O daf abre concluindo o relato iniciado ao final de 14b: o próprio Rei Salomão, ao instituir o eiruv e a lavagem das mãos, decretara originalmente apenas para os itens consagrados (kodashim), e foram os sábios posteriores que estenderam esse decreto também à teruma. A Guemará então retoma a discussão sobre os dezoito decretos e as dezoito discordâncias entre Beit Shamai e Beit Hilel, resolvendo uma aparente contradição com uma baraita que fala em "igualação": no mesmo dia discordaram, e no dia seguinte se igualaram. Em seguida, o daf detalha, um a um, os "três lugares" de discordância pessoal entre Shamai e Hilel mencionados por Rav Huna — a medida mínima de massa que obriga a separação da chalá, com uma extensa nota de Rashi sobre a conversão de medidas antigas; o volume de água extraída que invalida um mikvê, resolvido pelo testemunho de dois tecelões em nome de Shemaya e Avtalion; e a lei da pureza das mulheres que veem sangue, entre "basta-lhes sua hora" e "de exame a exame". A Guemará então objeta que há ainda outros pontos de discordância entre os dois — a semichá e o caso do vindimador que carrega uvas ao lagar —, explicando o critério de Rav Huna e observando que, neste último caso, Hilel calou-se diante de Shamai sem sustentar sua própria opinião. Por fim, o daf retorna à baraita de Yossi ben Yoezer e Yossi ben Yochanan, e passa a uma longa investigação cronológica sobre a data exata de seus decretos sobre a terra dos povos gentios e os utensílios de vidro, baseada na tradição transmitida por Rabi Yishmael ben Rabi Yossi em nome de seu pai, envolvendo os cento e oitenta anos antes da destruição do Templo, o exílio do Sinédrio, e a duração da liderança de Hilel e seus descendentes.
Salomão decretou (a lavagem das mãos) para os itens consagrados (apenas), e vieram eles (os sábios posteriores) e decretaram também para a teruma.
Este segmento completa o relato interrompido ao final de 14b, no ponto em que a palavra "veio" ficou suspensa. Agora se explica a resposta: o decreto original do Rei Salomão — que provocou a reação da bat kol citando versículos de Provérbios — abrangia apenas os itens consagrados (kodashim), não a teruma. Foi somente depois, com Shamai e Hilel, que os sábios estenderam essa mesma exigência de mãos lavadas também à teruma, ampliando o alcance da salvaguarda original de Salomão. Isso explica por que a baraita atribui a Shamai e Hilel o decreto sobre "as mãos" em relação à teruma, sem contradizer o fato de que Salomão já havia decretado antes: tratava-se de âmbitos distintos, um mais restrito (consagrados) e outro mais amplo (teruma).
Retomando o próprio assunto (mencionado antes): disse Rav Yehudá em nome de Shmuel: dezoito (decretos) promulgaram, e em dezoito (pontos) discordaram. Mas não se ensinou (numa baraita) que se igualaram? (Resposta:) no mesmo dia discordaram, e no dia seguinte se igualaram.
A Guemará retoma, para tratamento mais completo, a afirmação de Rav Yehudá em nome de Shmuel de que os discípulos de Shamai e Hilel discordaram em dezoito pontos ao promulgar os dezoito decretos. Levanta-se uma objeção a partir de outra baraita, segundo a qual, no fim das contas, as duas escolas "se igualaram" — texto que parece sugerir que não houve discordância duradoura. A Guemará resolve a tensão distinguindo dois momentos: no próprio dia em que os decretos foram formulados e votados, houve de fato discordância entre Beit Shamai e Beit Hilel sobre cada um dos dezoito pontos; mas, segundo Rashi, no dia seguinte Beit Shamai recuou de sua posição, e as duas escolas se igualaram, com a opinião de Beit Hilel prevalecendo.
"E no dia seguinte se igualaram" — pois recuaram (de sua posição), a Casa de Shamai.
Retomando o próprio assunto: disse Rav Huna: em três lugares discordaram Shamai e Hilel (pessoalmente, além dos decretos coletivos). Shamai diz: a partir de um kav (de farinha é obrigatória) a chalá (a porção separada para o sacerdote). E Hilel diz: a partir de dois kabin. E os sábios dizem: nem segundo as palavras deste, nem segundo as palavras daquele, mas sim: um kav e meio obriga à chalá. Depois que as medidas aumentaram (de tamanho), disseram: cinco quartos (de um kav, em farinha) obrigam à chalá. Rabi Yossi diz: cinco (quartos) isentam, cinco e mais (um pouco) obrigam.
