A Guemará completa a comparação iniciada em 2a entre a Mishná de Shabat e a de Shevuot, trazendo também o modelo paralelo de Marot Negaim (as manifestações de tzaraat) e de Yediot HaTumah (a consciência da impureza), ambos também formulados como "dois que se tornam quatro". A partir daí, a Guemará busca, por várias tentativas, explicar por que a Mishná de Shabat expõe quatro casos de cada lado do limiar, enquanto a de Shevuot para em dois — passando pela distinção entre avot e toldot, depois pela distinção entre casos de responsabilidade e de isenção, até a proposta de Rava de que a palavra da Mishná não é "yetziot" mas "reshuyot". O daf termina em uma nova dificuldade levantada por Rav Matna a Abaye sobre a contagem exata de ações na Mishná, cuja resposta é apenas iniciada.
A consciência da impureza (no tocante à entrada no Templo ou ao consumo de coisas consagradas) são duas (casos) que se tornam quatro.
As manifestações de nega'im (a tzaraat) são dois que se tornam quatro.
As saídas do Shabat são duas que se tornam quatro.
A Guemará recolhe três formulações paralelas espalhadas pela Mishná — a de Yediot HaTumah (Shevuot 2:1), a de Marot Negaim (Nega'im 1:1) e a de Yetziot Shabat, citada de Shevuot 1:1, onde aparece ao lado da primeira. As três empregam a mesma fórmula "dois que se tornam quatro", mas cada uma se refere a uma estrutura distinta: consciência da impureza antes e depois de um ato proibido; os dois tons de mancha de tzaraat e seus dois tons derivados; e as transferências de objetos no Shabat.
"A consciência da impureza" — a que se menciona a respeito da oferenda variável (korban oleh vê-yored, Vayikrá 5), ou "e se alguém tocar" etc.; e dizemos em Massechet Shevuot (Perek Alef, 7b) que o versículo só fala da impureza relativa ao Templo e às suas coisas consagradas — quando alguém, tendo-se tornado impuro, comeu kodesh ou entrou no Templo; e deriva-se ali (4a) que ele só se torna responsável havendo consciência no início e consciência no fim, com esquecimento no meio — como quando soube que estava impuro, esqueceu-se da impureza e comeu kodesh, e, depois de comer, soube que o comeu em estado de impureza. São dois (casos), a partir do sentido do versículo (ali): "e lhe for oculto, sendo ele impuro" — indica que lhe foi ocultada a impureza, mas ele se lembra de que comeu kodesh e de que aquilo era o Templo; eis dois: esquecimento da impureza quanto ao kodesh, e esquecimento da impureza quanto ao Templo.
"Que se tornam quatro" — deves ainda incluir mais dois, a partir da repetição de "e lhe for oculto" e "e lhe for oculto" duas vezes, para incluir aquele que está lembrado da impureza, mas a quem foi ocultado o kodesh — pensando que era coisa comum — ou a quem foi ocultado o Templo.
"As manifestações de nega'im" — para tornar-se impuro por meio delas, são dois: se'et e baheret.
"Que se tornam quatro" — a partir da repetição de sapachat, que tem o sentido de algo anexo, como em "agrega-me, rogo, a um dos ofícios sacerdotais" (I Shemuel 2:36) — inclui um anexo a esta e um anexo àquela: uma derivada de se'et e uma derivada de baheret. E ensinaram os Sábios: baheret é intensa como a neve, e sua segunda (derivada) é como a cal do Salão (do Templo); se'et é como lã branca, e sua segunda é como a membrana do ovo. (A palavra) "mar'e" é de gênero masculino — por isso ensina (o texto) "dois que (masculino) se tornam quatro".
Em que é diferente (a Mishná) aqui, que ensina "duas que se tornam quatro para quem está dentro, e duas que se tornam quatro para quem está fora", e em que é diferente (a Mishná) ali (em Shevuot), que ensina "duas que se tornam quatro", e nada mais?
Aqui, onde se trata do essencial do Shabat, (a Mishná) ensina as avot (categorias-mãe de melachá) e ensina as toldot (categorias derivadas). Ali, onde não se trata do essencial do Shabat, (a Mishná) ensina as avot, mas não ensina as toldot.
