O daf abre resolvendo, por rigor, a dúvida deixada em aberto ao final de 51a sobre se a mão esquerda pode ajudar a direita a segurar o copo da bênção, e completa a lista das dez coisas ditas sobre esse copo: erguê-lo um palmo do chão com o versículo de apoio, fixar nele os olhos para não desviar a atenção, e — segundo alguns — enviá-lo como presente aos membros da casa. Segue-se o episódio de Ula, que visitando Rav Nachman envia o copo da bênção a Rav Nachman em vez de à sua esposa Ilta, com a explicação de que o fruto do ventre da mulher é abençoado por meio do homem — e a reação furiosa de Ilta, que quebra quatrocentas talhas de vinho, seguida de sua réplica mordaz a Rav Nachman. A Guemará then registra os ensinamentos de Rav Assi sobre não conversar durante o copo da bênção e não abençoar sobre o "copo de castigo" (o segundo copo), e a opinião final sobre a postura correta ao abençoar — sentado. O perek "Keitzad Mezamnin" termina aqui, e abre-se o perek "Elu Devarim", com sua Mishná listando as seis disputas entre Beit Shamai e Beit Hilel sobre a ordem das bênçãos e os costumes da refeição — do kidush à havdalá — e o início da Guemará sobre a primeira delas, a ordem entre a bênção do dia e a do vinho.
— continuando a dúvida deixada em aberto ao final de 51a, sobre se a mão esquerda pode ajudar a direita a segurar o copo da bênção, sem que os sábios anteriores a tivessem resolvido — nós (anan) seremos rigorosos (naavéd lechumrá) — isto é, já que a dúvida ficou sem solução, Rav Ashi conclui que se deve adotar a posição mais cautelosa: a mão esquerda não deve ajudar a direita a segurar o copo, para que se cumpra plenamente a exigência de "entregá-lo com a direita" sem nenhuma participação da esquerda.
"Nós seremos rigorosos" — que (she) não (lo) ajude (tesaya) a esquerda (smol) a direita (layamin) na hora (bishaat) da bênção (berachá).
A dúvida deixada em aberto no final de 51a — se a mão esquerda pode auxiliar a direita a segurar o copo da bênção — é resolvida aqui pela via do rigor: a prática adotada é que a esquerda não ajuda, e o copo deve ser seguro e entregue somente com a direita.
"E o ergue (umagbiho) da terra (min hakarka) um palmo (tefach)." Disse Rav Acha bar Rabi Chanina: qual (mai) é o versículo (keraá)? — "O copo (cos) das salvações (yeshuot) erguerei (essá), e o Nome (uveshem) do Eterno (Hashem) invocarei (ekrá)" — versículo de Tehilim 116:13, tomado como fonte para o costume de erguer o copo antes de invocar o Nome Divino na bênção.
A Guemará continua a explicar item por item a lista das dez coisas ditas sobre o copo da bênção, agora fundamentando biblicamente o costume de erguê-lo um palmo do chão antes de recitar a bênção.
"E nele (bo) fixa (venoten) os olhos (einav)" — para que (ki heichi de) sua mente (dateih) não (la) se desvie (naissach) dele (mineih) — isto é, mantendo o olhar fixo sobre o copo, evita-se que a atenção se disperse durante a bênção, garantindo a concentração devida ao ato.
A razão para fixar os olhos no copo é preservar a concentração — evitar que a mente se distraia do ato da bênção.
"E o envia (umeshagro) como presente (bemataná) aos membros (leanshei) de sua casa (beito)" — para que (ki heichi de) sua esposa (deveitehu) seja abençoada (titbarach) — isto é, ao enviar parte do vinho do copo da bênção para casa, a mulher também recebe uma porção associada à bênção, o que é considerado motivo de benção para ela.
Completa-se aqui a lista integral das dez coisas sobre o copo da bênção, iniciada em 51a: a última prática — enviar parte do vinho à esposa — visa fazê-la partícipe da bênção, o que introduz o episódio seguinte sobre Ilta.
