O daf abre com uma nova objeção, de Rabi Oshaya, contra a conclusão de 61b de que se pode trazer o amuleto mesmo na mão: uma baraita ensina justamente o contrário, que não se deve segurá-lo na mão e carregá-lo quatro côvados pelo domínio público. A Guemará resolve distinguindo dois casos: o amuleto coberto de couro, do qual trata a permissão, e o amuleto exposto, ao qual se refere a proibição de Rabi Oshaya. Levanta-se então uma nova dificuldade a partir dos tefilin, que também são cobertos de couro e, ainda assim, devem ser retirados quatro côvados antes da privada — mas a Guemará responde que ali a razão não é a santidade da escrita em si, e sim a letra shin marcada no próprio couro da caixa da cabeça, lei dada a Moshé no Sinai, assim como o nó em forma de dalet e a dobra em forma de iod. A Guemará volta então à Mishná já citada, completando a explicação de três termos que haviam ficado sem glosa — a couraça, o capacete de couro e as caneleiras que o homem não deve vestir para sair. Uma nova Mishná é então introduzida, tratando do que a mulher não deve vestir para sair: a agulha perfurada, o anel que tem selo, o broche do colarinho, a trouxinha de perfume e o frasco de bálsamo — sendo que, segundo Rabi Meir, sair com qualquer um desses itens obriga à oferenda pelo pecado, enquanto os Sábios isentam quanto à trouxinha e ao frasco, por considerá-los ornamento. A Guemará abre a discussão com a afirmação de Ula de que o inverso dessas leis vale para o homem — o que serve à mulher não serve a ele, e vice-versa —, e que, portanto, as mulheres seriam "um povo à parte". Rav Yossef objeta a partir dos pastores, que saem com sacos ainda que estes não sejam seu traje costumeiro; e Abaye objeta a partir dos tefilin encontrados, que se trazem para dentro tanto pelo homem quanto pela mulher, apesar de ser um preceito do qual as mulheres deveriam estar isentas — resolvido por Rabi Meir sustentar que a noite e o Shabat também são ocasião para tefilin, tornando o preceito não ligado ao tempo. Levanta-se ainda a dificuldade de que trazer o anel no dedo seria um transporte "de modo invertido", insuficiente para gerar responsabilidade — resolvida por Rabi Yirmeya quanto à mulher tesoureira, que tem o costume de trazer o selo no dedo, e por Rava quanto ao homem, através do caso dos anéis que marido e mulher trocam entre si a caminho da caixa ou do artesão. O daf conclui explicando os termos "broche do colarinho" e "trouxinha de perfume", e trazendo uma baraita com a disputa de três opiniões sobre esta última — Rabi Meir considerando-a uma carga, os Sábios um ornamento proibido de antemão por receio de que seja mostrada e carregada, e Rabi Eliezer permitindo-a sempre, por ser usada apenas por quem tem mau odor e por isso não a exibiria. Uma objeção de outra baraita, que atribui a Rabi Eliezer a posição de isentar, e não de permitir de antemão, é resolvida na frase final do daf: aquela baraita dirige-se à posição de Rabi Meir, e esta à posição dos Sábios.
Mas não se ensinou numa baraita — disse Rabi Oshaya: contanto que não o segure em sua mão e o carregue quatro côvados pelo domínio público!
A Guemará levanta uma nova objeção contra a conclusão com que 61b terminou — que, por curar, o amuleto pode ser trazido mesmo na mão, sem incorrer em responsabilidade. Uma baraita distinta, na voz de Rabi Oshaya, parece dizer exatamente o contrário: a permissão de sair com o amuleto vale apenas contanto que não se o segure na mão e se venha, assim, a carregá-lo quatro côvados pelo domínio público.
"Que não o segure" — pois, segurando-o na mão, ele não é seu ornamento, a menos que seja usado à maneira de veste.
Mas então, do que estamos tratando aqui? De um amuleto coberto de couro.
A Guemará harmoniza as duas fontes distinguindo dois tipos de amuleto. A conclusão de 61b, que permite trazê-lo mesmo na mão, refere-se ao amuleto coberto de couro, cuja escrita sagrada fica protegida e não sofre desonra por entrar assim na privada. Já a proibição de Rabi Oshaya refere-se ao amuleto exposto, cuja escrita ficaria à mostra na mão da pessoa.