Inicia-se o detalhamento dos três pontos específicos de discordância pessoal entre Shamai e Hilel, distintos da discordância coletiva de seus discípulos nos dezoito decretos. O primeiro ponto é a quantidade mínima de massa de farinha que obriga à separação da chalá (a porção destinada ao sacerdote, conforme Números 15:20). Shamai fixa o mínimo em um kav; Hilel, em dois kabin (o dobro); e os sábios — representando a posição intermediária que prevaleceu — fixam em um kav e meio. A Mishná acrescenta uma nota histórica: com o tempo, as unidades de medida (o próprio kav) aumentaram de tamanho, de modo que a quantia equivalente passou a ser expressa como cinco quartos (revi'iyot) de kav em farinha; Rabi Yossi refina ainda mais, dizendo que exatamente cinco quartos isentam, sendo necessário um pouco mais que cinco para obrigar.
"Um kav e meio" — em medida de Jerusalém, que são sete login mais um ovo e um quinto de ovo, segundo a medida do deserto; e esta é o ômer por cabeça, um décimo do efá, que obriga à chalá, conforme se escreve: "vossas massas" (Números 15:20) — na medida da massa do deserto (o maná); e acrescentaram um sexto em Jerusalém (às medidas). Resulta que seis (medidas) do deserto entram em cinco de Jerusalém; e o log restante mais o ovo e o quinto de ovo equivalem a um log de Jerusalém, pois o log do deserto (comporta) seis ovos, que entram em cinco ovos grandes (de Jerusalém); resulta que o log falta um ovo grande — dá-se um ovo e um quinto de ovo no lugar de um ovo grande, pois o quinto é o sexto adicional sobre o ovo (comum); resultam seis ovos grandes, que são um log grande; eis que são seis login de Jerusalém, que equivalem a um kav e meio.
"Depois que as medidas aumentaram" — esta é a medida de Tsipori, que excede em um sexto a medida de Jerusalém; resulta que os seis login (de Jerusalém equivalem a) cinco (de Tsipori).
"Cinco quartos" — de login, que são um quarto do kav.
"Cinco e mais (um pouco) obrigam" — pois entende Rabi Yossi que, na medida do deserto, os ovos eram maiores que os nossos; e assim também disse Rabi Yossi, em Eiruvin, no capítulo "Keitzad Mishtatfin" (Eiruvin 83b): qual a medida de meio pras? Dois ovos "moídos" (fartos) — e ali se explica que esse "e mais" é um vigésimo do ovo, para cada ovo.
E o outro (dos três lugares): Hilel diz: um hin cheio de água extraída (por um recipiente, e não coletada diretamente) invalida o mikvê — pois obrigado está o homem a falar na linguagem de seu mestre (usando a palavra "hin", termo bíblico, por tê-la ouvido assim de seus mestres). Shamai diz: nove kabin. E os sábios dizem: nem segundo as palavras deste, nem segundo as palavras daquele. Até que vieram dois tecelões da Porta do Lixo, em Jerusalém, e testemunharam em nome de Shemaya e Avtalion que três login de água extraída invalidam o mikvê; e os sábios confirmaram suas palavras.
O segundo dos três lugares de discordância pessoal trata do volume mínimo de água extraída (isto é, recolhida por um recipiente, e não fluída diretamente para o mikvê) que basta para invalidar um mikvê de água da chuva ou de nascente. Hilel fixa a medida em um hin cheio; a Mishná explica que ele emprega deliberadamente essa unidade bíblica antiga, por tê-la recebido assim, literalmente, da boca de seus próprios mestres. Shamai discorda e fixa em nove kabin (uma quantidade menor). Os sábios inicialmente não aceitam nenhuma das duas posições, deixando o assunto em aberto — até que dois simples tecelões, de origem humilde (moradores perto da Porta do Lixo, o portão mais desprezado de Jerusalém), vieram e testemunharam ter ouvido de Shemaya e Avtalion (os grandes mestres que precederam Hilel e Shamai) que a medida correta é de três login; e os sábios aceitaram esse testemunho como decisivo.
"Hin" — doze login.
"Invalidam" — se caíram nele (no mikvê) antes que se completasse (a medida mínima exigida de água não extraída); mas se já se completou, não mais se invalida, ainda que se continue a despejar nele depois mil seá (de água extraída).
"Pois obrigado está o homem, etc." — isto é, "hin" não é linguagem da Mishná, mas linguagem da própria Torá; mas assim (Hilel) a ouviu da boca de Shemaya e Avtalion. E meus mestres explicam: na linguagem de Moshé Rabeinu (propriamente); mas meu coração hesita, pois em muitos lugares (Hilel) não se preocupou com isso (usar termos bíblicos exatos).