Ula chegou de visita (ikla) à casa (bei) de Rav Nachman. Comeu (kerich) pão (rifta), abençoou (baréch) a Bênção (birkat) Após as Refeições (mezoná), deu (yehav leih) o copo (casa) da bênção (deverachta) a Rav Nachman. Disse-lhe (amar leih) Rav Nachman: envie (lishadar) o mestre (mar) o copo (casa) da bênção (deverachta) a Ilta — sua esposa. Disse-lhe (amar leih): assim (hachi) disse (amar) Rabi Yochanan: o fruto (peri) do ventre (vitná) da mulher (shel ishá) não (ein) é abençoado (mitbarech) senão (ela) pelo fruto (miperi) do ventre (bitno) do homem (shel ish), pois (she) se disse (neemar): "e abençoará (uverach) o fruto (peri) do teu ventre (vitnechá)" — versículo de Devarim 7:13. "Fruto do ventre dela (peri vitná)" não (lo) se disse (neemar), mas (ela) "fruto (peri) do teu ventre (vitnechá)" — isto é, Ula recusa enviar o copo diretamente à esposa de Rav Nachman, explicando que, segundo esse ensinamento, a bênção sobre a fertilidade e os filhos de uma mulher chega até ela por meio do marido, e não diretamente; portanto o correto é entregar o copo ao próprio Rav Nachman, e não a Ilta.
Novo episódio: Ula, hóspede de Rav Nachman, entrega o copo da bênção ao anfitrião, e não à sua esposa Ilta, como Rav Nachman sugeriu. Ula justifica sua recusa citando Rabi Yochanan: a bênção da fertilidade da mulher lhe chega por meio do marido, e não diretamente — apoiando-se na formulação do versículo, que fala do "fruto do teu ventre" (do homem), não "do ventre dela".
Ensinou-se (tanya) também (nami) assim (hachi): disse Rabi Natan: de onde (minayin) que (she) o fruto (peri) do ventre (vitná) da mulher (shel ishá) não (ein) é abençoado (mitbarech) senão (ela) pelo fruto (miperi) do ventre (bitno) do homem (shel ish) — pois (she) se disse (neemar): "e abençoará (uverach) o fruto (peri) do teu ventre (vitnechá)", "fruto (peri) do ventre dela (vitná)" não (lo) se disse (neemar), mas (ela) "fruto (peri) do teu ventre (vitnechá)" — isto é, a Guemará traz uma baraita independente que confirma o mesmo ensinamento citado por Ula em nome de Rabi Yochanan, mostrando que essa tradição já circulava também como baraita tanaítica, atribuída a Rabi Natan.
A Guemará confirma o ensinamento de Rabi Yochanan citando uma baraita paralela, atribuída a Rabi Natan, com a mesma derivação do versículo de Devarim.
Enquanto (adehachi) isso — isto é, nesse ínterim, ouviu (shemaá) Ilta — a explicação de Ula sobre por que se recusou a lhe enviar diretamente o copo; levantou-se (kama) com fúria (bezihará), e entrou (vealat) na adega (bei chamrá), e quebrou (utvará) quatrocentas (arba meá) talhas (danei) de vinho (dechamrá). Disse-lhe (amar leih) Rav Nachman: envie (neshadar) o mestre (mar) outro (acharina) copo (casa) a ela (lah). Mandou-lhe dizer (shalach lah) — Ula, a Ilta: toda (kol) essa (hai) quantidade (nabega) — isto é, toda essa jarra ou porção é do copo (deverachta) da bênção (hi) — isto é, Ula responde ironicamente que já enviara, afinal, uma quantidade equivalente a um copo inteiro de bênção; ou, segundo outra leitura, pergunta-se se toda essa quantia de vinho quebrada tem o valor de um único copo de bênção. Ela lhe respondeu (shelachá leih): dos itinerantes (mimehadurei) — isto é, dos mercadores ambulantes que percorrem as cidades vêm — proliferam palavras (milei), e dos trapos (missmartutei) — roupas velhas e puídas, piolhos (kalmei) — isto é, Ilta responde com um ditado popular mordaz: assim como mercadores viajantes trazem consigo muita conversa fiada, e roupas velhas geram piolhos, também dessa explicação de Ula vieram apenas mais palavras vãs, sem verdadeiro valor ou consideração por ela.
