O daf continua, sem interrupção, a cadeia de objeções que fechara 42b sobre a distinção de Rabah entre "salvamento comum", que os sábios permitiram, e "salvamento incomum", que não permitiram. Primeiro vêm mais três casos conhecidos que, à primeira vista, contradizem essa distinção: virar um prato de barro sobre a lâmpada para que a trave não pegue fogo — resolvido por se tratar de casas baixas, onde o incêndio é comum; escorar com um banco ou com as tábuas da cama uma trave que se quebrou — resolvido por se tratar de vigas novas, que costumam rachar; e colocar um recipiente debaixo de uma goteira em Shabat — resolvido por se tratar de casas novas, onde vazar é comum. Rav Yosef então propõe uma razão diferente para a permissão de Rav Chisda de virar um recipiente sobre a galinha (ensinada em 42b): não a distinção de Rabah, mas o princípio de não anular um recipiente de seu lugar. Abaye retoma os mesmos casos — o barril de tevel, as faíscas, a trave escorada, a goteira — e cada um recebe, sob essa nova luz, uma resposta diferente da que recebera antes. Uma nova objeção surge então: se é permitido virar o cesto diante dos pintos para que subam e desçam, por que uma baraita proíbe movê-lo enquanto eles estão em cima, e outra o proíbe mesmo depois que desceram? Rabi Abahu resolve com o princípio de que algo que se torna muktzeh durante o crepúsculo permanece muktzeh o dia inteiro. Rabi Yitzchak então ensina uma posição ainda mais restritiva que a de Rav Chisda: nem mesmo se pode virar um recipiente sobre a galinha, pois um recipiente só se move para algo que em si pode ser movido em Shabat — e todas as objeções anteriores se resolvem, quanto a ele, por se tratar de casos em que a pessoa precisa do próprio lugar do recipiente. O daf fecha com uma sequência de baraitot trazidas como "venha e ouça": o ovo nascido em Shabat ou Yom Tov, que não se move para cobrir um recipiente, mas sobre o qual se pode virar um recipiente; esteiras estendidas sobre pedras lascadas, próprias para uso de banheiro; esteiras estendidas sobre tijolos sobrantes de construção, próprios para se reclinar; e uma esteira estendida sobre uma colmeia de abelhas, por causa do sol ou da chuva, contanto que não se pretenda capturá-las — resolvida pelo caso em que já há mel na colmeia. O daf termina em texto interrompido, no meio da pergunta de Rav Ukva de Meishan a Rav Ashi sobre os dias de verão, e a resposta prossegue em 43b.
Objetou-lhe: vira-se um prato sobre a lâmpada para que (a chama) não pegue na trave? (Resposta:) trata-se de casas baixas, onde o incêndio é comum.
A cadeia de objeções contra o princípio de Rabah — de que só se permitiu um "salvamento comum" — prossegue sem interrupção desde o fim de 42b. Um novo caso conhecido é trazido: é permitido virar um prato de barro sobre a lâmpada acesa, para que a chama não alcance a trave do teto e provoque um incêndio. Como uma trave pegar fogo não é, à primeira vista, algo comum, isso pareceria contradizer a distinção de Rabah. A resposta segue o mesmo padrão das anteriores: trata-se especificamente de casas de teto baixo, onde a trave fica perto da lâmpada e o incêndio é, de fato, um risco comum — preservando a distinção.
E assim, uma trave que se quebrou, escora-se com um banco e com as tábuas da cama! (Resposta:) trata-se de vigas novas, que costumam rachar.
Outro caso conhecido: quando uma trave do teto racha, é permitido escorá-la com um banco ou com as longas tábuas laterais da armação da cama (arukhot ha-mitá), movendo esses objetos para esse fim — embora a trave rachada em si seja algo que, no início de Shabat, não se previa mover. Rachar não parece, à primeira vista, ser um evento comum. A resposta segue o mesmo padrão: trata-se de vigas novas, ainda não testadas, que, sob o peso do telhado — coberto de barro, segundo Rashi —, costumam de fato rachar, tornando esse salvamento comum.
Coloca-se um recipiente debaixo da goteira em Shabat! (Resposta:) trata-se de casas novas, onde vazar é comum.
