O daf abre completando a resolução, iniciada ao final de 50b, da contradição entre as baraitot sobre alimento posto na boca sem bênção: a Guemará explica por que, mesmo em algo que não se estraga ao ser cuspido, ainda assim melhor é apenas deslocá-lo — citando o versículo "encherei minha boca de teu louvor". Segue-se a pergunta a Rav Chisda sobre quem comeu e bebeu sem abençoar, respondida com a analogia do alho de cheiro forte, e a regra de Ravina de que se deve abençoar mesmo depois de terminada a refeição, provada pela bênção recitada após a tevilá — com a Guemará distinguindo por que essa prova, afinal, não se sustenta plenamente. A partir daí a Guemará dedica uma extensa baraita ao asparagos, bebida medicinal de vinho, discutindo seus benefícios e riscos, harmonizando contradições entre baraitot sobre vinho novo e envelhecido, e listando seis regras de etiqueta para bebê-lo — não cuspir depois dele, salvo em casos de necessidade, mesmo diante do rei. Rabi Yishmael ben Elisha relata três segredos que lhe confiou Suriel, o príncipe da face, e Rabi Yehoshua ben Levi relata os três que lhe confiou o próprio anjo da morte, com o remédio prático para quem encontra as mulheres que voltam de um funeral. O daf termina com a lista de dez — ou, segundo Rabi Yochanan, apenas quatro — coisas ditas sobre o copo da bênção, detalhando cada uma: lavagem por dentro e por fora, vinho puro e copo cheio, coroação com discípulos e envolvimento no manto, erguê-lo com as duas mãos e entregá-lo à direita.
— continuando a resolução deixada em aberto ao final de 50a — também (nami) sobre algo (bemidei) que (de) não (la) se estraga (mimais) — removê-lo (lesalkinhu) para um (letzad) lado (echad) e abençoar (velivarech)? — isto é, a Guemará pergunta: já que o alimento que não se estraga pode ser cuspido e depois comido de novo, por que não fazer o mesmo que se faz com o que se estraga, apenas deslocando-o para o lado, evitando o desperdício de cuspi-lo? Traduziu-a (targemah) Rav Yitzchak Kaskesaá diante de (kameih) Rabi Yossei bar Avin, em nome de (mishmeih de) Rabi Yochanan: porque (mishum) se disse (sheneemar): "encherei (yimalé) minha boca (pi) de teu louvor (tehilatecha)" — isto é, é preferível cuspir o alimento fora, ainda que se perca, para que a boca fique inteiramente livre para pronunciar a bênção, cumprindo o ideal expresso no versículo de que toda a boca esteja dedicada ao louvor divino, sem nada que a atrapalhe.
"Também sobre algo que não se estraga" — por que (lemá li) cuspi-los (poltan)? — isto é, esta é a formulação da própria pergunta da Guemará removê-los (lesalkinhu) para um lado (letzad echad) — bastaria, sem necessidade de cuspir.
A Guemará explica por que, mesmo quando o alimento não se estragaria ao ser cuspido, a baraita ainda prefere que se cuspa, e não apenas se desloque para o lado da boca: por causa do ideal de ter a boca inteiramente livre para o louvor a D-us na hora da bênção.
Perguntaram (beu) a Rav Chisda: quem (mi) comeu (sheachal) e bebeu (veshatá) e não (velo) abençoou (berach) — isto é, terminou por completo sua refeição sem recitar a bênção devida, o que é (mahu) quanto a (she) voltar (yachazor) e abençoar (vivarech)? — isto é, pode ainda, depois de já ter terminado tudo, recitar a bênção retroativamente? Disse-lhes (amar lehu): quem (mi) comeu (sheachal) alho (shum) e seu cheiro (vereicho) exala (nodef) — isto é, cujo hálito ficou com o odor forte característico do alho, voltará (yachazor) a comer (veyochal) outro (acher) alho (shum) para que (kedei she) seu cheiro (reicho) exale (nodef)?! — isto é, seria absurdo comer mais alho só para intensificar um mau cheiro já presente; do mesmo modo, uma bênção recitada depois de a refeição já ter terminado e o momento próprio ter passado seria uma bênção em vão, que apenas "aumenta o mau cheiro" ao invocar o Nome Divino sem propósito.
