Um couro que é impuro por midrás, e seu dono pensou sobre ele em fazer dele correias e sandálias: assim que ele lhe pôs a navalha, torna-se puro — palavras de Rabi Yehudá. Mas os Sábios dizem: não fica puro até que o reduza a menos de cinco palmos. Rabi Elazar bar Rabi Tzadok diz: mesmo aquele que faz um lenço do couro, este é impuro; mas se o fez da almofada, é puro.
A mishná final do capítulo fecha o tema com o processo inverso ao das mishnayot 26:7–8: em vez de perguntar quando o pensamento torna um couro impuro, pergunta-se agora quando a ação de cortá-lo o purifica. Rabi Yehudá sustenta que basta o início do corte — o simples toque da navalha, expressando a intenção de transformar o couro em correias e sandálias — para que ele se purifique; os Sábios exigem mais: que o couro seja efetivamente reduzido a menos de cinco palmos, a medida mínima abaixo da qual um couro deixa de ser considerado receptáculo apto ao midrás. Rabi Elazar bar Rabi Tzadok acrescenta uma distinção final: um lenço feito de um couro que já era impuro por midrás continua impuro, por se assemelhar ainda a um tapete; mas se for feito de uma almofada já quebrada e descartada, é puro, pelo mesmo princípio dos vasos partidos.
“Izmel” é o nome do ferro com que se separam os couros, e mais adiante, no próximo capítulo, explicarei que a medida do couro para impureza é de cinco palmos; por isso disseram os Sábios que ele não sai de sua impureza até que reste dele menos de cinco palmos. E disse Rabi Eliezer bar Rabi Tzadok, para refutar quem sustenta que, assim que o couro é separado, se purifica: os couros impuros dos quais se fizer um lenço permanecem impuros, pois já se separaram estes das almofadas. E a halachá é como os Sábios.
Sobre “um couro que é impuro por midrás”: como um tapete e semelhante. Sobre “mesmo aquele que faz um lenço do couro”: que é impuro por midrás.
É “impura” — a saber, a peça —, porque o lenço se assemelha a um tapete, pois às vezes se senta sobre ele. Mas se cortou as almofadas de couro impuras e fez delas lenços, tornam-se puras, do mesmo modo que ocorre com vasos que se quebraram. Porém recebem impureza dali em diante, como já ensinamos acima, no capítulo vinte e quatro.
Com esta nona mishná, encerra-se o Perek Vinte e Seis de Massechet Keilim — um capítulo dedicado, quase inteiramente, aos vasos de couro: sandálias, bolsas, odres, luvas de trabalho e peças usadas como assento ou apoio pelo corpo.
O capítulo abre (26:1–26:2) com o princípio de que certos vasos de couro flexíveis, providos de laçadas e correias, tornam-se impuros e se purificam sem a necessidade de um artesão — bastando a ação de um leigo para lhes dar ou retirar a forma de receptáculo —, com a única exceção do cesto egípcio, tecido de fibras de palmeira, que nem o artesão consegue restaurar. A mishná 26:2 aplica esse princípio a casos concretos: a bolsa de correias, o saco dentro do saco, e a disputa sobre o saquinho de moedas.
As mishnayot 26:3 a 26:5 catalogam uma extensa série de peças de couro usadas por trabalhadores e nas casas — luvas, cintos, joelheiras, mangas, sandálias, sapatos, odres e couros de assento —, sempre com o mesmo critério de fundo: um objeto de couro só recebe impureza se for feito para conter algo ou para servir de apoio ao corpo, nunca se for mera proteção. A mishná 26:6 estende esse critério aos sacos de roupas e de púrpura, e à distinção entre revestimento de vasos (puro) e revestimento de pesos (impuro).
O capítulo fecha (26:7–26:9) com o princípio geral da machshavá — o pensamento que torna um vaso pronto suscetível à impureza, mas que é ineficaz quando ainda falta trabalho de fabricação —, sua aplicação aos couros de diferentes donos (proprietário, curtidor, ladrão e assaltante), e finalmente o processo inverso: o corte que retira de um couro impuro por midrás a sua impureza, ao reduzi-lo para correias e sandálias.
O estudo de Massechet Keilim prossegue agora para o Perek Vinte e Sete, que continuará explorando as leis de impureza dos vasos de couro e tecido ao longo dos três perakim finais deste, o mais extenso tratado de toda a Mishná.