Talmud Bavli · Massechet Shabbat · Perek Guimel · Kirah
בָּטְלָה הַטְמָנָה

A conclusão de Rav Chisda sobre o episódio de Tiberíades, a réplica de Rav Nachman a Ula, o significado de rechitzá permitida e proibida, a baraita de Beit Shamai e Beit Hilel, a disputa sobre lavar o corpo todo, a distinção de Rav Chisda entre vasilha e chão, e o princípio da halachá conforme quem decide

Shabbat 39b — continuação da abertura de Rav Chisda interrompida no fim de 39a

O daf abre completando o ensinamento de Rav Chisda, interrompido no limite de 39a: a partir do próprio episódio dos habitantes de Tiberíades, que os sábios proibiram, aprende-se que a Hatmaná (o ato de esconder um alimento para preservar seu calor) foi inteiramente anulada quando feita em algo que aumenta o calor — e isso vale mesmo se a Hatmaná for realizada ainda de dia, antes do início do Shabat. Ula declara que a halachá segue os habitantes de Tiberíades, mas Rav Nachman replica secamente que eles próprios já haviam destruído seus canos, abandonando a prática. A Guemará então examina o sentido exato de "rechitzá" (lavar-se) no episódio: seria lavar o corpo todo, ou apenas rosto, mãos e pés? Uma baraita mostra que água aquecida na véspera do Shabat permite lavar apenas rosto, mãos e pés, não o corpo todo — o que exige reinterpretar o caso de Tiberíades. Uma segunda cláusula, tratando de Iom Tov, é comparada à disputa entre Beit Shamai (que proíbe aquecer água para os pés a menos que seja própria para beber) e Beit Hilel (que permite), levantando a questão se a Mishná anônima seguiria a opinião não atribuída de Beit Shamai. Rav Ika bar Chananya resolve reinterpretando o caso como referindo-se a passar água pelo corpo todo (sem imersão), e cita uma baraita com a disputa entre Rabi Meir (que proíbe passar água pelo corpo todo, quente ou fria), Rabi Shimon (que permite) e Rabi Yehudá (posição intermediária: proíbe em água quente, permite em fria). Rav Chisda distingue essa disputa como valendo apenas para água numa vasilha, mas em água corrente sobre o chão todos permitem — distinção que é então invertida à luz do próprio episódio de Tiberíades, que ocorreu sobre o chão e foi proibido. O daf fecha com Rabá bar bar Chana, em nome de Rabi Yochanan, declarando que a halachá segue Rabi Yehudá, e Rav Yossef questionando se isso foi ouvido explicitamente ou por dedução de um princípio geral de Rabi — que a halachá segue quem decide entre dois discordantes, exceto no caso das leniências de retalhos, cuja discussão é interrompida no limite do daf e continua em 40a.

A conclusão de Rav Chisda: a Hatmaná anulada pelo episódio de Tiberíades · בָּטְלָה הַטְמָנָה בְּדָבָר הַמּוֹסִיף הֶבֶל

01Rav Chisda: da proibição de Tiberíades aprende-se que a Hatmaná em algo que aumenta o calor foi anulada, mesmo se feita de dia
Rav Chisda (continuação); Ula; Rav Nachman
אָמַר רַב חִסְדָּא: מִמַּעֲשֶׂה שֶׁעָשׂוּ אַנְשֵׁי טְבֶרְיָא וְאָסְרִי לְהוּ רַבָּנַן בָּטְלָה הַטְמָנָה בְּדָבָר הַמּוֹסִיף הֶבֶל, וַאֲפִילּוּ מִבְּעוֹד יוֹם. אֲמַר עוּלָּא: הֲלָכָה כְּאַנְשֵׁי טְבֶרְיָא. אֲמַר לֵיהּ רַב נַחְמָן: כְּבָר תַּבְרִינְהוּ אַנְשֵׁי טְבֶרְיָא לְסִילוֹנַיְיהוּ.

(Continuando a frase de Rav Chisda, interrompida no fim de 39a:) Disse Rav Chisda: a partir do episódio que fizeram os habitantes de Tiberíades, e que os sábios proibiram-lhes, aprende-se que a Hatmaná (o ato de esconder um alimento ou líquido para preservar ou aumentar seu calor) em algo que aumenta o calor foi (inteiramente) anulada (proibida), e isso mesmo se feita ainda de dia (antes do início do Shabat, e não apenas durante o Shabat propriamente). Disse Ula: a halachá segue os habitantes de Tiberíades (ou seja, tal Hatmaná é permitida). Disse-lhe Rav Nachman: já os habitantes de Tiberíades destruíram seus canos (abandonando eles mesmos essa prática, de modo que não há como basear-se nela para permitir).