"Coberto de couro" — pois não há desonra em entrar com ele na privada, e não é necessário retirá-lo da mão.
Mas eis que os tefilin também são cobertos de couro, e no entanto se ensinou numa baraita: quem entra na privada tira os tefilin à distância de quatro côvados, e então entra.
A Guemará contesta a distinção anterior: se o fato de estar coberto de couro bastasse para permitir a entrada na privada, os tefilin — cujos rolos de pergaminho ficam igualmente encaixados em estojos de couro — deveriam gozar da mesma permissão. Mas uma baraita ensina o oposto: quem os traz deve retirá-los ainda a quatro côvados de distância da privada, antes mesmo de entrar.
"Tira os tefilin" — ainda que estejam cobertos de couro, pois os quatro rolos em que as porções estão escritas ficam encaixados em estojos de couro.
Ali, é por causa da letra shin. Pois disse Abaye: a letra shin dos tefilin é uma lei dada a Moshé no Sinai. E disse Abaye: a letra dalet dos tefilin é uma lei dada a Moshé no Sinai. E disse Abaye: a letra iod dos tefilin é uma lei dada a Moshé no Sinai.
A Guemará resolve a objeção: nos tefilin, a exigência de removê-los antes da privada não decorre da santidade da escrita interna, protegida pelo couro, mas de uma marca formada no próprio couro externo da caixa — a letra shin, cujo desenho, junto com o nó em forma de dalet e a dobra em forma de iod, constitui uma lei recebida por Moshé no Sinai, e portanto exige o mesmo cuidado devido a qualquer objeto de santidade visível. O amuleto, por não ter tais letras marcadas do lado de fora, não está sujeito a essa mesma exigência quando coberto.
"Ali, é por causa da letra shin" — pois no próprio couro externo da caixa da cabeça vincam-se três dobras à maneira de um shin. E o dalet e o iod são feitos no nó com que se ata a correia, uma voltada para o norte e outra para o leste, à maneira de um dalet; e uma correia bem pequena fica pendurada nele, sem nada além de uma dobra à maneira de um iod, dobrada enquanto o couro ainda está úmido, e ela permanece dobrada para sempre.
"E nem com couraça, nem com capacete de couro, nem com caneleiras."
A Guemará retoma a Mishná já citada anteriormente, para completar a explicação de três de seus termos, que até aqui haviam ficado sem glosa.
"Couraça" — é a couraça de escamas. "Capacete de couro" — disse Rav: é o gorro de couro usado sob o capacete de metal. "Caneleiras" — disse Rav: são as proteções de perna.
A Guemará esclarece os três termos: a couraça é uma armadura de escamas metálicas; o capacete de couro é o gorro macio usado sob o elmo de metal propriamente dito; e as caneleiras são as proteções de ferro para as pernas, usadas na guerra. Todos esses itens, sendo equipamento de guerra e não ornamento cotidiano, não podem ser trazidos ao domínio público em Shabat.
"Couraça de escamas" — em francês antigo, broigne. "É o gorro de couro" — usado sob o capacete de metal. "São as proteções de perna" — proteções de ferro usadas na guerra.
A mulher não sai com a agulha perfurada, nem com anel que tem selo, nem com o broche do colarinho, nem com a trouxinha de perfume, nem com o frasco de bálsamo. E, se saiu, é obrigada à oferenda pelo pecado — palavras de Rabi Meir. Mas os Sábios isentam quanto à trouxinha de perfume e ao frasco de bálsamo.
Uma nova Mishná é introduzida, ainda dentro do mesmo perek, tratando agora do que a mulher não deve trazer consigo ao domínio público em Shabat: a agulha perfurada (isto é, a agulha comum, com furo para a linha), o anel que tem selo gravado, o broche que prende o colarinho da veste, a trouxinha de ervas perfumadas e o frasco de óleo de bálsamo. Segundo Rabi Meir, sair com qualquer um desses itens configura transporte proibido pela Torá, obrigando à oferenda pelo pecado caso feito sem intenção; os Sábios, porém, isentam quanto à trouxinha e ao frasco, por considerá-los ornamento, e não objeto de transporte.
"Na Mishná: com o broche do colarinho" — explica-se na Guemará, e o mesmo vale para a trouxinha de perfume. "Bálsamo" — é o óleo de bálsamo perfumado. "É obrigada à oferenda pelo pecado" — pois ele sustenta que esses objetos não são ornamento.
