Primeira halachá do Perek Guimel de Massechet Sheviit: a Mishná pergunta desde quando se retira o esterco para os monturos, e traz três opiniões — Rabi Meir: desde que cessem os que trabalham a terra; Rabi Yehudá: desde que seque a matok (uma planta silvestre); Rabi Yossei: desde que ela forme nós. Fixa ainda até quanto se aduba o campo: até três monturos de dez cestas cada por bet-se'á (medida de área), permitindo-se acrescentar às cestas mas não aos monturos — contra o que Rabi Shimon permite também acrescentar aos monturos. A guemará discute se é permitido fazer um monturo à entrada do próprio quintal antes de cessarem os trabalhadores, examinando o caso de Silani perante Rabi Chiya bar Ba e a ressalva de Rabi Chanina, e a preocupação de que se suspeite estar adubando às escondidas um campo irrigado; trata da venda e retirada de esterco com quem observa o ano sabático até Rosh Hashaná, e com gentio ou samaritano mesmo durante o próprio ano sabático, contanto que não se descarreguem as cestas; identifica a planta pekuah mencionada por Rabi Yehudá, segundo Rabi Mana; explica, com Rabi Chananya, o critério dos nós para a opinião de Rabi Yossei; e fecha com a discussão entre Rabi Yirmeya e Rabi Yossei sobre acrescentar às cestas e aos monturos além da medida padrão.
Mishná: Desde quando se retira o esterco para os monturos (os depósitos de estrume no campo)? Desde que cessem os que trabalham a terra (os lavradores que ainda estão em plena labuta) — palavras de Rabi Meir. Rabi Yehudá diz: desde que seque a matok ("a doce", uma planta silvestre). Rabi Yossei diz: desde que ela forme nós. Até quanto se aduba (o campo com esterco)? Até três monturos de dez cestas cada por bet-se'á (medida de área de terra), e, num campo de um lêtec (medida maior), um lêtec (proporcionalmente). Acrescenta-se às cestas, mas não se acrescenta aos monturos; Rabi Shimon diz: também aos monturos.
Halachá: Antes de cessarem os que trabalham a terra, qual é a lei quanto a ser permitido fazer um monturo à entrada do próprio quintal (ainda em pleno tempo de lavoura)? Silani perguntou a Rabi Chiya bar Ba, e este lhe proibiu. Rabi Chanina disse que ele lhe permitiu (uma versão diferente da mesma resposta); e diziam que ele (esse mesmo sábio, noutro caso) tomara dízimo e decidira, por conta própria, sair para fora da Terra, para não ter de tomar dízimo (um comentário à parte sobre a inconsistência de suas decisões). Ora, se assim é, mesmo desde que cessarem os que trabalham a terra deveria ser proibido, por causa da aparência — para que não digam que ele o está retirando para dentro do seu campo irrigado (disfarçando adubação proibida sob a aparência de mero monturo). Os habitantes de sua cidade sabem se ele tem campo irrigado ou não tem. Disse Rabi Yossei: isso ensina que não se preocuparam com os que passam e os que voltam (viajantes de fora, que não conhecem a situação do dono do campo) por causa da aparência.
Halachá: Quanto à proibição dos dois períodos (as duas fases do calendário agrícola em torno do ano sabático), qual é a lei quanto a ser permitido proceder nesta ordem (a que a Mishná descreve)? Aprendamo-lo do seguinte: vende-se e retira-se esterco junto com os que observam o ano sabático, até Rosh Hashaná (do ano seguinte). Com o gentio e com o samaritano, mesmo durante o próprio ano sabático, contanto que (o próprio israelita) não descarregue as cestas. Não disse senão "contanto que não descarregue as cestas" — logo, para retirá-las, ele as retira (pode carregá-las até o local); isso ensina que é permitido. E, se disseres que é proibido, deveria ser proibido até mesmo retirá-las (o que não é o caso).
Halachá: (Citando a Mishná:) "Desde que seque a matok" — trata-se da pekuah (uma planta silvestre, cabaça amarga). Disse Rabi Mana: aquela pekuah é a do vale (a que cresce na planície, e não outra variedade).
Halachá: (Citando a Mishná:) "Desde que ela forme nós" — desde que ela faça nó após nó. Disse Rabi Chananya: assim que se forma nela o nó superior, logo em seguida ela seca. E foi ensinado a respeito disso que as palavras deles (de Rabi Yehudá e Rabi Yossei) estão próximas de serem iguais (referem-se, na prática, ao mesmo momento).
Halachá: Disse Rabi Yirmeya: reduzindo-se do número de cestas — eis que duas (cestas a menos) é permitido. Rabi Yossei indagou: mas, se reduzindo do número de cestas, então duas deveria ser proibido! Antes, no que estamos tratando? Em quem faz mais do que a medida padrão, como se ensinou: "não se acrescenta nem às cestas nem aos monturos" — palavras de Rabi Meir; e os sábios dizem: acrescenta-se às cestas, mas não se acrescenta aos monturos. E acrescenta-se às cestas, ainda que não seja pela medida padrão (pode-se pôr mais ou menos do que a medida fixa); e, de modo semelhante, retira-se para os monturos mesmo pela medida padrão (sem restrição adicional).
Esta é a primeira halachá do Perek Guimel de Massechet Sheviit, que abre um novo tema dentro do tratado: depois de o Perek Bet tratar do limite de lavrar e de irrigar antes do ano sabático, o Perek Guimel volta-se para a retirada e o acúmulo de esterco no campo. A Mishná pergunta desde quando se retira o esterco para os monturos, trazendo três critérios — o cessar dos trabalhadores da terra segundo Rabi Meir, o secar da planta matok segundo Rabi Yehudá, e o formar-se de nós segundo Rabi Yossei —, e fixa a medida de até quanto se aduba o campo: três monturos de dez cestas cada por bet-se'á, permitindo-se acrescentar às cestas mas não aos próprios monturos, contra o que Rabi Shimon permite também nestes últimos.
A guemará discute se é permitido fazer um monturo à entrada do próprio quintal antes de cessarem os trabalhadores, examinando o caso de Silani perante Rabi Chiya bar Ba e a versão divergente de Rabi Chanina, e a preocupação de que se suspeite estar adubando às escondidas um campo irrigado — preocupação que Rabi Yossei esclarece não se estender aos viajantes de fora. Trata em seguida da venda e retirada de esterco junto com quem observa o ano sabático até Rosh Hashaná, e com gentio ou samaritano mesmo durante o próprio ano sabático, contanto que o israelita não descarregue as cestas. Identifica, com Rabi Mana, a planta pekuah mencionada por Rabi Yehudá, e explica, com Rabi Chananya, o critério dos nós da opinião de Rabi Yossei, notando que as duas opiniões praticamente coincidem. Fecha com a discussão entre Rabi Yirmeya e Rabi Yossei sobre acrescentar às cestas e aos monturos além da medida padrão, concluindo, à luz da baraita que opõe Rabi Meir aos sábios, que se pode acrescentar livremente às cestas, mas não se pode ultrapassar a medida ao formar novos monturos.
Com esta halachá, abre-se o Perek Guimel de Massechet Sheviit, que tem sete halachot no total.