Uma esteira cujas canas foram feitas ao longo de seu comprimento é pura. E os sábios dizem: até que se façam como espécie de “chi”. Se as fez ao longo de sua largura, e não há entre uma cana e a outra quatro palmos, é pura. Se ela se dividiu ao longo de sua largura, Rabi Yehudá a declara pura. E do mesmo modo aquele que solta as pontas das amarras, é pura. Se ela se dividiu ao longo de seu comprimento e restaram nela três amarras de seis palmos, é impura. Uma esteira, desde quando recebe impureza? Desde que se apare, e este é o término de sua fabricação.
A sétima e última mishná do capítulo volta-se à esteira de canas, examinando quando ela é apta a servir de leito e, portanto, suscetível à impureza. Quando as canas correm ao longo do comprimento da esteira, ela é pura, pois as próprias canas, alinhadas nessa direção, machucam quem se deita e a tornam imprópria para isso, servindo apenas de cobertura; os sábios exigem, para essa pureza, que as canas formem o desenho da letra grega “chi” — dispostas também nas outras direções. Quando as canas correm ao longo da largura, com menos de quatro palmos entre cada uma, ainda é pura, pois esse espaçamento apertado também impede que alguém se deite confortavelmente entre elas. Se a esteira se divide ao longo de sua largura, Rabi Yehudá a declara pura, pois as canas partidas ao meio deixam de ser aptas a leito; e o mesmo vale para quem solta as amarras das pontas, os nós que prendem a trama e evitam que ela se desfaça — uma vez soltas, a esteira fica sujeita a se desmanchar e perde sua condição de vaso. Já se a esteira se divide ao longo de seu comprimento, mas restam nela três amarras intactas ao longo de seis palmos, ela permanece impura, pois esse trecho ainda constitui parte funcional de vaso. Por fim, a mishná pergunta a partir de que momento a esteira, uma vez tecida, passa a receber impureza pela primeira vez: desde que suas bordas ásperas sejam aparadas e cortadas — esse acabamento final marca o término de sua fabricação, e é somente a partir dele que a esteira se torna vaso completo, apto a toda impureza.
Já sabes que a esteira é feita de canas e cordas e semelhantes, e se tornam impuras por leito do zav, conforme explicamos no final do décimo sétimo capítulo deste tratado. E disse aqui que, quando as canas correm ao longo do comprimento da esteira, ela não é então apta para leito — e é o que disse “é pura”. E os sábios dizem que ela é impura até que se estendam as canas por três lados, à semelhança da letra “kaf”, e é o que disse “como espécie de chi”, e então ela se torna pura e não se torna impura por leito do zav; e o sentido de dizer aqui “como espécie de chi” é como espécie de kaf grego, conforme explicamos em Menachot. E quando estendeu a cana ao longo de sua largura, e as canas estão próximas, sem quatro palmos — que é a medida de um lugar — entre uma e outra, e não é apto sentar-se entre cada duas dessas canas, ela é pura, pois estas canas impedem sentar-se sobre elas e a retiram da categoria de leito; e, quando se divide ao longo de sua largura, disse Rabi Yehudá que ela então não se torna impura por leito do zav, pois suas canas se quebraram ao meio. Sobre as “pontas das amarras”: são as pontas dos grandes nós que se atam nas pontas da corda com a qual se tecem as esteiras, e unem as canas ou o junco delas, uma parte com a outra; e assim é a explicação do versículo (I Samuel 15:32) “e Agague veio a ele em amarras”, isto é, atado pelas mãos, e isto se deriva do que disse (Jó 38:31) “podes atar as amarras das Plêiades?”. E, quando soltam as pontas da corda, já todas caem e voltam a ser como canas separadas, e por isso não se tornam impuras por midrás do zav. E se dividiu ao longo de seu comprimento, e ainda restou dela, em sua largura, seis palmos, havendo sobre ela três das cordas com as pontas atadas, então se tornam impuras por midrás do zav; e, se restou dela menos, então elas não se tornam impuras; e na Tosefta disse: “e se desde o início a fez assim, mesmo com menos que isto é impura”. E esta medida aqui mencionada é para os restos da esteira; e já explicamos que “aparar” é cortar as pontas que saem da trama, e então ela se torna impura por leito do zav; e a lei não é como Rabi Yehudá, mas como os sábios.
