O daf continua diretamente a baraita citada no fim de 11a, sobre não permanecer fisicamente num domínio enquanto se bebe algo situado em outro, trazendo seu acréscimo: "e assim no lagar". Surge a dúvida se essa expressão trata da carmelit (o domínio intermediário), e Abaie tenta prová-lo a partir da própria estrutura da baraita — mas Rava e Rav Sheshet resolvem que, na realidade, "e assim no lagar" se refere a uma lei completamente distinta, a do dízimo sobre o vinho bebido junto ao lagar, trazendo a Mishná correspondente com a disputa entre Rabi Meir, Rabi Elazar bar Tzadok e os Sábios. A Guemará então retorna à Mishná que abriu o perek, questionando se o alfaiate ali mencionado tem a agulha presa em sua roupa ou apenas segura na mão, e traz e resolve uma série de baraitot aparentemente contraditórias sobre o tema, chegando à opinião de Rabi Yehuda de que um artesão que carrega sua ferramenta da maneira costumeira de seu ofício é responsável. Segue-se a baraita completa listando profissionais — o marceneiro com a lasca de madeira na orelha, o cardador com o cordão, o tecelão com o chumaço de lã, o tintureiro com sua amostra de cor, o trocador com sua moeda — e a disputa entre Rabi Meir e Rabi Yehuda sobre a responsabilidade de cada um. O daf então examina uma contradição sobre o zav que sai com sua bolsa de recolher o fluxo, resolvida primeiro por Rav Yosef como reflexo da disputa entre Rabi Meir e Rabi Yehuda, depois desafiada por Abaie a partir do caso do leigo que esculpe uma medida numa tora, e finalmente resolvida por Rav Hamnuna com a distinção entre o zav que teve apenas duas visões de fluxo (que ainda precisa da bolsa para se verificar) e o que já teve três (que a usa para a contagem de dias puros). O daf fecha investigando por que a bolsa seria necessária no mesmo dia em que o zav já teve sua terceira visão, com a resposta de Rabi Zeira de que ela ainda serve para não sujar as roupas — comparando o caso à Mishná da tigela virada na parede para aparar a chuva, no meio da qual o daf termina, a discussão prosseguindo em 12a.
"E assim no lagar" (a baraita citada no fim do daf anterior acrescenta este caso). Levantou-se a dúvida entre eles: e quanto à carmelit (o domínio intermediário) — (essa mesma proibição de ficar parado num domínio e beber no outro se aplica também quando um dos dois é carmelit)? Disse Abaie: ela é a mesma (a proibição vale igualmente para a carmelit). Rava disse: ela mesma (a proibição de ficar parado entre domínio privado e público) já é um decreto (rabínico), e nós vamos nos levantar e decretar um decreto sobre um decreto (estendendo-o também à carmelit, que é apenas de origem rabínica)?
O daf abre continuando diretamente a baraita citada no fim de 11a, que agora traz seu acréscimo: "e assim no lagar" — isto é, a mesma proibição de permanecer fisicamente em um domínio enquanto se bebe de outro se aplica também no contexto do lagar de uvas. Antes de explicar a que exatamente essa frase se refere, a Guemará levanta uma dúvida lateral: será que a proibição original — não ficar no domínio privado bebendo do público, nem vice-versa — se aplica igualmente quando um dos dois lugares envolvidos é uma carmelit (o domínio intermediário, como um campo aberto ou uma rua estreita, que não se enquadra plenamente nem como domínio privado nem como público)? Abaie sustenta que sim, a proibição vale igualmente. Rava discorda, argumentando que a proibição original já constitui, em si, um decreto rabínico (destinado a evitar que a pessoa acabe transportando o recipiente inteiro de um domínio a outro), e seria desproporcional impor um segundo decreto sobre o primeiro, estendendo essa cautela também à carmelit, cujo próprio estatuto de proibição de transporte já é, ele mesmo, apenas de origem rabínica.
"E assim no lagar" — mais adiante (a Guemará) a explica.
"Carmelit" — como um campo aberto, cuja proibição de introduzir e retirar (objetos) é apenas de origem rabínica.
"O que é (a lei)" — (quando alguém) fica de pé no domínio privado ou no domínio público, e estende sua cabeça, de propósito, para dentro (da carmelit), e bebe.
"Ela é a mesma" — assim como proibimos esta (situação) em nossa Mishná, também esta é proibida.
