O daf abre concluindo a sugya final de Perek Alef: Rav Kahana ensina, em concordância com Rav Huna, que canas atadas em feixe precisam de maioria acesa (pois, apertadas, o fogo não penetra entre elas), enquanto soltas não precisam; e caroços de tâmara soltos não precisam de maioria, mas postos em cestos trançados precisam. Rav Yossef traz uma baraita com quatro fogueiras que nunca precisam de maioria — piche, enxofre, queijo seco e substâncias gordurosas —, às quais outra baraita acrescenta palha e gravetos colhidos do campo, por serem todos materiais que, uma vez que o fogo pega, ardem com facilidade. Rabi Yochanan afirma que a lenha da Babilônia também não precisa de maioria; depois de Rav Yossef refutar a primeira sugestão (lascas de madeira, que segundo Ula exigiriam ainda mais cuidado do que um pavio), a Guemará conclui tratar-se do galho do cedro, ou, segundo Rami bar Abba, do hissopo. Encerra-se então formalmente Perek Alef, com a fórmula "voltaremos a ti, Yetziot HaShabat". Abre-se imediatamente Perek Bet, "Bameh Madlikin", com sua Mishná: uma extensa lista de materiais proibidos como pavio (líber de cedro, estopa de linho não penteado, seda crua, líber de salgueiro, erva do deserto, e o musgo verde da superfície da água) e como óleo (piche, cera, óleo de rícino, óleo queimado, gordura de cauda de carneiro e sebo — este último com a disputa entre Nachum, o Medo, que permite o sebo cozido, e os sábios, que proíbem ambos). A Guemará então percorre a Mishná termo a termo: identifica lechesh como o galho do cedro (na verdade, a parte lanosa sob sua casca), chossen como linho socado mas não penteado (depois de Abaie refutar a proposta inicial de Rav Yossef com um verso de Yeshayahu), calach como um tipo de seda — com o episódio de Ravin e Abaie diante de Rabana Nechemia, e a baraita que refuta a identificação de Ravin com "shira peranda" — petilat ha'idan como o salgueiro (com o episódio de Ravin descascando o galho para mostrar a Abaie a lã interna) e petilat hamidbar como uma erva chamada shavra; o musgo verde como o que cresce sobre embarcações, e não o musgo quebradiço de poças; a baraita que acrescenta lã e pelo à lista (desnecessários por já se saber que encolhem ou chamuscam); e por fim zefet como piche e shaavá como cera, com a baraita que distingue pavios proibidos de óleos proibidos, e o ensinamento de Rami bar Avin sobre o alcatrão como subproduto do piche e a cera como subproduto do mel.
Disse Rav Kahana: canas que (a pessoa) as atou (em feixe) precisam de (que o fogo pegue na) maioria; não as atou, não precisam de maioria. Caroços (de tâmara, soltos) precisam de maioria; (mas, se a pessoa) os pôs em cestos (trançados), não precisam de maioria.
Rav Kahana resolve, a favor de Rav Huna, a disputa deixada em aberto ao final de 20a. Quanto às canas, ele confirma exatamente a posição de Rav Huna: soltas, não precisam de maioria, pois o fogo passa entre elas com facilidade, mas atadas em feixe compacto precisam, pois, apertadas, a chama não consegue penetrar entre uma e outra. Quanto aos caroços de tâmara, porém, Rav Kahana inverte a ordem apresentada por Rav Huna (e concorda, na prática, com a lógica de Rav Chisda): soltos, precisam de maioria, pois se espalham e a chama não passa facilmente de um a outro; mas postos dentro de um cesto trançado, ficam confinados e em contato firme, e por isso não precisam de maioria — o fogo se propaga entre eles com facilidade dentro do recipiente.
"Rav Kahana disse: canas que as atou precisam de maioria" — como (a opinião de) Rav Huna, pois o fogo não entra nelas (com facilidade quando atadas); e quanto a se espalharem (quando soltas), não nos preocupamos, pois são compridas e pesadas (e não se afastam facilmente).
"Caroços que os pôs em cestos não precisam de maioria" — como (a opinião de) Rav Chisda, pois (assim confinados) são fáceis de acender; mas sem cestos, se espalham.
Ensinou Rav Yossef (uma baraita): quatro fogueiras não precisam de maioria: a de piche, e a de enxofre, e a de queijo (seco), e a de gordura (derretida). Foi ensinado numa (outra) baraita: também a de palha e a de gravetos (colhidos do campo).
