O daf abre concluindo a explicação, iniciada ao final de 51b, de por que seria necessário reafirmar que a lei segue Beit Hilel mesmo depois de uma voz celestial já ter decidido genericamente a seu favor: a resposta é que essa decisão específica foi dada por Rabi Yehoshua, que sustenta que não se dá atenção a vozes celestiais em matéria de lei. Em seguida a Guemará examina uma baraita sobre quem entra em casa na saída de Shabat com um único copo — que ordena vinho, luz, especiarias e depois havdalá — tentando identificá-la com Beit Shamai ou Beit Hilel, e a associa, através de uma baraita paralela de Rabi Yehudá sobre luz e especiarias, à opinião de Beit Shamai; depois questiona se essa mesma atribuição não poderia ser de Beit Hilel segundo Rabi Meir, resolvendo pela redação da Mishná e da baraita. A seguir surge uma dificuldade permanecendo em aberto sobre por que Beit Shamai inverteria a ordem entre entrada e saída do dia, respondida com o princípio de que antecipar a entrada do dia é preferível, mas atrasar sua saída também é preferível. A Guemará então questiona se Beit Shamai realmente exige um copo para a Bênção Após as Refeições, trazendo a Mishná sobre o vinho que vem depois da refeição, com objeções sobre a necessidade de provar o vinho, a medida mínima do copo da bênção, e a redação "se não há ali senão aquele copo" — resolvidas uma a uma —, até que uma baraita de Rabi Chiya parece contradizer a Mishná, o que se resolve postulando dois tannaim distintos dentro da própria escola de Beit Shamai. O daf fecha abrindo a Guemará sobre a segunda disputa da Mishná — lavar as mãos antes ou depois de misturar o copo — com a baraita completa dos sábios que expõe o raciocínio de pureza ritual de cada escola: o receio de que os líquidos por trás do copo, ou os líquidos nas mãos, se tornem impuros e retransmitam impureza, com a explicação de que as mãos são "segundas" em impureza e não geram uma "terceira" em alimentos não sagrados a não ser por meio de líquidos, e o princípio de que um utensílio não transmite impureza a uma pessoa.
— concluindo a segunda resposta deixada em aberto ao final de 51b, sobre por que seria necessário reafirmar aqui que a lei segue Beit Hilel mesmo depois de uma voz celestial já ter decidido genericamente a seu favor — e é a opinião (hi) de Rabi Yehoshua, que disse (deamar): não (ein) se dá atenção (mashgichin) a uma voz (bat) celestial (kol) — isto é, mesmo que uma voz celestial já tivesse proclamado que a lei segue Beit Hilel, essa proclamação em si não teria valor decisório para Rabi Yehoshua, que sustenta o princípio geral de que a lei não se decide por vozes celestiais; por isso esta decisão específica, a favor de Beit Hilel quanto à ordem entre a bênção do dia e a do vinho, precisa de fundamentação própria, independente de qualquer voz celestial.
"E é Rabi Yehoshua" — trata-se do mesmo Rabi Yehoshua mencionado em Bava Metzia, no episódio do forno de Achnai, no capítulo (befirkin) "Hazahav" (Bava Metzia 59b), onde Rabi Yehoshua declara, diante de uma voz celestial que apoiava Rabi Eliezer, que "não está nos céus" — a lei não se decide por vozes celestiais, mas pela maioria dos sábios.
A Guemará remete à célebre posição de Rabi Yehoshua, conhecida do episódio do forno de Achnai em Bava Metzia 59b, de que a halachá não se decide por vozes celestiais — o que explica por que a decisão a favor de Beit Hilel, aqui, precisou de fundamentação argumentativa própria, e não bastou a proclamação da voz celestial.
E entendem (savrei) Beit Shamai que (de) a bênção (birkat) do dia (hayom) é preferível (adifá)? — isto é, a Guemará questiona a premissa de que Beit Shamai sempre prefira a bênção do dia à do vinho Mas não (veha) se ensinou (tanya): quem (hanichnas) entra em sua casa (leveito) na saída (bemotzaei) de Shabat (shabat), abençoa (mevarech) sobre (al) o vinho (hayayin), e sobre (veal) a luz (hamaor), e sobre (veal) as especiarias (habesamim), e depois (veachar cach) diz (omer) a havdalá (havdalá); e se (veim) não (ein) tem (lo) senão (ela) um copo (cos echad), o deixa (manicho) para depois (leachar) da refeição (hamazon) e encadeia (umeshalshelan) todas (kulan) depois dela (leacharav) — isto é, esta baraita, ao listar primeiro o vinho e só depois a havdalá, parece indicar que a bênção do vinho precede a do "dia" (a havdalá, que também santifica e distingue o dia), indo na direção de Beit Hilel, não de Beit Shamai.