"Ela mesma" — mesmo que (alguém) retire o utensílio de dentro dela (a carmelit) para o domínio privado, ou de dentro dela para o domínio público, é apenas (uma proibição) de origem rabínica.
"E nós vamos nos levantar e decretar" — (proibir) a extensão de sua cabeça por causa da retirada do utensílio (quando ambas as proibições já seriam apenas rabínicas).
Disse Abaie: de onde eu digo isso (minha posição)? Pois se ensina: "e assim no lagar". O que é (esse) lagar? Se (fosse considerado) domínio privado — já o aprendemos (no caso original da baraita)! Se (fosse considerado) domínio público — já o aprendemos! Mas então, não é (necessariamente) uma carmelit (e por isso a baraita precisou mencioná-lo à parte)?
Abaie traz uma prova textual para sua posição a partir da própria formulação da baraita. Se o lagar mencionado fosse simplesmente equivalente a um domínio privado comum, a baraita não precisaria mencioná-lo separadamente, pois o caso já estaria coberto pela regra geral já ensinada sobre domínio privado; o mesmo se aplica se fosse equivalente a domínio público. Como a baraita sentiu necessidade de acrescentar o caso do lagar como um caso à parte, isso sugere que o lagar tem um estatuto intermediário — o de carmelit — e que a baraita quis deixar explícito que a mesma proibição de permanecer num domínio e beber de outro também se estende a esse caso intermediário, confirmando a posição de Abaie de que a proibição original se aplica igualmente à carmelit.
Rava disse: "e assim no lagar" — (trata-se, na verdade,) a respeito do dízimo. E assim disse Rav Sheshet: "e assim no lagar" — a respeito do dízimo. Pois aprendemos (na Mishná de Maasrot): bebem (vinho) sobre o lagar (isto é, junto a ele, sem separá-lo formalmente ainda), seja com (bebida) quente, seja com (bebida) fria, e (está) isento (da obrigação de separar o dízimo antes de beber) — palavras de Rabi Meir. Rabi Elazar, filho de Rabi Tzadok, obriga (a separação do dízimo mesmo nesse caso). E os Sábios dizem: com (bebida) quente, é obrigado; com (bebida) fria, é isento, porque (assim) ele devolve o excedente (ao lagar, sem tê-lo definitivamente separado para consumo).
Rava e, independentemente, Rav Sheshet rejeitam a interpretação de Abaie, propondo que a frase "e assim no lagar" não trata, de modo algum, das leis de domínios do Shabat, mas sim de uma questão completamente diferente: a lei do dízimo (maasrot) sobre a produção agrícola. Trazem a Mishná pertinente, que discute se alguém que bebe vinho diretamente junto ao lagar de uvas — antes de o vinho ter sido formalmente processado e separado para consumo — precisa primeiro separar o dízimo. Segundo Rabi Meir, essa bebida é considerada ainda ocasional e provisória (já que o excesso é devolvido ao lagar), e por isso está isenta da obrigação. Rabi Elazar bar Tzadok discorda e obriga a separação em qualquer caso. Os Sábios distinguem: se a bebida for misturada com água quente, ela se torna definitivamente inutilizável para ser devolvida ao lagar (por risco de azedar o vinho), e por isso é como se já tivesse sido definitivamente separada para consumo, obrigando o dízimo; mas se for fria, ainda pode ser devolvida, e permanece isenta.
"Se dissermos (que é) domínio privado" — como algo de dez (tefachim) de altura, e (a baraita) diria que não se deve ficar no domínio público e beber dentro dele, já o aprendemos.
"E se (dissermos que é) domínio público" — como algo que não tem três (tefachim) de altura.
"A respeito do dízimo" — pois beber sobre o próprio lagar, sem tê-lo removido dali para levá-lo para fora, é uma bebida ocasional, e (está) isento do dízimo, enquanto não desceu ao poço (de recolha), que é a conclusão de seu processamento para o dízimo; mas retirá-lo dali é (considerado) fixo, pois não tem intenção de devolver o excedente, e ainda que não esteja concluído seu processamento para o dízimo, é proibido (beber sem separar).
"Com (bebida) quente" — pois, tendo-o misturado com (água) quente, já não é apropriado devolver o excedente, para que o vinho não azede por causa do calor.
