feijão egípcio parece exigir dois dízimos num só ano; explica, a partir das águas do ano passado e do ano futuro, por que a verdura segue o momento da colheita; esclarece o termo tirmelu; fixa que a prática segue Rabi Shimon de Shezur; enumera as seis regras de uma baraita sobre o feijão egípcio, conforme a intenção do semeador e o estágio de maturação das vagens; e fecha com os casos de semeadura antes de Rosh Hashaná do ano sabático e do oitavo ano, incluindo a disputa entre Rabi Chiya e Rabi Chalafta ben Shaul sobre a permissão da verdura por causa da aparência, resolvida por Rabi Yossé bar Rabi Bun e ilustrada pelo caso ocorrido diante de Rabi Yirmiyáh.
Mishná: O arroz, o milho painço, as papoulas e o gergelim que criaram raízes antes de Rosh Hashaná são dizimados como produção do ano anterior, e permitidos no ano sabático; e, se não (se ainda não haviam criado raízes antes de Rosh Hashaná), ficam proibidos no ano sabático e são dizimados como produção do ano seguinte. Disse Rabi Shimon de Shezur: o feijão egípcio que se semeou desde o início para grão segue a mesma regra que eles. Disse Rabi Shimon: as ervilhas altas seguem a mesma regra que eles. Disse Rabi Elazar: as ervilhas altas, quando já formaram vagem antes de Rosh Hashaná (seguem essa regra; caso contrário, não).
Halachá: (Citando a Mishná:) "O arroz, o milho painço..." etc. Quanto à produção em geral, seguiram o critério do terço maduro (o momento em que o fruto ou grão atinge um terço de sua maturação); quanto ao arroz, o critério do enraizamento; e, quanto à verdura, sua dízima é fixada no momento de sua colheita. De onde se sabe que, para a produção, seguiram o critério do terço maduro? (De Deuteronômio 16:16:) "Da tua eira e do teu lagar" — "da tua eira", e não de toda a tua eira; "do teu lagar", e não de todo o teu lagar (o que ensina que já se dizima parte da produção antes de estar plenamente pronta para a eira ou o lagar). Mas, se assim é, deveria valer mesmo para o que ainda não chegou ao terço maduro! Disse Rabi Zeirá: está escrito (Deuteronômio 14:22): "Certamente dizimarás toda a novidade da tua semente" — algo que, semeado, germina; ficou excluído o que é menos que um terço maduro, que, se replantado, já não germina. Mas, se assim é, deveria dizimar-se o primeiro terço como do ano anterior, e os outros dois terços como do ano seguinte! Disse Rabi Yochanan: (a resposta vem) da festa de Sucot: assim como Sucot pertence ao ano que vem, mas tu a celebras (com os frutos) do ano que passou, também aqui, ainda que isto pertença ao futuro, tu o tratas como do passado.
Halachá: Digamos, então, que o mesmo valha também para o arroz, o painço, as papoulas e o gergelim! Disse Rabi Chuna bar Chiyá: porque neles não é possível fixar com precisão (o momento do terço maduro). Objetaram a Rabi Chuna bar Chiyá: mas não se ensinou que, se alguém ajunta sua eira toda junto, acaba dizimando de seu grão sobre sua verdura e de sua verdura sobre seu grão (o que mostra que se pode, sim, distinguir estágios de maturação dentro de uma mesma colheita)? Disse Rabi Yossé: a opinião de Chuna bar Chiyá permanece de pé. Rabi Yoná, em nome de Chuna bar Chiyá, dito por Shmuel: está escrito "certamente dizimarás toda a novidade da tua semente" — dizimas um dízimo num ano, e não dizimas dois dízimos num só ano. Objetaram: mas o feijão egípcio não é, precisamente, dois dízimos num só ano, como se ensinou, que se ajunta sua eira toda junto e acaba dizimando de seu grão sobre sua verdura e de sua verdura sobre seu grão? Disse Rabi Zeirá: está escrito (Levítico 25:3): "seis anos semearás o teu campo e colherás" — seis semeaduras e seis colheitas, não seis semeaduras e sete colheitas. Disse Rabi Yoná: não podemos sustentar seis, mas sim sete: seis semeaduras e sete colheitas, não seis semeaduras e cinco colheitas. Objetaram: mas o feijão egípcio não tem, precisamente, seis semeaduras e cinco colheitas, como se ensinou, que se ajunta sua eira toda junto e acaba dizimando de seu grão sobre sua verdura e de sua verdura sobre seu grão?
