A quinta mishná do Perek Hei abre uma nova classificação em quatro categorias, agora quanto aos ritos de aproximação (hagashá) e balanço (tenufá): lista as oferendas que requerem apenas a aproximação ao canto do altar, sem o balanço, e traz a posição de Rabi Shimon sobre por que duas delas — a oferenda dos sacerdotes e a do sacerdote ungido — ficam de fora até dessa exigência.
Há as que requerem aproximação e não requerem balanço; balanço e não aproximação; aproximação e balanço; nem balanço nem aproximação. — A mishná anuncia uma nova classificação em quatro categorias, agora quanto a dois ritos distintos: a hagashá, o ato de aproximar a oferenda de farinha ao canto sudoeste do altar antes da retirada do punhado, e a tenufá, o balanço da oferenda para os quatro lados antes de sua aproximação ou sacrifício.
Estas requerem aproximação e não requerem balanço: a oferenda de farinha fina, a de frigideira, a de caçarola, as fogaças e os wafers, a oferenda dos sacerdotes, a oferenda do sacerdote ungido, a oferenda dos gentios, a oferenda das mulheres, a oferenda do pecador. — A mishná lista as nove oferendas de farinha que devem ser aproximadas do canto do altar antes da retirada do punhado, mas que não requerem o balanço reservado a outras categorias de ofertas — a mesma lista, com pequenas variações, que a mishná anterior arrolou entre as que requerem óleo e incenso, à exceção da oferenda do ômer e com o acréscimo da oferenda do pecador.
Rabi Shimon diz: a oferenda dos sacerdotes e a oferenda do sacerdote ungido não têm aproximação, pois não têm retirada de punhado. E toda oferenda que não tem retirada de punhado, não tem aproximação. — Rabi Shimon discorda quanto a duas das oferendas listadas: como a oferenda de um sacerdote comum e a oferenda diária do sumo sacerdote são inteiramente queimadas no altar — sem que se retire delas um punhado para os sacerdotes comerem o restante — ele estabelece o princípio de que o rito de aproximação, cuja função é justamente preceder a retirada do punhado, não se aplica a oferendas que não têm punhado algum a retirar.
Rambam define os dois ritos: a hagashá consiste em aproximar o objeto do canto do altar, isto é, da beira do canto sudoeste, conforme os versículos “e a aproximará ao altar” ou “e a aproximarão”; a tenufá consiste em balançar o objeto para os quatro lados, como se explicará adiante. Observa que algumas oferendas requerem ambos os ritos e outras apenas um deles, umas por lei da própria Torá e outras por decreto dos sábios apoiado em versículos, mas remete a explicação detalhada dessas fontes a outros comentários. Confirma o ponto central: como a oferenda dos sacerdotes e a do sacerdote ungido são inteiramente consumidas pelo fogo do altar, e Rabi Shimon ensina que tudo que não tem retirada de punhado destinado aos sacerdotes não tem aproximação — mas a halachá não segue Rabi Shimon.
Bartenura localiza a aproximação na beira do canto sudoeste do altar, conforme o versículo “e a aproximará ao altar”. Identifica as fogaças e os wafers com a menachá assada em forno. Explica que a oferenda dos sacerdotes é inteiramente queimada por completo — sem sobra alguma para os sacerdotes comerem —, e que a expressão de Rabi Shimon “tudo que não tem retirada de punhado” refere-se justamente ao fato de que a função da retirada do punhado é liberar os resíduos da oferenda para consumo dos sacerdotes; onde isso não ocorre, também não há aproximação. Conclui que a halachá não segue Rabi Shimon.
Rashi comenta a expressão final de Rabi Shimon: a retirada do punhado tem por função liberar os resíduos da oferenda para os sacerdotes comerem; conforme se ensina em uma baraíta adiante, ficam excluídas do rito de aproximação exatamente a oferenda dos sacerdotes e a do sacerdote ungido, precisamente porque delas nada resta para os sacerdotes — sendo consumidas por inteiro no altar.