Aprendemos (na Mishná): não deve sair o alfaiate com sua agulha perto do anoitecer, para que não se esqueça e saia. (Pergunta:) não é (o caso de a agulha estar) presa a ele em sua roupa? (Resposta:) não, (trata-se, antes, de a agulha estar) segura em sua mão.
A Guemará retoma a Mishná que abriu o perek para examinar um detalhe: quando ela proíbe o alfaiate de sair perto do anoitecer com sua agulha, ela está falando de uma agulha presa (fisicamente cravada) em sua roupa, ou de uma agulha simplesmente segurada na mão? A princípio, a Guemará sugere que se trata da agulha presa na roupa — um caso em que, mesmo se ele a carregasse até o domínio público após escurecer, a transgressão seria apenas de origem rabínica (pois não é a forma costumeira de transportar objetos), e por isso a preocupação da Mishná seria apenas evitar que o decreto rabínico do anoitecer leve, por hábito, ao verdadeiro Shabat. Mas a Guemará rejeita essa leitura, concluindo que a Mishná trata do caso mais simples: a agulha segurada na mão, que, se carregada em domínio público, constituiria uma transgressão plena da Torá.
"Não é (o caso de estar) presa em sua roupa?" — pois essa não é a forma (costumeira) de (realizar a) retirada, e mesmo que a retire para o domínio público depois de escurecer, é apenas uma proibição (rabínica) de "shevut", e ainda assim (a Mishná) decreta (a proibição) perto do anoitecer por causa do (próprio) anoitecer — o que mostra que, para a proibição do Shabat, decretamos um decreto sobre um decreto.
Venha (e) ouça (uma objeção, a partir de outra baraita): não deve sair o alfaiate com sua agulha presa a ele em sua roupa. (Pergunta:) não é (isso dito a respeito) da véspera de Shabat (contradizendo a conclusão anterior)? (Resposta:) não, quando se ensinou aquilo (essa baraita), foi a respeito do próprio Shabat (e não da véspera). Mas não se ensinou (em ainda outra baraita): não deve sair o alfaiate com sua agulha presa em sua roupa na véspera de Shabat, perto do anoitecer (contradizendo de novo a resposta)? Esta (baraita), de quem é (a opinião)? É de Rabi Yehuda, que diz: um artesão, pela via costumeira de seu ofício, é responsável (mesmo que carregue o objeto da maneira incomum para as outras pessoas, pois para ele é o modo costumeiro).
A Guemará traz uma objeção a partir de uma baraita que fala explicitamente da agulha presa na roupa do alfaiate, o que pareceria contradizer a conclusão de que a Mishná trata da agulha na mão. A primeira tentativa de resposta sugere que essa baraita, ao falar da agulha presa na roupa, trata especificamente do próprio Shabat (quando mesmo uma transgressão apenas rabínica de carregar de modo incomum seria proibida), e não da véspera de Shabat mencionada na Mishná. Mas a Guemará traz ainda uma terceira baraita, que fala explicitamente da agulha presa na roupa na própria véspera de Shabat perto do anoitecer — contradizendo também essa resposta. A resolução final é que essa última baraita reflete a opinião de Rabi Yehuda, para quem um artesão que carrega sua ferramenta de trabalho da forma costumeira ao seu ofício (mesmo que, para uma pessoa comum, essa não seria a forma costumeira de carregar) é considerado responsável plenamente pela Torá — e por isso, para ele, mesmo a agulha presa na roupa perto do anoitecer da véspera de Shabat gera a mesma preocupação que motiva a proibição da Mishná.
"Quando se ensinou aquilo" — foi a respeito do próprio Shabat, pois há apenas um (único nível de) decreto: o decreto (sobre a agulha) presa na roupa por causa de onde (alguém) a retira com as próprias mãos.
"Artesão" — aquele que retira (o objeto) pela via de seu ofício, que costuma sair vestido assim de tempos em tempos durante os dias comuns, é responsável; pois agora, para ele, há apenas um (único nível de) decreto, pois decretamos (a proibição) perto do anoitecer por causa do próprio anoitecer.