Um terceiro caso: é permitido colocar um recipiente debaixo de uma goteira para recolher a água que pinga do teto, embora essa água, antes de cair, seja algo que ainda não se destinava a uso. A resposta, seguindo o mesmo padrão, limita o caso a casas novas, cujo teto ainda não assentou por completo e cujo vazamento é, portanto, um risco comum — de novo preservando a distinção de Rabah entre salvamento comum e incomum.
"Objetou-lhe: vira-se um prato" — de barro, sobre a lâmpada, etc.
"Baixas (gechini)" — casas de teto baixo.
"E assim, uma trave que se quebrou etc." — é uma Mishná adiante (citada aqui). "Que se quebrou" — em Shabat. "As tábuas da cama" — a armação lateral. "Com o banco" — pois é um utensílio, e é permitido movê-lo.
"Vigas novas" — que ainda não foram testadas; e quando o peso da construção pesa sobre elas — pois cobriam os telhados com barro — costumam rachar.
"Debaixo da goteira" — para recolhê-la.
Rav Yosef disse: esta é a razão de Rav Chisda: porque ele anula um recipiente de seu lugar.
Rav Yosef propõe uma razão diferente para a proibição de Rav Chisda, ensinada em 42b, de colocar um recipiente debaixo da galinha para recolher o ovo. Não se trata, para ele, da distinção de Rabah entre salvamento comum e incomum, mas de um princípio distinto: quem coloca o recipiente ali, destinado a receber o ovo assim que for posto, "anula" esse recipiente de seu lugar — pois, segundo Rashi, o recipiente estava pronto desde antes de Shabat para ser movido livremente, e agora a pessoa o torna, na prática, muktzeh, fixando-o naquele lugar até que o ovo seja posto e removido. Essa nova razão será agora testada com os mesmos casos já discutidos, produzindo, em cada um, uma resposta diferente da anterior.
Objetou-lhe Abaye: um barril de tevel que se quebrou — traz-se outro recipiente e o coloca debaixo dele! Disse-lhe (Rav Yosef): o tevel está "pronto" para Shabat, pois, se alguém transgrediu e o consertou (dizimando-o em Shabat), está consertado.
Abaye traz de volta o caso do barril de tevel — produto ainda não dizimado — que já havia sido usado em 42b contra a distinção de Rabah. Ali, a resposta fora que se tratava de jarros novos, frágeis. Aqui, sob a nova razão de Rav Yosef, a resposta é totalmente diferente: o tevel não é considerado, para este efeito, como algo definitivamente indisponível, pois, embora seja proibido dizimá-lo em Shabat, se alguém transgride essa proibição rabínica e o dizima, o produto fica, de fato, consertado e utilizável. Por isso, o recipiente colocado para recolhê-lo não "anula" nada de forma permanente — o tevel está, nesse sentido, pronto (muchan) desde antes de Shabat, e não há aqui o problema de fixar um recipiente para algo irremediavelmente indisponível.
Coloca-se um recipiente debaixo da lâmpada para recolher faíscas? Disse Rav Huna, filho de Rav Yehoshua: as faíscas não têm substância.
O caso das faíscas — que em 42b fora resolvido dizendo que "faíscas também são comuns" — é agora retomado sob a razão de Rav Yosef, e recebe uma resposta diferente: as faíscas não têm substância real (ein bahen mamash). Sendo assim, o recipiente colocado debaixo delas não recebe, propriamente, coisa alguma que o torne fixado ou indisponível — pois, segundo Rashi, é permitido tomar o recipiente de volta depois que as faíscas nele caíram, uma vez que elas se dissipam sem deixar nada que precise ser preservado ali.
E assim, uma trave que se quebrou, escora-se com o banco ou com as tábuas da cama! (Resposta:) pois é frouxo, que, se quiser, pode removê-lo.
O caso da trave escorada, já usado no início do daf, é retomado sob a nova razão. Ali se pensara que o apoio ficava fixo, encaixado sob a trave, de modo que já não poderia ser removido — o que constituiria "anular um recipiente de seu lugar". A resposta agora esclarece que o apoio fica frouxo (rafi): quem o colocou pode retirá-lo a qualquer momento, se assim o desejar, de modo que ele nunca deixa de estar disponível para ser movido — e por isso não há aqui violação do princípio de Rav Yosef.
Coloca-se um recipiente debaixo da goteira em Shabat! (Resposta:) trata-se de uma goteira própria (para beber).
