O daf continua exatamente de onde 4a parou, no meio de uma frase: a Guemará questiona se é mesmo óbvio, para Rabá, que Rabi Akiva sustenta o princípio de keluta ("o que é capturado no ar é como se estivesse pousado") — pois o próprio Rabá levantara essa dúvida como algo não resolvido, perguntando se a disputa entre Rabi Akiva e os Sábios sobre quem lança de um domínio privado a outro se dá abaixo de dez tefachim de altura (e então o ponto de discórdia é exatamente o princípio de keluta) ou acima de dez tefachim (e o ponto de discórdia seria outro, se aprendemos a lei de quem lança a partir da lei de quem estende a mão através do domínio público). A Guemará resolve que, depois de levantar a dúvida, o próprio Rabá concluiu que Rabi Akiva de fato sustenta o princípio de keluta. Surge então uma nova dificuldade: talvez Rabi Akiva dispense apenas a deposição sobre um lugar de quatro por quatro, mas ainda exija o levantamento de tal lugar — o que não bastaria para explicar a Mishná do pobre, cuja mão nunca esteve pousada em lugar algum antes de ser estendida. Rav Iossef propõe então atribuir a Mishná a Rabi (Yehudá HaNassi), não a Rabi Akiva, e a Guemará testa essa proposta contra duas baraitot diferentes que registram opiniões de Rabi — a primeira sobre um galho de árvore (ziz), que se revela irrelevante por tratar de um princípio distinto (a lei da árvore cujo tronco está num domínio e a copa se inclina para outro); a segunda, sobre quem lança de domínio público a domínio público com domínio privado no meio, que Shmuel explica ser um caso de dupla responsabilidade — o que de fato prova que Rabi dispensa tanto o levantamento quanto a deposição sobre um lugar de quatro por quatro. O daf termina com Rav e Shmuel citando essa mesma opinião de Rabi para resolver, num último argumento, a questão de fundo.
(A Guemará pergunta:) E (é certo dizer que) dentro de dez (tefachim de altura) discordam? Mas o próprio Rabá levanta isso como dúvida! Pois perguntou Rabá: (será que) abaixo de dez (tefachim) discordam — e nisto discordam, que Rabi Akiva entende que (dizemos) "o que é capturado (no ar) é equiparável a como se estivesse pousado", e os Sábios entendem que não dizemos "o que é capturado (no ar) é equiparável a como se estivesse pousado"; mas acima de dez (tefachim), para todos (é) isento, e todos concordam que não aprendemos (a lei de) quem lança (a partir da lei de) quem estende (um objeto de um domínio a outro através do ar).
A Guemará interrompe a explicação de Rabá do final de 4a com uma objeção interna: como Rabá pode afirmar, como algo certo, que a disputa entre Rabi Akiva e os Sábios se dá sobre o princípio de keluta, se o próprio Rabá, em outro contexto, levanta exatamente essa questão como uma dúvida não resolvida? Ali, Rabá pergunta se a disputa entre Rabi Akiva e os Sábios se localiza abaixo de dez tefachim de altura — e nesse caso o ponto de discórdia seria mesmo o princípio de keluta — ou acima de dez tefachim, onde não haveria mais espaço aéreo de domínio público propriamente dito, e o ponto de discórdia seria antes se aprendemos a lei de "lançar" a partir da lei de "estender" (o caso das tábuas do Tabernáculo passadas de mão em mão sobre o domínio público, que gera responsabilidade mesmo sem lançamento).
"Dentro de dez" — pois acima de dez (tefachim) não é espaço aéreo de domínio público, mas espaço aéreo de lugar isento, e nem sequer há keluta ali.
"Quem lança (aprendido) de quem estende" — pois, quanto a estender de domínio privado a domínio privado por meio do domínio público, mesmo acima de dez (tefachim), estabelecemos no capítulo "Quem lança" que é responsável, pois se aprende das carroças do deserto, em que se estendiam as tábuas de uma para outra — sendo elas domínio privado e havendo domínio público entre elas — e não as lançavam, para que não se estragassem.
Ou talvez acima de dez (tefachim) discordam — e nisto discordam, que Rabi Akiva entende que aprendemos (a lei de) quem lança (a partir da lei de) quem estende, e os Sábios entendem que não aprendemos (a lei de) quem lança (a partir da lei de) quem estende; mas abaixo de dez (tefachim), para todos (é) responsável. Qual o motivo? Dizemos "o que é capturado (no ar) é equiparável a como se estivesse pousado".
