Sexta halachá do Perek Dalet de Massechet Sheviit: a Mishná pergunta desde quando se comem os frutos da árvore no ano sabático, e responde que os figos verdes, uma vez que começam a brilhar (a amadurecer), come-se com o pão no próprio campo; quando chegam ao estágio de "bichilu", recolhe-se para dentro de casa — e o mesmo vale, nos demais anos do ciclo semanal, para a obrigação de separar dízimos. As uvas verdes, uma vez que trazem água (suco), come-se com o pão no campo; quando azedam, recolhe-se para dentro de casa, e o mesmo vale, nos demais anos, para a obrigação de dízimos. A guemará explica o significado do termo "bichilu", traz os versículos que servem de base para distinguir duas categorias de produto — um de casa e um do campo —, registra a pergunta de Rabi Yosei ben Chanina sobre se é permitido fazer emplasto de figos verdes, discute a impureza alimentar dos figos e uvas verdes e a posição de que, no ano sabático, todos concordam que eles não a contraem enquanto não chegam à época dos dízimos, trata do coração da tamareira e das tâmaras verdes quanto à santidade do sétimo ano e à isenção de dízimos, traz a exposição de Rabi Yehuda bar Pazi e a réplica trazida contra ele, e fecha explicando por que se comem as uvas verdes ainda no estágio azedo.
Mishná: Desde quando se comem os frutos da árvore no ano sabático? Os figos verdes — uma vez que começam a brilhar, come-se com eles o pão no campo; quando chegam ao estágio de bichilu, recolhe-se para dentro de casa; e assim também, nos demais anos do ciclo semanal, ficam obrigados a dízimos. As uvas verdes — uma vez que trazem água, come-se com elas o pão no campo; quando azedam, recolhe-se para dentro de casa; e assim também, nos demais anos do ciclo semanal, ficam obrigadas a dízimos.
Halachá: (Citando a Mishná anterior:) "Aquele que apara as pontas das videiras..." etc. O que significa bichilu? Rabi Chiya bar Ba disse: [significa] enfastiar-se, estragar — como quando se diz: "e também a alma deles se enfastiou de mim" (Zacarias 11:8). Está escrito: "e para o teu gado, e para o animal que está na tua terra, será toda a sua produção para comer" (Vayicrá 25:7). Rabi Chiya bar Ba disse: duas produções [estão indicadas] — uma de casa e uma do campo; e está escrito: "do campo comereis a sua produção" (Vayicrá 25:12).
Halachá: Rabi Yosei ben Chanina perguntou: os figos verdes, qual a lei quanto a fazer deles um emplasto? Visto que se come com eles o pão no campo, seria proibido? Ou, visto que se recolhem para dentro de casa, seria permitido?
Ensinaram ali: os figos verdes e as uvas verdes — Rabi Akiva diz: contraem impureza alimentar [imediatamente]; Rabi Yochanan ben Nuri diz: somente quando chegam à época dos dízimos. Ensinou-se aqui "imediatamente" e não há aqui "imediatamente" [num sentido incondicional]. Rabi Chananiá em nome de Rabi Shimon ben Lakish: a baraita [de Rabi Akiva] fala dos figos verdes especificamente; quanto a todos os demais frutos verdes, eles não contraem impureza alimentar até chegarem à época dos dízimos. Disse Rabi Yosei: nossa mishná confirma isso — "os figos verdes, uma vez que começam a brilhar, come-se com eles o pão no campo". Rabi Pedat em nome de Rabi Yochanan: no ano sabático todos concordam. "Todos concordam" — os colegas dizem que eles não contraem impureza alimentar [antes daquela época].
Halachá: O coração da tamareira é como madeira para todo efeito, exceto que pode ser comprado com dinheiro de segundo dízimo; e as tâmaras verdes aptas para comer estão isentas de dízimos. Rabi Yehuda bar Pazi expôs na casa de estudo: sobre o coração da tamareira não recai a santidade do sétimo ano. E Rabi Yosei advertia os que lhe perguntavam sobre isso, dizendo-lhes: de onde vocês tiram isso para dizer assim? E eles diziam: foi ele mesmo que nos disse. Disse Rabi Yosei: uma baraita contradiz Rabi Yehuda bar Pazi e apoia a nós, pois foi ensinado: os figos verdes do sétimo ano não se cozem; mas com os que foram preparados [mesuyafot] é permitido, porque esse é o seu processamento próprio.
"Desde quando se comem os frutos..." etc. O coração da tamareira e as tâmaras verdes são como madeira, e assim dizemos; ora, madeira é proibido cozer — mas visto que sobre ele recai a santidade do sétimo ano, por isso foi necessário dizer que é proibido.
Halachá: "As uvas verdes, uma vez que trazem água..." etc. A respeito das uvas verdes, o que há para dizer? Disse Rabi Abun: porque assim é o costume de quem come coisas azedas — comê-las desse modo.
A Mishná desta halachá deixa o tema do corte de plantas, tratado nas halachot anteriores, e passa a definir a partir de quando os frutos da árvore ainda verdes já contam como "fruto" no ano sabático: os figos verdes, assim que começam a amadurecer, já podem ser comidos com pão no próprio campo, mas só quando chegam a um estágio mais avançado (bichilu) é que se justifica recolhê-los para dentro de casa; regra paralela vale para as uvas verdes, que passam a ser comidas no campo assim que soltam suco, e só se recolhem em casa quando azedam. A mesma linha divisória, ensina a mishná, determina em anos comuns do ciclo quando esses frutos passam a ficar sujeitos à obrigação de dízimos.
A guemará abre esclarecendo o sentido de bichilu, ligando-o à ideia de enfastiar-se ou estragar, e traz dois versículos do Levítico para fundamentar a existência de duas categorias de produto — um destinado a ser comido em casa, outro a ser comido no próprio campo. Registra a pergunta em aberto de Rabi Yosei ben Chanina sobre se é permitido fazer um emplasto medicinal de figos verdes, e discute longamente a impureza alimentar dos figos e das uvas verdes, reconciliando a mishná sobre isso com a disputa entre Rabi Akiva e Rabi Yochanan ben Nuri, e concluindo que no ano sabático prevalece a posição mais tardia — os frutos verdes só contraem impureza alimentar quando chegam à época dos dízimos. Trata em seguida do coração da tamareira e das tâmaras verdes, equiparados à madeira para a maioria dos efeitos mas com exceções quanto à santidade do sétimo ano e à isenção de dízimos, incluindo a exposição de Rabi Yehuda bar Pazi e a baraita trazida contra ela. Fecha explicando, por meio de Rabi Abun, por que as uvas ainda azedas já se comem no campo desse jeito — porque assim é, simplesmente, o costume de quem aprecia frutos ácidos.