Halachá: De onde se sabe que, quanto à verdura, sua dízima é fixada no momento de sua colheita? "Da tua eira e do teu lagar": assim como a eira e o lagar vivem das águas do ano que passou, tu os tratas como do passado; e estes (as hortaliças), já que vivem das águas do ano que vem, tu os tratas como do futuro. Objetaram: mas o feijão egípcio, semeado para grão, é dizimado como do passado, e semeado para verdura, é dizimado como do futuro (sendo a mesma planta, regada pelas mesmas águas)! Tem ele, acaso, um sinal na mão (algum conhecimento oculto) de que, semeado para grão, vive das águas do ano que passou, e semeado para verdura, vive das águas do ano que vem?
Halachá: O que significa tirmelu (termo usado na Mishná para "formaram vagem")? Que fizeram vagens (a semente já envolta em sua casca própria).
Halachá: Disse Rabi Aba bar Zavdá, em nome de Rabi Shimon ben Lakish: a halachá segue Rabi Shimon de Shezur. Disse Rabi Yosá: Rabi Elazar instruiu Rabi Shabtai bar Tzadok conforme esta opinião de Rabi Shimon de Shezur.
Halachá: Ensinou-se: seis regras disseram os sábios sobre o feijão egípcio. Semeado para grão, é dizimado como do passado; semeado para verdura, é dizimado como do futuro. Semeado para grão e verdura ao mesmo tempo, ou semeado para grão e depois se pensou nele para verdura, dizima-se de seu grão sobre sua verdura e de sua verdura sobre seu grão — quando atingiu o terço maduro antes de Rosh Hashaná; mas, se atingiu o terço maduro depois de Rosh Hashaná, seu grão é dizimado como do passado, e sua verdura é dizimada no momento de sua colheita — quando colhida antes de Rosh Hashaná; mas, se colhida em parte depois de Rosh Hashaná, tanto seu grão quanto sua verdura são dizimados como do futuro.
Halachá: Semeado para grão e depois se pensou nele para verdura, o pensamento surte efeito. Semeado para verdura e depois se pensou nele para grão, o pensamento de grão jamais recai sobre ele, a menos que lhe tenha retido a água por três morbiot (períodos de rega) — e isso quando atingiu o terço maduro antes de Rosh Hashaná; mas, se atingiu o terço maduro depois de Rosh Hashaná, vale mesmo sem lhe ter retido a água por três morbiot. Semeado para grão, e todas as plantas formaram vagens completas antes de Rosh Hashaná, seu grão é dizimado como do passado, e sua verdura é dizimada no momento de sua colheita. Se apenas parte formou vagens completas e parte não, é este o caso de "quem ajunta sua eira toda junto, e acaba dizimando de seu grão sobre sua verdura e de sua verdura sobre seu grão." Ensinou Rabi Avudama de Cheifa: mesmo que nem todas tenham formado vagens completas antes de Rosh Hashaná, seu grão é dizimado como do passado, e sua verdura é dizimada no momento de sua colheita. Disse Rabi Yossé: isso quando atingiu o terço maduro tendo em vista o grão; mas, se atingiu o terço maduro tendo em vista a verdura, não se pode dizer que seu grão é dizimado como do passado e sua verdura no momento da colheita, pois é precisamente disso que se disse: "quem ajunta sua eira toda junto, acaba dizimando de seu grão sobre sua verdura e de sua verdura sobre seu grão."
