O daf abre respondendo à pergunta deixada em aberto ao final de 26b: de onde a escola de Rabi Yishmael extrai que outros tecidos (que não lã, linho, nem o que sai da árvore), na medida de três por três dedos, se contaminam pela impureza de répteis mortos (shratzim) — resposta que vem de uma baraita distinta, a partir do acréscimo da palavra "ou" em "ou vestimenta" no verso sobre a impureza de répteis. A Guemará então explora, em uma sucessão de perguntas e respostas entre Abaye e Rava, se essa inclusão poderia ter sido derivada da impureza já estabelecida de negaim (chagas) por um raciocínio comparativo direto, sem necessidade de um verso próprio — e por que, em ambas as direções, a resposta é negativa, pois cada uma das duas leis (negaim e shratzim) tem uma estringência que a outra não tem, o que impede derivar uma da outra sem o apoio do texto. Abaye traz então uma segunda baraita da escola de Rabi Yishmael — que ele identifica como divergente da primeira, citada em 26b — segundo a qual o mesmo "ou vestimenta" inclui expressamente pelos de camelo, lã de coelho, pelos de cabra e diversos tipos de seda entre os materiais sujeitos à impureza de répteis, mesmo na medida pequena de três por três. Rava propõe uma leitura alternativa que harmoniza as duas baraitot da escola de Rabi Yishmael, distinguindo entre a medida pequena (três por três dedos, que ficaria isenta) e a medida grande (três por três palmos, que permaneceria sujeita à impureza) — mas a Guemará observa que essa leitura contradiz a própria formulação anterior de Rava (citada ao final de 26b), levando à conclusão de que Rava se retratou de sua posição original, ou, alternativamente, que a atribuição a Rava estava equivocada e a frase é, na verdade, de Rav Papa. A Guemará então relata o próprio ensinamento de Rav Papa sobre o alcance de "todo" tecido — estendendo-o à proibição de kilayim (misturas proibidas de lã e linho), na tentativa de mostrar que essa restrição a lã e linho precisaria ser derivada mesmo com o verso explícito do Devarim, hipótese que a Guemará refuta por um kal vachomer, concluindo que a atribuição a Rav Papa é um engano (devuta). O daf fecha com o início do ensinamento de Rav Nachman bar Yitzchak, também sobre o alcance de "todo", que prossegue no daf seguinte (27b).
De onde ele (tira) essa (mesma exclusão de outros tecidos quanto à impureza de répteis mortos)? Deriva-se de "ou vestimenta". Pois foi ensinado (numa baraita): "vestimenta" — não tenho (a partir deste termo) senão (a impureza de) vestimenta (inteira); três por três em outros tecidos, de onde (se aprende)? — Vem o texto e diz: "ou vestimenta" (no verso sobre a impureza de répteis mortos, Vayikra 11:32).
Ao final de 26b, a Guemará havia estabelecido a diferença prática entre Rabi Shimon ben Elazar e a escola de Rabi Yishmael quanto à medida de três por três (dedos) em outros tecidos (que não lã, linho, nem o que sai da árvore) — mas ficara em aberto a pergunta de onde a escola de Rabi Yishmael extrai essa inclusão. O daf agora traz a resposta: assim como o verso da tzaraat (negaim) trazia a expressão redundante "e a vestimenta" para incluir a medida de três por três em lã e linho, o verso sobre a impureza de répteis mortos (Vayikra 11:32, "e tudo sobre o que cair deles quando mortos ficará impuro, seja utensílio de madeira, ou vestimenta, ou couro, ou saco") traz de modo semelhante a partícula "ou" antes de "vestimenta" — uma expressão que, sendo tida por redundante, serve para incluir também outros tecidos (não apenas lã e linho) na medida de três por três, quanto à impureza de répteis mortos.
"De onde ele tira" — (pergunta a Guemará:) de onde tira Rabi Shimon (ben Elazar a fonte para haver) alguma (forma de) impureza em outros tecidos, visto que os demais tecidos genéricos (mencionados na Torá) se aprendem a partir do (caso) especificado (isto é, lã e linho, e por isso deveriam, à primeira vista, ficar todos excluídos)?
"De 'ou vestimenta'" — pois está escrito (esse termo) quanto a répteis (mortos), e o "ou" é uma (expressão de) ampliação.