Esta é a segunda alternativa da dúvida de Rabá: talvez, abaixo de dez tefachim, onde o espaço é reconhecidamente domínio público, todos — inclusive os Sábios — concordem que keluta se aplica e há responsabilidade; e a verdadeira disputa entre Rabi Akiva e os Sábios estaria acima de dez tefachim, no espaço que é "lugar isento", sobre se ali também se aprende a lei de lançar a partir da lei de estender.
Sefaria não registra comentário de Rashi específico para este segmento; a formulação espelha exatamente o segmento anterior, já explicado, invertendo qual altura é objeto de disputa.
Isto não é difícil: depois de ter levantado a dúvida, ela veio a se resolver para ele, (concluindo) que Rabi Akiva entende (que dizemos) "o que é capturado (no ar) é equiparável a como se estivesse pousado".
A Guemará resolve a aparente contradição entre as duas passagens: não há problema em Rabá ter, num primeiro momento, levantado a questão como dúvida, e depois, num segundo momento — refletido na passagem do final de 4a —, tê-la resolvido, concluindo com certeza que Rabi Akiva de fato sustenta o princípio de keluta abaixo de dez tefachim. Não há inconsistência em um amora mudar de uma posição de dúvida para uma posição de certeza ao longo do tempo.
Sefaria não registra comentário de Rashi específico para este segmento; a resolução é direta e não exige comentário adicional além do já explicado sobre o princípio de keluta.
Mas talvez apenas a deposição é que não se precisa, mas o levantamento se precisa!
Ainda que se conclua que Rabi Akiva sustenta o princípio de keluta, resta uma nova dificuldade para a explicação de Rabá sobre a Mishná do pobre: a Mishná paralela que fala de "lançar" só demonstra que Rabi Akiva dispensa a exigência de uma deposição sobre lugar de quatro por quatro no meio do trajeto — pois o objeto lançado nunca chega a pousar ali, apenas atravessa o ar. Mas talvez Rabi Akiva ainda exija que o levantamento inicial do objeto tenha ocorrido de um lugar de quatro por quatro tefachim. Se assim for, a explicação de Rabá não resolveria o caso do pobre, cuja mão — vinda diretamente do próprio corpo, sem nunca ter repousado sobre uma superfície de quatro por quatro — também careceria desse levantamento apto.
"Mas talvez apenas a deposição é que não se precisa" — pois (a Mishná) ensina (apenas) "Rabi Akiva considera responsável" (no singular); mas o levantamento (ainda) se precisa que seja de um lugar de quatro (por quatro), visto que não ensina "Rabi Akiva considera responsável duas vezes: uma por saída e uma por entrada".
Mas disse Rav Iossef: esta (Mishná), de quem é (a opinião)? É de Rabi.
Diante da dificuldade não resolvida na explicação de Rabá, Rav Iossef propõe atribuir a Mishná do pobre e do dono da casa não a Rabi Akiva, mas a Rabi (Yehudá HaNassi, o redator da Mishná), cuja opinião — a ser demonstrada nos segmentos seguintes — dispensa explicitamente tanto o levantamento quanto a deposição sobre um lugar de quatro por quatro.
Sefaria não registra comentário de Rashi específico para este segmento; a proposta de Rav Iossef é testada e explicada nos segmentos seguintes.
Qual Rabi? Se dissermos que é este Rabi (da baraita), pois foi ensinado: quem lançou (um objeto) e pousou sobre um ziz (saliência, galho) de qualquer tamanho — Rabi considera responsável, e os Sábios isentam.
A Guemará busca identificar de qual baraita, entre as várias que registram opiniões de Rabi, Rav Iossef está falando. A primeira candidata: uma baraita sobre quem lança um objeto de domínio público e este pousa sobre um ziz — uma saliência ou galho saliente de uma parede ou árvore — de qualquer tamanho, mesmo menor que quatro por quatro tefachim; Rabi considera responsável mesmo assim, enquanto os Sábios isentam, exigindo a deposição sobre um lugar apto.
"Lançou" — de domínio público, do início de quatro (tefachim) ao fim de quatro (tefachim, isto é, atravessando a largura do domínio público), e pousou sobre um ziz. Todo (pedaço de) madeira que sai da parede se chama ziz.
"Rabi considera responsável" — logo (se vê que) não precisa de deposição sobre um lugar de quatro (por quatro tefachim).
Ali (a razão) é como precisaremos dizer mais adiante, conforme (a explicação) de Abaye, pois disse Abaye: aqui (trata-se) de uma árvore que está de pé em domínio privado e sua copa se inclina para o domínio público, e (alguém) lançou (um objeto) e este pousou sobre sua copa.
