O daf abre respondendo, com a voz de Ravina, à objeção de Abaye deixada em suspenso ao final de 57a: aqui, na proibição de sair com o "kavul" e semelhantes ao redor do pescoço, trata-se especificamente do "katla", o colar largo, pois a mulher de fato o aperta contra o próprio pescoço, mesmo estrangulando-se um pouco, porque lhe é agradável parecer mais cheia de carnes — ao contrário das correias comuns, que ninguém aperta a esse ponto. A Guemará retoma então a Mishná de Mikvaot citada no daf anterior, sobre a opinião de Rabi Yehuda de que fios de lã e de cabelo não interpõem na imersão porque a água passa entre eles: Rav Yossef, em nome de Rav Yehuda e de Shmuel, restringe a halachá aos fios de cabelo; Abaye objeta que isso implicaria que os sábios discordam quanto ao cabelo, o que não consta explicitamente na Mishná; a Guemará responde que Rabi Yehuda talvez apenas buscasse o consenso dos sábios quanto à lã, partindo do que já concediam quanto ao cabelo; e confirma-se, por meio de uma tradição de Rav Nachman em nome de Shmuel e de uma baraita, que os sábios de fato concordam com Rabi Yehuda quanto aos fios de cabelo — conclusão que Rav Nachman bar Yitzchak encontra também numa leitura precisa da própria Mishná de Shabat. A Guemará volta então aos termos da Mishná original: o que é a "totefet"? Rav Yossef propõe um pacote de ervas contra o mau-olhado, mas Abaye objeta que, sendo assim, deveria ser permitido como um amuleto comprovadamente eficaz; por isso, Rav Yehuda, em nome de Abaye, propõe que se trata, antes, de um enfeite de testa ("apuzaynei"), confirmado por uma baraita sobre a touca dourada com "totefet" e "sarvitin" fixados nela — que Rabi Abahu distingue como a peça que envolve a testa de orelha a orelha e a que desce até as bochechas, feitas de cores simples pelas pobres e de prata e ouro pelas ricas, segundo Rav Huna. Por fim, Rabi Yanai expõe sua dúvida sobre o "kavul": seria a marca que identifica um escravo, ou um gorro de lã usado sob a touca? Rabi Abahu decide, com apoio de uma baraita e do princípio de Rabi Shimon ben Elazar (tudo o que fica abaixo da touca pode sair, tudo o que fica acima não pode), que se trata do gorro de lã; a baraita menciona também o "istema", que Rabi Abahu identifica como "bizyonei" e Rav, através de Abaye, como "kalya paruchei" — um pequeno gorro que recolhe os fios de cabelo soltos —, encerrando com uma baraita sobre as três leis do istema: não há nele a proibição de kilaim, pois é feito como feltro e não é fiado; ele não se torna impuro por lepra; e não se pode sair com ele ao domínio público. O daf termina, mais uma vez, interrompido no meio de uma frase — "em nome de Rabi Shimon disseram: também..." —, cuja continuação ("não há nele a proibição de coroas de noivas") só aparece na abertura de 58a.
Ravina: Aqui — na proibição de sair com esse tipo de peça ao redor do pescoço — trata-se do "katla" (colar largo), pois a mulher de fato aperta-se a si mesma com ele, já que lhe é agradável parecer uma que tem muita carne — e por isso, ao contrário das correias comuns, aceita algum desconforto para conseguir esse efeito.
Completa-se aqui, no início de 57b, a resposta que Ravina começara a dar em 57a à objeção de Abaye: se, segundo Rav Yossef, a mulher não aperta os fios ao redor do pescoço a ponto de se estrangular — e por isso as correias comuns não interpõem na imersão —, por que então a Mishná proíbe sair com o "katla"? Ravina distingue: a regra geral de Rav Yossef vale para correias e fios comuns, mas o "katla" é um caso especial, pois a mulher aceita apertá-lo com força, quase a se sufocar, pelo benefício estético de parecer mais robusta e "cheia de carnes" — um ideal de beleza da época. Por isso, quanto ao katla, o aperto é real e a interposição, de fato, ocorre.
"Trata-se do katla" — uma peça de tecido importante, para se pendurar ao pescoço à altura do coração, para que o que ela come não caia sobre suas roupas; e há nela um lugar com ilhoses, como se faz nas calças, por onde se passa uma correia larga, e ela enrola o tecido ao redor da correia, pois o tecido é bem largo, e amarra a correia ao redor do pescoço, apertando-se com força, para que sua carne fique saliente e pareça cheia de carnes; e, como a correia é lisa e larga, não lhe causa dano.
Rabi Yehuda diz: os fios de lã e os de cabelo não interpõem na imersão, porque a água passa entre eles.