"Pois foi ensinado" — não se lê (esta palavra "tanya" no texto original), pois, se fosse (de fato) uma baraita, como poderia Abaye discordar dela e dizer que (o verso) lhe é necessário para (incluir a medida de) três por três (dedos)? Ora, o tanna (já) ensinou explicitamente "três por três (palmos) em outros tecidos, de onde (se aprende)?" (Portanto, isto não é uma baraita citada, mas) é, antes, uma exposição (própria) de Rava.
E Abaye, este "ou vestimenta", o que faz ele com ele (já que, para Abaye, outros tecidos não se contaminam de modo algum)? É-lhe necessário para incluir (a medida de) três por três (dedos) em lã e linho, que se contamina por répteis (mortos).
A Guemará observa que Abaye, ao contrário da leitura anterior, sustenta que outros tecidos (além de lã e linho) não se contaminam de forma alguma pela impureza de répteis mortos, na medida de três por três. Se assim é, para que serve, então, a palavra adicional "ou" em "ou vestimenta"? A resposta: ela serve para um propósito mais restrito — incluir, na impureza de répteis mortos, a medida pequena de três por três dedos, mas apenas em lã e linho (paralelamente ao que já se sabia, do verso da tzaraat, quanto à impureza de negaim). Assim, para Abaye, o verso "ou vestimenta" tem uma função direta e específica, sem necessidade de estendê-lo a outros materiais têxteis.
E Rava (sustenta que não é necessário um verso próprio para incluir a medida pequena quanto a répteis mortos, pois) o Misericordioso (já) revelou isso quanto a negaim, e o mesmo vale (por analogia) para répteis (mortos).
Rava discorda de Abaye quanto à necessidade de um verso próprio: para Rava, uma vez que a Torá já ensinou, no contexto de negaim, que uma vestimenta de lã ou linho na medida de três por três dedos é considerada "vestimenta" para fins de impureza, essa mesma equivalência vale, por analogia direta, também para a impureza de répteis mortos — sem necessidade de um verso adicional específico para répteis. Segundo essa leitura, "ou vestimenta" teria, então, de servir a outro propósito (que será explorado nos beats seguintes).
E Abaye (objeta que essa analogia de Rava não se sustenta, pois) há como refutá-la: o que (há de comparável) a negaim, que (têm a estringência de que até) a trama e a urdidura (soltas) se contaminam por elas (o que não ocorre com répteis mortos)?
Abaye rejeita a analogia proposta por Rava com o mesmo tipo de argumento usado em 26b quanto ao kal vachomer: negaim têm uma estringência particular que répteis mortos não têm — a impureza se estende até mesmo aos fios soltos de trama e urdidura, antes de serem tecidos em pano. Sendo negaim, nesse sentido, uma impureza mais abrangente, não se pode simplesmente transferir sua lei (a inclusão da medida pequena de três por três) para répteis mortos por mera analogia — é necessário um verso próprio para répteis mortos, retornando à necessidade de "ou vestimenta" com a função identificada no beat 02.
E o outro (isto é, Rava replica): se te ocorre (pensar) que negaim são mais estringentes, (então) devia o Misericordioso ter escrito (a lei) quanto a répteis (mortos, que são a impureza mais leve, e não quanto a negaim), e que negaim viessem (derivados) deles.
Rava contra-argumenta: se de fato negaim fossem consideradas a impureza "mais forte" — a ponto de não se poder derivar dela a lei mais branda de répteis mortos por mera analogia —, seria de esperar que a Torá tivesse feito o caminho inverso: escrever explicitamente a lei da medida pequena quanto à impureza mais leve (répteis mortos), e depois derivar dela, por kal vachomer, a impureza mais severa (negaim). Como a Torá fez o oposto — escreveu a lei explicitamente quanto a negaim —, isso sugere que a intenção é que a lei de répteis mortos seja aprendida a partir de negaim, e não o contrário.
E o outro (isto é, Abaye replica): negaim não viriam (derivadas) de répteis (mortos, mesmo que a Torá tivesse escrito a lei apenas quanto a estes), pois há como refutar (essa direção também): o que (há de comparável) a répteis (mortos), que (têm a estringência de) contaminar já na medida de uma lentilha (o que não ocorre com negaim, que exigem a medida maior de uma vestimenta ou de três por três)?