"Quem comeu e bebeu e não abençoou" — refere-se (kaei) ao que foi dito antes (lifneihem), sobre a bênção (birchat) de "hamotzí" e a bênção (uvirchat) do vinho (hayayin). "O que é quanto a voltar etc." — depois (leachar) de comer (achilá) e beber (ushtiyá) — isto é, depois de já ter concluído inteiramente a refeição. "Voltará a comer outro alho" — para que (kedei she) apodreça (yasrí'ach) mais (yoter), ou seja (kelomar), acrescente (yosif) a seu mau cheiro (al sirchono) e faça (veyaasé) uma bênção (berachá) em vão (levatalá) — isto é, a analogia ensina que abençoar depois de já ter terminado tudo seria uma bênção pronunciada em vão, tal como comer mais alho só agravaria o mau cheiro sem trazer proveito.
Rav Chisda responde com uma analogia mordaz: assim como ninguém comeria mais alho só para intensificar o mau hálito, também não se deve recitar uma bênção depois que o momento próprio já passou — seria uma bênção em vão.
Disse Ravina: portanto (hilcach), ainda que (afilu) tenha terminado (gamar) sua refeição (seudato), voltará (yachazor) e abençoará (vivarech) — isto é, Ravina tira uma conclusão prática oposta à analogia de Rav Chisda: se alguém se lembrou de que não abençoou, deve voltar a abençoar mesmo que já tenha terminado por completo a refeição. Pois (de) se ensinou (tanya): mergulhou (taval) e subiu (veala) — isto é, alguém que se imergiu numa mikvê para se purificar, diz (omer) ao subir (baaliyato) — isto é, mesmo depois de já ter concluído o próprio ato da imersão: "bendito (baruch) que nos santificou (kideshanu) com Seus mandamentos (bemitzvotav) e nos ordenou (vetzivanu) sobre a imersão (al hatevilá)" — isto é, a bênção sobre a tevilá é recitada depois, e não antes ou durante o ato — provando que uma bênção pode ser dita mesmo depois que a ação já terminou por completo.
"Portanto" — já que (keivan de), se (im) se lembrou (nizkar) no meio (beemtza), pode (yachol) abençoar (levarech), mesmo (afilu) tendo terminado (gamar) sua refeição (seudato) também (nami) pode (yachol) abençoar (levarech). "Sobre a imersão" — eis que (alma), ainda que (af al gav de) já tenha mergulhado (taval), é (havyá) válida a bênção (berachá) — isto é, a bênção recitada depois de o ato já concluído continua sendo uma bênção válida e não em vão.
Ravina extrai a regra prática oposta à impressão inicial: mesmo tendo terminado toda a refeição, deve-se voltar e abençoar — provando isso da bênção da tevilá, que é dita depois que a imersão já se completou por inteiro.
Mas (vela) não é assim (hi) — isto é, a Guemará rejeita a prova de Ravina, distinguindo os dois casos: ali (hatam) — na tevilá — de início (meikará) a pessoa (gavra) não (la) estava apta (chazei) — isto é, antes de se imergir, a pessoa ainda estava em estado de impureza, e portanto não podia abençoar antes; a bênção só se torna possível depois do ato, e por isso não há problema em recitá-la só então; aqui (hacha) — na bênção da comida — de início (meikará) a pessoa (gavra) estava apta (chazei) — isto é, antes de comer, já era plenamente possível e devido abençoar, e já que (vehoil) foi afastada (idechi) — isto é, a oportunidade de abençoar no momento certo foi perdida — foi afastada (idechi) — isto é, permanece afastada, e a bênção tardia, nesse caso, é considerada em vão, ao contrário do caso da tevilá, onde não havia alternativa anterior.
