O daf abre concluindo o cálculo dos anos de Sodoma: contando os catorze anos de guerra contra Kedorlaomer mencionados no versículo, chega-se a vinte e seis anos de tranquilidade que a cidade desfrutou antes de ser destruída. Segue-se uma longa série de ensinamentos independentes, todos transmitidos por Rava bar Machseya em nome de Rav Chama bar Guria em nome de Rav: que nenhuma cidade deve ter telhados mais altos que sua sinagoga — com Rav Ashi relatando seu próprio cuidado em Mata Mechassya, e a Guemará discutindo por que essa cidade ainda assim foi destruída; que é preferível viver sob domínio ismaelita a viver sob idólatra, sob idólatra a viver sob um chaver (fariseu rigoroso em pureza), sob chaver a viver sob um talmid chacham, e sob talmid chacham a viver sob órfão e viúva; que é preferível qualquer doença menos a do intestino, qualquer dor menos a do coração, qualquer mal-estar menos o de cabeça, e qualquer mal menos uma esposa má; que nem todos os mares como tinta, os juncos como penas, os céus como pergaminho e toda a humanidade como escribas bastariam para registrar a profundidade do coração dos governantes. Segue-se o ensinamento de que o jejum contra um sonho mau é tão eficaz quanto fogo em estopa, e deve ser feito no mesmo dia, mesmo que seja Shabat — ilustrado pelo episódio de Rav Yehoshua bar Rav Idi, que recusou comer vitela na casa de Rav Ashi por estar jejuando devido a um sonho. A Guemará então discute se, tendo já começado a estudar Torá, a pessoa interrompe para recitar o Shemá (mas não para a tefilá), trazendo a baraita sobre os sábios que, ocupados com a intercalação do ano em Yavne, não interrompiam nem para Shemá nem para tefilá. O daf fecha com a nova Mishná, ainda dentro do Perek Alef, de Shabat: o alfaiate não deve sair com sua agulha perto do anoitecer de sexta-feira, nem o escriba com sua pena, por receio de esquecer e sair já em Shabat; não se deve catar piolhos das roupas nem ler à luz da vela; o chazan pode verificar onde as crianças estão lendo, mas ele mesmo não deve ler; e, por analogia, o zav não deve comer junto com a zavá, por causa do hábito que leva à transgressão — seguida pelo início da Guemará, que traz a baraita relacionada sobre não ficar parado num domínio bebendo de outro.
Vinte e seis (anos foi a tranquilidade de Sodoma antes de sua destruição), pois está escrito: "doze anos serviram a Kedorlaomer, e treze anos se rebelaram; e no décimo quarto ano", etc. (Bereshit 14:4-5).
O daf conclui o cálculo iniciado no fim de 10b, sobre a idade de Tzoar em comparação com Sodoma, chegando agora ao número de anos de tranquilidade que Sodoma desfrutou antes de sua destruição. A partir do versículo que narra a submissão das cidades da planície a Kedorlaomer por doze anos, seguida de treze anos de rebelião, e um décimo quarto ano em que Kedorlaomer e os reis aliados vieram guerrear contra elas, a Guemará calcula: doze anos de servidão mais treze de rebelião somam vinte e cinco anos, e no vigésimo sexto ano ocorreu a guerra em que Kedorlaomer foi derrotado (com a ajuda de Avraham, que resgatou Lot). Rashi explica que os vinte e cinco anos anteriores não são considerados de tranquilidade — servidão e rebelião envolveram sofrimento e conflito —, mas os vinte e seis anos restantes, contados a partir da derrota de Kedorlaomer até a destruição de Sodoma, é que constituem o período de paz e prosperidade que a cidade desfrutou, e que a tornou tão arrogante a ponto de merecer sua destruição.