Pois se ensina: não deve sair o alfaiate com sua agulha presa a ele em sua roupa; nem o marceneiro com sua lasca de madeira que (traz) em sua orelha; nem o cardador com o cordão que (traz) em sua orelha; nem o tecelão com o chumaço de lã que (traz) em sua orelha; nem o tintureiro com sua amostra (de cor) em seu pescoço; nem o trocador com a moeda que (traz) em sua orelha. E se saiu, está isento (de oferenda de pecado), mas (é) proibido — palavras de Rabi Meir. Rabi Yehuda diz: um artesão, pela via costumeira de seu ofício, é responsável; e qualquer outra pessoa (que não pratica esse ofício, mas carregasse o mesmo objeto de igual maneira,) está isenta.
A Guemará traz a baraita completa que fundamenta a opinião de Rabi Yehuda citada anteriormente, listando uma série de artesãos que costumam carregar, junto ao corpo (na orelha ou no pescoço), o instrumento ou amostra distintiva de seu ofício, como sinal para que os clientes os reconheçam na praça: o alfaiate com sua agulha na roupa, o marceneiro com sua lasca de madeira usada como régua, o cardador de lã com seu cordão, o tecelão com seu chumaço de lã, o tintureiro com sua amostra de tecido tingido, e o trocador de moedas com sua moeda de amostra. Segundo Rabi Meir, mesmo esses artesãos, se saírem assim para o domínio público em Shabat, estão isentos de trazer oferenda de pecado (pois essa não é a forma costumeira de transporte para a generalidade das pessoas), mas a ação continua proibida por decreto rabínico. Rabi Yehuda discorda quanto à responsabilidade: para o artesão, que carrega o objeto exatamente da forma costumeira ao seu próprio ofício, a ação constitui plena transgressão da Torá; mas se outra pessoa, que não exerce esse ofício, carregasse o mesmo objeto da mesma maneira, estaria isenta, pois não seria, para ela, a forma costumeira de transporte.
"Com a lasca (de madeira) em sua orelha" — uma lasca comprida e reta, semelhante a uma régua com que se traçam linhas em livros (chamada "vira" em francês antigo), e com ela se aplainam as tábuas, do modo como os marceneiros de hoje aplainam por meio da inclinação de uma linha. E a mim me parece que tudo o que se ensina aqui não é senão (o costume de que) os membros de cada ofício colocam (esse objeto distintivo) sobre si ao saírem para a praça, para que se reconheça de qual ofício se trata, e o contratem para o trabalho.
"Cardador" — de tecidos, (o que se) chama "pelieres" (em francês antigo).
"Com o cordão" — é com o que se amarram os espinhos chamados "cardons" (em francês antigo), e também se costura o tecido, unindo suas duas pontas quando esticado sobre as estacas do ofício, para bater nele com varetas e levantar seu pelo.
"Amostra" — um pouco de lã tingida de vermelho, e um pouco tingida de preto, e assim com todos os tipos de tintura, que se mostra a outrem como amostra: "quereis assim, ou assim?"
Ensinou-se numa (baraita): não deve sair o zav com sua bolsa (para recolher o fluxo), e se saiu, está isento (de oferenda de pecado), mas (é) proibido. E ensinou-se em outra: não deve sair, e se saiu, é responsável por (trazer) oferenda de pecado. Disse Rav Yosef: não é (uma verdadeira) dificuldade: esta é (a opinião de) Rabi Meir, e esta é (a opinião de) Rabi Yehuda.
A Guemará traz uma nova contradição, agora sobre o caso do zav (homem com fluxo impuro) que sai com a bolsa presa junto ao corpo para recolher o fluxo. Uma baraita diz que ele está isento de oferenda de pecado (embora proibido por decreto), enquanto outra diz que é plenamente responsável. Rav Yosef resolve a contradição aplicando a mesma disputa já vista entre Rabi Meir e Rabi Yehuda quanto ao artesão: a bolsa é, para o zav, o objeto costumeiro de seu "ofício" (sua condição), de modo que, segundo Rabi Meir (para quem mesmo o artesão que carrega da forma costumeira ao seu ofício está isento), o zav estaria isento; e segundo Rabi Yehuda (para quem o artesão que carrega da forma costumeira ao seu ofício é responsável), o zav seria plenamente responsável, já que a bolsa é, para ele, exatamente a forma costumeira de portar esse objeto.
"Bolsa" — que se faz para o zav, e a amarra na ponta do membro, para recolher nela o fluxo.
"Esta é (a opinião de) Rabi Yehuda" — pois esta é a forma (costumeira) de sua retirada (também) nos dias comuns.