"Ali de início não estava apta" — pois (de) a maioria (rov) das imersões (tevilot) são (hen) por causa (mishum) de emissão seminal (keri), e os que têm emissão (baalei keriyan) são proibidos (asurin) quanto a bênçãos (bivrachot), que (shehen) são palavras (divrei) de Torá (torá), como (kedeamrinan) se disse no capítulo (beférek) "Mi Shemeto" (Berachot 20b); e um afastamento (vedachui) de início (meikará) não (lav) é (dachui) afastamento definitivo (dachui hu), e quando (ulechi) se corrige (metaken) — isto é, quando a impureza é sanada pela imersão, volta (hadar) a abençoar (mevarech). Mas (aval) este (hai) — o caso da refeição — de início (meikará) estava apto (icha zei), e já que (vecheivan de) ao terminar (digmar) foi afastado (idechi), e já que (vehoil de) foi afastado (idechi) — permanece afastado (idechi) — isto é, uma vez que a oportunidade própria passou sem que houvesse impedimento externo, a bênção tardia não se restabelece.
A Guemará rejeita afinal a prova de Ravina: a tevilá é diferente porque, antes dela, a pessoa estava impura e genuinamente impossibilitada de abençoar — um afastamento que não é definitivo e se resolve com a purificação. Já na refeição, a pessoa sempre esteve apta a abençoar; ao deixar passar o momento próprio sem motivo, a oportunidade se perde de modo definitivo, e por isso a bênção tardia é considerada em vão, confirmando a posição inicial de Rav Chisda.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): asparagos — uma bebida à base de vinho, tomada em jejum pela manhã com fins medicinais — é bom (yafé) para o coração (lalev) e bom (tov) para os olhos (laeinayim), e tanto mais (vechol shekén) para os intestinos (livnei meayim). E quem se habitua (veharagil) a ele (bo) — é bom (yafé) para todo (lechol) o seu corpo (gufo). E quem se embriaga (vehamishtaker) dele (heimenu) — é prejudicial (kashé) para todo (lechol) o seu corpo (gufo).
"Asparagos" — um copo (cos) que (she) bebiam (shotim) toda (bechol) manhã (boker), de estômago (alivá) vazio (reiká), para remédio (lirfuá).
Um novo tópico: a Guemará dedica uma extensa baraita ao asparagos, uma bebida medicinal à base de vinho tomada em jejum, com benefícios em moderação e riscos em excesso.
Do fato de (mide) ter ensinado (katani) "bom para o coração (yafé lalev)", conclui-se (mikelal) que (de) tratamos (askinan) de vinho (bechamrá) — isto é, "bom para o coração" é o efeito característico do vinho, portanto o asparagos discutido aqui é preparado com vinho, e ensinou (vekatani): tanto mais (vechol shekén) para os intestinos (livnei meayim). Mas não (veha) se ensinou (tanya): bom (yafé) para lat — sigla que designa coração, olhos e baço, prejudicial (kashé) para ramat — sigla que designa cabeça e intestinos! — isto é, a Guemará aponta uma contradição: uma baraita diz que o vinho é bom para os intestinos, e outra diz que é prejudicial para eles.
"Que tratamos de vinho" — pois (de) diremos (amrinan) adiante (lekaman) em nosso assunto (bishmateitin): o asparagos (ispargos) é bom (yafé) para lat, e estabelecemos (ukeminan) que se trata de vinho (beshel yayin), e o sinal (siman) lat é coração (lev), olho (ayin), baço (techol). "E tanto mais para os intestinos" — é uma dificuldade (kushyá), ou seja (kelomar): ensinou-se sobre vinho (bechamrá katani) "tanto mais para os intestinos". "Mas não se ensinou" — adiante (lekaman): "para ramat é prejudicial" o asparagos (ispargos) de vinho (shel yayin), e o sinal (siman) ramat é cabeça (rosh), intestinos (meayim), hemorroidas (techatoniyot).
Rashi explica as siglas mnemônicas: "lat" (coração, olho, baço) e "ramat" (cabeça, intestinos, hemorroidas). A Guemará aponta a contradição aparente entre duas baraitot sobre o efeito do vinho nos intestinos.