Rav Yossef traz uma baraita que lista quatro materiais cuja fogueira jamais precisa satisfazer a exigência de "maioria acesa" antes do anoitecer, discutida ao longo de 20a-20b: piche, enxofre, queijo seco e substâncias gordurosas derretidas. A razão comum é que, uma vez que o fogo pega nesses materiais — ainda que apenas numa pequena parte —, eles ardem com tanta facilidade e rapidez que não há receio de a pessoa precisar atiçá-los depois de escurecer. Uma segunda baraita amplia essa lista, acrescentando fogueiras de palha e de gravetos secos colhidos do campo, pelo mesmo motivo.
"Fogueira" — expressão de um grande fogo aceso.
"Gordura" — sebo, e cera, e qualquer coisa que se derrete.
"Gravetos" — que se colhem do campo; em língua estrangeira, estúbula.
"Palha" — as pontas das espigas; em língua estrangeira, estriz.
Disse Rabi Yochanan: a lenha da Babilônia não precisa de maioria. Objetou Rav Yossef: o que é ela (essa lenha)? Se dissesses que são lascas (de madeira, cortadas finas) — ora, quanto ao pavio (comum), disse Ula que quem acende (a vela de Shabat) precisa acender a maioria do que sai (da parte do pavio voltada para fora do recipiente); quanto a lascas (de madeira, mais grossas que um pavio), seria necessário dizer (que precisam de maioria)?! Mas disse Rav Yossef: (trata-se, sim), do galho do cedro. Rami bar Abba disse: (trata-se, antes, do) hissopo.
Rabi Yochanan acrescenta mais um caso à lista de materiais isentos da exigência de maioria: a lenha típica da Babilônia. Rav Yossef, ele próprio babilônio, contesta a identificação: se a referência fosse a lascas finas de madeira (o modo costumeiro de cortar lenha na Babilônia), isso seria estranho, pois um pavio de tecido — muito mais fino e fácil de incendiar do que lascas de madeira — já exige, segundo o ensinamento de Ula, que o fogo pegue na maior parte do que sai do bocal do recipiente; seria implausível que lascas de madeira, mais grossas, precisassem de menos. Rav Yossef propõe então que a "lenha da Babilônia" isenta de maioria refere-se especificamente ao galho do cedro, cuja parte lanosa sob a casca pega fogo com extrema facilidade. Rami bar Abba discorda e identifica o material como o hissopo (zaza).
"Lascas" — depois de as fazerem em pedaços finos de madeira; e na Babilônia costumam (fazer) assim.
"Ora, o pavio" — de tecido, embebido em óleo, e fácil de acender.
"Disse Ula: quem acende" — a vela de Shabat precisa acender a maioria do que sai da ponta do pavio para fora da vela.
"Galho do cedro" — é seco e fino, e há como que uma lã entre a casca e a madeira, e isso o incendeia assim que o fogo pega nele.
"Hissopo" — em língua estrangeira, molsa.
Mishná. Com que se acende (a vela de Shabat), e com que não se acende? Não se acende nem com lechesh, nem com chossen, nem com calach, nem com petilat ha'idan, nem com petilat hamidbar, nem com o musgo verde que fica sobre a superfície da água; nem com piche, nem com cera, nem com óleo de rícino, nem com óleo (destinado à) queima, nem com (a gordura da) cauda (de carneiro), nem com sebo. Nachum, o Medo, diz: acende-se com sebo cozido. E os sábios dizem: tanto (o sebo) cozido quanto o não cozido, não se acende com ele.
Com esta Mishná encerra-se o primeiro capítulo (Perek Alef, "Yetziot HaShabat") e abre-se o segundo, "Bameh Madlikin". A Mishná enumera, primeiro, seis materiais impróprios para servir de pavio — lechesh, chossen, calach, petilat ha'idan, petilat hamidbar, e o musgo verde da água —, todos rejeitados por não arderem bem ou por gerarem uma chama instável, que tende a se apagar e levar a pessoa a inclinar a vela para reacendê-la (transgressão relacionada a acender fogo em Shabat). Em seguida, lista seis materiais impróprios como óleo combustível — piche, cera, óleo de rícino, óleo de queima, gordura de cauda de carneiro e sebo —, pela mesma razão de não sustentarem uma chama estável, ou por serem sólidos demais à temperatura ambiente para serem sugados corretamente pelo pavio. Quanto ao sebo, há uma disputa: Nachum, o Medo, permite usá-lo depois de cozido (pois o cozimento o liquefaz e melhora sua combustão), mas os sábios proíbem o sebo em qualquer estado, cozido ou não. A Guemará que se segue dedica-se a traduzir e identificar, um a um, todos esses termos técnicos — a maioria dos quais não era mais compreendida em aramaico babilônico da época.