"E encadeia (umeshalshelan)" — expressão (lashon) de corrente (shalshelet), isto é (kelomar), as ordena (sodran) depois (leachar) da refeição (hamazon).
A Guemará traz uma baraita sobre a ordem das bênçãos na saída de Shabat com um único copo, que à primeira vista parece contrariar a suposição de que Beit Shamai prefira sempre a bênção do dia — pois lista o vinho antes da havdalá.
Mas (veha), de onde (mimai) que (de) é (hi) de Beit Shamai? Talvez (dilma) seja (hi) de Beit Hilel?! — isto é, a Guemará interrompe a própria objeção anterior, questionando a suposição de que essa baraita represente necessariamente a posição de Beit Shamai; talvez ela reflita, na verdade, a posição de Beit Hilel, e nesse caso não haveria contradição alguma
A Guemará questiona sua própria premissa: antes de basear uma objeção nesta baraita, é preciso primeiro estabelecer que ela de fato representa a posição de Beit Shamai, e não a de Beit Hilel.
Não (la) te ocorra tal coisa (salka dateach), pois (de) se ensina (katanei) "luz (maor) e depois (veachar cach) especiarias (besamim)", e quem (maan) ouviste (shemaat leih) a ele que (de) tem (it leih) essa (hai) opinião (sevará) — Beit Shamai, pois (de) se ensinou (tanya): disse Rabi Yehudá: não (lo) discordaram (nechleku) Beit Shamai e Beit Hilel sobre (al) a refeição (hamazon), que (she) é no início (bitchilá), e sobre (veal) a havdalá (havdalá), que (shehi) é no fim (basof); sobre (al) o que (ma) discordaram (nechleku)? Sobre (al) a luz (hamaor) e sobre (veal) as especiarias (habesamim). Beit Shamai dizem (omrim): luz (maor) e depois (veachar cach) especiarias (besamim), e Beit Hilel dizem (omrim): especiarias (besamim) e depois (veachar cach) luz (maor) — isto é, esta baraita paralela de Rabi Yehudá confirma que a única disputa real está na ordem entre luz e especiarias, e que a opinião de "luz antes de especiarias" pertence especificamente a Beit Shamai; como a primeira baraita seguia essa mesma ordem, conclui-se que ela reflete, de fato, a posição de Beit Shamai.
A Guemará resolve a dúvida anterior: como a baraita de Rabi Yehudá atribui especificamente a Beit Shamai a ordem "luz e depois especiarias", e a primeira baraita seguia essa mesma sequência, confirma-se que ela representa a posição de Beit Shamai — mantendo, portanto, a objeção original de pé.
Mas de onde (umimai) que (de) é (hi) de Beit Shamai e conforme (vealibá de) Rabi Yehudá? Talvez (dilma) seja (hi) de Beit Hilel e conforme (vealibá de) Rabi Meir?! — isto é, a Guemará levanta uma nova dúvida: talvez a atribuição a Beit Shamai (em vez de Beit Hilel) na baraita de Rabi Yehudá dependa especificamente da opinião de Rabi Yehudá, e não seja unânime; talvez, segundo Rabi Meir, seja justamente Beit Hilel quem sustente a ordem "luz e depois especiarias", invertendo a conclusão anterior
Nova camada de dúvida: mesmo aceitando que a baraita de Rabi Yehudá atribui "luz antes de especiarias" a Beit Shamai, isso pode ser específico da leitura de Rabi Yehudá; talvez, segundo Rabi Meir, a mesma opinião seja atribuída a Beit Hilel.