"Vinte e seis, pois está escrito: doze anos serviram a Kedorlaomer" — isso não é tranquilidade; "e treze se rebelaram" — isso também não é paz, pois houve guerras entre eles; eis vinte e cinco anos. E no vigésimo sexto ano foi morto Kedorlaomer, e (Sodoma) esteve em tranquilidade pelos vinte e seis restantes, dos cinquenta e dois (anos totais de sua existência).
E disse Rava bar Machseya, (que) disse Rav Chama bar Guria, (que) disse Rav: toda cidade cujos telhados são mais altos que (o telhado) da sinagoga acaba destruída, pois se diz: "para exaltar a casa de nosso D-us, e erguer suas ruínas" (Ezra 9:9). E isso se aplica às casas, mas quanto a torres e mirantes (que se sobressaem sem serem moradia), não há problema. Disse Rav Ashi: eu fiz com que Mata Mechassya não fosse destruída (por esse motivo, cuidando para que nenhuma casa ultrapassasse a sinagoga em altura). (Objeção:) mas ela foi destruída! (Resposta:) por causa desse pecado (especificamente), ela não foi destruída.
Inicia-se aqui uma longa cadeia de ensinamentos independentes, todos transmitidos por Rava bar Machseya na mesma linha de tradição (Rav Chama bar Guria, em nome de Rav) — o mesmo formato já visto em 10b. O primeiro ensinamento adverte que uma cidade cujas casas particulares se erguem mais alto que sua sinagoga está destinada, eventualmente, à destruição, pois isso inverte a ordem de prioridades: a casa de D-us deveria ser o edifício mais elevado e proeminente da cidade, símbolo de que o serviço divino ocupa o lugar mais alto na vida comunitária. A ressalva esclarece que a proibição vale apenas para residências comuns, não para estruturas como torres de vigia e fortificações, que servem a propósitos distintos e não competem simbolicamente com a sinagoga. Rav Ashi, que liderava a academia de Mata Mechassya, testemunha que cuidou pessoalmente para que nenhuma casa da cidade ultrapassasse a altura da sinagoga. A Guemará então observa (numa nota editorial posterior, pois Mata Mechassya de fato veio a ser destruída em outra época) que sua eventual destruição não se deveu a esse pecado específico, já que Rav Ashi havia zelado por evitá-lo.
"Para exaltar a casa de nosso D-us" — e por meio disso merecemos que nos fosse dado um resguardo em Yehudá.
"Torres e mirantes" — fortalezas e torres (de vigia, que não são moradia comum).
Rav Ashi era chefe da academia em Mata Mechassya, e os impedia de erguer suas casas mais altas que a sinagoga.
E disse Rava bar Machseya, (que) disse Rav Chama bar Guria, (que) disse Rav: (é preferível viver) sob (o domínio de) um ismaelita, e não sob um idólatra (gentio comum). Sob um idólatra, e não sob um chaver (companheiro, fariseu meticuloso em leis de pureza e dízimos). Sob um chaver, e não sob um talmid chacham. Sob um talmid chacham, e não sob um órfão e uma viúva.
Este ensinamento estabelece uma escala de preferência sobre sob a autoridade ou dependência de quem é melhor viver — indo, paradoxalmente, do que parece mais distante ao que parece mais próximo e virtuoso, mas que na prática implica maior risco. É preferível servir a um ismaelita a servir a um idólatra comum, pois o primeiro tende a ser menos hostil; é preferível servir a um idólatra a depender de um chaver, pois este último, sendo escrupuloso, pode ser mais severo em cobrar; é preferível depender de um chaver a depender de um talmid chacham, pois este, por seu prestígio, pode se sentir mais ofendido e reagir com mais rigor caso seja contrariado; e é preferível depender de um talmid chacham a depender de um órfão e de uma viúva, pois suas dívidas com D-us são cobradas com maior rigor — como Rashi explica em 10b, "pois sua lágrima é frequente" —, de modo que quem lhes causa dano ou prejuízo é punido com mais severidade do que quem prejudica qualquer outra pessoa.