"Dois tecelões da Porta do Lixo" — em Massechet Eduyot se explica por que se menciona ali (o nome de) seu ofício e o nome de seu local: para dizer que ninguém deve se abster de frequentar a casa de estudo, pois não há ofício mais desprezado que o de tecelão — do qual não se constitui nem sumo sacerdote nem rei, conforme dizemos em Kidushin (82a) — nem há portão em Jerusalém mais desprezado que a Porta do Lixo; e, ainda assim, com o testemunho (desses dois homens), todos os sábios de Israel decidiram (a lei).
E o outro (dos três lugares): Shamai diz: todas as mulheres, basta-lhes sua hora (isto é, tornam-se impuras apenas a partir do momento em que veem sangue, sem retroagir). E Hilel diz: de exame a exame (retroage-se a impureza até o último exame em que se viu pura), e mesmo que sejam muitos dias. E os sábios dizem: nem segundo as palavras deste, nem segundo as palavras daquele, mas sim: (o período) de vinte e quatro horas diminui por causa de (o período) de exame a exame, e (o período) de exame a exame diminui por causa de (o período) de vinte e quatro horas (prevalecendo, em cada caso, o período mais curto).
O terceiro dos três lugares trata da retroatividade da impureza menstrual. Shamai sustenta a posição mais leniente: a mulher que vê sangue torna-se impura apenas a partir daquele momento, sem que se questione retroativamente a pureza de objetos que tocou antes. Hilel sustenta a posição mais severa: a impureza retroage até o momento do último exame em que ela se constatou pura — mesmo que tenham se passado muitos dias — de modo que tudo que ela tocou nesse ínterim é considerado retroativamente duvidoso. Os sábios adotam uma posição intermediária, comparando dois períodos possíveis (as últimas vinte e quatro horas, ou o intervalo desde o último exame) e aplicando sempre o mais curto dos dois, de modo a minimizar o alcance da retroatividade.
"Todas as mulheres" — as que veem sangue.
"Basta-lhes sua hora" — para tornar impuras (as coisas) puras (que tocarem), a partir do momento de sua visão (do sangue) em diante (e não antes).
"De exame a exame" — retroativamente: examinou-se hoje e se achou pura, e examinou-se ao fim de uma semana e se achou impura — teme-se por seu toque desde o primeiro exame em diante, pois talvez, já ao retirar a mão (daquele primeiro exame), ela tenha visto (o sangue, sem perceber).
"(O período de) vinte e quatro horas diminui por causa de (o período) de exame a exame" — dois prazos se mencionam a respeito dela, retroativamente, para seguir o mais leve entre eles: se (o período) de exame a exame for maior que (o de) vinte e quatro horas, segue-se (o de) vinte e quatro horas; e se (o de) vinte e quatro horas for maior que (o de) exame a exame, segue-se (o do) exame.
"Diminui por causa de" — diminui em relação a ele.
E não há mais (pontos de discordância entre eles)? Mas não há (o caso em que) Hilel diz: apoiar as mãos (sobre a oferenda de festa, mesmo em dia de Yom Tov); e Shamai diz: não apoiar as mãos? (Resposta:) quando disse Rav Huna (que discordaram apenas em três lugares), (referia-se a) onde não havia discordância dos mestres anteriores junto com eles (isto é, casos em que a discordância era exclusivamente entre Shamai e Hilel, sem que gerações anteriores já tivessem discordado do mesmo assunto).
A Guemará objeta que há pelo menos mais um ponto conhecido de discordância pessoal entre Shamai e Hilel: a questão da semichá, isto é, se é permitido apoiar as mãos com força sobre a cabeça de um animal antes de oferecê-lo como sacrifício, quando esse ato ocorre em um dia de festa (Yom Tov) — Hilel permite, Shamai proíbe. A Guemará explica que a afirmação de Rav Huna, de que discordaram "em três lugares, e não mais", deve ser entendida de modo restrito: refere-se apenas aos casos em que a discordância era originalmente exclusiva de Shamai e Hilel, sem que sábios de gerações anteriores a eles já tivessem discordado sobre o mesmo tema. O caso da semichá, explica Rashi, já era objeto de disputa entre os pares de sábios anteriores (desde Yossi ben Yoezer até Hilel), de modo que Shamai e Hilel apenas deram continuidade a uma controvérsia preexistente, e não a criaram do zero.