"Ensina avot e ensina toldot" — as saídas e as entradas, pois as saídas são avot, já que de "e fizeram passar um pregão pelo acampamento" (Shemot 36:6) só se depreende as saídas; mas por raciocínio dizemos (no início de "HaZorek", 96b): afinal, o que importa ao versículo é o transferir de um domínio a outro — que diferença faz para mim tirar ou trazer para dentro?
O que são as avot? — As saídas; mas as saídas são apenas duas!
A Guemará contesta a primeira resposta: se as categorias-mãe são simplesmente "as saídas", só há dois casos possíveis de saída — do dono da casa e do pobre — e não quatro, como a resposta havia pressuposto.
"São apenas duas" — a do pobre e a do dono da casa; então o que significa "que se tornam quatro", que se ensina ali (em Shevuot)?
E se disseres: algumas (das quatro) são para responsabilidade e algumas para isenção (completando o número a partir dos dois últimos casos da Mishná, em que ambos ficam isentos) — mas ela (a Mishná de Shevuot) ensina isso de forma semelhante a Marot Negaim: assim como ali (em Marot Negaim) todas as quatro são para responsabilidade, também aqui todas as quatro devem ser para responsabilidade!
"Algumas para responsabilidade e algumas para isenção" — as saídas do pobre e do dono da casa (seriam) para responsabilidade, e duas saídas (adicionais) de isenção: dois levantamentos de saída, como quando o dono da casa estende sua mão cheia para fora e o pobre toma (o objeto) de dentro dela — eis uma isenção do dono da casa, que o Tanna da Mishná a computa; e como quando o pobre estende sua mão vazia para dentro e o dono da casa deposita (um objeto) nela — eis uma segunda isenção de saída (variante: do pobre), que é proibida de antemão, pois decretamos que talvez ele venha a fazer a deposição sobre o seu levantamento; e essas seriam as quatro que se ensinam ali.
"Mas ela ensina isso de forma semelhante a Marot Negaim: assim como ali todas são para responsabilidade" — pois por qualquer uma delas que (a pessoa) se tornou impura e entrou no Templo, é responsável; e por isso a Guemará questiona a partir de Marot Negaim, e não a partir de Shevuot e Yediot, pois nestas há divergência — há quem diga, em Shevuot (25a), que só se é responsável pelo (juramento) referente ao futuro, e também em Yediot há quem diga (14b) que só se é responsável pelo esquecimento da impureza.
Mas disse Rav Papa: aqui, onde se trata do essencial do Shabat, (a Mishná) ensina os casos de responsabilidade e os casos de isenção. Ali, onde não se trata do essencial do Shabat, (a Mishná) ensina os casos de responsabilidade, mas não ensina os casos de isenção.
Rav Papa substitui a distinção avot/toldot pela distinção entre casos de responsabilidade (chiyuvei) e casos de isenção (peturei) — retomando, sem o dizer explicitamente, a sugestão que a Guemará havia acabado de rejeitar, mas agora sem se apoiar na comparação com Marot Negaim.
"Ensina os casos de responsabilidade" — como se explica adiante: duas saídas e duas entradas, e todas para responsabilidade de um único indivíduo, quando o pobre as realizou sozinho ou o dono da casa sozinho.
O que são os casos de responsabilidade? — As saídas; mas as saídas são apenas duas! — (A Guemará responde:) Duas de saída e duas de entrada.
"O que são os casos de responsabilidade? As saídas" — isto é, (a Mishná) ensina "saídas", o que indica (apenas) saída; por isso se pergunta: dentre os casos de responsabilidade, forçosamente só há "saídas" e são apenas duas; e responde-se: entradas também se ensinam junto com elas.
Mas ela ensina "saídas"! Disse Rav Ashi: o Tanna chama também a entrada de "saída".
"A partir do que aprendemos: 'quem tira de um domínio para outro'" — (referência à Mishná) que enumera o número das categorias-mãe de melachá, no capítulo Klal Gadol.