Não (la) te ocorra tal coisa (salka dateach), pois (de) se ensina (katanei) aqui (hacha) na Mishná (bematnitin), Beit Shamai dizem (omrim): vela (ner) e refeição (umazon), especiarias (besamim) e havdalá (vehavdalá), e Beit Hilel dizem (omrim): vela (ner) e especiarias (uvesamim), refeição (mazon) e havdalá (vehavdalá), e ali (vehatam) na baraita (bevaraita) se ensina (katanei): se (im) não (ein) tem (lo) senão (ela) um copo (cos echad), o deixa (manicho) para depois (leachar) da refeição (hamazon), e encadeia (umeshalshelan) todas (kulan) depois dela (leacharav). Aprende-se disso (shema mina) que (de) é (hi) de Beit Shamai e conforme (vealibá de) Rabi Yehudá — isto é, a Mishná coloca a refeição antes das especiarias segundo Beit Shamai, enquanto a baraita, ao dizer "o deixa para depois da refeição, e encadeia todas depois dela", também posterga a refeição para o meio da sequência, coincidindo estruturalmente com a formulação de Rabi Yehudá em nome de Beit Shamai, e não com a de Rabi Meir.
"Não te ocorra tal coisa" — para estabelecer (leukmei) a baraita (beraita) como (ke) a Mishná (matnitin), pois (de) a Mishná (matnitin) ensina (katanei) a refeição (mazon) no meio (beemtza), e a baraita (uveraita) ensina (katanei) "encadeia todas depois dela (meshalshelan kulan leacharav)", como (ke) Rabi Yehudá, que (de) disse (amar) que (al) a refeição (hamazon) é (shebitchilá) desde o início — não disputada; e visto que (umideka) se ensina (tanei), segundo (le) Rabi Yehudá, "luz (maor) e depois (veachar cach) especiarias (besamim)" como (hi) de Beit Shamai.
A Guemará conclui, cotejando a estrutura da Mishná com a da baraita, que a atribuição a Beit Shamai é sólida e segue especificamente a formulação de Rabi Yehudá — não deixando margem para a leitura alternativa de Rabi Meir.
E de todo modo (umikol makom) é difícil (kashiá) — isto é, mesmo confirmada a atribuição a Beit Shamai, permanece a dificuldade original: por que Beit Shamai, que na Mishná das seis disputas prefere a bênção do dia (o kidush) antes da do vinho na entrada de Shabat, aqui na saída de Shabat parece preferir o vinho antes da havdalá, invertendo sua própria lógica. Entendem (ka savrei) Beit Shamai que (shaanei) a entrada (ayolei) do dia (yoma) é diferente (shaanei) da (me) saída (apukei) do dia (yoma): a entrada (ayolei) do dia (yoma), quanto mais (kamá de) a antecipamos (makdeminan leih), melhor (adif); a saída (apukei) do dia (yoma), quanto mais (kamá de) a atrasamos (meacharinan leih), melhor (adif), para que (ki heichi de) não (la) nos seja (lehevei alan) como um fardo (kemasoi) — isto é, ao entrar no Shabat, é preferível acolher sua santidade o quanto antes, e por isso a bênção do dia precede a do vinho; mas ao sair do Shabat, é preferível retardar ao máximo sua despedida, como quem relutantemente se separa de um convidado querido, e não como quem se apressa a descartar um fardo — daí a bênção da havdalá vir só depois do vinho e das demais bênçãos, ao final de tudo.
"E de todo modo é difícil" — pois (de) a bênção (birkat) do vinho (hayayin) precede (kadmá) a havdalá (lehavdalá). "Kidush (kidush)" é entrada (ayolei hu), e a havdalá (vehavdalá) é saída (apukei hi).
A Guemará resolve a dificuldade com um princípio explicativo elegante: Beit Shamai distingue entre a entrada do Shabat, que se deve antecipar, e sua saída, que se deve retardar como sinal de apego — o que justifica a diferença de ordem entre o kidush (entrada) e a havdalá (saída) em relação ao vinho.
E entendem (savrei) Beit Shamai que (birkat) a Bênção Após as Refeições (hamazon) precisa (teuná) de copo (cos)? — isto é, a Guemará passa a questionar a nova premissa de que Beit Shamai exija um copo de vinho para a Bênção Após as Refeições Mas não (veha) aprendemos (tenan): veio-lhes (ba lahem) vinho (yayin) depois (leachar) da refeição (hamazon), se (im) não (ein) há ali (sham) senão (ela) aquele (oto) copo (cos), Beit Shamai dizem (omrim): abençoa-se (mevarech) sobre (al) o vinho (hayayin) e depois (veachar cach) abençoa-se (mevarech) sobre (al) a refeição (hamazon), acaso não é (mai lav) que (de) abençoa (mevarech) sobre ele (ilaveih) e o bebe (veshatei leih)? — isto é, a leitura simples da Mishná sugere que se abençoa sobre o copo de vinho e se bebe dele antes da Bênção Após as Refeições — o que implicaria que essa bênção final não requer, ela própria, um copo separado Não (la), que (de) abençoa (mevarech) sobre ele (ilaveih) e o deixa (umanach leih) — isto é, a Guemará reinterpreta: na verdade, abençoa-se sobre o vinho mas não se bebe imediatamente, guardando-o para depois, de modo que o mesmo copo sirva também para a Bênção Após as Refeições, confirmando que ela, de fato, requer copo segundo Beit Shamai.