"Ouviu Ilta" — que (she) não (lo) lhe enviaria (yeshagar lah) o copo (cos) da bênção (shel berachá). "Levantou-se com fúria" — ficou de pé (amdá) com raiva (bekhaas). "Toda essa quantidade é do copo da bênção" — todo (kol) o vinho (yayin) que (she) está no barril (shebechavit) é como (kekos) o copo (shel) da bênção (berachá), é (hu) ele bebe (shatei) dele (mimenu). "Nabega" — copo (cos), como (kemo) "bebe (leshatei), meu senhor (mar), a taça (anbega)". "Dos itinerantes, palavras" — dos que (mimachzirei) percorrem (bein) as cidades (bair'iyot) se multiplicam (yirbu) sempre (tamid) palavras (devarim). "E dos trapos, piolhos" — e dos que (umimeshachakei) se esfregam (begadim) em roupas (belu'im) velhas (umemurtim) puídas (velo'im) se multiplicam (yirbu) piolhos (kinim). "Piolhos (kinim)" se traduz (mitargeminan) calmeta.
Ilta reage com fúria à explicação recebida, destruindo quatrocentas talhas de vinho da adega. À tentativa de Ula de se explicar, ela responde com um ditado popular mordaz, comparando a explicação vazia recebida a "palavras" produzidas por mercadores itinerantes e a "piolhos" gerados por trapos velhos — sugerindo que a justificativa de Ula não passava de conversa sem substância.
Disse Rav Assi: não (ein) se conversa (masichin) sobre (al) o copo (cos) da bênção (shel berachá) — isto é, desde que se toma o copo até que se recite a bênção, não se deve falar. E disse Rav Assi: não (ein) se abençoa (mevarchin) sobre (al) o copo (cos) de castigo (shel purenut). O que é (mai) "copo (cos) de castigo (shel purenut)"? Disse Rav Nachman bar Yitzchak: o segundo (sheni) copo (cos) — isto é, o segundo copo de vinho servido, associado por costume a azar ou perigo (número par). Ensinou-se (tanya) também (nami) assim (hachi): quem (hashote) bebe em dobro (kiflayim) não (lo) abençoará (yevarech) — isto é, não deve recitar a Bênção Após as Refeições logo após ter bebido um número par de copos, porque (mishum) se disse (sheneemar): "prepara-te (hikon) ao encontro (likrat) do teu D-us (Elokecha), Israel (Yisrael)" — versículo de Amós 4:12, tomado para exigir preparo e disposição adequada ao se dirigir em oração ao Divino, e este (vehai) não (la) está preparado (metaken) — isto é, quem bebeu em número par não está no estado de espírito e disposição adequados para recitar a bênção com a devida atenção.
"Não se conversa" — desde que (mishe) o segura (achazo) até (ad) que (she) abençoe (yevarech). "Segundo copo" — que (shehu) é de (shel) números pares (zugot), e o que está (vehaomed) à sua mesa (al shulchano) e bebe (shatei) em pares (zugot) é prejudicado (nizak) por meio (al yedei) de demônios (shedim). "Em dobro (kiflayim)" — pares (zugot). "Prepara-te ao encontro" — com palavras (bidevarim) boas (naim), e não (velo) com palavras (bedivrei) de castigo (purenut).
Rashi explica que "copo de castigo" se refere à crença de que beber em número par de copos expõe a pessoa a dano por demônios; por isso não se recita a bênção logo após beber assim, pois falta a disposição adequada exigida pelo versículo de Amós.
Disse Rabi Abahu, e alguns dizem (veimri lah) que se ensinou (tana) numa baraita (bematnita): quem (haochel) come (veocheil) e caminha (umehalech) abençoa (mevarech) de pé (meumad) — isto é, se estava comendo em movimento, permanece de pé para recitar a bênção; e quando (uchsheu) come (ochel) de pé (meumad) — abençoa (mevarech) sentado (meyushav) — isto é, quem comia parado deve sentar-se para a bênção, um grau maior de assentamento; e quando (uchsheu) está reclinado (meisev) e come (veochel) — senta-se (yoshev) e abençoa (umevarech) — isto é, mesmo quem comia reclinado, para a bênção deve adotar a postura sentada mais formal. E a lei (vehilchata) em todos (bechulhu) eles: senta-se (yoshev) e abençoa (umevarech) — isto é, a conclusão prática final é que, independentemente de como se estava comendo, a Bênção Após as Refeições deve sempre ser recitada na posição sentada.
"Reclinado (meisev)" — em um leito (bemitá), à maneira (derech) de reclinação (hasibá). E a lei (vehilchata) em todos (bechulhu) eles: senta-se (yoshev) e abençoa (umevarech).