A Guemará retoma, do ponto onde a havia deixado em 57a, a mesma Mishná de Mikvaot já citada, para aprofundar especificamente a opinião de Rabi Yehuda quanto aos fios de lã e de cabelo — opinião que discorda do primeiro tana, para quem ambos os tipos de fio interpõem na imersão.
Disse Rav Yossef, disse Rav Yehuda, disse Shmuel: a halachá segue Rabi Yehuda quanto aos fios de cabelo — eles não interpõem na imersão —, mas não quanto aos fios de lã.
Shmuel decide a halachá de forma parcial: aceita a posição de Rabi Yehuda apenas quanto aos fios de cabelo, deixando implícito que, quanto aos fios de lã, prevalece a opinião do primeiro tana, de que eles interpõem.
Disse-lhe Abaye: ao dizeres que a halachá segue Rabi Yehuda, isso implica que há discordância dos sábios com ele, também quanto ao cabelo — mas isso não é dito de modo explícito na Mishná!
Abaye observa uma dificuldade lógica: a expressão "a halachá segue Rabi Yehuda" pressupõe a existência de uma opinião discordante, contra a qual se decide. Mas, na Mishná de Mikvaot, o primeiro tana fala apenas de fios de lã e de linho, sem mencionar explicitamente os fios de cabelo — não havendo, portanto, indício textual de que os sábios de fato discordem de Rabi Yehuda quanto ao cabelo.
"Isso implica que há discordância" — em tom de espanto: mas o primeiro tana não fala de fios de cabelo; conclui-se, portanto, que quanto ao cabelo ele concorda que o fio não se aperta bem sobre o cabelo.
E se dirás que, se ele (Rabi Yehuda) não tivesse ouvido o primeiro tana falar de fios de cabelo, ele também não teria falado deles — e por isso sua menção ao cabelo prova que discorda do primeiro tana também nesse ponto —, ainda assim, talvez ele lhes tenha dito algo como "assim como": assim como concordais comigo quanto aos fios de cabelo, concordai comigo também quanto aos fios de lã — sem que isso implique qualquer discordância quanto ao cabelo.
A Guemará propõe uma leitura alternativa da intenção de Rabi Yehuda: em vez de discordar do primeiro tana quanto ao cabelo, ele poderia estar apenas usando o consenso já existente quanto ao cabelo — que todos aceitam não interpor — como ponto de partida retórico para persuadir os sábios a estenderem essa mesma leniência também aos fios de lã, sobre os quais de fato discordam.
"Talvez" — seja este o motivo pelo qual ele mencionou o cabelo. "Ele lhes disse 'assim como'" — assim como concordais comigo quanto aos fios de cabelo, concordai comigo também quanto aos fios de lã.
Ensinou-se assim: disse Rav Nachman, disse Shmuel: os sábios concordam com Rabi Yehuda quanto aos fios de cabelo — não havendo, portanto, qualquer discordância nesse ponto.
Esta tradição independente confirma a segunda leitura proposta acima: não há discordância entre os sábios e Rabi Yehuda quanto aos fios de cabelo — todos concordam que eles não interpõem —, restando a disputa apenas quanto aos fios de lã.
Também se ensinou assim numa baraita: fios de lã interpõem, fios de cabelo não interpõem. Rabi Yehuda diz: tanto os de lã quanto os de cabelo não interpõem.
Esta baraita apresenta o próprio primeiro tana já concordando explicitamente que fios de cabelo não interpõem — confirmando que a disputa com Rabi Yehuda se restringe unicamente aos fios de lã.
Disse Rav Nachman bar Yitzchak: também a nossa Mishná (de Shabat) é precisa nesse sentido, pois ensina: a mulher pode sair com fios de cabelo, seja de seu próprio cabelo, seja do de sua amiga. De quem é essa opinião? Se dirás que é de Rabi Yehuda — então também os fios de lã deveriam ser permitidos! Mas não; antes, é a opinião dos sábios, e conclui-se disso que, quanto aos fios de cabelo, eles não discordam de Rabi Yehuda. Conclui-se disso.
Rav Nachman bar Yitzchak encerra a sugya trazendo uma prova independente, da própria Mishná de Shabat estudada nestes dafim: ela permite explicitamente sair com fios de cabelo, sem qualquer ressalva — e essa permissão só pode ser dos sábios (pois, se fosse de Rabi Yehuda, ele também teria permitido os fios de lã, o que a Mishná não faz). Logo, os próprios sábios, autores da Mishná, já concordam que fios de cabelo não interpõem, fechando definitivamente o ponto.
A Mishná disse que a mulher não pode sair com a "totefet". O que é a "totefet"? Disse Rav Yossef: um pacote amarrado (chumarta) contra o mau-olhado (diktifta).