Disse-lhe Abaie: diga (o senhor apenas) que ouviu (a opinião de) Rabi Meir (isentando) num caso em que não é a maneira costumeira (de carregar aquele objeto para a generalidade das pessoas — como o marceneiro ou o alfaiate); mas num caso em que é (sempre) a maneira costumeira (mesmo para quem não pratica esse ofício, como no caso do zav), o senhor (realmente) o ouviu (dizer que também é isento)? Pois se você não disser assim (que há distinção), então, doravante, (considere:) o leigo que escava (a medida de) um kav numa tora de madeira em Shabat (realizando um trabalho que, para um leigo, não é a forma costumeira de fazê-lo, mas que é sua única forma possível de fazê-lo) — também, segundo Rabi Meir, (diríamos) que ele não é responsável?
Abaie desafia a resolução de Rav Yosef, argumentando que há uma diferença fundamental entre o caso do artesão (marceneiro, tintureiro etc.) e o caso do zav. No caso do artesão, o motivo pelo qual Rabi Meir o isenta é que carregar o objeto junto ao corpo (na orelha, no pescoço) não é a forma universal e costumeira de transportar objetos — mesmo para o próprio artesão, ele poderia perfeitamente carregar o objeto de outra maneira. Mas no caso do zav, a bolsa junto ao corpo é a única forma possível e costumeira de portar esse objeto, tanto em Shabat quanto em dia comum — não há alternativa. Abaie questiona se Rabi Meir realmente isentaria também nesse caso, trazendo um paralelo: o leigo que, não tendo outra ferramenta disponível, escava a medida de um kav diretamente numa tora de madeira em Shabat — um trabalho que, embora não seja a forma como um artesão profissional o faria, é a única forma como esse leigo poderia realizá-lo. Seria absurdo, argumenta Abaie, dizer que também esse leigo estaria isento, pois isso equivaleria a nunca responsabilizar ninguém que age da única forma que lhe é possível.
Mas (antes), disse Rav Hamnuna: não é (uma verdadeira) dificuldade: aqui (a baraita que isenta trata) de um zav com duas visões (de fluxo, ainda não plenamente confirmado como zav); e aqui (a baraita que obriga trata) de um zav com três visões (já plenamente confirmado).
Diante da dificuldade levantada por Abaie, a Guemará abandona a resolução de Rav Yosef (baseada na disputa entre Rabi Meir e Rabi Yehuda) e adota, em seu lugar, a distinção de Rav Hamnuna, que resolve a contradição de outra maneira: as duas baraitot não refletem uma disputa entre sábios, mas tratam de dois estágios diferentes da condição do zav. A baraita que isenta trata do zav que teve apenas duas visões de fluxo — que ainda não está plenamente estabelecido como zav segundo a Torá (são necessárias três visões), e por isso a bolsa lhe serve apenas para fins de verificação, uma necessidade secundária, tornando o transporte menos grave. Já a baraita que obriga trata do zav que já teve três visões — plenamente confirmado —, para quem a bolsa é indispensável e sua condição de uso é mais central, tornando o transporte plenamente responsável.
"Num caso que não é a maneira costumeira" — como todos esses (casos) ensinados acima, cuja forma de retirada não é senão pela mão, mesmo para o artesão, salvo no momento em que ele quer anunciar de si mesmo que é um artesão; mas a bolsa para o zav, sua forma de retirada não é senão assim (junto ao corpo) — (nesse caso), você ouviu dele (Rabi Meir) que (também) está isento?
"Pois se você não disser assim" — que Rabi Meir concorda no caso de quem tem essa (única) forma (possível) de fazê-lo.
"O leigo que escava um kav numa tora de madeira" — visto que não é um artesão, e essa não é a forma (costumeira) de escavar, (diríamos) também aqui que está isento segundo Rabi Meir? Se assim fosse, Rabi Meir só responsabilizaria em Shabat os artesãos! Mas, forçosamente, visto que toda a forma de escavar deste (leigo) é assim, ele é responsável; e também aqui (no caso do zav), visto que toda a forma de retirada é assim para ele, é responsável.
"Zav com duas visões" — (a baraita que isenta trata deste caso; e o zav de três visões) é responsável, porque a bolsa lhe é necessária para se verificar, caso venha a ver ainda uma terceira (vez), e se tornar zav completo, (obrigado) a oferenda; e, sendo (a bolsa) necessária a ele, essa se torna, para ele, a forma (costumeira) de sua retirada.