"A bênção precisa de copo" — a Bênção (birkat) Após as Refeições (hamazon), sobre a qual (deka) se ensina (tanei) "o deixa (manicho) para depois (leachar) da refeição (hamazon)". "Mas não aprendemos" — a Mishná (matnitin) deste perek (befirkin). "Veio-lhes" — em qualquer (kol) dia (yemot) do ano (hashaná) se fala (kaamar). "Depois da refeição" — e durante (uvetoch) a refeição (hamazon) não (lo) lhes veio (ba lahem), e quando (uchshegamru) terminaram (gamru) sua refeição (seudatam) lhes veio (ba lahem) antes (lifnei) da Bênção (birkat) Após as Refeições (hamazon). "Acaso não é que o bebe" — e assim (vehachi) diz (kaamar): Beit Shamai — se (im) quiser (ratzá), abençoa (mevarech) sobre (al) o vinho (hayayin) e o bebe (veshotehu), e não (veein) precisa (tzarich) deixá-lo (lehanicho) para a Bênção (livrachat) Após as Refeições (hamazon).
A Guemará questiona se Beit Shamai realmente exige copo para a Bênção Após as Refeições, propondo uma leitura alternativa da Mishná — que se bebe o vinho logo após abençoá-lo — e a rejeita, mantendo a leitura de que o copo é deixado para servir também à bênção final.
Mas não (veha) disse (amar) o mestre (mar) que quem abençoa (hamevarech) precisa (tzarich) que (she) prove (yitom)? — isto é, há uma regra estabelecida de que quem abençoa sobre o vinho deve provar dele antes; se o copo é deixado intocado para a Bênção Após as Refeições, como se cumpre essa exigência de prova? — Que (de) o prova (taeim leih) nele mesmo — isto é, prova uma pequena quantidade, sem beber o copo por inteiro, deixando o restante para depois. Mas não (veha) disse (amar) o mestre (mar) que seu provar (teamo) é seu defeito (pegamo)? — isto é, há outra regra de que provar o vinho da boca o torna "defeituoso" — impróprio para servir ao copo da bênção, que precisa estar intacto e completo — Que (de) o prova (taeim leih) com sua mão (bideih) — isto é, a Guemará resolve: a prova é feita derramando um pouco do vinho na própria mão e provando dali, sem tocar a boca diretamente no copo, preservando assim sua integridade para a bênção posterior.
"Seu provar é seu defeito" — para (le) a Bênção Após as Refeições (livrachat hamazon), e para (ule) o kidush (kidush), e para (ule) a havdalá (havdalá), no capítulo (beferek) "Arvei Pesachim" (Pessachim 105b).
Duas objeções sucessivas, ambas resolvidas: a exigência de provar o vinho é cumprida provando-o na própria mão, sem beber diretamente do copo — preservando-o intacto e não "defeituoso" para a bênção que se segue.
Mas não (veha) disse (amar) o mestre (mar) que o copo (cos) da bênção (shel berachá) precisa (tzarich) de medida (shiur), e ele (veha) o está diminuindo (ka pachet leih) de sua medida (mishiureih)? — isto é, se uma porção do vinho já foi retirada para a prova na mão, o copo restante ficaria abaixo da medida mínima exigida para o copo da bênção — Que (de) ele tinha (nefish leih) mais (tefei) que sua medida (mishiureih) — isto é, a Guemará responde que o copo continha, desde o início, uma quantidade maior que a medida mínima exigida, de modo que mesmo após retirar a porção para a prova, ainda resta o suficiente para cumprir a medida do copo da bênção.
Nova objeção resolvida: o copo tinha originalmente uma quantidade superior à medida mínima, absorvendo sem problema a pequena porção retirada para a prova.
Mas não (veha) se ensina (katanei) "se (im) não (ein) há ali (sham) senão (ela) aquele (oto) copo (cos)"?! — isto é, a própria redação da Mishná parece indicar que havia apenas um único copo de vinho disponível, sem excedente algum — Dois (terei) não (la) há (havei) — isto é, não havia dois copos separados, e de um (mechad) há mais (nefish) — isto é, mas nada impede que esse único copo contivesse mais vinho do que a medida mínima de um copo de bênção; a expressão "aquele copo" refere-se à unicidade do recipiente, não à exatidão da medida de seu conteúdo.
