Estava se tornando impuro por mortos o dia todo, é responsável apenas uma vez. Disseram-lhe: "não te tornes impuro, não te tornes impuro", e ele se tornava impuro, é responsável por cada uma. Estava se raspando o dia todo, é responsável apenas uma vez. Disseram-lhe: "não te raspes, não te raspes", e ele se raspava, é responsável por cada uma. Estava vestido com kilayim o dia todo, é responsável apenas uma vez. Disseram-lhe: "não vistas, não vistas", e ele tirava e vestia, é responsável por cada uma. — A mishná aplica o mesmo princípio estabelecido na mishná anterior a três novos casos. O nazireu está proibido tanto de se contaminar por contato com um cadáver quanto de raspar os cabelos — ambas proibições centrais de seu voto (Bamidbar 6). E, num caso mais geral, que se aplica a qualquer israelita, a proibição de vestir kilayim (a mistura de lã e linho, Devarim 22:11) segue a mesma lógica: sem advertências intercaladas, a permanência contínua no estado proibido — seja impuro, sem cabelo, ou vestido de kilayim — conta como uma única transgressão. Mas se, entre cada nova advertência, a pessoa ativamente retorna ao estado proibido — tornando-se impura de novo, raspando-se de novo, ou tirando e vestindo a roupa proibida de novo — cada repetição advertida gera seu próprio conjunto de açoites.
Rambam nota que esta mishná não introduz um princípio novo, mas apenas o aplica repetidamente a diferentes situações: é sempre necessária uma advertência renovada para cada ato individual, a fim de que cada um gere sua própria responsabilidade separada de açoite.
Bartenura esclarece o mecanismo do último caso: a pessoa tira a roupa de kilayim e a veste novamente (ou veste outra igualmente proibida), sempre depois de receber uma nova advertência — é esse ciclo de tirar-vestir-ser-advertido que multiplica a responsabilidade.
Rashi identifica um detalhe técnico da Guemará sobre a raspagem: "nasha" é uma substância depilatória que impede definitivamente o crescimento de novo cabelo — relevante para discutir se aplicá-la conta como um único ato ou como múltiplos. E confirma que o caso final de kilayim se aplica a qualquer pessoa do povo, não apenas ao nazireu — a proibição de misturar lã e linho é geral em Israel.