Em que é diferente o zav de duas visões, que é responsável, (porque) a bolsa lhe é necessária para a verificação (de uma possível terceira visão) — mas o zav de três visões também precisa dela para a contagem (dos sete dias limpos que deve contar antes de se purificar)? (Resposta:) não foi necessário (esse ensinamento sobre o zav de três visões) senão a respeito do próprio dia (em que teve a terceira visão).
A Guemará questiona a distinção de Rav Hamnuna: se o motivo de o zav de duas visões ser tratado com mais leniência é que a bolsa lhe serve apenas para uma verificação secundária (saber se terá uma terceira visão), não deveria o zav de três visões também ser tratado com leniência, já que ele também usa a bolsa para um propósito relacionado — a contagem dos sete dias limpos exigidos antes de sua purificação, verificando que não teve nenhuma recaída durante esse período? A resposta esclarece que o ensinamento de que o zav de três visões é plenamente responsável se refere especificamente ao próprio dia em que teve essa terceira visão (antes de começar a contagem dos sete dias limpos) — dia em que a bolsa ainda não serve ao propósito de contagem, mas apenas para não sujar as roupas, tornando seu uso menos essencial e por isso plenamente equiparável ao uso costumeiro que gera responsabilidade total.
Mas (mesmo nesse próprio dia), não lhe é (a bolsa) necessária para que não se sujem suas roupas (o que também tornaria seu uso essencial, e não meramente costumeiro)? Disse Rabi Zeira: este (é o) tanna que diz que todo (caso de) evitar sujeira não é considerado (uma necessidade real, que tornaria o objeto indispensável). Pois aprendemos (na Mishná): aquele que vira uma tigela sobre a parede (para que a chuva não a molhe) — se (o fez) a fim de que a tigela fosse lavada (pela chuva que cairia sobre ela ao contrário, isto é, deixando-a de boca para cima), eis que isso está (sujeito à lei de) "quando for posta" (a água é considerada como tendo sido posta de propósito sobre o alimento, tornando-o suscetível à impureza). Se (o fez) a fim de (que a parede não fosse danificada pela chuva, virando a tigela para baixo — o texto do daf termina aqui, prosseguindo em 12a).
A Guemará levanta uma última objeção: mesmo no dia em que o zav teve sua terceira visão (antes do início da contagem dos sete dias limpos), a bolsa ainda parece cumprir uma função necessária e não meramente incidental — evitar que o fluxo suje suas roupas. Se assim for, por que essa necessidade não tornaria o uso da bolsa "essencial" da mesma forma que a verificação o faz para o zav de duas visões, também justificando uma leniência? Rabi Zeira responde que o autor dessa baraita sustenta, como princípio geral, que evitar sujeira não é considerado uma necessidade que confira ao objeto o estatuto de uso indispensável — é vista como uma mera conveniência secundária. Ele traz uma prova dessa posição a partir de uma Mishná (de outro contexto, sobre as leis de pureza dos alimentos) que discute o caso de alguém que vira uma tigela sobre uma saliência de parede para se proteger da chuva: se a intenção foi que a chuva lavasse a tigela (virada de boca para cima), a água que cai sobre ela é considerada como tendo sido posta ali intencionalmente, tornando qualquer alimento na tigela suscetível de receber impureza; mas se a intenção foi apenas evitar dano à parede (virando a tigela de boca para baixo, para escorrer a água) — sendo essa uma mera conveniência incidental, e não um uso essencial — a lei seria diferente, como a Guemará prossegue a explicar já no início do daf seguinte.
"Não é considerado" (uma necessidade real) — portanto, não é, para ele, a (verdadeira) forma (essencial) de retirada.
"Vira uma tigela sobre a parede" — (uma saliência) sobre a qual caem chuvas.
"Eis que isso está (sujeito) a 'quando for posta'" — pois (ao assim proceder) ele demonstrou (por sua ação) que considera esses líquidos necessários; e ainda que não lhe agrade a queda (contínua da chuva) que caiu sobre os frutos depois de certo tempo, tornam-se (mesmo assim) suscetíveis (à impureza), pois aprendemos (em Machshirin, capítulo 1): todo líquido cujo início foi por vontade (própria), ainda que seu fim não seja por vontade, torna (o alimento) suscetível (à impureza).