"Com que se acende" — para fazer um pavio; todos estes (termos) da Mishná se explicam na Guemará.
"Nem com piche, nem com cera" — não quanto ao pavio, mas quanto a pô-los no lugar do óleo; e todos estes, de piche em diante, são (materiais) desqualificados como óleos.
Assim lemos: "Nachum diz: acende-se com sebo cozido" — e ele (o sebo cozido) é o derretido.
Guemará. Lechesh — é o galho do cedro. (Objeção:) Mas o galho do cedro não é mera madeira (imprópria para servir de pavio)?! (Resposta:) (A Mishná refere-se) à parte lanosa que há nele (sob a casca).
A Guemará começa a percorrer a Mishná termo a termo, pois quase todo o vocabulário usado nela havia caído em desuso na Babilônia. O primeiro termo, "lechesh", é identificado como o galho do cedro. Surge de imediato uma objeção óbvia: madeira comum jamais poderia servir de pavio, e por isso nem precisaria ser mencionada como proibida. A resposta esclarece que a referência não é à madeira do galho em si, mas a uma substância lanosa, semelhante a fibras de lã, que se encontra entre a casca e o lenho do cedro — um material que poderia, à primeira vista, parecer adequado para um pavio, mas que a Mishná rejeita.
Guemará. "Mera madeira" — e é óbvio que não serve para pavio, mas sim para fogueira.
"A lanosa" — há como que uma lã entre sua casca e sua madeira.
"Nem com chossen": disse Rav Yossef: (é) estopa de linho. Disse-lhe Abaie: mas não está escrito: "e o chassson se tornará em estopa" (Yeshayahu 1:31)? (Isso implica), por conclusão, que chossen não é estopa! Mas disse Abaie (a explicação correta): (é) o linho que foi socado, mas não (ainda) penteado.
Rav Yossef identifica "chossen" com a estopa fina do linho, os restos que caem ao pentear a fibra. Abaie objeta a partir de um verso de Yeshayahu, em que "chasson" (termo semelhante) se transforma em estopa — o que implica, pela lógica de que uma coisa não pode "tornar-se" naquilo que já é, que "chossen" e estopa são coisas distintas. Abaie propõe então sua própria identificação: chossen é o linho já socado (batido, para amolecer as fibras) mas ainda não penteado; como os fios continuam presos dentro de uma espécie de casca externa, o material não arde bem e por isso é impróprio como pavio.
"E o chasson se tornará em estopa" — eis que (isso prova que) chasson não é estopa.
"Linho que foi socado, mas não penteado" — pois, já que não foi penteado, o óleo não é puxado através dele (para dentro do pavio); "penteado" — em língua estrangeira, carpir, (que significa) desfiar; e a estopa vem da parte fina dele. E assim diz o verso: o linho forte se tornará em estopa, isto é, o forte se tornará fraco.
"Nem com calach": disse Shmuel: perguntei a todos os que descem ao mar (marinheiros), e me disseram que seu nome (atual) é culca. Rav Yitzchak bar Zeira disse: (é) gushkerá (o casulo do bicho-da-seda).
Shmuel relata ter consultado marinheiros — que lidavam com mercadorias importadas, entre elas a seda — sobre o nome atual do material chamado "calach" na Mishná, e eles o identificaram com "culca". Rav Yitzchak bar Zeira propõe, de modo mais específico, que se trata do gushkerá, o casulo do próprio bicho-da-seda antes de ser desfiado — um material semelhante a feltro, do qual, segundo Rashi, é proibido fazer pavio, pois o fogo "chispa" nele, salta e se corta, sem manter uma chama contínua.
"Gushkerá" — o resíduo da seda, feito como toucas (pequenos casulos), e é a moradia do bicho (da seda), e o chamam de falfolho; e o desfiam, e o fiam, e fazem dele uma roupa; mas é proibido fazer dele um pavio, como se disse a respeito de todos os desqualificados como pavio na Mishná, pois o fogo "chispa" neles, salta e se corta, e a chama (não se mantém)... É chamado assim por causa do resíduo, e também o pão de farelo é chamado assim no tratado Guitin (56b).
Ravin e Abaie estavam sentados diante de Rabana Nechemia, irmão do Reish Galuta (Exilarca). (Ravin) viu que ele (Rabana Nechemia) estava vestido de metaksa (um tipo de seda). Disse Ravin a Abaie: isto é o calach que aprendemos (na Mishná). Disse-lhe (Abaie): nós o chamamos shirá perandá.