A Guemará rejeita esta primeira candidata: o caso do ziz não trata realmente de dispensar a exigência de um lugar de quatro por quatro. Conforme a explicação de Abaye — a ser desenvolvida mais adiante no tratado —, o cenário é o de uma árvore cujo tronco está fixado em domínio privado, mas cuja copa se inclina e se estende sobre o domínio público; quando o objeto lançado pousa sobre essa copa, a questão não é sobre o tamanho do lugar de pouso, mas sobre a que domínio pertence esse ponto: ao domínio privado (seguindo o tronco) ou ao domínio público (seguindo a localização física da copa).
Sefaria não registra comentário de Rashi específico para este segmento; a explicação de Abaye sobre a árvore inclinada é detalhada no comentário ao segmento seguinte, sobre "lança a copa atrás de sua raiz".
Pois Rabi entende que dizemos "lança-se sua copa atrás de sua raiz" (isto é, a copa segue o domínio do tronco). E os Sábios entendem que não dizemos "lança-se sua copa atrás de sua raiz".
A verdadeira disputa nessa baraita não é sobre o tamanho do lugar de deposição, mas sobre um princípio distinto: Rabi sustenta que a copa da árvore, mesmo fisicamente inclinada sobre o domínio público, é juridicamente tratada como pertencente ao domínio privado, "atrás" (isto é, seguindo) de sua raiz — por isso considera responsável quem lança do domínio público e o objeto pousa ali, pois pousou efetivamente em domínio privado. Os Sábios rejeitam esse princípio, considerando a copa parte do domínio público onde fisicamente se encontra, e por isso isentam — pois, para eles, não houve transferência real de domínio a domínio. Como essa baraita gira em torno de um princípio totalmente diferente do de keluta ou do tamanho do lugar de deposição, ela não serve para provar que "esta Rabi" dispensa a exigência de quatro por quatro.
"Lança-se sua copa atrás de sua raiz" — e (assim) é como se estivesse pousado no domínio (que corresponde à raiz, e não) em domínio público sobre um lugar de quatro (por quatro tefachim, pois) a raiz determina o domínio da copa.
Mas (deve ser) este Rabi (de outra baraita), pois foi ensinado: quem lançou de domínio público a domínio público, com domínio privado no meio — Rabi considera responsável, e os Sábios isentam.
A Guemará propõe uma segunda candidata: uma baraita sobre quem lança um objeto de um ponto do domínio público, através do ar, atravessando por cima de um domínio privado interposto, até outro ponto do domínio público do outro lado. Rabi considera essa pessoa responsável, e os Sábios isentam.
Sefaria não registra comentário de Rashi específico para este segmento; o caso é explicado com a citação de Rav Yehudá em nome de Shmuel no segmento seguinte.
E disse Rav Yehudá, disse Shmuel: Rabi costumava considerar responsável duas vezes: uma por saída (do primeiro domínio público) e uma por entrada (no domínio privado interposto, e outra vez por sair dele ao segundo domínio público). Logo (se vê que) não precisa de levantamento nem de deposição sobre um lugar de quatro por quatro.
Shmuel explica que Rabi tratava o trajeto do objeto lançado como se ele tivesse efetivamente entrado no domínio privado interposto e saído dele novamente — gerando, assim, duas responsabilidades distintas (uma de saída, outra de entrada), como se o lançador tivesse fisicamente percorrido cada etapa. Isso prova que, para Rabi, nem o levantamento nem a deposição precisam ocorrer sobre um lugar de quatro por quatro tefachim — pois o objeto, em todo o seu trajeto pelo ar, nunca pousou em lugar algum; ainda assim, Rabi conta as duas transferências de domínio como responsabilidades completas. Esta baraita, portanto, sustenta plenamente a proposta de Rav Iossef: a Mishná do pobre e do dono da casa segue a opinião de Rabi, que dispensa ambas as exigências.
"Rabi considerava responsável duas vezes" — pois é como se (o objeto) tivesse pousado em domínio privado e voltado a ser levantado dali e (o lançador) o tivesse trazido ao domínio público. Logo (se vê que) não precisa de levantamento, nem precisa de deposição sobre um lugar de quatro (por quatro tefachim).
Eis que se disse a respeito disto, Rav e Shmuel, que disseram ambos:
O daf termina no meio de uma frase, imediatamente antes de a Guemará citar o que Rav e Shmuel disseram juntos a respeito dessa mesma baraita sobre a opinião de Rabi. O conteúdo dessa citação conjunta de Rav e Shmuel será apresentado no início do próximo daf.
Sefaria não registra comentário de Rashi específico para este segmento; a citação de Rav e Shmuel é retomada e explicada no início do daf seguinte.