A Guemará distingue entre a quantidade de copos disponíveis (apenas um) e a quantidade de vinho contida nesse único copo (que podia exceder a medida mínima), dissolvendo a objeção.
Mas não (veha) ensinou (tanei) Rabi Chiya: Beit Shamai dizem (omrim): abençoa-se (mevarech) sobre (al) o vinho (hayayin) e o bebe (veshotehu), e depois (veachar cach) abençoa-se (mevarech) a Bênção (birkat) Após as Refeições (hamazon)!? — isto é, uma baraita transmitida por Rabi Chiya contradiz diretamente toda a resolução anterior, afirmando explicitamente que se bebe o vinho por inteiro antes da Bênção Após as Refeições, sem deixar copo algum reservado para ela Mas sim (ela), são dois (trei) tannaim (tanaei), e conforme (vealibá de) Beit Shamai — isto é, a Guemará conclui que há, na verdade, duas tradições tanaíticas divergentes dentro da própria escola de Beit Shamai: uma (a da Mishná) que sustenta que a Bênção Após as Refeições precisa de copo, e outra (a de Rabi Chiya) que sustenta que não precisa — ambas legitimamente atribuídas a Beit Shamai, sem que se possa harmonizá-las.
Assim (hachi) se lê (garsinan): "mas sim (ela), dois (trei) tannaim (tanaei) conforme (vealibá de) Beit Shamai" — o tanna (tana) da Mishná (dematnitin) e o tanna (vetana) de Rabi Chiya: o tanna (tana) de Rabi Chiya conforme (alibá de) Beit Shamai disse (amar) que a bênção (berachá) não (ein) precisa (teuná) de copo (cos), e o tanna (vetana) da Mishná (dematnitin) acima (dele'eil), de Rabi Yehudá, conforme (alibá de) Beit Shamai entende (savar) que a bênção (berachá) precisa (teuná) de copo (cos).
A Guemará resolve a contradição entre a Mishná e a baraita de Rabi Chiya postulando que ambas refletem tradições tanaíticas distintas dentro da própria escola de Beit Shamai, sem harmonização adicional possível.
Beit Shamai dizem (omrim) etc. — isto é, a Guemará retoma agora a segunda cláusula da Mishná, sobre lavar as mãos antes ou depois de misturar o copo de vinho, para desenvolver sua fundamentação através da baraita seguinte
Fórmula de transição: a Guemará cita o início da segunda disputa da Mishná para introduzir a baraita completa que a segue.
Ensinaram (tanu) os sábios (rabanan), Beit Shamai dizem (omrim): lava-se (notlin) as mãos (layadayim) e depois (veachar cach) mistura-se (mozgin) o copo (et hacos), pois (she) se (im) dirás (atá omer) mistura-se (mozgin) o copo (et hacos) primeiro (techilá), é decreto (gezerá) que talvez (shema) se tornem impuros (yitamu) os líquidos (mashkin) que (she) estão atrás (achorei) do copo (hacos) por causa (mechamat) de suas mãos (yadav), e voltem (veyachzeru) e tornem impuro (viyetamu) o copo (et hacos) — isto é, se as mãos ainda não lavadas tocam o copo ao misturá-lo, algum líquido residual na parte externa do copo pode se contaminar pelo contato com as mãos impuras, e esse líquido, por sua vez, poderia retransmitir a impureza ao próprio copo; por isso Beit Shamai prescreve lavar as mãos antes de tocar no copo para misturá-lo.
"Decreto que talvez se tornem impuros os líquidos" — que (shenaflu) caíram (naflu) na parte de trás (baachorei) do copo (hacos) por causa (mechamat) das mãos (yadayim), pois (de) se ensina (tenan) (Pará 8:7): todo (kol) o que (hapossel) desqualifica (hapossel) a teruma (hatrumá) torna impuro (metamei) os líquidos (mashkin) para serem (lihiyot) "primeiros (techilá)" em impureza, e voltem (veyachzeru) e tornem impuro (viyetamu) o copo (et hacos), e Beit Shamai entendem (savrei) que (assur) é proibido (assur) usar (lehishtamesh) um copo (bechos) cuja parte de trás (sheachorav) está impura (temeot), como adiante (kideleikaman).
