Disse-lhe Rabi Akiva: tuas palavras parecem certas quanto à má-utilização pequena. Eis que lhe veio às mãos dúvida de má-utilização de cem manés — não é melhor para ele que traga uma oferta de culpa de dois selaim, e não traga dúvida de má-utilização de cem manés? Eis que Rabi Akiva concorda com Rabi Tarfon quanto à má-utilização pequena. A mulher que trouxe sua oferta de pecado de ave por dúvida — se, antes que se lhe rompesse a nuca, tornou-se-lhe conhecido que certamente deu à luz, fará dela oferta certa; pois da mesma espécie que ela traz para o não conhecido, traz para o conhecido.
— Rabi Akiva responde à proposta de Rabi Tarfon com uma objeção de proporção econômica: a solução de trazer, desde já, o pagamento integral da má-utilização junto com um único asham condicional só faz sentido quando o valor em dúvida é pequeno — nesses casos, é de fato preferível pagar o valor presumido logo de início a arriscar-se a trazer, depois, um segundo animal. Mas quando a dúvida envolve uma soma vultosa, como cem manés (uma quantia enorme comparada ao valor fixo de dois selaim do asham), seria absurdo exigir que a pessoa pague, já de início, o valor inteiro da má-utilização em dúvida; é preferível que ela traga apenas o asham talui condicional, de valor fixo e módico, e adie o pagamento do capital para quando — e se — a dúvida se resolver em certeza. A mishná conclui que, com essa distinção, Rabi Akiva e Rabi Tarfon na verdade concordam quanto ao procedimento para má-utilização de valor pequeno, restando a disputa real apenas para valores altos. A mishná fecha esta unidade temática com um caso estruturalmente análogo, embora de assunto distinto: a mulher que, tendo dúvida sobre o tipo de parto que teve, trouxe uma oferta de pecado de ave — que permanece em estado de dúvida e não pode ser comida pelos sacerdotes, por temor de que sua degolação especial (a melicá) tenha sido feita sobre uma ave não sagrada, tornando-a proibida como carniça. Se, porém, antes que a nuca da ave fosse rompida no ato ritual, a mulher descobre com certeza que de fato pariu de modo que a obriga à oferenda, a mesma ave pode ser convertida em oferta certa e, então, comida — pois, como no caso anterior, da mesma espécie de animal (uma única pomba ou rolinha) que se traz para a dúvida, também se traz para a certeza.
אמר לו ר"ע נראים דבריך במעילה מעוטה הרי כו': האשה שהביאה חטאת העוף ספק כו': הרי זה מבואר לפי שהיא מן התורים או מן בני היונה תביא פרידה אחת לחטאת בין שהיה ספק נדה או זיבה או היתה יולדת ודאית:
Bartenura explica: “oferta de pecado de ave em dúvida” refere-se à mulher que deu à luz e tem dúvida se foi de uma espécie isenta ou de uma espécie que obriga — ela traz um cordeiro para oferta queimada e estipula a condição: se for de espécie que obriga, que sirva como obrigatória, e se for de espécie isenta, que sirva como doação voluntária; mas a chatat ela traz em dúvida e ela não é comida, pois talvez seja não sagrada, e a degolação ritual de ave não sagrada torna-a carniça. “Fará dela certa”: e será comida pelos sacerdotes como as demais ofertas de pecado. “Pois da mesma espécie que ela traz”: pois é uma única pomba, das rolinhas ou dos filhotes de pombo, que ela traz como oferta de pecado, tanto se pariu com certeza quanto se pariu em dúvida.