O caso do recipiente sob a goteira também é retomado, com nova resposta: trata-se de água de chuva própria para beber, que não é muktzeh — pois, segundo Rashi, todos esses casos citados (a goteira, e os das baraitot que seguem sobre as esteiras) são, na verdade, ensinamentos de Mishnayot, e não meras suposições da Guemará. Como a água é, em si, algo que já se destinava a um uso permitido, o recipiente que a recebe não fica "anulado" de seu lugar para algo indisponível.
"A razão de Rav Chisda" — de que não se coloca um recipiente debaixo da galinha.
"Porque anula um recipiente de seu lugar" — pois ele estava pronto desde o início para ser movido, e agora o torna muktzeh.
"Está pronto" — pois nele não há muktzeh, apenas sua proibição (rabínica); e se alguém veio e transgrediu as palavras dos sábios, que proibiram separar a teruma em Shabat, e o consertou, está consertado e é permitido movê-lo e comê-lo; por isso, não se considera que ele anula um recipiente de seu lugar.
"Não têm substância" — e é permitido tomá-las depois que caíram nele.
"Própria" — para beber; todos estes (casos citados) são Mishnayot.
Vira-se o cesto diante dos pintos, para que subam e desçam! Ele entende que é permitido movê-lo. Mas não se ensinou que é proibido movê-lo? (Resposta:) enquanto eles ainda estão sobre ele. Mas não se ensinou que, mesmo quando já não estão sobre ele, é proibido? Disse Rabi Abahu: "enquanto estão sobre ele" (refere-se a) todo o crepúsculo. Visto que se tornou muktzeh durante o crepúsculo, tornou-se muktzeh pelo dia inteiro.
Uma nova objeção surge de outro caso conhecido: é permitido virar um cesto perto do galinheiro, servindo de degrau, para que os pintos subam e desçam. Isso pressupõe que é permitido mover o cesto, ainda que os pintos — muktzeh, por serem animais que se movem por si — estejam sobre ele. Mas uma baraita ensina que é proibido movê-lo enquanto eles estão em cima; e outra ensina que é proibido mesmo depois que já desceram. Rabi Abahu concilia as três fontes: a expressão "enquanto estão sobre ele", na baraita que proíbe, refere-se especificamente a todo o período do crepúsculo (bein ha-shmashot) que antecede Shabat — o momento em que o status do cesto para o dia inteiro é definido. Como, segundo Rashi, se os pintos estavam sobre ele nesse crepúsculo, o cesto se torna muktzeh para o dia inteiro; mas se, desde o anoitecer, eles já não estavam mais sobre ele, o cesto permanece permitido, mesmo que os pintos voltem a subir depois.
Disse Rabi Yitzchak: assim como não se coloca um recipiente debaixo da galinha para recolher seu ovo, também não se vira sobre ela um recipiente para que não se quebre. Ele entende: um recipiente só se move para algo que pode ser movido em Shabat. Objetaram-lhe todas essas objeções, e respondeu: trata-se de quando se precisa do próprio lugar (do recipiente).
Rabi Yitzchak vai além de Rav Chisda: para ele, nem mesmo virar um recipiente sobre a galinha — o que Rav Chisda havia permitido em 42b, para proteger o ovo de quebrar — é permitido. Sua posição decorre de um princípio geral mais estrito: um recipiente só pode ser movido em Shabat por causa de algo que, em si, é permitido mover; e o ovo ainda não posto, sendo muktzeh, não justifica mover o recipiente nem mesmo para protegê-lo. Diante disso, todas as objeções trazidas ao longo do daf — o barril de tevel, as faíscas, a trave, a goteira — foram levantadas também contra Rabi Yitzchak, e ele as resolve todas de uma vez com um único princípio: em cada um desses casos, quem move o recipiente precisa, na verdade, do próprio lugar onde ele está (tzarich li-mekomo) — e, segundo Rashi, por poder tomar o recipiente para usar seu lugar, pode então levá-lo para onde quiser, o que não constitui mover o recipiente por causa do item muktzeh em si.
Venha e ouça: tanto o ovo nascido em Shabat quanto o ovo nascido em Yom Tov — não se move para cobrir com ele um recipiente ou para escorar com ele as pernas da cama; mas vira-se sobre ele um recipiente, para que não se quebre! (Resposta:) aqui também, trata-se de quando se precisa do lugar.