E disse Rava bar Machseya, (que) disse Rav Chama bar Guria, (que) disse Rav: (é preferível sofrer) qualquer doença, e não uma doença do intestino. Qualquer dor, e não uma dor do coração. Qualquer mal-estar, e não um mal-estar de cabeça. Qualquer mal, e não uma mulher má.
Continuando a série, este ensinamento classifica sofrimentos por severidade, distinguindo entre um tipo comum (doença, dor, mal-estar, mal) e sua forma mais temida. Rashi explica que a doença do intestino é a mais grave porque consome e debilita o corpo lenta e progressivamente, ao contrário de outras doenças que vêm e passam; a dor de coração e o mal-estar de cabeça são os piores dentre suas respectivas categorias porque atingem órgãos centrais e vitais; e "mulher má" encerra a lista como o pior de todos os males, por afetar continuamente a paz doméstica e o bem-estar de quem convive com ela.
"Sob um ismaelita" — para servi-lo.
"E não sob um idólatra" — os edomitas, que eram mais perversos.
"Chaver" — (aqui, no sentido de) uma nação dentre os persas.
"Talmid chacham" — se o irritar, ele o castigará; e o mesmo (vale, com maior razão, para) órfão e viúva, porque sua lágrima é frequente.
"Doença" (do intestino) — é uma doença longa que vai definhando e enfraquecendo as forças, como a febre e a doença de cabeça.
"Dor" — é a que vem e vai, como dor de dente, dor de ferida.
"Mal-estar" — mera indisposição passageira e leve.
E disse Rava bar Machseya, (que) disse Rav Chama bar Guria, (que) disse Rav: se todos os mares fossem tinta, e os pântanos (seus juncos, transformados em) penas, e os céus pergaminhos, e todos os filhos do homem escribas — não bastariam para escrever a profundidade do (coração do) governo (o alcance dos assuntos de Estado que ocupam o coração de um governante). Qual é o versículo? Disse Rav Mesharshiya: "os céus para a altura, e a terra para a profundidade, e o coração dos reis não tem (como ser) sondado" (Mishlei 25:3).
Este ensinamento hiperbólico ilustra a imensidão dos cuidados e preocupações que ocupam o coração de quem governa — impostos a arrecadar, guerras a travar, julgamentos a proferir, tudo simultaneamente e em um único dia, como explica Rashi. Nem toda a tinta dos mares, nem todas as penas feitas dos juncos dos pântanos, nem todo o pergaminho que os céus poderiam fornecer, nem toda a humanidade recrutada como escribas seriam suficientes para registrar por escrito a extensão dessas preocupações. Rav Mesharshiya ancora o ensinamento no versículo de Mishlei que compara a insondabilidade do coração dos reis à altura inatingível dos céus e à profundidade insondável da terra.
"A profundidade do governo" — a profundeza de seu coração, que precisa se voltar para tantas províncias, para o imposto fixado, para tantas guerras, para tantos julgamentos, e tudo isso em um único dia.
E disse Rava bar Machseya, (que) disse Rav Chama bar Guria, (que) disse Rav: é bom o jejum contra um sonho (mau), como o fogo é para a estopa (consumindo-a por completo, assim o jejum anula o mau presságio do sonho). Disse Rav Chisda: e (deve ser feito) no mesmo dia (do sonho). E disse Rav Yosef: mesmo em Shabat.
Fecha-se a série de ensinamentos de Rava bar Machseya com este, sobre a eficácia do jejum como remédio contra o mau presságio de um sonho perturbador: assim como o fogo consome rapidamente e por completo uma mecha de estopa, o jejum tem o poder de anular ou mitigar o mal que um sonho ruim poderia augurar. Rav Chisda acrescenta que esse jejum, para ser eficaz, deve ser realizado no mesmo dia em que se teve o sonho, sem demora. Rav Yosef vai além, ensinando que esse jejum específico (chamado de "taanit chalom", jejum por sonho) é permitido mesmo em Shabat, apesar do jejum comum ser proibido nesse dia — pois a angústia do sonho mau justifica a exceção, e o próprio jejum, paradoxalmente, contribui para a tranquilidade e o prazer espiritual do Shabat ao dissipar a preocupação.