A Guemará volta aos termos técnicos da Mishná original, ainda não explicados: a "totefet" mencionada entre os adornos proibidos. Rav Yossef propõe que se trata, na verdade, de um pequeno amuleto amarrado, contendo ervas ou especiarias, usado para proteção contra o mau-olhado — o que explicaria por que a Mishná o trata como algo valioso, cuja exibição a mulher poderia querer mostrar a uma amiga.
"Chumarta diktifta" — um nó que se faz como remédio, contra o "ktifa" do mau-olhado, para que este não tenha poder sobre a pessoa.
Disse-lhe Abaye: que seja, então, como um amuleto comprovadamente eficaz (kame'a mumche), e que seja permitido sair com ele em Shabat, pois um amuleto assim pode ser carregado!
Abaye objeta que, se a "totefet" fosse de fato um amuleto medicinal contra o mau-olhado, ela deveria ter o mesmo status de qualquer amuleto cuja eficácia já foi comprovada — que é permitido carregar em Shabat, por já ser considerado, na prática, parte do vestuário ou do corpo da pessoa, e não um objeto separado. Isso contradiz a proibição da Mishná, e exige, portanto, uma identificação diferente para a "totefet".
"E que seja como um amuleto comprovadamente eficaz" — pois nossa Mishná (adiante, 61a) ensina: "e não com amuleto, quando este não é de um especialista comprovado" — logo, sendo comprovado, está bem, é permitido.
Antes, disse Rav Yehuda em nome de Abaye: a "totefet" é um "apuzaynei" (enfeite de testa). Também se ensinou assim numa baraita: a mulher pode sair ao domínio público em Shabat com a touca dourada, e com a "totefet" e os "sarvitin" fixados nela.
Rejeitada a explicação de Rav Yossef, Rav Yehuda propõe, em nome de Abaye, que a "totefet" é na verdade um enfeite de testa dourado, e não um amuleto. Uma baraita confirma essa identificação, ensinando que a mulher pode sair com a touca dourada e com a "totefet" e os "sarvitin" quando fixados a ela — pois, sendo fixados, ela não os retiraria da cabeça no domínio público apenas para exibi-los, já que isso descobriria todo o seu cabelo.
"Apuzaynei" — um frontal de ouro ("fronteau"). "Touca" — uma touca ("coiffe"), pois, se ela a retirasse no domínio público, sua cabeça ficaria descoberta.
Qual é a "totefet" e quais são os "sarvitin"? Disse Rabi Abahu: a "totefet" é a que envolve a testa da mulher de orelha a orelha; os "sarvitin" são os que chegam a partir dela até suas bochechas.
Rabi Abahu esclarece a diferença física entre as duas peças mencionadas juntas na Mishná: a "totefet" é a faixa central, que cobre a testa de uma orelha a outra, enquanto os "sarvitin" são as extensões que descem dela, pendendo sobre as bochechas de cada lado do rosto.
"A que envolve" — a testa, de orelha a orelha. "Os que chegam até suas bochechas" — ela o enrola sobre a cabeça, e ele fica pendurado sobre suas bochechas, de um lado e de outro.
Disse Rav Huna: as mulheres pobres fazem esses enfeites de tipos de materiais coloridos; as mulheres ricas os fazem de prata e de ouro.
Rav Huna acrescenta um detalhe social sobre a "totefet" e os "sarvitin": tratando-se de um item de adorno cujo material varia conforme os recursos de cada mulher, as mais pobres usam tecidos coloridos simples, enquanto as mais ricas os confeccionam em metais preciosos — mas, em ambos os casos, valiosos o bastante para que os sábios temessem que a mulher os retirasse para exibi-los.
A Mishná disse que a mulher não pode sair com o "kavul". Disse Rabi Yanai: este "kavul", não sei o que é: se ensinamos que a proibição se refere à marca (kavla) do escravo — então um gorro de lã usado sob a touca estaria bem, seria permitido; ou talvez ensinamos que a proibição se refere ao gorro de lã — e, com muito mais razão, a marca do escravo estaria proibida.
Rabi Yanai admite sua incerteza quanto ao significado do termo "kavul" na Mishná: poderia ser a marca de identificação costurada na roupa de um escravo — caso em que um simples gorro de lã, usado por uma mulher sob a touca, estaria fora da proibição —, ou poderia ser esse próprio gorro de lã — caso em que, com muito mais razão, a marca do escravo (um item ainda mais associado à condição servil) estaria proibida.