"Apoiar as mãos" — é a controvérsia da Casa de Shamai e da Casa de Hilel a respeito de: trazem-se (oferendas de) votos e doações voluntárias, e apoia-se (as mãos sobre elas) em dia de festa.
"Quando disse Rav Huna: onde não havia discordância dos mestres anteriores" — (quer dizer que) os três lugares que disse Rav Huna, não discordaram a respeito deles os mestres anteriores (a Shamai e Hilel); mas quanto à semichá, todos os chefes do tribunal e os príncipes, desde Yossi ben Yoezer até Hilel, discordaram a respeito dela — (conforme se explica) em Massechet Chaguigá.
Mas não há (também o caso de) "o que colhe (uvas) para o lagar" — Shamai diz: (o suco que escorre delas) tornou-se apto (a receber impureza, por ser considerado líquido desejado); e Hilel diz: não se tornou apto? (Resposta:) com exceção deste caso, pois ali Hilel calou-se diante de Shamai (não sustentando sua própria posição com firmeza).
A Guemará traz ainda outro caso de discordância aparente: o do vindimador que colhe uvas destinadas ao lagar (para pisar e extrair vinho, não para secar em passas). Se o suco escorre das uvas ainda nos cestos, antes de chegarem ao lagar, ele se torna, segundo Shamai, um "líquido desejado" apto a tornar os alimentos suscetíveis à impureza (por decreto contra o uso de cestos revestidos de piche); Hilel discorda. A Guemará explica que esse caso não conta entre os "três lugares" de Rav Huna por uma razão diferente da anterior: aqui, Hilel, embora tenha uma opinião registrada, não a sustentou com firmeza diante de Shamai — segundo uma baraita citada por Rashi, "naquele dia Hilel estava curvado" diante de Shamai, cedendo a ele, de modo que não se considera uma discordância plena e mantida.
"O que colhe" — uvas, para pisá-las no lagar; pois quanto ao que colhe para (fazer) passas, o líquido que sai delas não as torna aptas (a receber impureza), pois não lhe é desejável (que saia esse líquido).
Shamai diz: "tornou-se apto" — quanto ao vinho que escorre delas, sobre elas mesmas (dentro dos cestos); e ainda que se perca no chão, escorrendo dos cestos, (há aqui) um decreto, para que não venham a colhê-las em cestos revestidos de piche (que retêm o líquido), conforme se explica adiante (Shabbat 17a).
"Ali Hilel calou-se diante dele" — e não se manteve firme em sua discordância, conforme se ensinou neste mesmo capítulo (Shabbat 17a): "naquele dia, Hilel estava curvado (diante de Shamai), etc."
"Yossi ben Yoezer, homem de Tzeredá, e Yossi ben Yochanan, homem de Jerusalém, decretaram impureza sobre a terra dos povos e sobre utensílios de vidro" (retomando a baraita citada em 14b). Mas não foram os sábios (que viveram) oitenta anos (antes da destruição do Templo) que decretaram (isso, e não Yossi ben Yoezer, que é muito anterior)? Pois disse Rav Kahana: quando adoeceu Rabi Yishmael, filho de Rabi Yossi, enviaram-lhe (mensagem, seus colegas): "Mestre, dize-nos duas ou três coisas que nos disseste em nome de teu pai."
A Guemará retorna à baraita citada em 14b, que atribui a Yossi ben Yoezer e Yossi ben Yochanan — a primeira das cinco zugot (duplas) de sábios, situada muitas gerações antes de Hilel e Shamai — os decretos de impureza sobre a terra dos povos gentios e sobre utensílios de vidro. Levanta-se uma objeção cronológica: há uma tradição separada, de que foram os sábios que viveram apenas oitenta anos antes da destruição do Segundo Templo que promulgaram exatamente esses mesmos decretos — uma data muito mais tardia que a época de Yossi ben Yoezer. Para resolver essa aparente contradição, a Guemará introduz uma tradição transmitida por Rav Kahana, remontando a um episódio em que Rabi Yishmael ben Rabi Yossi, gravemente enfermo, foi procurado por seus colegas para que transmitisse ensinamentos que havia recebido de seu próprio pai, Rabi Yossi, antes que se perdessem.