Rav Yehoshua, filho de Rav Idi, chegou (de visita) à casa de Rav Ashi. Fizeram para ele (um prato de) vitela de terceira (cria). Disseram-lhe: prove o senhor um pouco (desta comida). Disse-lhes: estou sentado em jejum. Disseram-lhe: e o senhor não considera aquilo (o ensinamento) de Rav Yehuda? Pois disse Rav Yehuda: a pessoa pode tomar emprestado seu jejum (adiá-lo) e pagá-lo (depois)! Disse-lhes: é jejum por sonho. E disse Rava bar Machseya, (que) disse Rav Chama bar Guria, (que) disse Rav: é bom o jejum contra um sonho, como o fogo é para a estopa. E disse Rav Chisda: e no mesmo dia. E disse Rav Yosef: mesmo em Shabat.
A Guemará narra um episódio que ilustra na prática o ensinamento recém-citado. Rav Yehoshua bar Rav Idi visitou a casa de Rav Ashi, onde lhe prepararam um prato especial de vitela de terceira cria (considerada a mais saborosa, por a rês já ter atingido maior maturidade sem perder a maciez). Convidado a experimentar, ele recusou, explicando que estava em jejum. Os anfitriões objetaram, lembrando-lhe do princípio de Rav Yehuda de que jejuns votivos podem ser adiados para depois — sugerindo que ele poderia comer naquele momento e jejuar em outro dia. Rav Yehoshua esclareceu que seu jejum era especificamente um jejum contra um sonho mau, que — como a Guemará repete, citando novamente o ensinamento de Rav (por Rava bar Machseya) e as adições de Rav Chisda e Rav Yosef — precisa ser feito exatamente no mesmo dia do sonho para ser eficaz, e por isso não podia ser adiado como um jejum comum, mesmo que fosse Shabat.
"Vitela de terceira" — terceira (cria) do ventre, que é mais apreciada, porque o animal em sua juventude ainda não está em sua força plena, e a primeira e a segunda cria não são (tão) saudáveis.
(Ensina-se:) e se já começaram (a lavoura, por exemplo), não interrompem (para a tefilá do Minchá); (mas) interrompem para a leitura do Shemá. Mas não se ensinou na primeira parte (da mesma fonte) que não interrompem? (Resposta:) a última parte se refere às palavras de Torá (ao estudo, não à lavoura). Pois se ensinou: os chaverim (companheiros) que estavam ocupados com Torá interrompem para a leitura do Shemá, mas não interrompem para a tefilá. Disse Rabi Yochanan: isso só foi ensinado quanto a (sábios) como Rabi Shimon ben Yochai e seus companheiros, cuja (ocupação com a) Torá era sua profissão (exclusiva); mas quanto a (pessoas) como nós, interrompemos tanto para a leitura do Shemá quanto para a tefilá.
A Guemará retoma, por associação de temas ligados à interrupção de atividades, uma discussão sobre quando se deve parar o que se está fazendo para rezar. Uma fonte ensina que, tendo já começado certa atividade, não se interrompe para a tefilá, mas se interrompe para a leitura do Shemá — o que parece contradizer uma parte anterior da mesma fonte, que dizia simplesmente que "não se interrompe". A Guemará resolve identificando que a parte final trata especificamente de pessoas ocupadas com o estudo de Torá (não com trabalho comum): uma baraita ensina que estudiosos ocupados com Torá interrompem seu estudo para recitar o Shemá (cuja obrigação bíblica de "ao deitar e ao levantar" é mais premente), mas não interrompem para a tefilá (de origem rabínica). Rabi Yochanan qualifica esse ensinamento: ele vale apenas para sábios extraordinários como Rabi Shimon ben Yochai, cuja vida era inteiramente devotada ao estudo da Torá como ocupação exclusiva; para pessoas comuns, como a maioria dos sábios da época de Rabi Yochanan, deve-se interromper o estudo tanto para o Shemá quanto para a tefilá.