Abre-se a fundamentação da Guemará sobre a segunda disputa: Beit Shamai teme que as mãos ainda não lavadas contaminem líquidos residuais na parte externa do copo, os quais, por sua vez, poderiam retransmitir a impureza ao próprio copo.
E que se tornem impuras (veliytamu) as mãos (yadayim) por causa (le) do copo (lechos)! — isto é, a Guemará questiona por que Beit Shamai se preocupa apenas com a possibilidade de as mãos contaminarem o copo (via os líquidos residuais), e não considera a possibilidade inversa: que o próprio copo, se impuro, contaminasse as mãos ao tocá-lo
"E que se tornem impuras as mãos por causa do copo" — para que (lama leih) precisou dizer (dekaamar) "líquidos (mashkin) que estão atrás (sheachorei) do copo (hacos)"? Mesmo sem (bela) líquidos (mashkin) também (nami) se tornariam impuras (mitamu) as mãos (yadayim) por causa (le) do copo (lechos) — isto é, Rashi explica que a pergunta da Guemará é: por que Beit Shamai construiu seu decreto especificamente em torno dos líquidos residuais, se, mesmo sem eles, bastaria o contato direto entre a mão e o copo para contaminar a mão?
A Guemará questiona a formulação do decreto de Beit Shamai: se o copo é impuro, por que a preocupação recai apenas sobre os líquidos residuais, e não sobre o contato direto entre mão e copo?
As mãos (yadayim) são segundas (shniyot) elas (hen) — isto é, por decreto rabínico, as mãos têm sempre o grau de impureza "segunda" (sheni), mesmo sem contato com nada impuro, e não (ein) uma segunda (sheni) faz (osse) uma terceira (shelishi) em não sagrado (bechulin) senão (ela) por meio (al yedei) de líquidos (mashkin) — isto é, segundo a lei da impureza ritual, um objeto de grau "segundo" não consegue, em alimentos comuns (não consagrados), transmitir impureza a um terceiro objeto, exceto através de líquidos, que têm uma sensibilidade especial à impureza; por isso, se a mão (segunda) tocasse diretamente o copo, o copo não se tornaria impuro — mas se houvesse líquido entre eles, esse líquido se tornaria "primeiro" e poderia, então, contaminar o copo.
"Senão por meio de líquidos" — pois (she) os líquidos (mashkin) se tornam (naasin) "primeiros (rishonim)" por decreto rabínico (miderabanan); e se (veim) dirás (tomar) que um utensílio (keli) não (eino) recebe (mekabel) impureza (tumá) senão (ela) de uma fonte (mei) primária de impureza (av hatumá), isso (hani milei) é (mideoraita) pela Torá (mideoraita), mas os sábios (vachachamim) decretaram (gazru) que (sheyehu) os líquidos (mashkin) "primeiros (rishonim)" tornam impuro (metamim) o utensílio (keli), decreto (gezerá) por causa (mishum) dos líquidos (mashkin) de um zav (zav) e uma zavá (zavá), que (shehen) são fontes primárias (avot) de impureza (hatumá), como (kegon) sua saliva (roko) e a água (umeimei) de seus pés (raglav) — eufemismo para urina.
Rashi explica a base legal da distinção: por lei da Torá, um utensílio só recebe impureza de uma fonte primária; mas os sábios decretaram, por precaução quanto aos fluidos de um zav ou zavá, que líquidos "primeiros" também transmitem impureza a utensílios — o que resolve por que a mão sozinha não contamina o copo, mas líquidos entre eles sim.
E Beit Hilel dizem (omrim): mistura-se (mozgin) o copo (et hacos) e depois (veachar cach) lava-se (notlin) as mãos (layadayim), pois (she) se (im) dirás (atá omer) lava-se (notlin) as mãos (layadayim) primeiro (techilá), é decreto (gezerá) que talvez (shema) se tornem impuros (yitamu) os líquidos (mashkin) que (she) estão nas mãos (bayadayim) por causa (mechamat) do copo (hacos), e voltem (veyachzeru) e tornem impuras (viyetamu) as mãos (et hayadayim) — isto é, Beit Hilel inverte o raciocínio de Beit Shamai: se as mãos já lavadas tocassem no copo antes de misturá-lo, algum resíduo de água ainda nas mãos poderia se contaminar pelo contato com o copo (cuja parte externa se presume impura), e esse líquido contaminado retransmitiria a impureza de volta às próprias mãos recém-lavadas.