A Guemará traz um episódio concreto para ilustrar a identificação de "calach": ao ver Rabana Nechemia vestido com um tecido de seda chamado "metaksa", Ravin o identifica de imediato com o "calach" da Mishná. Abaie, porém, usa um nome diferente para esse mesmo tecido em seu próprio vocabulário — "shirá perandá" — sem, neste ponto, contestar ou confirmar se se trata do mesmo "calach" da Mishná ou de um tecido de seda distinto.
"Metaksa" — uma vestimenta feita daquele mesmo calach.
Objetou-se (de uma baraita): "os shiraim, e o calach, e os sericrin (tipos de tecido de seda) são obrigados em tzitzit" — (isso é) uma refutação de Ravin (que identificou calach com shirá perandá, pois a baraita os lista como itens distintos)! (A Guemará conclui:) É, de fato, uma refutação. Se quiseres, diz em vez disso: shirá é uma coisa à parte, e shirá perandá é uma coisa à parte (e a shirá perandá de Abaie é, na verdade, o próprio calach).
Uma baraita sobre a obrigação de tzitzit em vestes de seda lista "shiraim" e "calach" como dois itens distintos, o que refuta a identificação implícita de Ravin entre "calach" e "shirá perandá" (visto que "shirá" parece ser sinônimo de "shiraim"). A Guemará aceita a refutação como conclusiva quanto à formulação original, mas oferece uma saída alternativa: talvez "shirá" simples (sem qualificativo) seja um tecido de seda diferente de "shirá perandá", de modo que a baraita, ao listar "shiraim" (a seda simples) e "calach" separadamente, não contradiz a visão de que "calach" é precisamente aquilo que Abaie chama de "shirá perandá" — a seda mais refinada mencionada no episódio.
"Shiraim" — um manto feito da matéria-prima principal da seda.
"Sericrin" — feito da seda macia que se separa em fios finos e se encontra na seda; e o chamamos, em nosso lugar, de jaz.
"Obrigados em tzitzit" — e não como quem diz que apenas roupas de lã e linho são obrigadas em tzitzit pela Torá, ou mesmo por instituição rabínica; de qualquer forma, (a baraita) ensina "os shiraim e o calach" — eis que shiraim não é o mesmo que calach.
"Nem com petilat ha'idan" — (é) o salgueiro. Ravin e Abaie estavam andando no vale de Tamrurita. Viram aqueles salgueiros. Disse Ravin a Abaie: isto é o (mesmo) idan que aprendemos (na Mishná). Disse-lhe (Abaie): aquilo é mera madeira! (Ravin) descascou (o galho) e mostrou-lhe a parte lanosa que há no meio (entre a casca e a madeira). "Nem com petilat hamidbar" — (é) shavra (uma erva do deserto).
A Guemará identifica "petilat ha'idan" com o salgueiro, uma madeira que, tal como o galho de cedro visto anteriormente, não arde bem em si mesma, mas possui uma camada lanosa entre a casca e o lenho. O episódio narrado ilustra essa identificação: ao verem salgueiros no vale de Tamrurita, Ravin os identifica de imediato com o "idan" da Mishná; Abaie contesta, apontando que se trata de mera madeira (imprópria para pavio, e portanto sem sentido a Mishná proibi-la especificamente); Ravin então descasca um galho e mostra a Abaie a substância lanosa escondida sob a casca, que de fato poderia servir de pavio, e é por isso que a Mishná precisa proibi-la explicitamente. Já "petilat hamidbar" é identificada, sem episódio anexo, com uma planta chamada "shavra" — segundo Rashi, uma espécie de erva comprida.
"Salgueiro" — o salgueiro; e há como que uma lã entre a casca e a madeira.
"No vale" — um vale, uma planície entre montes.
"Shavra" — um tipo de erva comprida, e a chamam de urtiga.
"Nem com o (musgo) verde que (fica sobre a superfície da água), etc.": o que é ele? Se dissesses que é o musgo escuro (que cresce) em valas (poças de água parada) — mas esse se esfarela ao ser esfarelado (quebradiço demais para servir de pavio)! Mas disse Rav Papa: (é) o musgo escuro (que cresce) em embarcações.