Abaye conclui o intercâmbio mostrando que o argumento de Rava também não resolve o problema: mesmo que a Torá tivesse escrito a lei da medida pequena apenas quanto a répteis mortos, ainda assim não se poderia derivar dali, por mera analogia, a mesma lei quanto a negaim — pois répteis mortos têm sua própria estringência particular, contaminando mesmo em quantidades mínimas (do tamanho de uma lentilha), o que não é o caso de negaim. Como cada uma das duas leis tem uma estringência que a outra não tem, nenhuma pode ser derivada exclusivamente da outra por analogia — por isso a Torá precisou escrever ambas explicitamente: uma vez quanto a negaim ("e a vestimenta") e outra quanto a répteis mortos ("ou vestimenta").
Disse Abaye: este (ensinamento da) escola de Rabi Yishmael diverge daquele outro (ensinamento também) da escola de Rabi Yishmael. Pois ensinava a escola de Rabi Yishmael: "vestimenta" — não tenho (a partir deste termo) senão vestimenta de lã e linho; de onde (se aprende) incluir pelos de camelo e lã de coelho, pelos de cabra, e o shirin, e o kalach, e o serikin (tipos de tecido de seda ou similar)? — Vem o texto e diz: "ou vestimenta".
Abaye traz agora uma segunda baraita, também atribuída à escola de Rabi Yishmael, mas com um conteúdo diferente da primeira citada em 26b: enquanto aquela restringia toda menção genérica de "vestimenta" na Torá a lã e linho apenas (excluindo, entre outros, o que sai da árvore), esta segunda baraita usa o verso "ou vestimenta" (o mesmo verso sobre répteis mortos discutido acima) para incluir expressamente uma lista de outros materiais têxteis — pelos de camelo, lã de coelho, pelos (ou "penas", termo usado também para pelos finos) de cabra, e três termos técnicos para tipos de tecido feito de seda ou fibra semelhante (shirin, kalach, serikin) — entre os materiais sujeitos à impureza de répteis mortos, mesmo na medida pequena de três por três dedos. Abaye nota que essa segunda baraita contradiz diretamente a primeira: uma exclui todos os materiais que não sejam lã e linho, a outra os inclui explicitamente. Conclui, portanto, que se trata de duas baraitot divergentes, ambas atribuídas à mesma escola tanaítica, mas representando posições distintas dentro dela.
Disse Rava: quando (a primeira baraita da) escola de Rabi Yishmael não sustenta (a impureza de) outros tecidos (na medida de) três por três (dedos), (a medida maior de) três por três (palmos, ela) sustenta.
Rava propõe uma leitura que evita a contradição apontada por Abaye entre as duas baraitot: em vez de tratá-las como posições opostas de dois tannaim distintos da mesma escola, Rava as harmoniza, distinguindo entre duas medidas diferentes de três por três (como já ocorrera em 26b entre a medida em dedos e a medida em palmos). Segundo essa leitura, a primeira baraita (de 26b), que exclui outros tecidos da impureza na medida de três por três, refere-se apenas à medida pequena, em dedos — a que serve exclusivamente aos pobres. Já a segunda baraita, citada por Abaye, que inclui pelos de camelo, coelho, cabra e sedas a partir de "ou vestimenta", refere-se à medida grande, em palmos — a que serve tanto a ricos quanto a pobres. Assim, as duas baraitot não se contradizem: outros tecidos ficam isentos na medida pequena, mas permanecem sujeitos à impureza na medida grande.
Mas não foi Rava quem disse (em 26b) que (a medida de) três por três (palmos) em outros tecidos, Rabi Shimon ben Elazar a sustenta, (mas) a escola de Rabi Yishmael não a sustenta?! (Isso contradiz o que Rava acaba de dizer agora, que a escola de Rabi Yishmael sustenta a medida grande.) Rava se retratou daquilo (que dissera antes). E, se quiseres, dize (em vez disso): foi Rav Papa quem a disse (e não Rava, evitando assim a contradição).
A Guemará levanta uma dificuldade direta: a formulação de Rava neste beat (09) contradiz frontalmente sua própria formulação, citada ao final de 26b e recapitulada logo no início deste daf, segundo a qual a escola de Rabi Yishmael não sustenta a impureza de outros tecidos nem mesmo na medida grande de três por três palmos. A Guemará oferece duas soluções possíveis para essa contradição, sem decidir definitivamente entre elas: a primeira, que Rava genuinamente mudou de posição entre uma discussão e outra (algo comum e aceito no Talmud, pois os sábios podiam revisar suas conclusões ao longo de suas carreiras de estudo); a segunda, alternativa, que a atribuição da afirmação deste beat não seria de Rava, mas de seu principal discípulo, Rav Papa — e que, por ser tão próximo de seu mestre, suas palavras teriam sido erroneamente atribuídas a Rava em uma das duas versões.
