Em todo lugar onde não falta trabalho, o pensamento os torna impuros; e em todo lugar onde falta trabalho, o pensamento não os torna impuros, exceto a utzbá.
Esta breve mishná enuncia um princípio geral que vai orientar as duas mishnayot seguintes: um objeto já pronto, cuja fabricação está tecnicamente completa, torna-se suscetível à impureza pelo mero pensamento de seu dono — por exemplo, ao decidir usar um pedaço de couro acabado como tapete ou como travesseiro. Mas se ainda falta uma etapa de fabricação para que o objeto sirva ao uso pretendido, o pensamento sozinho não basta: é necessária também a ação que completa o trabalho. A única exceção nomeada é a utzbá, o couro usado como cobertura da sela, que dispensa qualquer acabamento e por isso se torna impuro pelo pensamento mesmo estando, tecnicamente, com o trabalho ainda incompleto.
Quando o vaso já tem sua forma completa, sem lhe faltar nada, então, se alguém pensa em pôr este couro como tapete, ou como travesseiro, ou como almofada, ou como invólucro de roupas, ou coisa semelhante, eis que ele volta a receber impureza, como já se disse. Mas se lhe falta algo do trabalho, e apenas então ficaria apto para aquilo que se pensou sobre ele, este pensamento não é eficaz, e ele não se torna impuro por este pensamento — exceto o revestimento de couro que fica sobre a sela, chamado “utzbá”: quando se pensou sobre ele em pô-lo como revestimento e cavalgar sobre ele, torna-se impuro, ainda que lhe falte trabalho.
Sobre “onde falta trabalho”: que ainda falta uma ação, e só depois se completará o trabalho.
Sobre “exceto a utzbá”: que, embora lhe falte trabalho, o pensamento a torna impura, porque não se dá importância à falta de trabalho nela. E “utzbá” é o couro que cobre a sela, e não precisa de acabamento, pois, sendo feito para cobertura, não se preocupa com o acabamento.