Quando (ki) se ensinou (tanya) aquela (hahi) — a baraita que diz ser prejudicial para os intestinos, foi sobre vinho envelhecido (bimyushan). Como (kedi) ensinamos (tenan): "seja como um voto (kunam) que o vinho (yayin) que eu provar (sheani toem)" — isto é, alguém fez voto de abstinência de vinho, porque (she) o vinho (hayayin) é prejudicial (kashé) para os intestinos (livnei meayim) — esta foi a justificativa que ele deu para o voto. Disseram-lhe (amru lo): mas (vahalo) o envelhecido (meyushan) não é (hu) bom (yafé) para os intestinos (livnei meayim)! — isto é, os sábios lhe objetaram que sua premissa estava errada apenas quanto ao vinho envelhecido. E calou-se (veshatak) — isto é, ele não retrucou, aceitando implicitamente a distinção — proibido (assur) no novo (bechadash), e permitido (umutar) no envelhecido (bimyushan) — isto é, seu voto permaneceu válido apenas para o vinho novo, já que só sobre este ele fundamentou corretamente sua razão; quanto ao envelhecido, ao calar-se diante da objeção, revelou que não pretendia incluí-lo no voto. Aprenda disso (shema mina) — isto é, aprende-se daqui que o vinho novo é, de fato, prejudicial aos intestinos, enquanto o envelhecido lhes é benéfico, resolvendo a contradição entre as duas baraitot anteriores.
"Quando se ensinou aquela" — que (de) ensinou (katani) "e tanto mais para os intestinos". "Sobre vinho envelhecido" — de (shel) três (shalosh) anos (shanim), como (kedi) ensinamos (tenan) em Bava Batra (98a): "velho (yashan)" é do (mishel) ano anterior (eshtakad), "envelhecido (meyushan)" é de (shel) três (shalosh) anos (shanim). "Seja como um voto que o vinho que eu provar" — como (ke) um objeto sagrado (hekdesh) seja (yehei) sobre mim (alai) o vinho (yayin) que eu provar (sheani toem) — isto é, a fórmula do voto equipara o vinho a um objeto proibido, como se fosse consagrado.
A contradição se resolve com a distinção entre vinho novo, prejudicial aos intestinos, e vinho envelhecido de três anos, que lhes é benéfico — extraída do caso de quem fez um voto de abstinência e, ao ser corrigido quanto ao vinho envelhecido, calou-se, revelando que seu voto visava apenas o vinho novo.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): seis (shishá) coisas (devarim) se disseram (neemru) sobre o asparagos (beispargos): não (ein) se bebe (shotin) ele (oto) senão (ela) quando (keshehu) está puro (chai) — isto é, sem mistura de água e cheio (umalé) — o copo cheio até a borda; recebe-se (mekablo) com a direita (beyamin) e bebe-se (veshotehu) com a esquerda (bismol) — isto é, toma-se o copo com a mão direita ao recebê-lo, mas passa-se para a esquerda ao bebê-lo; e não (veein) se conversa (mesichin) depois (acharav) dele, e não (veein) se interrompe (mafsikin) nele (bo) — isto é, bebe-se de uma só vez, sem pausas nem conversas no meio; e não (veein) se devolve (machazirin) ele (oto) senão (ela) a quem (lemi) lho deu (shenatnu lo) — isto é, o copo, uma vez servido, só retorna a quem o serviu; e cospe-se (verak) depois (acharav) dele — isto é, é permitido e mesmo esperado cuspir depois de bebê-lo; e não (veein) se apoia (somchin) ele (oto) senão (ela) com o seu próprio tipo (bemino) — isto é, para comer algo logo depois, deve-se comer algo da mesma categoria de bebida, não pão.
"Senão puro" — vinho (yayin) puro (chai) que (she) não (eino) está misturado (mezug). "Não se interrompe nele" — mas (ela) bebe-se (shotehu) de uma vez só (bevat achat). "E não se apoia ele" — isto é, não se come outra coisa logo (miyad) depois (acharav) dele.
Uma baraita de etiqueta específica para o asparagos: bebido puro e de uma só vez, sem interrupções, recebido com a direita e bebido com a esquerda, devolvido apenas a quem o serviu, e seguido de cuspir e de comer apenas algo do mesmo tipo de bebida.
Mas não (veha) se ensinou (tanya): não (ein) se apoia (somchin) ele (oto) senão (ela) com pão (befat)! — isto é, uma baraita contraditória exige especificamente pão, e não "seu próprio tipo". Não (la) é difícil (kashya): esta (ha) — sobre vinho (bidchamrá), esta (ha) — sobre bebida fermentada (bidshichrá) — isto é, cada baraita trata de um tipo diferente de asparagos: o preparado com vinho é seguido de pão, e o preparado com outra bebida fermentada é seguido de algo do próprio tipo.
