Quinta halachá do Perek Tet de Massechet Sheviit. A Mishná ensina que se colhem ervas verdes até que seque o matoc (a colocintida, fruto amargo chamado eufemisticamente de "o doce"), e se recolhe erva seca até que desça a reviá shniá (a segunda chuva forte); que folhas de canas e de videiras se recolhem até que caiam de seus próprios troncos, e as secas até que desça a segunda reviá; e que Rabi Akiva diz que, em todos esses casos, é até que desça a segunda reviá. Semelhante a isso: quem aluga uma casa a seu companheiro até as chuvas — é até que desça a segunda reviá; quem faz voto de não ter proveito de seu companheiro até as chuvas — é até que desça a segunda reviá; até quando entram os pobres nos pomares? Até que desça a segunda reviá; até quando se aproveita e se queima a palha e o restolho do sétimo ano? Até que desça a segunda reviá. A guemará traz o ensino de Rabi Avin, em nome de Rabi Yochanan, de que não há aqui folhas de canas, senão apenas folhas de videiras, pois folhas de canas não têm biur, o mesmo valendo, segundo o ensinado, para folhas de sumagre e de alfarrobeiras, cuja espécie nunca se acaba. Traz a pergunta de Rabi Zeira sobre o voto "até a chuva"; uma digressão trazida da Mishná de Shekalim sobre o voto de trazer lenha e o número mínimo de lenhos, discutida por Rabi Yossei bei Rabi Bun, Rabi Ba bar Mamal e Rabi Elazar; o ensino de Rabi Yossei distinguindo o que depende da fertilidade do que não depende dela, o de Rabán Shimon ben Gamliel sobre os sete dias de chuva ininterrupta, e a etimologia do nome reviá, transmitida por Rabi Chiya. Traz o ensino de Rabi Chanina de que, uma vez que apodrece o que está no campo, é permitido o que está em casa, com a posição mais estrita de Rabi Hoshaya; as leis da palha do sétimo ano molhada em barro ou colocada em travesseiro, que perde seu caráter apenas quando de fato usada; a longa discussão sobre se a palha do sétimo ano é proibida por causa dos sfichin (o que brota espontaneamente), com os pareceres de Rabi Levi de Tzenavarya, Rabi Ba bar Zavdá, Rabi Zeira, os moradores da casa de Karsana, Rabi Yirmeya, Rabi Yossei e Rabi Shamai; e fecha com a pergunta sobre se, permitindo a palha como material de construção, não se estaria destruindo alimento de animais, resolvida por Rabi Mana quanto à santidade do sétimo ano no momento do biur, sem que se aprenda daí para outros casos.
Mishná: Quem colhe ervas verdes (pode fazê-lo) até que seque o matoc (a colocintida, chamada eufemisticamente de "o doce"). E quem recolhe (erva já) seca, até que desça a reviá shniá (a segunda chuva forte). Folhas de canas e folhas de videiras, até que caiam de seus próprios troncos. E quem recolhe (as) secas, até que desça a segunda reviá. E Rabi Akiva diz: em todos esses casos, até que desça a segunda reviá. Semelhante a isso: quem aluga uma casa a seu companheiro até as chuvas — é até que desça a segunda reviá. Quem faz voto de não ter proveito de seu companheiro até as chuvas — é até que desça a segunda reviá. Até quando entram os pobres nos pomares? Até que desça a segunda reviá. Até quando se aproveita e se queima a palha e o restolho do sétimo ano? Até que desça a segunda reviá.
Halachá: Rabi Avin, em nome de Rabi Yochanan: não há aqui (na Mishná) folhas de canas, senão apenas folhas de videiras. Folhas de canas não têm biur. E assim foi ensinado: folhas de canas, folhas de sumagre e folhas de alfarrobeiras não têm biur, porque sua espécie nunca se acaba (do campo).
Halachá: Rabi Zeira indagou, dizendo: (se alguém, num voto, disse) "até a chuva" — é até que desça uma (primeira) chuva? Lá (em Massechet Shekalim) ensinamos: quem diz "eis que sobre mim, lenha" não traz menos de dois lenhos. Disse Rabi Yossei bei Rabi Bun: disse Rabi Ba bar Mamal, indagou-se: se disse "eis que sobre mim, um lenho" — traz um só lenho? Disse Rabi Elazar: uma mishná ensina assim, que este é um sacrifício por si e aquele é um sacrifício por si, pois ensinamos: "dois (cohanim), em suas mãos, dois lenhos de madeira." Foi ensinado, Rabi Yossei diz: tudo o que depende da fertilidade (da chuva efetiva), é até que desça a segunda reviá; e o que não depende da fertilidade, é até que chegue o seu tempo próprio da reviá. Foi ensinado, Rabán Shimon ben Gamliel diz: sete dias em que caíram chuvas sem cessar têm neles o suficiente para uma segunda reviá. Foi ensinado, Rabi Chiya, em nome de Rabán Shimon ben Gamliel: e por que se chama seu nome reviá? Porque ela satura (rova'at) a terra.