"E Beit Hilel dizem etc." — na Tosefta assim (hachi) se lê (garsinan) a ela (lah): e Beit Hilel dizem (omrim): a parte de trás (achorei) do copo (hacos) sempre (leolam) é impura (temeim); outra explicação (davar acher): imediatamente (techaf) à lavagem das mãos (lenetilat yadayim), a refeição (seudá) — isto é, deve-se comer logo após lavar as mãos, sem demora; quanto ao (lemai) que temem (dechayishitu) — que não (shelo) tornem impuras (yitamu) as mãos (hayadayim) a parte de trás (et achorei) do copo (hacos) — não (lav) é receio (chashasha), pois (she) mesmo (afilu) de início (lechatchilá) é permitido (mutar) usar (lehishtamesh) um utensílio (bechli) cuja parte de trás (sheachorav) é impura (temeim) e cujo interior (vetocho) é puro (tahor), como (kegon) este (ze), que (shemitamei) sua parte de trás se torna impura (achorav) por causa (mechamat) de líquidos (mashkin), sobre o qual (deamrinan bei) dizemos nesta sugia (bishmateta) que seu interior (tocho) é puro (tahor); por isso (hilkach) misturam (mozgin) e bebem (veshotin) o copo (et hacos) primeiro (techilá), antes (kodem) da lavagem (netilá); pois (shesheim) se (im) dirás (atá omer) lava-se (notlin) as mãos (layadayim) primeiro (techilá), talvez (shema) sejam (yehu) a parte de trás (achorei) do copo (hacos) impuras (temeim), decreto (gezerá) que talvez (shema) não (lo) estejam (yehu) as mãos (hayadayim) bem (yafé) secas (negovot) da água (mimei) da lavagem (hanetilá), e se tornem impuros (veyitamu) os líquidos (hamashkin) que (sheb) estão nas mãos (yadayim) por causa (mechamat) do copo (cos), e eles (vehen) se tornam (naasin) "primeiros (techilá)", e voltem (veyachzeru) e tornem impuras (viyetamu) as mãos (et hayadayim), e se acabe (venimtza) comendo (ochel) com mãos (beyadayim) contaminadas (mesoavot).
Rashi, citando a Tosefta, explica a lógica de Beit Hilel: como se aceita que a parte externa de um copo possa estar impura sem prejudicar seu uso (pois o interior permanece puro), não há receio em misturar o copo antes de lavar as mãos; o verdadeiro receio de Beit Hilel é o inverso — que mãos ainda úmidas da lavagem se contaminem ao tocar o copo, contaminando-se de volta.
E que se torne impuro (veniytamei) o copo (cos) por causa (le) das mãos (yadayim)! — isto é, a Guemará pergunta, de modo simétrico à pergunta anterior sobre Beit Shamai: por que Beit Hilel não temeria também que o próprio copo, tocando as mãos, as tornasse impuras diretamente? — Não (ein) um utensílio (keli) torna impura (metamei) uma pessoa (adam) — isto é, a resposta é um princípio geral e assimétrico da lei de impureza: um utensílio (ainda que impuro) não tem o poder de transmitir impureza diretamente a uma pessoa (ou às suas mãos); apenas outra pessoa, um cadáver, ou certas fontes específicas de impureza podem fazê-lo — por isso essa preocupação simplesmente não existe do lado de Beit Hilel, ao contrário do lado oposto (mãos contaminando o copo), que é uma possibilidade real.