"Mas não se ensinou na primeira parte que, se já começaram, não interrompem?" — e estamos tratando da tefilá; então por que precisaria repetir e ensinar de novo que não se interrompe para a tefilá?
"Chegamos às palavras de Torá" — e (a fonte) trata de um assunto diferente (do primeiro).
"Os chaverim ocupados com Torá interrompem" — (interrompem) seu estudo de Torá para a leitura do Shemá, pois seu tempo é de origem bíblica, (conforme) "ao te deitares e ao te levantares", mas não interrompem para a tefilá.
"Mas nós" — já que interrompemos nosso estudo de Torá por nossa profissão (comum, de trabalho), com muito mais razão interromperíamos para a tefilá.
Mas não se ensinou (em outra baraita): assim como não interrompem para a tefilá, tampouco interrompem para a leitura do Shemá?! (Resposta:) quando se ensinou aquilo, foi a respeito da intercalação do ano (cálculo do calendário, tarefa de importância excepcional). Pois disse Rav Adda bar Ahava, e assim ensinaram os anciãos de Hagronya (em nome de) Rabi Elazar bar Tzadok: quando estávamos ocupados com a intercalação do ano em Yavne, não interrompíamos nem para a leitura do Shemá nem para a tefilá.
A Guemará traz uma segunda baraita que parece contradizer a primeira: esta afirma que, assim como não se interrompe para a tefilá, também não se interrompe para o Shemá — mesmo para estudiosos de Torá. A resolução é que essa segunda baraita trata de um caso especialmente urgente e excepcional: a intercalação do ano, isto é, a decisão do tribunal sobre acrescentar um mês extra ao calendário lunar para alinhá-lo às estações solares, tarefa que exigia concentração contínua e não podia ser interrompida sem risco de erro ou atraso, dado o prazo apertado em que a decisão precisava ser tomada e comunicada. Rav Adda bar Ahava traz o testemunho direto de Rabi Elazar bar Tzadok, transmitido pelos sábios de Hagronya, de que quando ele próprio participava dessas deliberações em Yavne, nem ele nem seus colegas interrompiam o trabalho nem para o Shemá nem para a tefilá — uma exceção justificada pela gravidade e urgência da tarefa.
"A intercalação do ano" — pois subiam sete (sábios) ao andar superior (da câmara de deliberação), e discutiam e debatiam se o ano era apropriado e precisava ser intercalado, conforme se diz em Sanhedrin (11b), a respeito do amadurecimento dos cereais, dos frutos das árvores, e da estação (do ano solar).
Não deve sair o alfaiate com sua agulha (presa à roupa) perto do anoitecer (de sexta-feira), para que não se esqueça e saia (já em Shabat, transgredindo a proibição de carregar de um domínio a outro). Nem o escriba com sua pena (de escrever). E não se deve catar os piolhos das roupas, nem ler à luz da vela. Em verdade disseram: o chazan (oficiante) pode ver onde as crianças estão lendo (na Torá, para saber por onde continuar no dia seguinte), mas ele mesmo não deve ler. Semelhante a isso: não deve o zav (homem com fluxo impuro) comer junto com a zavá (mulher com fluxo impuro), por causa do hábito que leva à transgressão.
