Massechet Kinim, o décimo primeiro e último tratado de Seder Kodashim, é o mais breve de toda a Mishná — apenas três capítulos e quinze mishnayot — mas também, por tradição, um dos tecnicamente mais exigentes: seu assunto é a complexa aritmética de misturas de pares de aves (kinim, “ninhos”) trazidas como oferenda por diferentes mulheres, principalmente parturientes e mulheres com fluxo (zavot), e como resolver qual oferenda pertence a quem quando os ninhos se misturam entre si, ou quando um único filhote voa de um grupo de aves a outro. O tratado não trata de nenhuma nova categoria de lei substantiva — todas as regras de base (chatat e olá, voto e doação voluntária) já foram estabelecidas em outros tratados de Kodashim — mas se dedica inteiramente ao raciocínio combinatório sobre identidade, mistura e dúvida, aplicado ao caso concreto e humilde da oferenda mais barata prevista pela Torá, reservada às mulheres mais pobres de Israel. Por essa razão, e como Eduyot e Midot, o tratado não possui Guemará no Talmud Bavli: é composto de mishnayot puras, sem o debate amoraico que caracteriza a maior parte do Talmud. O comentário desta biblioteca apoia-se em Rambam (Perush HaMishná) e em Bartenura como mefarshim centrais — frequentemente necessários para acompanhar, passo a passo, os cálculos que a mishná apenas enuncia.
Com Rambam e Bartenura: o Perek Alef abre o tratado com o lugar exato de cada tipo de oferenda de ave no altar e a definição do vocabulário técnico dos ninhos — a obrigatória sempre uma chatat e uma olá, votos e doações voluntárias sempre olá (1:1); a regra severa de que qualquer mistura entre chatat e olá condena tudo à morte, mesmo na proporção de uma em dez mil, e a regra mais branda da mistura entre uma oferenda designada e a obrigatória não designada (1:2); a distinção entre obrigatória misturada com obrigatória, onde prevalece a menor quantidade, e obrigatória misturada com doação voluntária (1:3); e o vocabulário de “mesmo nome” e “dois nomes”, com a exceção liberal de Rabi Yossi para ninhos comprados em sociedade (1:4). O Perek Bet explora o cenário dinâmico do filhote que voa: a lei do ninho não designado (2:1); o exemplo numérico de duas mulheres com dois ninhos cada, ida e volta (2:2); o cálculo mais elaborado de todo o tratado — sete mulheres com um a sete ninhos, e um filhote em cadeia sucessiva por todas elas, repetido três vezes (2:3); a introdução do ninho já designado e a condição em que tudo morre (2:4); e o fechamento do capítulo com o arranjo espacial de chatat, olá e não designado, a proibição de misturar rolinhas com pombinhos, e a regra sucessória da mulher que morre entre suas duas oferendas (2:5). O Perek Guimel trata do sacerdote que decide sem consultar, invertendo a regra da menor quantidade para a maior (3:1–3:2); o caso mais severo, em que chatat e olá isoladas se desqualificam mutuamente ao se dividirem entre cima e embaixo (3:3); o cenário de quatro categorias simultâneas, no qual só o não designado permanece válido (3:4); o refinamento proporcional da mistura entre oferenda isolada e obrigatória (3:5); e a mishná final — a mulher que deve um ninho por voto e um por obrigação, os cálculos crescentes de dúvida, e o apêndice poético sobre a voz múltipla do carneiro morto e a sabedoria dos anciãos versados em Torá (3:6), que encerra não apenas o tratado, mas toda a Seder Kodashim.