Não se compram casas, escravos e animais, salvo por necessidade da festa, ou por necessidade do vendedor, que não tem o que comer. Não se muda de casa em casa, mas pode-se mudar para o próprio pátio. Não se trazem utensílios da casa do artesão; e, se há receio por eles, muda-se para outro pátio. — Uma compra grande — uma casa, um escravo, um animal — é, por natureza, um empreendimento que pode esperar; comprá-la no Chol HaMoed só se justifica se o comprador precisa dela imediatamente para os próprios dias da festa, ou se o vendedor está em dificuldade financeira real e precisa do dinheiro para se sustentar. Da mesma forma, mudar-se de uma casa para outra é um trabalho evitável, adiável para depois da festa — mas mudar-se dentro do próprio pátio, de um cômodo ou anexo para outro, é um esforço menor e permitido. Por fim, buscar de volta utensílios deixados na casa de um artesão para reparo é, em regra, proibido, por não ser urgente — a menos que haja receio concreto de que sejam roubados ou perdidos ali, caso em que é permitido movê-los, ainda que apenas para outro pátio próximo, e não para dentro de casa.
Comprar, mudar-se e transportar bens não são, tecnicamente, "trabalho" no sentido físico do termo — mas o esforço, o comércio e o transtorno que envolvem contrariam o espírito de repouso e celebração que a proibição de melachá visa proteger nos dias intermediários da festa. É por isso que a mishná exige, para cada um desses três atos, uma necessidade concreta que os justifique: a necessidade da própria festa, a necessidade financeira genuína do vendedor, ou o receio real de perda — sempre a mesma lógica de davar ha-aved que fundamenta todo o capítulo, agora aplicada ao comércio e não à agricultura.
Rambam esclarece o que conta como "necessidade da festa" ao trazer utensílios do artesão.
Bartenura distingue os dois motivos que justificam a compra — a necessidade do comprador e a do vendedor —, e detalha o alcance da proibição de mudar utensílios; Rashi confirma a leitura da Guemará sobre o pátio vizinho.
Rambam distingue "casa para casa" — mudança proibida, por envolver dois endereços distintos e o esforço público que isso acarreta — de "para o próprio pátio", onde a mudança ocorre inteiramente dentro do mesmo espaço privado, sem o mesmo transtorno.
Bartenura explica os dois motivos legítimos da compra: "necessidade da festa" significa que o próprio comprador precisa do bem durante os dias intermediários — casas para morar, escravos para servi-lo, animais para o abate ritual da festa; "necessidade do vendedor" significa que este precisa do dinheiro da venda para as despesas da própria festa. Sobre os utensílios deixados com o artesão, esclarece que a restrição vale apenas para peças que não são necessárias à festa — almofadas, colchas, copos e jarros necessários para os dias intermediários já são permitidos independentemente do receio de perda.
Rashi esclarece que "muda-se para o próprio pátio" refere-se, na leitura da Guemará, a trazer bens de uma casa situada em outro pátio para dentro do pátio da própria pessoa — um deslocamento limitado, mas ainda assim permitido. E o "receio" mencionado na cláusula sobre o artesão é especificamente o medo de que os utensílios sejam roubados enquanto permanecem lá.