Nota

O daf abre completando a citação de Rav Chisda, cortada exatamente no limite físico do daf anterior. Ele extrai do próprio episódio de Tiberíades — no qual os sábios proibiram a água aquecida pelo canal de fontes termais quando isso ocorria em Shabat — uma conclusão de largo alcance: a Hatmaná (esconder um alimento para preservar ou intensificar seu calor) em qualquer material que efetivamente aumenta o calor foi inteiramente anulada como prática permitida, e essa anulação vale mesmo quando a Hatmaná é realizada ainda de dia, antes do início do Shabat propriamente — pois o episódio de Tiberíades também envolvia um processo contínuo, iniciado antes do Shabat mas cujo efeito persistia durante ele. Ula então declara que, apesar dessa proibição rabínica, a halachá prática deveria seguir a conduta original dos habitantes de Tiberíades — ou seja, permitir tal aquecimento. Rav Nachman responde secamente que essa posição já está superada na prática: os próprios habitantes de Tiberíades destruíram seus canos, abandonando eles mesmos a prática, de modo que não haveria mais um precedente vivo a seguir.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "batlá hatmaná" e "levar tavrinhu"
בטלה הטמנה - נאסרה הטמנה בדבר המוסיף הבל דהא מבע"י נתנו שם הסילון ומפני שהצוננין מתחממין בכך ואע"ג דממילא אסור:

"Foi anulada a Hatmaná" — foi proibida a Hatmaná em algo que aumenta o calor, pois eis que ainda de dia colocaram ali o cano, e por causa disso as águas frias se aquecem — e mesmo sendo (o aquecimento) por si mesmo (sem intervenção direta em Shabat), é proibido.

לסילונייהו - לסילונין שלהן שחזרו בהן:

"Seus canos" — os canos deles, dos quais (os habitantes de Tiberíades) voltaram atrás (abandonando a prática).

O significado de "rechitzá" no episódio de Tiberíades · מַאי רְחִיצָה

02A dúvida sobre lavar o corpo todo ou apenas rosto, mãos e pés, e a baraita que restringe a permissão
Guemará (anônima); baraita
מַעֲשֶׂה שֶׁעָשׂוּ אַנְשֵׁי טְבֶרְיָא: מַאי רְחִיצָה? אִילֵּימָא רְחִיצַת כׇּל גּוּפוֹ — אֶלָּא חַמִּין שֶׁהוּחַמּוּ בְּשַׁבָּת הוּא דַּאֲסוּרִין, הָא חַמִּין שֶׁהוּחַמּוּ מֵעֶרֶב שַׁבָּת מוּתָּרִין? וְהָתַנְיָא: חַמִּין שֶׁהוּחַמּוּ מֵעֶרֶב שַׁבָּת, לְמָחָר רוֹחֵץ בָּהֶן פָּנָיו יָדָיו וְרַגְלָיו, אֲבָל לֹא כׇּל גּוּפוֹ! אֶלָּא פָּנָיו יָדָיו וְרַגְלָיו.

"O episódio que fizeram os habitantes de Tiberíades" (no qual os sábios proibiram tanto a rechitzá quanto a bebida da água aquecida em Shabat) — que (tipo de) rechitzá (lavagem, é essa)? Se dissermos (que se trata da) lavagem do corpo todo — mas então (a implicação seria que) apenas a água quente aquecida em Shabat é proibida, e a água quente aquecida na véspera do Shabat seria permitida (para lavar o corpo todo)? Mas não se ensinou (em outra baraita): água quente aquecida na véspera do Shabat, no dia seguinte (em Shabat) lava-se com ela o rosto, as mãos e os pés, mas não o corpo todo! (Portanto, a rechitzá do caso de Tiberíades não pode se referir ao corpo todo.) Antes, (deve referir-se apenas a) rosto, mãos e pés.