"Sobre vinho" — seu apoio (semichato) é com pão (befat). "Sobre bebida fermentada" — seu apoio (semichato) é com seu próprio tipo (bemino): se (im) for bebida fermentada (shechar) de figos (teenim), apoia-se (somcho) com figos (biteenim); e se (veim) for de (shel) tâmaras (temarim), apoia-se (somcho) com tâmaras (bitemarim).
A contradição se resolve distinguindo o asparagos de vinho, seguido de pão, do asparagos de outras bebidas fermentadas, seguido de algo da mesma matéria-prima da bebida.
Ensinou-se (tani) uma (chada): para lat é bom (yafé), para ramat é prejudicial (kashé). E ensinou-se (vetanya) outra (idach): para ramat é bom (yafé), para lat é prejudicial (kashé)! — isto é, mais uma contradição entre baraitot, agora invertendo os efeitos. Não (la) é difícil (kashya): esta (ha) — sobre vinho (bidchamrá), esta (ha) — sobre bebida fermentada (bidshichrá) — isto é, o asparagos de vinho é bom para coração, olhos e baço, mas prejudicial para cabeça, intestinos e hemorroidas; o de bebida fermentada tem o efeito inverso.
A mesma distinção entre vinho e bebida fermentada resolve outra contradição: os efeitos benéficos e prejudiciais do asparagos se invertem conforme a bebida-base utilizada em seu preparo.
Ensinou-se (tani) uma (chada): cospe-se (rak) depois (acharav) dele — é açoitado (loke) — isto é, se alguém cuspir depois de beber, merece açoites. E ensinou-se (vetanya) outra (idach): não (lo) cospe-se (rak) depois (acharav) dele — é açoitado (loke) — isto é, o oposto: se alguém deixa de cuspir, é que merece açoites! Não (la) é difícil (kashya): esta (ha) — sobre vinho (bidchamrá), esta (ha) — sobre bebida fermentada (bidshichrá) — isto é, para o asparagos de vinho, é preciso cuspir depois; para o de bebida fermentada, não se deve cuspir.
"É açoitado" — com doença (becholi) — isto é, não se trata de açoites judiciais, mas de um castigo natural, adoecer. "Sobre vinho" — não (lo) cuspir (yarok). "Sobre bebida fermentada" — se (im) não (lo) cuspir (rak) a água (mayim) que vêm (habaim) à sua boca (befiv) depois (acharav), adoece (loke).
Rashi esclarece que "é açoitado" aqui significa adoecer, não punição judicial. A regra de cuspir ou não depende igualmente do tipo de bebida usada no asparagos.
Disse Rav Ashi: agora (hashtá) que (de) disseste (amrat) que não cuspir (lo rak) depois (acharav) dele é açoitado (loke) — isto é, já que ficou estabelecido que deixar de cuspir traz doença, sua saliva (meimav) — isto é, a água que se acumula na boca depois de beber a bebida fermentada pode ser cuspida (nizrakin) mesmo (afilu) diante do (bifnei) rei (hamelech) — isto é, essa necessidade de saúde é tão premente que dispensa até mesmo a etiqueta normalmente devida na presença de um rei.
"Mesmo diante do rei" — cuspa (yarok) e não (veal) se arrisque (yistaken) — isto é, a preocupação com a saúde e a vida prevalece sobre o respeito devido à realeza.
Rav Ashi tira a conclusão prática extrema: tamanha é a necessidade de saúde envolvida que se permite cuspir mesmo na presença de um rei, algo normalmente inconcebível por etiqueta.