Sobre “ao longo de seu comprimento, é pura”: o comprimento da cana correspondendo ao comprimento da esteira, é pura, pois não é apta para se deitar, já que as canas machucam quem se deita, e não é apta senão para cobertura. Sobre “como espécie de chi”: a letra grega, que é como o nosso “כ” invertido; isto é, ela é sempre impura até que se estendam as canas por três lados. E a lei é como os sábios. Sobre “as fez ao longo de sua largura”: o comprimento da cana correspondendo à largura da esteira. Sobre “quatro palmos”: quando há entre uma cana e outra quatro palmos, é apto deitar-se entre as duas canas. Sobre “dividiu-se ao longo de sua largura”: e suas canas se quebraram ao meio. Sobre “Rabi Yehudá a declara pura”: pois não é apta para se deitar. E a lei não é como Rabi Yehudá. Sobre “aquele que solta as pontas das amarras”: costume dos que fazem esteiras: quando completam a esteira, resta uma espécie de fiapo, e o entrançam a cada dois palmos numa única trança, e a atam para que a trama não se desfaça; e, se se solta, ela está prestes a se desfazer e se anula da categoria de vaso, e é pura. Sobre “amarras”: nós; como “e Agague veio a ele em amarras” (I Samuel 15), isto é, atado do modo como se atam os presos; e assim “podes atar as amarras das Plêiades?” (Jó 38). Sobre “que são de seis palmos”: dois palmos entre uma amarra e outra, e um palmo daqui e um palmo dali. Sobre “desde que se apare”: desde que se corte e se retirem as pontas das películas que se projetam, e isto é aparar.
Com esta sétima mishná, encerra-se o Perek Vinte de Massechet Keilim — capítulo que sucede o extenso Perek Yud-Tet, dedicado às cordas e faixas que unem a cama e aos vasos de couro e madeira usados para conter, e volta sua atenção a uma nova série de vasos de couro, madeira e tecido, examinando em cada um a fronteira entre o que serve de leito ou assento e o que serve apenas de vaso de conter.
A mishná 20:1 abriu o capítulo distinguindo dois grupos: travesseiros, almofadas, sacos e fardos — feitos primariamente para se deitar, e por isso impuros por midrás mesmo danificados — e o cesto de forragem, a bolsa de pastor, o saco de viagem e o odre, com suas medidas mínimas, cuja função de assento é secundária à de conter, e que se purificam quando danificados.
A mishná 20:2 tratou do odre das flautas, puro de midrás por não servir para deitar, e da masseira de argamassa, disputada entre Bet Shamai e Bet Hilel; examinou ainda a masseira de madeira que racha, incha com a chuva e racha de novo com o vento leste, ilustrando o princípio de que os restos de vasos de madeira e de vime são tratados com mais rigor do que seu estado original.
A mishná 20:3 explorou o princípio de conexão para impureza: o pau usado como cabo de machadinha e o diustar tornam-se conexão apenas no momento do trabalho; e o poste ao qual se fixam um diustar ou um assento não se torna conexão a eles, ainda que, quando o próprio poste é lavrado em assento, ele permaneça puro, por se dizer a quem ali se senta: “levante-se e façamos nosso trabalho”.
A mishná 20:4 voltou ao princípio do cesto de esterco, aplicando-o à masseira grande danificada a ponto de não receber romãs: a disputa entre Rabi Akiva e os sábios sobre se basta prepará-la mentalmente para assento ou é preciso lavrá-la fisicamente; e a manjedoura feita da mesma masseira, impura mesmo fixada na parede.
A mishná 20:5 reuniu três casos de vasos incorporados a uma construção — o bloco (kofet) na fiada da parede, a esteira sob o reboco do telhado, e a tigela fixada na shidá, teivá ou migdal —, mostrando que apenas a combinação de fixação e obra completa anula o vaso, tornando-o parte da estrutura maior.
A mishná 20:6 examinou o lençol impuro por midrás transformado em cortina, que se purifica do midrás mas permanece impuro pela impureza do morto, e a disputa entre Bet Shamai, Bet Hilel e Rabi Akiva sobre o momento exato dessa purificação.
A última mishná, 20:7, fechou o capítulo com a esteira de canas: quando suas canas correm ao longo do comprimento ou da largura, sua divisão e as amarras que a mantêm unida, e o momento — o acabamento de suas bordas — a partir do qual ela passa a receber impureza pela primeira vez.
O estudo de Massechet Keilim prossegue agora para o Perek Vinte e Um, que continuará explorando as leis de impureza dos vasos ao longo dos dez perakim que ainda restam deste, o mais extenso tratado de toda a Mishná.