Encerra-se aqui o perek "Keitzad Mezamnin": qualquer que seja a postura em que a refeição foi feita — andando, de pé ou reclinado — a lei final é que a Bênção Após as Refeições deve ser recitada sentado.
Termina aqui o perek "Keitzad Mezamnin" (também conhecido por seu início, "Shelosha She'achlu" — "Três que comeram"). Segue-se o perek "Elu Devarim", sobre as disputas entre Beit Shamai e Beit Hilel nos costumes da refeição, do kidush e da havdalá.
Mishná: estas (elu) são as coisas (devarim) entre (shebein) Beit Shamai e entre (uvein) Beit Hilel quanto à (ba) refeição (seudá) — isto é, seis pontos de disputa nos costumes da refeição, do kidush à havdalá, listados nesta Mishná: Beit Shamai dizem (omrim): abençoa-se (mevarech) sobre (al) o dia (hayom) — isto é, recita-se primeiro o kidush do dia (Shabat ou Festa), e depois (veachar cach) abençoa-se (mevarech) sobre (al) o vinho (hayayin). E Beit Hilel dizem (omrim): abençoa-se (mevarech) sobre (al) o vinho (hayayin) e depois (veachar cach) abençoa-se (mevarech) sobre (al) o dia (hayom).
"Estas coisas etc. quanto à refeição" — que (she) discordaram (nechleku) nas leis (behilchot) da refeição (seudá). "Abençoa-se sobre o dia" — no kidush (bekidush) de Shabatot (shabatot) e Festas (veyamim tovim).
Abre-se o perek "Elu Devarim" com sua Mishná, que lista seis pontos de disputa entre Beit Shamai e Beit Hilel nos costumes da refeição de Shabat e Festas — começando pela ordem entre a bênção do dia (kidush) e a do vinho.
Beit Shamai dizem (omrim): lava-se (notlin) as mãos (layadayim), e depois (veachar cach) mistura-se (mozgin) o copo (et hacos) — isto é, dilui-se o vinho com água. E Beit Hilel dizem (omrim): mistura-se (mozgin) o copo (et hacos) e depois (veachar cach) lava-se (notlin) as mãos (layadayim).
"E depois mistura-se o copo" — o vinho (yayin) que vem (haba) antes (lifnei) da refeição (hamazon), como (kedeamrinan) dissemos no capítulo (beferek) "Keitzad Mevarchin" (Berachot 43a): "reclinaram-se (hesevu), ainda que (af al pi) tenha lavado (shenatal) etc., trouxeram-lhes (heviu lahem) vinho (yayin) etc." — e Beit Shamai dizem (kaamrei): lava-se (notlin) as mãos (layadayim) e depois (veachar cach) bebem (shotim) o copo (et hacos) e comem (veochlim) sua refeição (seudatam) com essa (behahi) lavagem (netilá); e Beit Hilel dizem (omrim): mistura-se (mozgin) o copo (et hacos) e bebem-no (veshotin oto) e depois (veachar cach) lavam (notlin) as mãos (layadayim); e a razão (vetaama) de ambos (detarvaihu) se explica (mefaresh) na Guemará (bigmara).
A segunda disputa da Mishná: a ordem entre lavar as mãos e misturar o copo de vinho servido antes da refeição. Rashi remete à sugia paralela do perek "Keitzad Mevarchin" (43a) e adia a explicação das razões para a Guemará.
Beit Shamai dizem (omrim): limpa (mekaneach) as mãos (yadav) com o pano (bamapá) — isto é, após a primeira lavagem das mãos, e o coloca (umanicha) sobre (al) a mesa (hashulchan). E Beit Hilel dizem (omrim): sobre (al) a almofada (hakeset).
"E limpa as mãos com o pano" — da lavagem (minetilat) das águas (mayim) primeiras (rishonim). "E o coloca sobre a mesa" — e limpa (umekaneach) com ele (bah) as mãos (yadav) sempre (tamid) da sujeira (mizuhamat) do prato (hatavshil). "E Beit Hilel dizem" — sobre (al) a almofada (hakar) ou (o) sobre (al) a almofada (hakeset), o coloca (yanichenu) depois (acharei chen), e ali (vesham) limpa (yekaneach) com ele (bah) as mãos (yadav) sempre (tamid), e a razão (vetaama) se explica (mefaresh) na Guemará (bigmara).
Terceira disputa: onde depositar o pano de limpar as mãos — a mesa ou a almofada de reclinar-se, para que continue disponível ao uso durante a refeição.