Disse Rabi Yishmael ben Elisha: três (shloshá) coisas (devarim) me confiou (sach li) Suriel, o príncipe (sar) da face (hapanim) — isto é, um anjo de alta hierarquia, próximo à presença Divina: não (al) tome (titol) sua túnica (chaluchechá) pela manhã (beshacharit) da mão (miyad) do servo (hashamash) e vista-a (vetilbash) — isto é, deve-se pegar a própria roupa diretamente, não recebê-la das mãos de outra pessoa antes de se vestir. E não (veal) lave (titol) suas mãos (yadeicha) das mãos de quem (mimi she) não (lo) lavou (natal) as suas mãos (yadav) — isto é, não permita que alguém que ainda não lavou as próprias mãos derrame água sobre as suas. E não (veal) devolva (tachazir) o copo (cos) de asparagos (ispargos) senão (ela) a quem (lemi) lho deu (shenetano lecha) — pois (mipnei she) Tachsafit, e alguns dizem (veimri lah), Istalganit, das legiões (shel) de anjos (malachei) destruidores (chavalá) — isto é, nomes de hostes de anjos maléficos aguardam (metzapin) o homem (laadam), e dizem (veomrim): quando (eimatai) virá (yavo) o homem (adam) a incorrer em (lidei) uma (echad) destas (midevarim halalu) coisas e será apanhado (veyilached)?
"Suriel" — anjo (malach) importante (chashuv) que vem (lavo) diante (lifnei) do Santo, bendito seja (hakadosh baruch hu). "Não tome sua túnica" — pela manhã (shacharit) da mão (miyad) do servo (hashamash), mas (ela) tu mesmo (atá beatzmecha) a tome (tolehu) do lugar (mimakom) em que (shehu) está (sham) e a vista (vetilbashenu). "Tachsafit" — nome (shem) de uma legião (chavurat) de demônios (shedim). "Istalganit" — nome (shem) de uma legião (chavurat) de anjos (malachei) destruidores (chavalá). "Quando virá o homem a incorrer em uma destas coisas e será apanhado" — Rabi Yishmael subiu (alá) aos céus (larakia) por meio (al yedei) de um Nome (shem), conforme a baraita (baraita) do Relato (demaasé) da Carruagem (merkavá) — referindo-se à literatura mística sobre a ascensão celestial.
Rabi Yishmael ben Elisha, figura associada à literatura mística da Carruagem Divina, relata três avisos práticos que lhe confiou o anjo Suriel, cada um envolvendo o risco de se expor a forças espirituais nocivas por meio de descuidos cotidianos aparentemente triviais.
Disse Rabi Yehoshua ben Levi: três (shloshá) coisas (devarim) me confiou (sach li) o anjo (malach) da morte (hamavet): não (al) tome (titol) sua túnica (chaluchechá) pela manhã (shacharit) da mão (miyad) do servo (hashamash) e vista-a (vetilbash). E não (veal) lave (titol) suas mãos (yadeicha) das mãos de quem (mimi she) não (lo) lavou (natal) as suas mãos (yadav). E não (veal) fique de pé (taamod) diante (lifnei) das mulheres (hanashim) na hora (beshaá) em que (she) voltam (chozrot) do morto (min hamet) — isto é, quando retornam de um funeral, porque (mipnei she) eu (ani) danço (merakéd) e venho (uva) diante delas (lifneihen), e minha espada (vecharbi) em minha mão (beyadai), e tenho (veyesh li) licença (reshut) para destruir (lechabel) — isto é, o anjo da morte revela que, naquele momento, acompanha as mulheres de volta do funeral com poder destrutivo ativo, representando perigo espiritual real para quem se colocar em seu caminho.
Rabi Yehoshua ben Levi relata um paralelo quase idêntico aos dois primeiros avisos de Suriel, mas o terceiro é distinto e mais direto: o próprio anjo da morte revela que acompanha ativamente, de espada em punho, as mulheres que retornam de um funeral.
E se (vei) encontrou (pagá) — isto é, se alguém se depara com essas mulheres voltando de um funeral, qual (mai) é o seu remédio (takanteih)? Afaste-se (linshof) de seu lugar (miduchteih) quatro (arba) cúbitos (amot); se (i) há (ika) um rio (nahará) — atravesse-o (leyavreih); e se (vei) há (ika) outro (acharina) caminho (darká) — vá (leizil) por ele (bah); e se (vei) há (ika) um muro (guda) — fique (leiku) atrás dele (achora); e se (vei) não (la) — isto é, se nenhuma dessas opções está disponível — vire (layhadar) o rosto (apeih) e diga (veleimá): "e disse (vayomer) o Eterno (Hashem) a Satã (el hasatan): repreenda (yigar) o Eterno (Hashem) em ti (becha) etc." — versículo de Zacarias 3:2, até (ad) que (de) passem (chalfi) dele (mineih) — isto é, recita-se esse versículo repetidamente até que as mulheres tenham passado por completo.