"Não estamos lidando etc." — pois forçosamente também pela entrada (a pessoa) é responsável, como ensina a nossa Mishná "o pobre é responsável", e (a outra Mishná) ensina "quem tira".
De onde (se prova isso)? Do que aprendemos: "quem tira de um domínio para outro é responsável". Acaso não estamos tratando também de quem traz do domínio público para o domínio privado, e ainda assim (a Mishná) chama isso de "saída"?
E qual é a razão (disso)? — Todo levantamento de um objeto de seu lugar, o Tanna chama de "saída".
Disse Ravina: também a nossa Mishná é precisa quanto a isso, pois ensina "saídas" e logo em seguida explica (o primeiro caso) com uma entrada. Aprenda-se disso (que a conclusão está correta).
"Nossa Mishná" — também aqui é precisa, pois chama a entrada igualmente de saída.
"Pois ensina 'saídas'" — e forçosamente não podes explicar que fala apenas de saídas, sendo então "que se tornam quatro" os casos de responsabilidade e de isenção; pois (a Mishná) já explica a entrada logo no início, ensinando "como assim: o pobre estendeu sua mão para dentro" — o que é uma entrada — e a ensina como explicação de "saídas"; logo, ela chama também a entrada de saída.
Disse Rava: (a Mishná) ensina "domínios" (reshuyot), (e seu texto correto é): "os domínios do Shabat são dois".
Rava propõe uma solução diferente das anteriores: em vez de discutir o sentido da palavra "saídas", ele sugere que a própria formulação da Mishná não é "yetziot" (saídas), mas "reshuyot" (domínios) — o que resolveria a questão sobre por que se fala de quatro casos, já que os dois domínios (público e privado), tomados dentro e fora, geram por si só as quatro combinações.
"Disse Rava" — visto que te é difícil a expressão "saída" tanto aqui quanto ali, (propõe que a Mishná) ensina "domínios": dois domínios, o domínio privado e o domínio público, que se tornam quatro para quem está dentro etc. — isto é, por meio deles tens quatro proibições dentro, e correspondentes a elas, fora; e algumas para responsabilidade e algumas para isenção; e aquela (Mishná) de Shevuot, todas são para responsabilidade, como estabelecemos.
Disse-lhe Rav Matna a Abaye: mas estas (ações da Mishná), não são oito? São doze!
Deixando de lado a comparação com Shevuot, Rav Matna volta à própria Mishná de Shabat e questiona a contagem das ações nela descritas: os quatro casos de dentro somados aos quatro de fora dariam oito, mas, contando-se separadamente cada levantamento e cada deposição feitos por cada uma das duas pessoas nos dois últimos casos (em que ambos participam), o total sobe para doze.
"São doze" — quatro casos de responsabilidade e oito de isenção: dois levantamentos do pobre sem deposição, e duas deposições sem levantamento; e o mesmo para o dono da casa. Por exemplo: o pobre estendeu sua mão cheia para dentro e o dono da casa tomou (o objeto) de dentro dela — eis um levantamento do pobre e uma deposição do dono da casa; ou (o dono da casa) depositou (um objeto) nela e (o pobre) a trouxe para fora — eis um levantamento do dono da casa e uma deposição do pobre. E o mesmo quando o dono da casa estende (a mão) etc., como se ensina.
E, segundo o teu próprio raciocínio, seriam dezesseis!
"Seriam dezesseis" — pois há também que se contar aquelas isenções que se mencionam junto aos casos de responsabilidade: "o pobre é responsável e o dono da casa está isento", e assim "o dono da casa é responsável e o pobre está isento" (cada um dos dois primeiros casos também envolve, implicitamente, um levantamento e uma deposição da outra parte, que ficam isentos).
Disse-lhe (Rav Matna a Abaye): isso não é difícil: concedido que (...)
O daf termina exatamente aqui, no meio da frase de Rav Matna — a palavra "בשלמא" ("concedido que...") introduz a distinção que ele está prestes a traçar entre os dois grupos de isenções, mas o conteúdo dessa distinção só é dado no início do daf seguinte, 3a. Nada do que se segue é antecipado nesta página.