Halachá: Disse Rabi Chanina: uma vez que apodrece o que está no campo, é permitido o que está em casa. Foi ensinado, Rabi Hoshaya: mesmo depois de três anos, é proibido até que apodreça. Palha do sétimo ano não se molha em barro. (Se) a molharam em barro, ela perde seu caráter (de santidade do sétimo ano) — e isso quando de fato a amassaram (nele). Palha do sétimo ano não se coloca em travesseiro. (Se) a colocaram em travesseiro, ela perde seu caráter — e isso quando de fato dormiram sobre ele.
Halachá: Palha do sétimo ano — é ela proibida por causa dos sfichin (o que brota espontaneamente)? Rabi Levi de Tzenavarya perguntou a Rabi Ba bar Zavdá, e ele permitiu. Disse Rabi Zeira: e eu, que não me apoiei em mim mesmo, perguntei aos da casa de Karsana, e disseram: costumávamos recolher palha desde a véspera do sétimo ano, e quando nos faltava, trazíamos dos muros. Disse Rabi Yirmeya: uma (baraita) ensina que é permitido, pois foi ensinado: os tintureiros e os engordadores (de animais) compram farelo grosso de qualquer lugar, e não se preocupam. Rabi Yirmeya pensou em dizer: mesmo daquele que é suspeito (quanto ao sétimo ano). Disse-lhe Rabi Yossei: não disseram isso senão quando não se sabe se ele é suspeito; se não é suspeito, eis que é permitido — mas se é coisa manifesta que ele é suspeito, é proibido. Disse Rabi Shamai: uma (mishná) ensina que é proibido, pois ensinamos lá (em Massechet Terumot): "e no sétimo ano, e em kilei hakerem (mistura proibida na vinha), e em coisas consagradas, se há na semente e na madeira o suficiente para dar sabor (a proibição se estende)." (Objeção:) não se constataria, então, destruir alimento de animais (se a palha do sétimo ano fosse proibida para uso como material de construção)? Explica-se (que a proibição trata de) alimento de animais (usado) para o homem. Disse Rabi Mana: explica-se quanto à santidade do sétimo ano, no momento do biur, e não se aprende disso nada (para outros casos).
Esta é a quinta halachá do Perek Tet de Massechet Sheviit — capítulo com seis halachot no total, encerrado na halachá seguinte. A Mishná fixa a reviá shniá (a segunda chuva forte) como o marco comum a uma série de casos aparentemente distintos: colher ervas verdes até secar o matoc, recolher ervas secas, folhas de canas e de videiras, alugar casa até as chuvas, o voto de não ter proveito do companheiro até as chuvas, a entrada dos pobres nos pomares, e o uso e queima da palha e do restolho do sétimo ano — todos unificados por Rabi Akiva sob o mesmo prazo.
A guemará traz o ensino de Rabi Avin em nome de Rabi Yochanan de que folhas de canas, sumagre e alfarrobeiras não têm biur, por sua espécie nunca se acabar; a pergunta de Rabi Zeira sobre o voto "até a chuva"; uma digressão trazida de Massechet Shekalim sobre o voto de trazer lenha, discutida por Rabi Yossei bei Rabi Bun, Rabi Ba bar Mamal e Rabi Elazar; o ensino de Rabi Yossei distinguindo o que depende da fertilidade do que não depende dela, o de Rabán Shimon ben Gamliel sobre os sete dias de chuva ininterrupta, e a etimologia de reviá transmitida por Rabi Chiya. Traz o ensino de Rabi Chanina sobre o apodrecimento no campo liberando o produto de casa, com a posição mais estrita de Rabi Hoshaya; as leis da palha molhada em barro ou usada em travesseiro; a longa discussão sobre a palha do sétimo ano e os sfichin, com os pareceres de Rabi Levi de Tzenavarya, Rabi Ba bar Zavdá, Rabi Zeira, os da casa de Karsana, Rabi Yirmeya, Rabi Yossei e Rabi Shamai; e fecha com a pergunta sobre destruir alimento de animais, resolvida por Rabi Mana quanto à santidade do sétimo ano no momento do biur, sem que se aprenda disso para outros casos. Esta halachá trata de leis agrícolas do sétimo ano e não tem paralelo genuíno verificado no Talmud Bavli, Massechet Shabat.