"Guda" — muro (kotel).
A Guemará detalha uma sequência prática e gradual de proteção para quem se depara com o cortejo de mulheres voltando de um funeral: afastar-se, buscar caminho alternativo, abrigar-se atrás de um muro, e, na falta de tudo isso, recitar o versículo protetor de Zacarias.
Disse Rabi Zeira, disse Rabi Abahu, e alguns dizem (veimri lah) que se ensinou (tana) numa baraita (bematnita): dez (asará) coisas (devarim) se disseram (neemru) sobre o copo (bechos) da bênção (shel berachá): requer (taun) lavagem (hadachá) e enxágue (ushtifá) — por dentro e por fora, respectivamente. Puro (chai) e cheio (umalé). Coroação (itur) e envolvimento (veitup). Toma-o (notlo) com as duas (bishtei) mãos (yadav), e entrega-o (venotno) com a direita (bayamin). E o ergue (umagbiho) da terra (min hakarka) um palmo (tefach), e nele (bo) fixa (venoten) os olhos (einav). E há quem diga (veyesh omrim): também (af) o envia (meshagro) como presente (bemataná) aos membros (leanshei) de sua casa (beito).
"Copo da bênção" — a Bênção (birchat) Após as Refeições (hamazon). "Lavagem e enxágue etc." — todas (kulhu) ele explica (mefaresh lehu) em seguida (veazil). "Da terra" — se (im) estava reclinado (hesev) sobre (al gav) a terra (karka), e se (veim) sobre (al gav) uma mesa (shulchan), ergue-o (magbiho) da mesa (min hashulchan). "Como presente" — a título (derech) de dádiva (doron) e distinção (vachashivut). "Aos membros de sua casa" — a sua esposa (leishto).
Novo tópico final do daf: uma lista detalhada de dez práticas cerimoniais recomendadas para o copo sobre o qual se recita a Bênção Após as Refeições, tratando-o com a dignidade de um objeto de honra.
Disse Rabi Yochanan: nós (anu) não (ein) temos (lanu) senão (ela) quatro (arbaá) somente (bilvad) — isto é, Rabi Yochanan reduz a lista de dez para apenas quatro práticas que considera efetivamente obrigatórias: lavagem (hadachá), enxágue (shetifá), puro (chai), e cheio (umalé). Ensinou-se (tana): a lavagem (hadachá) — por dentro (mibifnim), e o enxágue (ushtifá) — por fora (mibachutz) — isto é, a lavagem interna do copo remove resíduos de dentro, e o enxágue externo limpa a parte de fora.
"Puro" — que (she) o mistura (mozgo) com água (bemayim) depois (leachar) de tê-lo posto (shenatnu) no copo (bacos) puro (chai) — isto é, o vinho entra puro no copo, e só ali se dilui; mas (aval) abençoar (levarech) sobre ele (alav) puro (chai), eis que (ha) já dissemos (amran) em nossa Mishná (bematniti): não se abençoa (ein mevarchin) — isto é, referindo-se à posição dos sábios de que o copo da bênção deve ser diluído antes de se abençoar sobre ele. Ou também (i nami), "puro (chai)" em francês antigo (belaaz), frish, significa trazê-lo (lehavio) do barril (min hechavit) especialmente para ele (leshemo) — isto é, uma segunda explicação: "puro" não se refere à ausência de água, mas ao fato de o vinho ser retirado fresco do barril especificamente para essa ocasião, e não sobras de outro uso.
Rabi Yochanan simplifica a lista para quatro elementos essenciais. Rashi nota a aparente tensão entre "puro" aqui e a exigência, vista antes no daf, de diluir o vinho do copo da bênção, propondo duas resoluções: ou o vinho entra puro no copo e só então é diluído, ou "puro" significa trazido fresco do barril, sem relação com a diluição.