Beit Shamai dizem (omrim): varre-se (mechabdin) a casa (et habayit), e depois (veachar cach) lava-se (notlin) as mãos (layadayim) — isto é, referindo-se à lavagem final, após a refeição. E Beit Hilel dizem (omrim): lava-se (notlin) as mãos (layadayim), e depois (veachar cach) varre-se (mechabdin) a casa (et habayit).
"Varre-se a casa" — o lugar (makom) em que (she) comeram (achlu) ali (sham): se (im) se reclinaram (hesevu) sobre (al gav) a terra (karka), varrem (mechabdim) a terra (hakarka), ou (o) se (im) se reclinaram (hesevu) sobre (al gav) a mesa (hashulchan), varrem (mechabdin) a mesa (hashulchan) dos restos (mishiyurei) de alimentos (ochlin) que (she) se espalharam (nitpazru) sobre ela (alav). "E depois lava-se as mãos" — as águas (mayim) últimas (acharonim).
Quarta disputa: a ordem entre varrer a mesa ou o chão dos restos de comida e a lavagem final das mãos (mayim acharonim), ao término da refeição.
Beit Shamai dizem (omrim): vela (ner), e refeição (umazon), especiarias (besamim) e havdalá (vehavdalá) — isto é, na saída de Shabat, quando há apenas um copo disponível, essa é a ordem das quatro bênçãos a serem recitadas sobre ele. E Beit Hilel dizem (omrim): vela (ner) e especiarias (uvesamim), refeição (mazon) e havdalá (vehavdalá).
"Vela e refeição" — quem (mi) não (she'ein) tem (lo) senão (ela) um copo (cos echad) na saída (bemotzaei) de Shabat (shabat) o deixa (manicho) até (ad) depois (leachar) da refeição (hamazon), e ordena (vesoder) sobre ele (alav) vela (ner) e refeição (umazon) e especiarias (uvesamim) e havdalá (vehavdalá) etc.
Quinta disputa, e a mais elaborada: a ordem das quatro bênçãos recitadas sobre um único copo na saída de Shabat que coincide com o fim de uma refeição — vela, refeição, especiarias e havdalá.
Beit Shamai dizem (omrim): "que criou (shebará) a luz (meor) do fogo (haesh)" — a fórmula da bênção sobre a vela na havdalá, e Beit Hilel dizem (omrim): "que cria (boré) as luzes (meorei) do fogo (haesh)" — isto é, a disputa é sobre a fórmula exata dessa bênção: no passado e no singular, ou no presente e no plural.
Sexta disputa: a formulação exata da bênção sobre o fogo na havdalá.
Não (ein) se abençoa (mevarchin) nem (lo) sobre (al) a vela (haner) nem (velo) sobre (al) as especiarias (habesamim) dos idólatras (shel goyim), e nem (velo) sobre (al) a vela (haner) nem (velo) sobre (al) as especiarias (habesamim) dos mortos (shel metim) — isto é, acesa em luto por um falecido, e nem (velo) sobre (al) a vela (haner) nem (velo) sobre (al) as especiarias (habesamim) da idolatria (shel avodá zará). E não (veein) se abençoa (mevarchin) sobre (al) a vela (haner) até (ad) que (she) se aproveite (yeotu) de sua luz (leoro) — isto é, é preciso ter proveito real da luz, não bastando vê-la de longe sem se beneficiar dela.
"Não se abençoa nem sobre a vela nem sobre as especiarias dos idólatras e dos mortos" — a razão (taam) de todos (dechulhu) se explica (mefaresh) na Guemará (bigmara). "Que se aproveite (sheyeotu)" — que (sheyehu) tenham proveito (nehenim) dela (mimenu).
Restrições à bênção sobre vela e especiarias: não se abençoa sobre as usadas por idólatras, por luto, ou para culto idólatra, e é preciso proveito real da luz da vela para que a bênção seja válida.
Quem (mi) comeu (sheachal), e esqueceu (veshachach) e não (velo) abençoou (berach). Beit Shamai dizem (omrim): volte (yachazor) ao seu lugar (limkomo) e abençoe (vivarech) — isto é, se comeu em um lugar e depois se mudou de lugar, deve retornar fisicamente àquele lugar para recitar a bênção. E Beit Hilel dizem (omrim): abençoe (yevarech) no lugar (bimkom) em que (she) se lembrou (nizkar) — isto é, não é necessário retornar; pode abençoar onde quer que esteja quando se lembrar. E até (vead) quando (matai) abençoa (mevarech)? Até (ad) que (kedei she) se digira (yitakel) o alimento (hamazon) em seus intestinos (shebemeav) — isto é, há um prazo limite para essa bênção retroativa: enquanto o alimento ainda não foi totalmente digerido.