Nota

A Guemará examina com precisão o termo "rechitzá" (lavagem) mencionado no episódio de Tiberíades, no qual os sábios proibiram tanto lavar-se quanto beber da água aquecida em Shabat. Se essa rechitzá se referisse à lavagem do corpo todo, a implicação lógica seria que apenas a água aquecida durante o próprio Shabat estaria proibida para esse fim, enquanto água quente já aquecida na véspera do Shabat seria permitida para lavar o corpo inteiro. Mas isso contradiz uma baraita bem estabelecida, segundo a qual água aquecida na véspera do Shabat só pode ser usada, no Shabat, para lavar rosto, mãos e pés — nunca o corpo todo, que exigiria uma permissão mais ampla inexistente. A Guemará conclui, portanto, que a rechitzá proibida no episódio de Tiberíades deve necessariamente referir-se apenas a lavar rosto, mãos e pés, não ao corpo inteiro.

03A cláusula de Iom Tov e a possível concordância com Beit Shamai
Guemará (anônima); Beit Shamai; Beit Hilel
אֵימָא סֵיפָא: בְּיוֹם טוֹב, כְּחַמִּין שֶׁהוּחַמּוּ בְּיוֹם טוֹב, וַאֲסוּרִין בִּרְחִיצָה וּמוּתָּרִין בִּשְׁתִיָּה. לֵימָא תְּנַן סְתָמָא כְּבֵית שַׁמַּאי? דִּתְנַן, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים: לֹא יָחֵם אָדָם חַמִּין לְרַגְלָיו אֶלָּא אִם כֵּן רְאוּיִין לִשְׁתִיָּה, וּבֵית הִלֵּל מַתִּירִין.

Diga-se a última cláusula (do ensinamento sobre Tiberíades): em Iom Tov, (a água de Tiberíades é considerada) como água quente aquecida em Iom Tov, sendo proibida para rechitzá (lavagem) mas permitida para bebida. Diremos que ensinamos (essa Mishná) de forma anônima (sem atribuição), seguindo Beit Shamai? Pois se ensinou: Beit Shamai diz: não deve o homem aquecer água quente para (lavar) os pés, a menos que seja própria para beber (ou seja, apenas se a água for também apta para consumo — caso contrário, aquecê-la só para lavar os pés seria como aquecê-la para um uso não essencial em Iom Tov); e Beit Hilel permite (aquecer água para os pés mesmo que não seja própria para beber).

Nota

A Guemará avança para a cláusula do episódio de Tiberíades referente a Iom Tov: nesse contexto, a água é tratada como água aquecida no próprio Iom Tov — proibida para lavagem, mas permitida para bebida, pois em Iom Tov o cozimento e o aquecimento para consumo são permitidos, mas não para outros usos como lavar-se. A Guemará então observa que essa formulação parece coincidir precisamente com a posição de Beit Shamai, que proíbe aquecer água para lavar os pés em Iom Tov a menos que essa mesma água também sirva para beber — e pergunta se a Mishná estaria implicitamente adotando, de forma anônima e sem atribuição explícita, a opinião mais restritiva de Beit Shamai, contra Beit Hilel, que permite aquecer água para os pés mesmo que não seja apta para bebida. Isso seria surpreendente, pois a halachá geralmente segue Beit Hilel.

04A resolução de Rav Ika bar Chananya: trata-se de passar água pelo corpo todo, e a baraita de Rabi Meir, Rabi Shimon e Rabi Yehudá
Rav Ika bar Chananya; baraita (Rabi Meir; Rabi Shimon; Rabi Yehudá)
אָמַר רַב אִיקָא בַּר חֲנַנְיָא: לְהִשְׁתַּטֵּף בָּהֶן כׇּל גּוּפוֹ עָסְקִינַן, וְהַאי תַּנָּא הוּא דְּתַנְיָא: לֹא יִשְׁתַּטֵּף אָדָם כׇּל גּוּפוֹ בֵּין בְּחַמִּין וּבֵין בְּצוֹנֵן — דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. רַבִּי שִׁמְעוֹן מַתִּיר. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: בְּחַמִּין — אָסוּר, בְּצוֹנֵן — מוּתָּר.

Disse Rav Ika bar Chananya: (a proibição de rechitzá no episódio de Tiberíades) trata-se de passar água por todo o corpo (sem imersão completa; um gesto mais leve do que o banho propriamente dito), e este (caso) é (objeto de disputa entre) tanás, pois se ensinou: não deve o homem passar água por todo o corpo, seja em água quente, seja em água fria — palavras de Rabi Meir. Rabi Shimon permite (em ambos os casos). Rabi Yehudá diz: em água quente — é proibido; em água fria — é permitido.