Halachá: Semeado para grão antes de Rosh Hashaná do ano sabático, e entrando o ano sabático, tanto seu grão quanto sua verdura são permitidos. Semeado para verdura antes de Rosh Hashaná do ano sabático, e entrando o ano sabático, tanto seu grão quanto sua verdura são proibidos. Semeado para grão e verdura antes de Rosh Hashaná do ano sabático, e entrando o ano sabático — é óbvio que seu grão é permitido; e sua verdura, qual é seu status? Ensinou Rabi Chiyá: proibida. Ensinou Rabi Chalafta ben Shaul: permitida. Quem diz "permitida" segue a lei estrita da Torá; quem diz "proibida", (o faz) por causa da aparência (que levaria outros a suspeitar de que ele plantou para colher no próprio ano sabático). Perguntou Rabi Simon bar Zevidá diante de Rabi Yossé: então deveria ser proibido até mesmo alimentar com ela o seu animal, por causa da aparência? Disse-lhe: não deve dá-la nem a seu filho, nem a seu enviado, nem deve colhê-la de modo organizado (como faria um profissional, o que chamaria a atenção). Disse Rabi Yossé bei Rabi Bun: se a cova foi arrancada (isto é, se a colheita foi feita de modo desordenado, arrancando plantas isoladas), é permitido; e mesmo segundo quem diz que é proibido, se ele estava colhendo (o grão) e encontrou verdura no meio, é permitido. Assim como aconteceu: um homem entrou carregando dez feixes de feijão líbio como dízimo, diante de Rabi Yirmiyáh. Disse-lhe: não faças assim; não colhas senão o que baste para a panela.
Halachá: Semeado para grão antes de Rosh Hashaná do oitavo ano (o ano seguinte ao sabático), e entrando o oitavo ano, tanto seu grão quanto sua verdura ficam proibidos (por terem crescido do solo ainda no ano sabático). Semeado para verdura antes de Rosh Hashaná do oitavo ano, e entrando o oitavo ano, tanto seu grão quanto sua verdura são permitidos. Semeado para grão e verdura antes de Rosh Hashaná do oitavo ano, e entrando o oitavo ano, seu grão fica proibido, e sua verdura é permitida.
Esta é a quinta halachá do Perek Bet de Massechet Sheviit. A Mishná abre um novo tema: os critérios que definem se determinada produção agrícola é dizimada como pertencente ao ano anterior ou ao ano seguinte, tomando como exemplo o arroz, o milho painço, as papoulas e o gergelim que criaram raízes antes de Rosh Hashaná — e acrescenta, por meio de Rabi Shimon de Shezur, Rabi Shimon e Rabi Elazar, o caso especial do feijão egípcio e das ervilhas altas, cuja classificação depende também da intenção do semeador.
A guemará explica que, para a produção em geral, o critério é o terço maduro, apoiado nos versículos sobre a eira e o lagar e sobre dizimar toda a novidade da semente; para o arroz, o critério é o enraizamento; e para a verdura, o momento da colheita, já que ela vive das águas do ano em que é colhida. Discute por que o critério do terço maduro não se estende ao arroz, ao painço, às papoulas e ao gergelim, e enfrenta repetidas objeções a partir do caso do feijão egípcio, que parece exigir dois dízimos num só ano — uma tensão que permanece sem solução definitiva no texto. Esclarece o termo tirmelu como a formação da vagem, e fixa que a prática segue Rabi Shimon de Shezur. Por fim, detalha, por meio de uma baraita de seis regras, todos os casos do feijão egípcio segundo a intenção do semeador, o momento do terço maduro e da colheita, incluindo a disputa entre Rabi Chiya e Rabi Chalafta ben Shaul sobre se a verdura de uma semeadura mista fica proibida por causa da aparência — resolvida por Rabi Yossé bei Rabi Bun com critérios práticos de colheita discreta —, e fecha com a simetria e as diferenças entre o ano sabático e o oitavo ano quanto ao grão e à verdura.