A Guemará identifica o "musgo verde" mencionado na Mishná. A primeira sugestão — o musgo que se acumula em valas ou poças de água parada — é rejeitada, pois esse tipo de musgo é quebradiço e se desfaz ao toque, sendo por isso obviamente inútil como pavio, e não haveria razão para a Mishná mencioná-lo especificamente como proibido. Rav Papa propõe, em vez disso, o musgo que cresce na parte submersa de embarcações que ficam ancoradas por longos períodos num mesmo lugar — um musgo mais viscoso e maleável, que, uma vez seco, poderia até parecer adequado para um pavio, mas que a Mishná rejeita.
"Musgo escuro de valas" — em lugar onde a água se acumula, cresce sobre ela algo como um esverdeado.
"Se esfarela ao ser esfarelado" — e não se pode fazer dele um pavio.
"Musgo escuro de embarcação" — de uma embarcação que fica parada num só lugar na água; cresce um esverdeado ao redor de seu fundo, por fora.
Foi ensinado (numa baraita): acrescentaram a eles (os materiais proibidos como pavio, também os feitos) de lã e de pelo. E nosso tanna (o autor da Mishná, não os incluiu porque): a lã encolhe totalmente (quando exposta ao fogo, e não sustenta uma chama); o pelo se chamusca totalmente (sem realmente arder).
Uma baraita paralela amplia a lista de materiais proibidos como pavio, incluindo também os feitos de lã e de pelo de animal. A Guemará explica por que o tanna da nossa Mishná não sentiu necessidade de mencioná-los explicitamente: ao contrário dos demais materiais listados (que poderiam, à primeira vista, parecer adequados), lã e pelo são tão obviamente impróprios que seria supérfluo proibi-los — a lã simplesmente encolhe e se retrai diante do fogo, sem se manter acesa, e o pelo apenas se chamusca (queima superficialmente, com cheiro forte, mas sem chama), de modo que nenhum dos dois jamais seria sequer cogitado como pavio.
"Encolhe totalmente" — diante do fogo, e não arde de forma alguma, e a chama não pega nela; e não é preciso ensiná-lo (explicitamente na Mishná).
"Nem com piche" (zefet): zefet é ziftá; shaavá é kirutá (cera). Foi ensinado (numa baraita): até aqui (zefet), (trata-se de) desqualificação de pavios; daqui em diante, (trata-se de) desqualificação de óleos. (Objeção:) Isso é óbvio (que piche não serviria de pavio)! (Resposta:) Foi necessário (mencionar) por causa da cera (pois se poderia pensar que ela serve para revestir pavios). (Objeção:) O que dirias — que também para pavios ela não é apta (e por isso seria óbvio mencioná-la)? (Resposta:) Isso mesmo nos vem ensinar (que a cera de fato não é apta nem sequer para revestir pavios, ao contrário do que se poderia supor).
A Guemará identifica "zefet" com piche (ziftá) e "shaavá" com cera (kirutá). Uma baraita observa que a partir deste ponto da Mishná muda-se de assunto: até "zefet" inclusive, a lista trata de materiais desqualificados como pavio; a partir de "zefet", trata de materiais desqualificados como óleo combustível. A Guemará questiona por que seria necessário dizer algo tão óbvio — piche obviamente não poderia servir de pavio —, e responde que a menção foi necessária por causa da cera: poder-se-ia supor que, mesmo não servindo como óleo, a cera ainda seria apta para revestir ou moldar um pavio (como se faz com certas velas), e por isso a Mishná precisa esclarecer que a cera é imprópria mesmo para esse uso auxiliar.
"Até aqui" — até o (musgo) verde que fica sobre a superfície da água, (trata-se de) desqualificação de pavios.
"Daqui em diante, desqualificação de óleos" — que não se ponha um pedaço de piche ou de cera na vela no lugar do óleo.
"Foi necessário por causa da cera" — porque costumam fazer algo como um pavio comprido, com o pavio dentro dela, como nós fazemos.
"O que dirias — que também para pavio" — ele (o tanna) a proíbe.
Disse Rami bar Avin: alcatrão (itrana) é o resíduo do piche. Cera é o resíduo do mel.
O daf fecha com um esclarecimento final de Rami bar Avin sobre a origem de duas substâncias relacionadas às já discutidas: o alcatrão é descrito como o subproduto que resulta da extração do piche da madeira — quando se queima madeira para obter piche, escorre dela, depois do próprio piche, um líquido mais claro e fino, semelhante a óleo, que é o alcatrão. Da mesma forma, a cera é descrita como o subproduto do mel — o material residual que sobra do favo depois de extraído o mel.
"Resíduo do piche" — depois que o piche sai da madeira, escorre dela, por meio do fogo, um resíduo claro como óleo, e isso é o alcatrão.