Nota

Rav Ika bar Chananya resolve a dificuldade reinterpretando o que estava em jogo no episódio de Tiberíades: não se tratava de lavar-se por imersão ou esfregação completa do corpo, mas de um gesto mais leve — passar ou derramar água sobre todo o corpo, sem a fricção própria do banho. Esse gesto específico é objeto de uma disputa tanaítica independente, preservada numa baraita: Rabi Meir proíbe totalmente passar água pelo corpo inteiro em Shabat, seja com água quente, seja com água fria, temendo que isso leve a carregar a água por quatro cúbitos num domínio público ou a outras transgressões; Rabi Shimon permite em ambos os casos, sem essa preocupação; e Rabi Yehudá adota uma posição intermediária, proibindo apenas quando a água é quente (por receio de que se confunda com aquecer água em Shabat) mas permitindo quando é fria. A posição de Iom Tov do episódio de Tiberíades, portanto, não reflete necessariamente Beit Shamai, mas apenas essa disputa específica sobre passar água pelo corpo.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "lehishtatef kol gufo" e a disputa dos tanaím
להשתטף כל גופו - לשפוך עליו מים, ולא רחיצה ממש בשפשוף:

"Passar água por todo o corpo" — derramar água sobre ele, e não uma lavagem propriamente dita, com fricção.

A distinção de Rav Chisda entre vasilha e chão · מַחֲלוֹקֶת בִּכְלִי

05Rav Chisda distingue vasilha de chão, e a objeção a partir do próprio episódio de Tiberíades exige inverter a distinção
Rav Chisda
אָמַר רַב חִסְדָּא: מַחֲלוֹקֶת בִּכְלִי, אֲבָל בְּקַרְקַע — דִּבְרֵי הַכֹּל מוּתָּר. וְהָא מַעֲשֶׂה דְּאַנְשֵׁי טְבֶרְיָא בְּקַרְקַע הֲוָה וְאָסְרִי לְהוּ רַבָּנַן! אֶלָּא אִי אִיתְּמַר, הָכִי אִיתְּמַר: מַחֲלוֹקֶת בְּקַרְקַע, אֲבָל בִּכְלִי — דִּבְרֵי הַכֹּל אָסוּר.

Disse Rav Chisda: a disputa (entre Rabi Meir, Rabi Shimon e Rabi Yehudá) é (apenas quanto à água contida) numa vasilha; mas em (água corrente sobre) o chão — todos concordam que é permitido. Mas eis que o episódio dos habitantes de Tiberíades foi (um caso de água corrente sobre) o chão, e os sábios proibiram-lhes! (Portanto, a formulação original não pode estar correta.) Antes, se foi dito, assim foi dito: a disputa é (quanto à água corrente sobre) o chão; mas numa vasilha — todos concordam que é proibido.

Nota

Rav Chisda propõe inicialmente que a disputa entre os três tanaím sobre passar água pelo corpo todo se restringe ao caso de água contida numa vasilha, mas que, quando se trata de água corrente livremente sobre o chão, todos concordariam em permitir, sem qualquer restrição. A Guemará imediatamente objeta a partir do próprio episódio de Tiberíades: ali a água corria livremente pelo canal sobre o chão, e mesmo assim os sábios proibiram-na para lavagem em Shabat — contradizendo a suposta permissão unânime de Rav Chisda para o caso do chão. Diante dessa dificuldade, a formulação de Rav Chisda é invertida: na verdade, a disputa tanaítica aplica-se justamente ao caso de água corrente sobre o chão (correspondendo à disputa sobre a água de Tiberíades), enquanto no caso de água contida numa vasilha todos concordariam em proibir passar água pelo corpo todo, sem exceção.

O princípio da halachá conforme quem decide · כׇּל מָקוֹם שֶׁאַתָּה מוֹצֵא שְׁנַיִם חֲלוּקִין