"E que se torne impuro o copo por causa das mãos" — para que (lama li) precisou dizer (dekaamar) "líquidos (mashkin) nas mãos (bayadayim)"? Mesmo (afilu) mãos (yadayim) secas (negovot) também (nami) tornaria impuro (yetamei) o copo (cos) as mãos (leyadayim) — isto é, se o contato direto bastasse, a formulação sobre líquidos seria desnecessária; e visto (vekeivan) que assim (dehachi) é (hu), ainda que (nehi nami), quanto ao copo (bechos) que vem antes (shelifnei) da refeição (hamazon), Beit Hilel faça (avid) a solução (takanta) de bebê-lo (deshotehu) antes (kodem) da lavagem (netilá), quanto aos copos (kosot) que vêm (habaim) durante (betoch) a refeição (hamazon), o que (ma) haverá (tehei) sobre eles (aleihen)? Acaso não (halo) tornam impuras (metamin) as mãos (et hayadayim)? "Não há utensílio que torne impura uma pessoa" — isto é (kelomar), um utensílio (keli) como este (kazé), que (shenitma) se tornou impuro (nitma) por uma descendência (bevlad) de impureza (hatumá), não (eino) torna impuras (metamei) as mãos (et hayadayim), pois (dekayeman) seguimos (kayeman) como (ke) os sábios (rabanan) que (depligi) discordam (alei) de Rabi Yehoshua no tratado (bemasechet) Yadayim (3:1), quanto a utensílios (bechelim) que se tornaram impuros (shenitmeu) por líquidos (bemashkin): e se diz (veomer) que aquele (et she) que se tornou impuro (nitma) por uma fonte primária (beav) de impureza (hatumá) torna impuras (metamei) as mãos (et hayadayim), e o que se tornou impuro (veshenitma) por uma descendência (bevlad) de impureza (hatumá) não (eino) torna impuras (metamei) as mãos (et hayadayim), pois (she) uma segunda (sheni) não faz (osse) uma segunda (sheni) — isto é, não gera outra impureza equivalente à sua.
A Guemará responde com um princípio assimétrico da lei de impureza: um utensílio não transmite impureza a uma pessoa (nem às suas mãos), o que explica por que Beit Hilel não temeria o copo contaminando as mãos, ainda que temesse o inverso.
E que se tornem impuros (veniytamei) os líquidos (lemashkin) que (sheb) estão dentro dele (betocho)! — isto é, a Guemará pergunta ainda: mesmo que o copo em si não transmita impureza às mãos, por que não se teme que o vinho dentro do copo se torne impuro pelo contato com as mãos ao segurá-lo, contaminando assim a bebida que será consumida? — Aqui (hacha) se trata (askinan) de um utensílio (bichli) cuja parte de trás (achorav) se tornou impura (shenitmeu) por líquidos (bemashkin), cujo interior (detocho) é puro (tahor) e cuja parte de trás (vegabo) é impura (tamei), como (di) se ensina (tenan): um utensílio (keli) cuja parte de trás (achorav) se tornou impura (shenitmeu) por líquidos (bemashkin), sua parte de trás (achorav) é impura (temeim) — isto é, a Guemará esclarece que a impureza discutida é especificamente a que afeta apenas a parte externa (as costas) do copo, e não seu interior; por isso o vinho contido dentro do copo permanece protegido e puro, mesmo que a parte externa esteja impura por causa das mãos.
"Um utensílio cuja parte de trás se tornou impura por líquidos" — fala-se (kaamar) de um utensílio (bichli) de metal (shetef) — sujeito a imersão, pois (dei) um utensílio (keli) de barro (cheres) não (ein) se torna impuro (metamin) por sua parte de trás (migaban), mesmo (afilu) por impureza (betumá) da Torá (mideoraita). "Cuja parte de trás se tornou impura por líquidos" — não (ein) há (lecha) líquido (mashke) que (sheeino) não seja "primeiro (rishon)" em impureza (letumá), pois (sheaf) mesmo se (im) tocou (naga) em uma segunda (besheni), os sábios (chachamim) o fizeram (assauhu) "primeiro (techilá)". "Sua parte de trás é impura" — ainda que (af al pi) pessoas (adam) e utensílios (vechelim) não (ein) recebam (mekablin) impureza (tumá) pela Torá (min hatorá) senão (ela) de uma fonte primária (mei av) de impureza (hatumá), decretaram (gazru) os sábios (chachamim) que (sheyehu) líquidos (mashkin) tornam impuros (metamin) utensílios (chelim), pois (mipnei) encontramos (shematzinu) um líquido (mashke) que (shehu) é fonte primária (av) de impureza (hatumá) para tornar impuros (letamei) pessoas (adam) e utensílios (vechelim) pela Torá (min hatorá), como (kegon) o fluxo (zovo) de um zav (zav), e sua saliva (veroko), e a água (umeimei) de seus pés (raglav), decretaram (gazru) sobre todos (al kol) os líquidos (hamashkin) impuros (temeim) que (sheyetamu) tornem impuros (chelim) utensílios (chelim).
A Guemará conclui esta primeira parte da sugia sobre pureza ritual esclarecendo que a impureza em questão afeta apenas a parte externa do utensílio, deixando seu conteúdo interno protegido — com Rashi detalhando toda a base do decreto rabínico sobre líquidos como fonte de impureza para utensílios, remontando aos fluidos do zav e da zavá.