Seder Tehorot · Massechet Keilim · Perek Yud-Tet · Mishná 6 de 10

A cama e o mizran que tocaram no morto; as travessas trocadas

מִטָּה שֶׁכָּרַךְ לָהּ מִזְרָן, וְנָגַע בָּהֶן הַמֵּת, טְמֵאִין טֻמְאַת שִׁבְעָה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · המִשְׁנָה

A cama e o mizran enrolado que tocam juntos num morto ou num sheretz permanecem impuros mesmo depois de separados, ao contrário do midrás; e a cama cujas duas travessas compridas foram trocadas mantém sua condição segundo as antigas

Uma cama na qual se enrolou um mizran, e neles tocou o morto: ficam impuros por impureza de sete dias. Se se separaram: ficam impuros por impureza de sete dias. Tocou neles um sheretz: ficam impuros por impureza de véspera. Se se separaram: ficam impuros por impureza de véspera. Uma cama da qual se retiraram suas duas travessas compridas e se fizeram novas, sem que se mudassem os buracos: se se quebraram as novas, ela permanece impura; e se as antigas, torna-se pura, pois tudo segue as antigas.

Esta mishná introduz uma distinção crucial em relação à anterior: quando a impureza não provém do midrás — que exige contato direto com a fonte original, o zav —, mas sim do contato conjunto com um morto ou com um sheretz, cama e mizran, enquanto unidos, formam um único vaso perante essa impureza, e permanecem cada um em seu grau completo mesmo depois de separados, sem sofrer redução, ainda que o mizran já se estendesse por muitos côvados para fora da cama. A segunda parte da mishná retoma o tema, já visto no capítulo anterior, da substituição de partes do leito: quando as duas travessas compridas de uma cama impura são retiradas e substituídas por novas, sem alterar os encaixes originais, a cama não se purifica, pois a substituição não desfez sua identidade; se as novas se quebram depois, a cama continua impura, pois as antigas ainda existem e poderiam ser recolocadas; mas se são as próprias travessas antigas que se quebram, a cama se purifica, pois toda a condição do vaso depende delas, e não das novas.

מִטָּה שֶׁכָּרַךְ לָהּ מִזְרָן, וְנָגַע בָּהֶן הַמֵּת, טְמֵאִין טֻמְאַת שִׁבְעָה. פֵּרְשׁוּ, טְמֵאִין טֻמְאַת שִׁבְעָה. נָגַע בָּהֶן הַשֶּׁרֶץ, טְמֵאִין טֻמְאַת עָרֶב. פֵּרְשׁוּ, טְמֵאִין טֻמְאַת עָרֶב. מִטָּה שֶׁנִּטְּלוּ שְׁתֵּי אֲרֻכּוֹת שֶׁלָּהּ וְעָשָׂה לָהּ חֲדָשׁוֹת, וְלֹא שִׁנָּה אֶת הַנְּקָבִים, נִשְׁתַּבְּרוּ חֲדָשׁוֹת, טְמֵאָה. וִישָׁנוֹת, טְהוֹרָה, שֶׁהַכֹּל הוֹלֵךְ אַחַר הַיְשָׁנוֹת

Halachot · הַלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Keilim 19:6
לָמַדְנוּ בְּזֹאת הַהֲלָכָה שֶׁהַמִּטָּה וְהַמִּזְרָן כַּאֲשֶׁר יְחֻבְּרוּ הִנֵּה הֵן בִּדְמְיוֹן כְּלִי אֶחָד…

Aprendemos nesta halachá que a cama e o mizran, quando estão unidos, são como um único vaso, e um deles se torna impuro com a impureza do outro; e, quando se separam, cada um permanece impuro como estava no momento da união, e sua separação não é como a quebra de vasos, em que cada um se torna vaso à parte — isto tanto na impureza grave do morto quanto na impureza do sheretz.

E disse “uma cama da qual se retiraram suas duas travessas compridas”, quer dizer que, depois de a cama se tornar impura, retiraram-se suas duas travessas compridas e fizeram-se para ela duas travessas compridas novas, sem mudar os buracos, para que se purificasse, conforme o que precedeu no capítulo anterior, de que, quando se quebram as duas travessas compridas, a cama se purifica. E, por não terem mudado seus buracos e terem devolvido novas em seu lugar, ela não se purifica com isso, como se tivesse se dado a quebra das duas travessas; mas permanece impura. E quando se quebram as novas, ela também permanece em sua impureza, por causa das antigas; e se se quebram as antigas, ela se purifica, pois a raiz de sua impureza é a antiga, e por isso, quando se quebram as travessas antigas, ela se purifica com base nesse princípio, que é o dito “pois tudo segue as antigas”.

Bartenura · Keilim 19:6
וְנָגַע בָּהֶן הַמֵּת. כְּשֶׁהֵן כְּרוּכִים יַחַד…

Sobre “e neles tocou o morto”: quando estão enrolados juntos. Sobre “ficam impuros por impureza de sete dias”: nisto Rabi Yossei não discorda, pois apenas quanto à impureza de midrás ele disse até dez palmos é impuro, e de dez para fora é puro; mas quanto às demais impurezas, mesmo cem amas, tudo é conexão — como o mizran que está enrolado na cama, e a cama entra na tenda do morto, ou toca num sheretz; e igualmente, se uma ponta do mizran entra na tenda do morto ou toca num sheretz, a cama se torna impura, o mizran se torna impuro, e vice-versa, ainda que o mizran saia da cama por cem amas.

Sobre “se se separaram, ficam impuros por impureza de sete dias”: e não são como vasos quebrados, já que cada um deles é vaso à parte; ainda que, para fins de contrair impureza, sejam considerados um único vaso, e quando a impureza toca em um deles o outro se torna impuro.

Sobre “das quais se retiraram suas duas travessas compridas”: sem que se quebrassem, e ainda aptas a serem devolvidas ao seu lugar; por isso a cama não se purificou de sua impureza com a retirada das travessas. Sobre “se se quebraram as novas, ela permanece impura”: pois as antigas ainda existem e os buracos não mudaram, e é como se a cama tivesse sido desmontada membro por membro, permanecendo todos os seus membros inteiros. Mas se se quebraram as antigas, torna-se pura, porque as antigas são as que estavam na cama quando ela se tornou impura, e, ao se quebrarem, a cama se torna quebra de vaso, pois não serve sem as travessas compridas.

Perush — os Mefarshim · הַמְפָרְשִׁים

Massechet Keilim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.