06Rabá bar bar Chana em nome de Rabi Yochanan: a halachá segue Rabi Yehudá; a pergunta de Rav Yossef sobre a fonte, aberta com o princípio de Rabi
Rabá bar bar Chana; Rabi Yochanan; Rav Yossef; Rav Tanchum; Rabi Yanai; Rabi
אָמַר רַבָּה בַּר בַּר חָנָה אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: הֲלָכָה כְּרַבִּי יְהוּדָה. אֲמַר לֵיהּ רַב יוֹסֵף: בְּפֵירוּשׁ שְׁמִיעַ לָךְ, אוֹ מִכְּלָלָא שְׁמִיעַ לָךְ? מַאי כְּלָלָא? — דְּאָמַר רַב תַּנְחוּם אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן אָמַר רַבִּי יַנַּאי אָמַר (רַב) [רַבִּי]: כָּל מָקוֹם שֶׁאַתָּה מוֹצֵא שְׁנַיִם חֲלוּקִין וְאֶחָד מַכְרִיעַ — הֲלָכָה כְּדִבְרֵי הַמַּכְרִיעַ. חוּץ מִקּוּלֵּי מַטְלָנִיּוֹת, שֶׁאַף עַל פִּי שֶׁרַבִּי אֱלִיעֶזֶר מַחְמִיר, וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ מֵיקֵל, וְרַבִּי עֲקִיבָא מַכְרִיעַ — אֵין הֲלָכָה כְּדִבְרֵי הַמַּכְרִיעַ. חֲדָא: דְּרַבִּי עֲקִיבָא תַּלְמִיד הוּא. וְעוֹד: הָא

Disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: a halachá segue Rabi Yehudá (que proíbe passar água pelo corpo todo em água quente, mas permite em água fria). Disse-lhe Rav Yossef: ouviste isso explicitamente (de Rabi Yochanan), ou ouviste-o a partir de um princípio geral? Qual é (esse) princípio geral? — O que disse Rav Tanchum, disse Rabi Yochanan, disse Rabi Yanai, disse Rabi: todo lugar em que encontras dois (sábios) discordando e um (terceiro) decidindo (entre eles, adotando uma posição intermediária ou concordando parcialmente com um) — a halachá segue as palavras de quem decide. Exceto (no caso d)as leniências dos retalhos, em que, embora Rabi Eliezer seja rigoroso, e Rabi Yehoshua seja leniente, e Rabi Akiva decida (entre eles) — a halachá não segue as palavras de quem decide. (A razão é) uma: que Rabi Akiva é (nesse caso, meramente) um discípulo (e não um decisor de igual estatura). E ainda: eis que (o texto é interrompido aqui, no limite físico do daf; a continuação segue no início de 40a).

Nota

Rabá bar bar Chana transmite em nome de Rabi Yochanan que a halachá segue a posição intermediária de Rabi Yehudá na disputa dos três tanaím. Rav Yossef pergunta se essa decisão foi ouvida explicitamente de Rabi Yochanan como tal, ou se foi deduzida por Rabá bar bar Chana a partir de um princípio geral mais amplo. Esse princípio geral, transmitido por uma cadeia de transmissão que remonta a Rabi (Rabi Yehudá HaNassi), estabelece que sempre que dois sábios discordam e um terceiro assume uma posição intermediária ou decisória entre eles, a halachá segue as palavras de quem decide — o que explicaria por que a halachá seguiria Rabi Yehudá, cuja posição é intermediária entre a proibição total de Rabi Meir e a permissão total de Rabi Shimon. A Guemará imediatamente qualifica esse princípio geral com uma exceção importante: no caso das leniências relativas a retalhos (matlanhiot), mesmo havendo a mesma estrutura de dois discordantes (Rabi Eliezer, rigoroso, e Rabi Yehoshua, leniente) e um terceiro que decide entre eles (Rabi Akiva), a halachá não segue automaticamente quem decide — porque Rabi Akiva, nesse contexto específico, ocupa a posição de discípulo em relação aos outros dois, e não a de um decisor de estatura equivalente. O texto é então cortado no meio de uma segunda razão ("e ainda: eis que..."), exatamente no limite físico do daf; sua continuação integral segue no início de 40a, onde se revela que Rabi Akiva de fato recuou de sua posição em favor de Rabi Yehoshua.

Nota sobre o fim do daf

O último segmento do texto hebraico de Shabat 39b, conforme a edição de Sefaria, termina interrompido em "וְעוֹד: הָא" ("e ainda: eis que..."), no meio de uma segunda razão que a Guemará estava prestes a apresentar para explicar por que a decisão de Rabi Akiva não estabelece a halachá no caso das leniências de retalhos. Essa é uma fronteira natural do daf físico; o texto continua diretamente no início de 40a, com "הֲדַר בֵּיהּ רַבִּי עֲקִיבָא לְגַבֵּיהּ דְּרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ" ("Rabi Akiva recuou de sua posição em favor de Rabi Yehoshua"), completando a frase e a argumentação iniciadas aqui.