Uma pariu antes e outra não pariu antes, e deram à luz dois machos: um é dele e um é do sacerdote. Rabi Tarfon diz, o sacerdote escolhe para si o melhor. Rabi Akiva diz, avaliam entre eles, e o segundo pastará até que desenvolva uma mácula. E é obrigado nos presentes. Rabi Yossei isenta, pois Rabi Yossei dizia: tudo cujo substituto está em mão do sacerdote está isento dos presentes. Rabi Meir obriga.
— Nesta variação, uma das duas ovelhas do dono já havia parido antes — portanto, com certeza, o macho que ela agora produz não é primogênito —, enquanto a outra ainda não tinha parido, de modo que seu macho é, com certeza, primogênito. O problema é que não se sabe qual das duas ovelhas pariu qual macho: por isso a dúvida persiste exatamente como nos casos anteriores, e se aplicam as mesmas soluções — divisão entre dono e sacerdote, a escolha do melhor por Rabi Tarfon, ou a igualação de valores por Rabi Akiva, com o segundo macho pastando até desenvolver mácula. A mishná acrescenta aqui a fundamentação de Rabi Yossei para isentar dos presentes sacerdotais: ele sustenta o princípio de que todo animal cujo “substituto” — ou seja, aquele que, em caso de dúvida, poderia ter sido entregue ao sacerdote em seu lugar — já está de fato em mãos do sacerdote, fica isento da obrigação de separar os presentes do abate comum, pois o sacerdote já recebeu sua parte por outra via. Rabi Meir discorda e mantém a obrigação dos presentes.
Se um deles morreu, Rabi Tarfon diz: dividirão. Rabi Akiva diz: quem tira de seu companheiro, sobre ele recai o ônus da prova. Macho e fêmea, não há aqui nada para o sacerdote.
— Repete-se aqui a mesma disputa das mishnayot anteriores quanto à morte de um dos dois machos antes da resolução da dúvida. E a mishná fecha com o caso em que as duas ovelhas dão à luz um macho e uma fêmea: mesmo aqui, embora uma das ovelhas já tenha parido antes e a outra não, não se sabe qual delas pariu o macho — é possível que a que já pariu antes tenha tido o macho, e a que ainda não pariu tenha tido a fêmea, hipótese em que nenhum dos dois animais teria status de primogênito. Por essa possibilidade, ninguém sustenta pretensão do sacerdote sobre o macho, que permanece integralmente com o dono.
Rambam explica a progressão pedagógica das três mishnayot sobre a dúvida de primogenitura: a primeira ensinou a disputa entre Rabi Akiva e Rabi Tarfon no caso mais simples, de dois machos nascidos de uma só ovelha. A segunda, com três indivíduos nascidos de duas ovelhas, poderia levar a crer que o maior e melhor deles é justamente o que nasceu sozinho, e que por isso caberia ao sacerdote sem disputa — mas a mishná ensinou que, mesmo aí, vale o princípio de que quem pretende tirar algo de seu companheiro tem o ônus da prova, cabendo ao sacerdote apenas o mais magro. Agora, esta terceira mishná, ao dizer “uma pariu antes e outra não pariu antes”, poderia levar a crer que é sabido que a que ainda não pariu foi a que teve o filhote menor e mais magro, e que por isso Rabi Tarfon não discordaria aqui — mas a mishná ensina que, mesmo neste caso, Rabi Tarfon mantém que o sacerdote escolhe o melhor para si. Sobre “Rabi Meir obriga”, Rambam esclarece que mesmo Rabi Meir só obriga os presentes no caso de dúvida de primogênito, seguindo esta ordem; mas em caso de dúvida de dízimo do gado, todos concordam, mesmo Rabi Meir, que está isento dos presentes. E repete que a lei segue Rabi Akiva em tudo, e segue Rabi Yossei.