Disse Rav Papa: "também todo" (a expressão que estende a restrição de lã e linho a todas as menções genéricas de vestimenta) vem para incluir kilayim (a proibição de misturar lã e linho). Mas kilayim já está escrito explicitamente (quanto a lã e linho): "não vestirás shaatnez, lã e linho juntos" (Devarim 22:11)! (Por que seria necessária, então, uma derivação adicional?) Poderia ocorrer-te (pensar): isso (a restrição do verso explícito) se aplica apenas à maneira de vestir (propriamente); mas quanto a apenas colocar (a vestimenta) sobre si (sem vesti-la da forma costumeira), qualquer dois tipos (de material misturados) seriam proibidos (por isso seria necessária a derivação adicional para restringir também esse caso a lã e linho).
A Guemará traz agora um ensinamento atribuído a Rav Papa (o mesmo sábio a quem, no beat anterior, se sugeriu atribuir a frase sobre a medida grande em outros tecidos), que interpreta o alcance da conclusão "também todo" — a extensão do princípio de que toda menção genérica de "vestimenta" na Torá se refere apenas a lã e linho — de um modo diferente dos beats anteriores: não como referente à impureza de negaim ou répteis mortos, mas como referente à proibição de kilayim (misturar lã e linho na mesma peça de vestuário, Vayikra 19:19 e Devarim 22:11). A dificuldade óbvia é que essa restrição já está escrita explicitamente no verso de Devarim ("não vestirás shaatnez, lã e linho juntos") — não parecendo, à primeira vista, necessitar de nenhuma derivação adicional. A resposta proposta seria que o verso explícito trataria apenas do ato de "vestir" propriamente dito, deixando em aberto a possibilidade de que, ao meramente "colocar sobre si" a vestimenta (sem o ato pleno e costumeiro de vesti-la), a proibição se estendesse a qualquer combinação de dois materiais diferentes — daí a necessidade de uma derivação adicional para restringir também esse caso específico a lã e linho.
Mas não é um kal vachomer? Ora, (se) no vestir (propriamente, em que) todo o seu corpo se beneficia de kilayim, disseste (tu mesmo) que lã e linho — sim (se proíbem), qualquer outra coisa — não; no colocar sobre si (mera e brevemente, em que o benefício é menor), não é ainda mais óbvio (que a proibição se restringe do mesmo modo apenas a lã e linho)? Mas, antes, (a atribuição) de Rav Papa é um engano (e ele não a disse).
A Guemará refuta a hipótese proposta no beat anterior por meio de um raciocínio a fortiori (kal vachomer) muito direto: se mesmo no caso mais grave — vestir a peça de roupa propriamente, do qual o corpo inteiro se beneficia —, a proibição de kilayim já se restringe apenas a lã e linho, com maior razão essa mesma restrição deveria valer no caso mais brando de simplesmente colocar a vestimenta sobre si, sem o benefício pleno do vestir costumeiro. Não haveria, portanto, nenhuma necessidade de uma derivação adicional — o verso explícito de Devarim já bastaria para ambos os casos. Diante dessa refutação, a Guemará conclui que a atribuição do ensinamento anterior a Rav Papa deve ter sido um erro (devuta, um termo aramaico que designa uma confusão ou engano de transmissão) — ou seja, Rav Papa não disse, de fato, aquele ensinamento sobre kilayim.
Rav Nachman bar Yitzchak disse: "também todo" (abrindo um novo ensinamento sobre o alcance dessa mesma expressão, cujo conteúdo prossegue no início do daf seguinte).
O daf termina com a abertura de um terceiro ensinamento sobre o alcance da expressão "também todo" (a mesma conclusão de que toda menção genérica de "vestimenta" na Torá se refere apenas a lã e linho), agora atribuído a Rav Nachman bar Yitzchak — um padrão comum de transição entre folhas no Talmud, quando um mesmo tema (aqui, os diferentes usos possíveis dessa expressão, já explorados por Abaye quanto a répteis mortos, e por Rav Papa, ainda que refutado, quanto a kilayim) é examinado por sucessivos sábios. O conteúdo pleno do ensinamento de Rav Nachman bar Yitzchak — o próximo verso relacionado (segundo o texto de Sefaria, uma extensão paralela para a lei de tzitzit, com a exigência de ver as próprias franjas, excluindo vestimenta de uso noturno) — é retomado e desenvolvido no início do daf seguinte (27b).