Uma cama da qual foi roubada a metade, ou se perdeu a metade, ou a dividiram irmãos ou sócios, torna-se pura. Se a devolveram, volta a receber impureza a partir de então. Uma cama torna-se impura em feixe e se purifica em feixe, palavras de Rabi Eliezer. E os sábios dizem: torna-se impura em membros e se purifica em membros.
A última mishná do Perek Yud-Chet retoma o tema da divisão física da cama, mas sob outro ângulo: quando metade de uma cama é roubada, perdida, ou dividida entre herdeiros ou sócios, a parte que resta perde a condição de vaso e se torna pura, pois já não corresponde à intenção original de seus donos. Se as partes voltam a se reunir, o vaso volta a ser suscetível à impureza, mas apenas dali em diante, sem efeito retroativo. A mishná fecha o capítulo com a disputa entre Rabi Eliezer e os sábios sobre a unidade da cama para fins de impureza e purificação: para Rabi Eliezer, a cama só contrai e perde impureza como um todo unido; para os sábios, cada membro — cada perna, cada travessa — pode contrair e perder impureza individualmente, desde que ainda constitua parte funcional do leito. A lei segue os sábios.
Sobre disse “volta a receber impureza a partir de então”: segundo o princípio que mencionamos no Perek Tet-Vav (capítulo quinze) deste tratado, que é dizer “quebraram-se, purificaram-se; voltou e fez deles vasos, recebem impureza a partir de então”.
E disse “torna-se impura em feixe”, que ela não se torna impura senão toda unida, e assim não se purifica senão quando está unida, e assim se imerge. E a expressão dos sábios “torna-se impura em membros” esclareceu o Talmude que seu sentido é que ela seja comprida e duas pernas, ou curta e duas pernas, pois então ela se torna impura, sendo parte da cama, já que sua reparação é que se coloque ao lado, num lugar alto, e se estenda a madeira sobre elas e se deite sobre isso; e assim disse que, quando ela estava completa e se tornou impura e se purificou e se cortou um pedaço, ela é pura; e a lei é como os sábios.
Sobre “torna-se pura”: e ainda que haja uma comprida e duas pernas, já que não têm intenção de devolvê-la. E quando isso vale? Apenas no caso em que tudo pertence a uma única pessoa. Sobre “volta a receber impureza a partir de então”: mas não retroativamente, pois, uma vez que a dividiram, a impureza voou dela.
Sobre “torna-se impura em feixe”: se a perna se separou da comprida e permanece com a curta, há união; e se a perna se torna impura, a curta se torna impura; assim como, quando ela está inteira, se um de seus membros se torna impuro, ela toda se torna impura, assim também, quando a perna se separa da comprida e permanece com a curta, forma-se um feixe com a curta, e quando a perna se torna impura, a curta se torna impura junto com ela. Sobre “e se purifica em feixe”: pois, se imergiu a perna junto com a curta, a curta não separa sobre ela, do mesmo modo que não separa sobre ela quando a imerge estando inteira.
Sobre “e os sábios dizem: torna-se impura em membros”: e não em feixe, pois, se a perna se torna impura, ela está impura, e não a curta, já que não é união como quando está inteira. Sobre “e se purifica em membros”: quando vem imergi-la, imerge a perna sozinha, e não em feixe com a curta, pois a curta separa sobre ela, já que não é união como quando está inteira — pois quem imerge a cama inteira, ela é pura ainda que não a tenha desmontado; mas agora que a perna se separou da comprida, não há feixe com a curta, e é necessário imergi-la sozinha. E a lei é como os sábios. Assim parece a explicação desta mishná, a partir da Tosefta, e assim a explicaram meus mestres.
Com esta nona mishná, encerra-se o Perek Yud-Chet de Massechet Keilim — capítulo que sucede o extenso Perek Yud-Zayin, dedicado às medidas-padrão, e volta sua atenção, quase inteiramente, ao mobiliário de madeira do lar — a shidá (arca), o leito (mitá) e o tefilin —, explorando como a conexão e a separação de suas partes determinam a suscetibilidade à impureza.
As mishnayot 18:1 e 18:2 abriram o capítulo com a shidá, a grande arca de madeira cuja pureza depende de conter, ou não, as quarenta se’á que definem a medida-padrão dos vasos domésticos: Bet Shamai mede o espaço interno, Bet Hilel mede pela superfície externa, e Rabi Yossei e Rabi Shimon Shezuri disputam se a espessura das pernas, das bordas e o vão entre elas entram na conta. A mishná seguinte tratou dos acessórios da shidá — o mucni removível e a cobertura abobadada (kimron) —, cuja conexão física determina se são medidos junto com o vaso principal, se protegem sob o mesmo teto de um cadáver e se podem ser arrastados no Shabat.
As mishnayot 18:3 e 18:4 voltaram-se ao leito propriamente dito, distinguindo as partes que sempre permanecem puras — os suportes do dossel, o apoio contra a umidade, os revestimentos — das que constituem o próprio vaso, a moldura retangular; e discutiram o caso especial da moldura apoiada sobre “línguas” salientes, comparando-a às molduras destináveis dos levitas, sempre puras.
As mishnayot 18:5 e 18:6 examinaram os danos físicos que anulam a impureza por midrás ao desfazer a forma reconhecível da cama — a diferença entre retirar a travessa curta e a comprida, os cortes diagonais e a redução de altura — e o caso mais sutil da travessa comprida quebrada e consertada duas vezes, em que a impureza recua gradualmente de midrás a simples toque, até se dissipar por completo.
As mishnayot 18:7 e 18:8 aplicaram o mesmo princípio de conexão e separação, primeiro à perna do leito que já trazia impureza antes de ser unida à cama — e ao dente de metal da enxada, regido pela mesma lógica —, e depois ao tefilin de quatro compartimentos, cujo rodízio de substituições degrada progressivamente a impureza de morto até a purificação total, pois “o toque não gera toque”.
A última mishná, 18:9, fechou o capítulo com a cama dividida entre irmãos ou sócios, que se torna pura e só volta a ser suscetível à impureza dali em diante, e com a disputa entre Rabi Eliezer e os sábios sobre se a cama impura se comporta como um feixe unido ou como membros independentes — disputa cuja lei segue os sábios.
O estudo de Massechet Keilim prossegue agora para o Perek Yud-Tet, que continuará explorando as leis de impureza dos vasos ao longo dos doze perakim que ainda restam deste, o mais extenso tratado de toda a Mishná.