Uma para esta, duas para esta, três para esta, quatro para esta, cinco para esta, seis para esta, sete para esta. Se [um filhote] voou da primeira para a segunda, para a terceira, para a quarta, para a quinta, para a sexta, para a sétima, e voltou — desqualifica um em seu ir e um em seu voltar. A primeira e a segunda não têm nada; a terceira tem uma; a quarta tem duas; a quinta tem três; a sexta tem quatro; a sétima tem seis. Se voou e voltou [novamente] — desqualifica um em seu ir e um em seu voltar: a terceira e a quarta não têm nada; a quinta tem uma; a sexta tem duas; a sétima tem cinco. Se voou e voltou [uma terceira vez] — desqualifica um em seu ir e um em seu voltar: a quinta e a sexta não têm nada; a sétima tem quatro. E há quem diga: a sétima não perdeu nada. E se voou de entre as mortas para todas, todas devem morrer.
Esta é a mishná mais tecnicamente elaborada de todo o tratado — e, segundo a tradição, de toda a Mishná. Sete mulheres trazem, respectivamente, um, dois, três, quatro, cinco, seis e sete ninhos não designados. Um único filhote voa em sequência da primeira mulher até a sétima, passando por cada grupo intermediário, e depois retorna pelo mesmo caminho até a terceira. Cada passagem — tanto na ida quanto na volta — desqualifica uma ave no grupo de origem e uma no grupo de destino, pois em cada ponto não se sabe se a ave que se moveu é a mesma que atravessou antes, ou uma ave própria daquele grupo. Depois de uma única viagem de ida e volta completa, a primeira e a segunda mulheres ficam sem nenhum ninho válido, e as demais perdem proporcionalmente menos quanto mais ninhos possuíam originalmente — a sétima, com sete ninhos, perde apenas um. Se o mesmo ciclo de ida e volta se repete uma segunda e uma terceira vez, a perda se propaga: a terceira e a quarta mulheres também ficam sem nada, e a sétima chega a ter apenas quatro ninhos válidos (ou, segundo uma opinião minoritária, não perde nada além do já perdido, porque, na terceira viagem, apenas uma ave se move, sem ida e volta completas de todos os pontos). Por fim, a mishná fecha lembrando a regra mais severa: se, em qualquer momento, um filhote voar de entre as aves já condenadas à morte para dentro de qualquer um desses grupos, todas as aves desse grupo morrem, sem exceção.
Rambam desenvolve o cálculo passo a passo: como só se contam ninhos (pares), a primeira mulher tem dois filhotes, a segunda quatro, e assim até a sétima, que tem catorze. Quando um filhote voa da primeira para a segunda, desqualifica um na primeira (que fica com um filhote apenas, órfão) e um na segunda; restam à primeira zero válidos e à segunda três válidos dos cinco que ali estão. Quando esse filhote (ou outro) continua da segunda para a terceira, desqualifica mais um em cada uma: a segunda fica com dois válidos apenas, e a terceira perde um filhote que entrou.
Prosseguindo dessa forma por toda a cadeia até a sétima, e depois voltando pelo mesmo caminho, Rambam mostra que cada entrada e cada saída de um grupo custa um ninho inteiro de perda; a sétima, que nunca teve uma ave sair dela (apenas uma entrou e, na volta, saiu), perde apenas um ninho na primeira viagem completa. As mulheres do meio da cadeia, por onde o filhote passou duas vezes (ida e volta), perdem dois ninhos cada. Repetindo o processo idêntico para a segunda e a terceira viagens de ida e volta, o padrão se mantém: a perda se acumula sempre em pares de ninhos para cada mulher intermediária, e apenas em um ninho para os extremos.
Rambam conclui explicando que não há divergência real quanto ao princípio — apenas quanto ao número exato de voos contados na última viagem — e que a lei não segue a opinião minoritária (“há quem diga”).
Bartenura acompanha o cálculo de perto: quando um filhote voa da primeira para a segunda, o único filhote que resta na primeira fica imediatamente desqualificado — se o oferecessem como chatat, o que voou ficaria fixado como olá, e não se poderia oferecer na segunda (e nos ninhos seguintes com que se misturou) senão metade como olá, pela regra da olá misturada com a obrigatória.
Quando o filhote voa da segunda para a terceira, é possível que tenha sido o próprio corpo da segunda que perdeu um filhote (e o que veio da primeira ficou ali), de modo que da segunda só se podem fazer duas aves (uma chatat, uma olá) — pois, se fizessem duas olot, talvez fossem do corpo original da segunda, fixando o que veio da primeira como chatat, e então a terceira só poderia oferecer metade como chatat. O mesmo raciocínio se repete a cada passagem: da terceira para a quarta, a terceira só pode oferecer duas chatot e duas olot (por causa do que se misturou na quarta); da quarta para a quinta, a quarta oferece três de cada tipo; da quinta para a sexta, quatro de cada; da sexta para a sétima, cinco de cada — pois, se fizessem seis olot na sexta, o que voou para a sétima ficaria fixado como chatat, e a sétima só poderia oferecer sete chatot, sem nenhuma olá.
No retorno, o mesmo padrão se aplica em sentido inverso, desqualificando um ninho adicional a cada passagem de volta, exceto na sétima mulher: como dela só saiu (e nunca entrou) uma única ave na primeira volta, ela perde apenas um ninho por ciclo, enquanto as mulheres intermediárias, por onde o filhote passa duas vezes (ida e volta) em cada ciclo, perdem dois ninhos por ciclo. A opinião de que “a sétima não perdeu nada” na terceira viagem se explica porque, nesse último ciclo, apenas uma ida ocorre sem uma saída correspondente da sétima; mas a lei não segue essa opinião minoritária, e o cálculo padrão prevalece.