"Até que se digira o alimento" — explica-se (mefaresh) a medida (shiurá) na Guemará (bigmara).
Esta cláusula da Mishná retoma, sob nova disputa entre as escolas, o próprio tema que a Guemará de 51a já havia debatido sobre a possibilidade de abençoar depois de terminada a refeição — agora acrescentando a questão de onde deve ser recitada essa bênção tardia, e até quando isso é possível.
Veio-lhes (ba lahen) vinho (yayin) depois (achar) da refeição (hamazon), se (im) não (ein) há ali (sham) senão (ela) aquele (oto) copo (cos) — isto é, um único copo disponível, que servirá tanto para a bênção do vinho quanto para a Bênção Após as Refeições: Beit Shamai dizem (omrim): abençoa-se (mevarech) sobre (al) o vinho (hayayin) e depois (veachar cach) abençoa-se (mevarech) sobre (al) a refeição (hamazon). E Beit Hilel dizem (omrim): abençoa-se (mevarech) sobre (al) a refeição (hamazon) e depois (veachar cach) abençoa-se (mevarech) sobre (al) o vinho (hayayin).
Mais uma disputa sobre ordem: quando um único copo de vinho chega apenas depois de terminada a refeição, qual bênção precede — a do vinho ou a Bênção Após as Refeições.
E respondem (veonin) "amém (amen)" depois (achar) de um israelita (Yisrael) que abençoa (hamevarech), e não (veein) se responde (onin) "amém (amen)" depois (achar) de um samaritano (kuti) que abençoa (hamevarech), até (ad) que (she) se ouça (yishma) toda (kol) a bênção (haberachá) por inteiro (kulá) — isto é, por não se confiar plenamente na ortodoxia do samaritano, só se responde "amém" após ouvir a bênção completa e verificar que foi corretamente formulada.
"Respondem amém depois de um israelita que abençoa" — mesmo (afilu) que não (lo) tenha ouvido (shama) senão (ela) o fim (sof) da bênção (berachá); mas (aval) não (lo) depois (leachar) de um samaritano (kuti), pois talvez (shema) tenha abençoado (berach) ao Monte (lehar) Gerizim (Gerizim) — isto é, os samaritanos direcionavam sua devoção ao Monte Gerizim, e por isso sua bênção não merece confiança automática.
Última cláusula da Mishná: distingue-se a confiança automática dada à bênção de um israelita da cautela exigida diante da bênção de um samaritano, cuja devoção ao Monte Gerizim gerava desconfiança quanto à ortodoxia de sua formulação.
Guemará (gemara). Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan): coisas (devarim) entre (shebein) Beit Shamai e Beit Hilel na refeição (bisudá). Beit Shamai dizem (omrim): abençoa-se (mevarech) sobre (al) o dia (hayom) e depois (veachar cach) abençoa-se (mevarech) sobre (al) o vinho (hayayin), pois (she) o dia (hayom) causa (gorem) que (la) o vinho (yayin) venha (sheyavo) — isto é, é a santidade do dia que motiva a necessidade de vinho para o kidush, e não o contrário, e já (uchvar) se santificou (kadash) o dia (hayom), e ainda (vaadayin) o vinho (yayin) não (lo) veio (ba) — isto é, a santidade do dia já está em vigor desde o entardecer, antes mesmo que o vinho fosse trazido à mesa; portanto a bênção do dia, cuja causa já existe, deve preceder a do vinho, que ainda está por vir.
Inicia-se a Guemará sobre a primeira disputa da Mishná. Beit Shamai fundamenta sua posição — abençoar primeiro o dia — no fato de que a santidade do dia já está em vigor antes da chegada do vinho à mesa, e é ela que motiva a necessidade deste.