Uma baraita é trazida como objeção direta a Rabi Yitzchak: o próprio ovo, ainda que muktzeh e proibido de ser usado para cobrir um recipiente ou escorar a cama, pode ter um recipiente virado sobre ele para não se quebrar — o que pareceria contradizer a regra de que um recipiente só se move para algo que pode ser movido. A resposta é a mesma dada acima: também aqui, quem vira o recipiente sobre o ovo o faz porque precisa daquele lugar específico, e não por causa do ovo em si — preservando, assim, o princípio de Rabi Yitzchak.
"Todo o crepúsculo" — mas se o colocaram ali a partir do anoitecer, é permitido tomá-lo, se os pintos não estão sobre ele.
"Precisa do lugar" — para usar o lugar do recipiente; e, uma vez que pode tomá-lo por causa da necessidade de seu lugar, pode levá-lo para onde quiser.
"Cobrir com ele o recipiente" — para tapar a boca de um frasco.
Venha e ouça: estendem-se esteiras sobre pedras em Shabat! (Resposta:) trata-se de pedras lascadas, próprias para uso de banheiro.
Uma nova baraita é trazida: é permitido estender esteiras sobre pedras empilhadas, para protegê-las da chuva — o que pressuporia mover ou, ao menos, cobrir pedras, que normalmente são muktzeh, por não terem uso designado. A resposta esclarece que se trata de pedras lascadas, com ponta afiada, próprias para limpar-se no banheiro — um uso permitido em Shabat, segundo Rashi — de modo que essas pedras não são, afinal, muktzeh, e cobri-las com a esteira não levanta o problema discutido.
Venha e ouça: estendem-se esteiras sobre tijolos em Shabat! (Resposta:) trata-se de tijolos que sobraram da construção, próprios para se reclinar sobre eles.
Um caso semelhante, agora com tijolos: se sobraram de uma obra de construção já concluída, deixam de ser materiais de construção — que seriam muktzeh — e passam a ser próprios para uso, servindo, segundo Rashi, como uma espécie de assento reclinado, à moda antiga de sentar-se parcialmente apoiado sobre o lado esquerdo. Sendo assim, cobri-los com a esteira também não apresenta problema.
Venha e ouça: estende-se uma esteira sobre uma colmeia de abelhas em Shabat, no sol por causa do sol, e na chuva por causa da chuva, contanto que não se pretenda capturá-las! (Resposta:) aqui, do que tratamos? De um caso em que já há mel. Disse-lhe Rav Ukva de Meishan a Rav Ashi: isso se ajusta bem nos dias de verão…
A última baraita do daf traz o caso da colmeia: é permitido cobri-la com uma esteira para protegê-la do sol ou da chuva, desde que a intenção não seja capturar as abelhas — o que sugeriria que a colmeia, e o que está dentro dela, não são muktzeh. A resposta limita o caso a quando já há mel na colmeia, algo já pronto para consumo e, portanto, não muktzeh. Rav Ukva de Meishan então questiona essa resposta a Rav Ashi, começando por observar que ela se ajusta bem aos dias de verão — quando de fato há mel disponível —, mas a frase é interrompida aqui: o daf termina em texto aberto, no meio da pergunta, cuja continuação — sobre a época das chuvas, quando não há mel — se encontra em 43b.
O daf 43a termina de forma interrompida, no meio da frase de Rav Ukva de Meishan a Rav Ashi: "תִּינַח בִּימוֹת הַחַמָּה" ("isso se ajusta bem nos dias de verão…"). A continuação, em 43b, completa o raciocínio: "דְּאִיכָּא דְּבַשׁ. בִּימוֹת הַגְּשָׁמִים דְּלֵיכָּא דְּבַשׁ, מַאי אִיכָּא לְמֵימַר?" — "…pois há mel; mas na época das chuvas, quando não há mel, o que se pode dizer?" — abrindo a pergunta sobre por que a baraita permite cobrir a colmeia também no inverno, quando não há mel para justificar a permissão.
"Sobre pedras" — por causa das chuvas, para que não se desgastem ou não recebam a cal, uma vez que ficam encharcadas de água.
"Lascadas" — sua ponta é afiada, e próprias para limpeza, que é algo que pode ser movido.
"Para se reclinar" — para se apoiar; pois todo o seu modo de reclinar-se era assim: sentava-se um pouco e apoiava-se um pouco sobre o lado esquerdo.