Enviou-lhes (a resposta): assim disse meu pai: cento e oitenta anos antes de o Templo ser destruído, o reino ímpio (Roma) se estendeu sobre Israel. Oitenta anos antes de o Templo ser destruído, decretaram impureza sobre a terra dos povos e sobre utensílios de vidro. Quarenta anos antes de o Templo ser destruído, exilou-se o Sinédrio (de sua sede na Câmara de Pedra Lavrada) e passou a residir nas lojas (no Monte do Templo, mas fora de sua sede original). Para qual efeito legal (se menciona isso)? Disse Rabi Yitzchak bar Avdimi: para dizer que não mais julgavam casos de (leis de) multas. (Objeção:) ocorre-te (dizer) "leis de multas" (quando o Sinédrio nunca deixou de julgá-las até muito depois)? Mas sim, diz: que não mais julgavam casos de (pena) capital!
Rabi Yishmael ben Rabi Yossi transmite três marcos cronológicos que recebeu de seu pai, todos contados retroativamente a partir da destruição do Segundo Templo: cento e oitenta anos antes, o "reino ímpio" (Roma) estendeu seu domínio sobre a Terra de Israel; oitenta anos antes — portanto, cem anos depois do início do domínio romano — foi decretada a impureza sobre a terra dos povos gentios e sobre utensílios de vidro (uma data tardia, correspondente à geração descrita como "os sábios de oitenta anos", e não à época original de Yossi ben Yoezer); e quarenta anos antes, o Sinédrio se exilou de sua sede tradicional na Câmara de Pedra Lavrada, passando a se reunir em lojas comerciais no Monte do Templo. A Guemará então questiona qual a implicação prática desse último exílio, e a resposta de Rabi Yitzchak bar Avdimi — inicialmente proposta como referente a "leis de multas" — é corrigida para "leis de pena capital", pois é sabido que o Sinédrio, mesmo exilado de sua sede original, continuou por muito mais tempo a julgar casos de multas pecuniárias; o que de fato cessou, quarenta anos antes da destruição, foi sua autoridade para julgar e executar sentenças de morte.
"O reino" — o ímpio, Roma.
"Se estendeu" — começaram a conquistá-los (os territórios de Israel).
E se disseres (ainda): também nos oitenta anos (antes da destruição) eles (Yossi ben Yoezer e Yossi ben Yochanan) estavam vivos (e por isso a baraita pôde atribuir-lhes o decreto) — mas não se ensinou (numa baraita): Hilel e Shimon, Gamliel e Shimon, exerceram sua liderança (o cargo de Nasi) antes do Templo (ser destruído), por cem anos (ao todo, esses quatro, um após o outro)? E, no entanto, Yossi ben Yoezer, homem de Tzeredá, e Yossi ben Yochanan, eram muito anteriores (a esses cem anos, e portanto muito anteriores também aos oitenta anos antes da destruição)!
A Guemará antecipa uma possível tentativa de harmonizar as duas tradições, sugerindo que talvez Yossi ben Yoezer e Yossi ben Yochanan ainda estivessem vivos também na geração dos "oitenta anos antes da destruição", podendo assim ser eles mesmos os autores do decreto tardio. Essa tentativa é refutada por uma baraita que estabelece a cronologia da liderança (nesiut) que precedeu imediatamente a destruição do Templo: quatro nesiim sucessivos — Hilel, seu filho Shimon, seu neto Rabban Gamliel (o Velho) e o Shimon seguinte — exerceram a liderança ao longo de cem anos completos antes da destruição. Como Yossi ben Yoezer e Yossi ben Yochanan pertencem a uma geração muito anterior a Hilel (a primeira das cinco zugot, muitas gerações antes da última), conclui-se que eles não poderiam de modo algum estar vivos apenas oitenta anos antes da destruição — confirmando que a atribuição do decreto sobre a terra dos povos e os utensílios de vidro a "sábios de oitenta anos" refere-se a uma geração posterior e distinta, e não aos dois Yossi originais, questão que a Guemará prossegue investigando nas próximas linhas de Shabbat 15b.
"Hilel e Shimon" — Rabban Shimon era filho de Hilel.
"E Rabban Gamliel" — este é Rabban Gamliel, o Velho.
"E Shimon" (o outro) — este é Rabi Shimon, o que foi morto entre os mortos pelo reino (romano); e ele era o pai daquele Rabban Gamliel que afligiu a Rabi Yehoshua ben Chananiá (Berachot 27b), e que teve controvérsia com Rabi Eliezer ben Hurcanos (Bava Metzia 59b).
"Antes do Templo" — enquanto o Templo ainda existia.
"Cem anos" — os últimos, antes da destruição, começou a liderança de Hilel, e a sustentaram esses quatro (nesiim sucessivos, ao longo de) cem anos; logo, Hilel (viveu) cem anos antes da destruição.
"E, no entanto, Yossi ben Yoezer" — é anterior a Hilel em muitas gerações, (conforme se conta) em Massechet Avot.