Disse Rabi Yochanan: todo (kol) o que abençoa (hamevarech) sobre (al) um copo (cos) cheio (malé) — dão-lhe (notnin lo) uma herança (nachalá) sem (beli) limites (metzarim), pois (she) se disse (neemar): "e cheio (umalé) da bênção (birkat) do Eterno (Hashem), mar (yam) e sul (vedarom), herda (yerashá)" — versículo de Devarim 33:23, sobre a bênção de Naftali. Rabi Yossei bar Chanina diz (omer): merece (zoche) e herda (venochel) dois (shnei) mundos (olamot), este mundo (haolam hazé) e o mundo (vehaolam) vindouro (haba) — isto é, associando as duas direções mencionadas no versículo, "mar" e "sul", aos dois mundos.
Uma promessa de recompensa espiritual associada à prática de abençoar sobre um copo cheio, extraída homileticamente do versículo sobre a bênção de Naftali.
"Coroação (itur)." Rav Yehuda o coroa (meatrehu) com discípulos (betalmidim) — isto é, cercava-se de seus alunos ao redor durante a bênção. Rav Chisda o coroa (meatar leih) com copos (benatlei) — isto é, cercava o copo da bênção com outros copos ao redor. Disse Rabi Chanan: e com vinho puro (uvechai) — isto é, os copos ao redor deveriam conter vinho puro. Disse Rav Sheshet: e com a bênção (uvevirchat) da terra (haaretz) — isto é, "coroa-se" a Bênção Após as Refeições com uma adição especial ao chegar à bênção da terra.
"O coroa com discípulos" — seus discípulos (talmidav) o cercam (sovevin oto) quando (keshehu) abençoa (mevarech). "Com copos (benatlei)" — copos (cosot). "E com a bênção da terra" — quando (keshemagia) chega (magia) à bênção (livrachat) da terra (haaretz), acrescenta (mosif) sobre ela (aleiha).
A Guemará detalha a prática de "coroar" o copo da bênção, com quatro interpretações diferentes de sábios: cercar-se de discípulos, cercar o copo de outros copos, usar vinho puro nesses copos, ou acrescentar algo à bênção da terra.
"Envolvimento (itup)." Rav Papa se envolvia (meataf) e sentava (veyativ) — isto é, cobria-se com seu manto antes de recitar a bênção. Rav Assi estendia (paris) um manto (sudará) sobre (al) sua cabeça (reisheih).
"Se envolvia" — em seu manto (betalito).
Dois exemplos práticos de como os sábios cumpriam o "envolvimento" ao recitar a Bênção Após as Refeições, cobrindo-se com um manto ou véu como sinal de reverência.
"Toma-o (notlo) com as duas (bishtei) mãos (yadav)." Disse Rabi Chinena bar Papa: qual (mai) é o versículo (keraá)? — "Levantai (seu) vossas mãos (yedeichem) ao santuário (kodesh) e bendizei (uvarchu) o Eterno (Hashem)" — versículo de Tehilim 134:2, tomado como fonte para segurar o copo com as duas mãos ao abençoar.
Rabi Chinena bar Papa fundamenta bibliicamente o costume de segurar o copo com as duas mãos, a partir de um versículo dos Salmos sobre levantar as mãos para bendizer o Eterno.
"E o entrega (venotno) com a direita (layamin)." Disse Rabi Chiya bar Abba, disse Rabi Yochanan: os primeiros (rishonim) — isto é, os sábios de gerações anteriores perguntaram (shaalu): a esquerda (smol), o que é quanto a (mahu she) ajudar (tesaya) a direita (layamin)? — isto é, se é permitido apoiar o copo também com a mão esquerda, como suporte adicional à direita, que segura o copo principal. Disse Rav Ashi: já que (hoil) os primeiros (rishonim) indagaram (ibaya lehu) e não (velo) se resolveu (ipshat) para eles (lehu) — isto é, a questão permaneceu em aberto sem solução definitiva entre os sábios anteriores, e o daf termina com essa dúvida não resolvida, cuja continuação segue no início do próximo daf.
O daf termina em uma dúvida não resolvida: se a mão esquerda pode auxiliar a direita a segurar o copo da bênção. Rav Ashi observa que essa questão já intrigava os sábios anteriores sem solução, e a Guemará prossegue o tema no início de 51b.