E Beit Hilel dizem (omrim): abençoa-se (mevarech) sobre (al) o vinho (hayayin) e depois (veachar cach) abençoa-se (mevarech) sobre (al) o dia (hayom), pois (she) o vinho (hayayin) causa (gorem) que (la) a santificação (hakedushá) seja dita (sheteamer) — isto é, é o vinho que serve de veículo para que a santificação seja proclamada, pois não há kidush sem um copo de vinho. Outra explicação (davar acher): a bênção (birkat) do vinho (hayayin) é constante (tediera) — isto é, recitada com frequência, em qualquer dia do ano em que se bebe vinho, e a bênção (uvirkat) do dia (hayom) não (eina) é constante (tedirá) — isto é, só é recitada em Shabatot e Festas. O constante (tadir) e o que não (vesheeino) é constante (tadir) — o constante (tadir) precede (kodem) — isto é, um princípio geral de precedência: entre duas bênçãos, a mais frequente é recitada primeiro. E a lei (vehalachá) é conforme (kedivrei) as palavras de Beit Hilel.
Beit Hilel oferece duas razões para sua posição — que o vinho precede o dia: primeiro, que é o vinho que possibilita a proclamação da santificação; segundo, o princípio geral de que o mais constante precede o menos constante. A Guemará já adianta aqui que a lei segue Beit Hilel.
O que é (mai) "outra (davar) explicação (acher)"? — isto é, a Guemará questiona por que a razão de Beit Hilel foi apresentada em duas partes, já que a primeira já parecia suficiente. E se (vechi) dirás (teimá) que ali (hatam) são duas (tartei) razões — referindo-se a Beit Shamai, cuja razão poderia ser desdobrada em duas partes e aqui (vehacha) uma só (chadá) — e por isso Beit Hilel precisaria de uma segunda razão para equilibrar — aqui (hacha) também (nami) são duas (tartei) elas (ninhu) — isto é, a Guemará responde que, na realidade, mesmo a primeira razão de Beit Hilel já continha implicitamente duas partes: a bênção (birkat) do vinho (hayayin) é constante (tedirá) e a bênção (uvirkat) do dia (hayom) não (eina) é constante (tedirá), o constante (tadir) e o que não (vesheeino) é constante (tadir) — o constante (tadir) precede (kodem).
A Guemará examina por que Beit Hilel apresentou uma segunda razão, concluindo que mesmo essa segunda razão, sobre a frequência das bênçãos, já continha em si dois passos lógicos distintos — o fato e o princípio geral que dele se deriva.
E a lei (vehalachá) é conforme (kedivrei) as palavras de Beit Hilel. Isso é óbvio (peshita), pois (deha) saiu (nafká) uma voz (bat) celestial (kol)? — isto é, a Guemará questiona por que seria necessário reafirmar aqui que a lei segue Beit Hilel, já que é sabido, de outras fontes, que uma voz celestial (bat kol) já havia declarado que a lei sempre segue Beit Hilel nas disputas com Beit Shamai
A Guemará questiona a necessidade de reafirmar que a lei segue Beit Hilel, uma vez que já era sabido, de fontes anteriores, que uma voz celestial havia decidido genericamente a favor de Beit Hilel em suas disputas com Beit Shamai.
Se quiseres (ibaeit), dirás (eimá): antes (kodem) da voz (bat) celestial (kol) — isto é, esta decisão específica sobre a ordem entre a bênção do dia e a do vinho foi estabelecida como lei antes mesmo de a voz celestial ter proclamado, de modo geral, que a lei sempre segue Beit Hilel; por isso ainda era necessário mencioná-la aqui explicitamente. E se quiseres (veibaeit), dirás (eimá): depois (leachar) da voz (bat) celestial (kol) — isto é, a Guemará propõe uma segunda resposta possível, cuja continuação prossegue no início do próximo daf, explicando por que, mesmo depois da voz celestial já ter decidido genericamente a favor de Beit Hilel, ainda haveria razão para reafirmar a lei neste caso específico.
A Guemará propõe duas respostas possíveis à sua própria pergunta sobre a necessidade de reafirmar a lei aqui; a primeira já se completa — esta decisão precede a voz celestial geral —, e a segunda resposta fica em aberto, sua explicação prosseguindo no início do daf seguinte, 52a.
A disputa entre Beit Shamai e Beit Hilel sobre a ordem das bênçãos e os costumes da refeição — do kidush à havdalá — é tratada, em paralelo quase completo, no perek "Elu Devarim" do Talmud Yerushalmi de Berachot (8:1–8:5), já traduzido neste site.
Ver também no Talmud Yerushalmi →