"Se ensinamos que se trata da marca do escravo" — o selo que se faz na roupa do escravo, como sinal de prova de que ele é escravo, e é sobre essa marca que nossa Mishná ensina que a serva não pode sair com ela. "Mas um gorro de lã" — como um barrete usado sob a touca, que também se chama "kavul", e com ele ela se enfeita. "Estaria bem" — pois, como seu cabelo fica descoberto ao redor, ela não o retiraria para mostrá-lo. "Ou talvez ensinamos que é o gorro" — que não se pode sair com ele, pois tememos que ela o retire de sob a touca para mostrá-lo, sem descobrir o cabelo; e, com muito mais razão, a marca do escravo estaria proibida.
Disse Rabi Abahu: é razoável concordar com quem diz que ensinamos que o "kavul" é o gorro de lã. E também se ensinou assim numa baraita: a mulher pode sair com o "kavul" e com o "istema" ao pátio; Rabi Shimon ben Elazar diz: ela pode sair até mesmo com o "kavul" ao domínio público. Rabi Shimon ben Elazar estabeleceu um princípio: tudo o que fica abaixo da touca, pode-se sair com ele; tudo o que fica acima da touca, não se pode sair com ele.
Rabi Abahu resolve a dúvida de Rabi Yanai a favor da segunda opção: o "kavul" da Mishná é o gorro de lã, e não a marca do escravo. Ele traz apoio de uma baraita, que menciona o "kavul" junto ao "istema" como itens permitidos ao menos no pátio — e cujo princípio geral, de Rabi Shimon ben Elazar, distingue o que fica sob a touca (que a mulher não descobriria em público) do que fica sobre ela (mais exposto e, por isso, mais sujeito ao decreto). O fato de a baraita agrupar o "kavul" com itens usados sob a touca confirma que se trata do gorro de lã, e não da marca do escravo.
"Com o kavul e com o istema" — mais adiante a Guemará explicará o que é o "istema"; e, do fato de a baraita ensinar "tudo o que fica abaixo da touca", conclui-se que ensinamos que o kavul é o gorro de lã.
O que é "istema"? Disse Rabi Abahu: "bizyonei". O que é "bizyonei" — termo ainda obscuro para os sábios da Babilônia —? Disse Abaye, disse Rav: "kalya paruchei" (o que recolhe os cabelos soltos).
A Guemará busca esclarecer também o termo "istema", mencionado na baraita ao lado do "kavul". Rabi Abahu, usando terminologia da Terra de Israel, explica-o como "bizyonei" — mas esse termo, por sua vez, era desconhecido na Babilônia, exigindo nova explicação: Rav, através de Abaye, esclarece que se trata de uma pequena touca ou fita usada para prender os fios de cabelo que escapam da trança e se soltam.
"Kalya paruchei" — um pequeno gorro usado depois de ela trançar e cobrir a cabeça; há pequenos fios de cabelo que saem para fora das tranças, chamados "paruchei" porque escapam e saem para fora, e ela os prende sob as tranças por meio desse pequeno gorro. "Kalya" — que impede esses fios de cabelo de saírem.
Ensinaram os sábios: três coisas foram ditas sobre o "istema": não há nele a proibição de "kilaim" (mistura proibida de lã e linho); ele não se torna impuro por causa de lepra; e não se pode sair com ele ao domínio público.
A baraita fecha a identificação do "istema" com três leis independentes que o caracterizam: por ser feito como uma espécie de feltro, prensado e não fiado nem tecido, ele escapa tanto à proibição de "kilaim" — reservada a tecidos fiados e tecidos de lã com linho — quanto à impureza de lepra, que a Torá associa à palavra "vestimenta" e que, por analogia com "kilaim", também se restringe a tecidos fiados e tecidos; ainda assim, por decreto rabínico semelhante ao dos demais adornos deste capítulo, não se pode sair com ele ao domínio público em Shabat.
"Não há nele a proibição de kilaim" — porque é feito como uma espécie de feltro, chamado "feutre", e não é fiado. "E não se torna impuro por causa de lepra" — pelo mesmo motivo, pois, quanto à lepra, também está escrito "vestimenta", e se aprende, por analogia com "kilaim", que deve ser cardado e fiado para que a impureza se aplique.
Em nome de Rabi Shimon disseram: também ...
O daf 57b termina, mais uma vez, no meio de uma frase — como já havia acontecido ao final de 57a. A citação em nome de Rabi Shimon é apenas iniciada aqui — "também..." —, e seu conteúdo completo só aparece no início de 58a: "não há nele a proibição das coroas de noivas" — uma quarta lei sobre o istema, relacionada ao decreto rabínico que proibiu o uso de coroas nupciais após a destruição do Templo. Esta divisão de conteúdo entre dois dafim, sem qualquer fórmula de encerramento no meio da frase, confirma-se por uma segunda consulta independente ao texto de Shabat 58a, e segue o mesmo padrão já observado na transição entre 57a e 57b.