O daf fecha com uma nova Mishná, ainda dentro do Perek Alef, que trata de precauções tomadas perto do anoitecer da sexta-feira e de situações que, por hábito ou proximidade, poderiam levar à transgressão do Shabat ou de outras leis. O alfaiate não deve sair de casa com sua agulha presa à roupa perto do pôr do sol de sexta-feira, por medo de que, esquecendo-se da chegada do Shabat, continue a carregá-la e acabe transportando um objeto de um domínio a outro em Shabat; o mesmo se aplica ao escriba e sua pena. Não se deve catar os piolhos das roupas à luz do dia que antecede o Shabat perto do anoitecer, nem ler à luz de uma vela de azeite, por receio de que, ao ajustar a chama para melhor iluminação, se acabe acendendo o fogo em Shabat. Quanto ao chazan (oficiante da sinagoga, responsável por indicar aos alunos onde continuar a leitura semanal), ele pode verificar visualmente onde as crianças estão lendo à luz da vela, mas não deve ele mesmo ler ali, pela mesma preocupação. E, por analogia a este princípio de evitar situações que geram hábito e podem levar à transgressão, a Mishná acrescenta que o zav não deve comer junto à mesma mesa que a zavá, por medo de que a proximidade e o convívio constante gerem intimidade que leve a uma transgressão mais grave.
Mishná: "para que não se esqueça e saia" — depois de escurecer.
"Nem catar os piolhos das roupas" — remover piolhos das vestes, pois traduzimos (o versículo) "consumi (biarti)" (por) "cateei (pilit)" (Devarim 26:13); e adiante (Shabat 12a) se explica a razão.
"Nem ler à luz da vela" — num livro, para que não incline a vela a fim de trazer o azeite até o pavio, para que arda melhor, e acabe acendendo fogo em Shabat.
"O chazan" — o oficiante da sinagoga que instrui os sete que leem na Torá, e às vezes não sabe onde devem ler no dia seguinte, e vê onde as crianças da escola estão lendo neste Shabat, e elas leem na ordem à luz da vela na sinagoga, e assim ele sabe qual é a porção deste Shabat. Outra explicação: o chazan ensina as crianças, e vê onde começarão no dia seguinte e onde terminarão suas porções.
"Semelhante a isso" — (a Mishná) falou (deste caso) para fazer um afastamento da transgressão.
"Não deve o zav comer com a zavá" — e com muito mais razão (não deve) um puro comer com a zavá.
"Por causa do hábito que leva à transgressão" — porque, por ficarem a sós juntos, ele acabará tendo relações com a zavá, o que acarreta karet (extirpação).
Guemará: aprendemos ali (numa Mishná, em outro contexto): não deve a pessoa ficar parada no domínio privado e beber (estando com a cabeça ou a boca) no domínio público, nem (ficar) no domínio público e beber no domínio privado. Mas se introduziu sua cabeça e a maior parte de seu corpo no lugar onde bebe, é permitido.
A Guemará retoma, ainda no Perek Alef e por associação temática com a proibição de carregar objetos entre domínios (implícita no caso do alfaiate e do escriba na Mishná), uma baraita já conhecida de outro contexto (tratada com mais detalhe em Eruvin), sobre a proibição de a pessoa permanecer fisicamente em um domínio enquanto bebe algo situado no outro — por exemplo, ficar de pé dentro de casa (domínio privado) enquanto bebe água de um jarro situado na rua (domínio público), ou vice-versa. A preocupação é que, ao fazer isso, a pessoa poderia inadvertidamente carregar o líquido ou o recipiente de um domínio a outro, transgredindo a proibição de transporte em Shabat. A ressalva final esclarece que, se a pessoa introduzir a cabeça e a maior parte do corpo no domínio onde de fato está bebendo, a ação é permitida, pois nesse caso ela é considerada como estando, para efeitos práticos, naquele domínio.
"Não deve a pessoa ficar parada" — no domínio privado, e estender sua boca e sua cabeça ao domínio público para segurar um utensílio e beber; (isso é proibido por) decreto, para que não traga o utensílio para si (por completo, transportando-o entre domínios), e acabe sendo culpado de uma oferenda de pecado.