Disse Ula: e o inverso delas vale para o homem. Segue-se, então, que Ula sustenta: tudo o que serve ao homem não serve à mulher, e o que serve à mulher não serve ao homem.
A Guemará abre a discussão da nova Mishná com a afirmação de Ula, referente ao anel: assim como a mulher não sai com anel de selo, mas presume-se que sai com anel sem selo, o homem passa pelo inverso — sai com anel de selo, mas não sai com anel sem selo, pois este não lhe serve de ornamento. Disso se conclui um princípio geral: nenhum objeto é, ao mesmo tempo, ornamento adequado tanto para o homem quanto para a mulher.
"Na Guemará: disse Ula, e o inverso delas vale para o homem" — refere-se ao anel: o anel que tem selo, se ele sai com ele, está isento; e o que não tem selo, se ele sai com ele, é obrigado à oferenda pelo pecado.
Objetou Rav Yossef: os pastores saem com sacos. E não apenas quanto aos pastores disseram isso, mas quanto a toda pessoa — só que é costume dos pastores sair com sacos.
Rav Yossef traz uma objeção de uma Tosefta: os sacos, próprios do vestuário dos pastores, são permitidos como ornamento a qualquer pessoa que os use, mesmo não sendo seu costume — pois basta que sejam ornamento para alguém para que sejam ornamento para todos. Por analogia, também um anel próprio do homem deveria servir de ornamento à mulher que o usasse, e vice-versa, contrariando o princípio de Ula.
"Com sacos" — tecidos com que se cobrem por causa das chuvas; sacos são vestes de saco. "Mas quanto a toda pessoa" — segue-se que, ainda que não seja seu costume usá-lo, visto que é ornamento para este, também é ornamento para aquele.
Mas então disse Rav Yossef: Ula sustenta que as mulheres são um povo à parte.
Rav Yossef retifica sua própria leitura: a distinção entre profissões, como a dos pastores, é menor do que a distinção entre homens e mulheres. Segundo Ula, as mulheres constituem, para efeito de ornamento, uma categoria à parte, de modo que o princípio dos pastores — de que basta ser ornamento para alguém para valer a todos — não se aplica entre os sexos.
Objetou-lhe Abaye: quem encontra tefilin traz-os para dentro par a par, tanto o homem quanto a mulher. E se disseres que as mulheres são um povo à parte — mas não é esse um preceito positivo ligado ao tempo, e todo preceito positivo ligado ao tempo isenta as mulheres?
Abaye objeta com uma Tosefta sobre tefilin encontrados fora da cidade em Shabat: tanto o homem quanto a mulher que os encontram devem trazê-los para dentro, vestindo-os par a par, à maneira de veste. Se, porém, as mulheres fossem um povo à parte, para quem os tefilin do homem nunca servem de ornamento, a mulher não deveria ter permissão de vesti-los — e ainda mais, tratando-se de um preceito positivo ligado ao tempo (pois nem sempre há obrigação de tefilin), do qual as mulheres estão isentas por princípio geral.
"Quem encontra tefilin" — em Shabat, no mercado ou no caminho. "Traz-os para dentro" — da cidade, à maneira de veste. "Par a par" — do mesmo modo que os veste em dia comum, um na cabeça e um no braço, e os tira, e volta a colocar outro par, e assim os traz para dentro, um a um. "Tanto o homem quanto a mulher" — e, ainda que não sejam ornamento para a mulher, visto que são ornamento para o homem, é permitido também à mulher.
Ali, Rabi Meir sustenta que a noite é ocasião para tefilin, e que o Shabat é ocasião para tefilin — de modo que se trata de um preceito positivo não ligado ao tempo, e todo preceito positivo não ligado ao tempo obriga as mulheres.
A Guemará resolve a objeção: segundo Rabi Meir, autor da Tosefta sobre os tefilin encontrados, não há de fato momento algum isento da obrigação de tefilin — nem a noite, nem o Shabat —, de modo que o preceito não é, tecnicamente, "ligado ao tempo", e por isso obriga as mulheres como qualquer outro preceito positivo incondicional. Não há, portanto, contradição com a tese de que as mulheres são um povo à parte quanto a ornamentos.
"A noite é ocasião para tefilin, e assim também o Shabat" — portanto, sua ocasião é sempre, e não há para eles um tempo fixo que faça de seu preceito um preceito positivo ligado ao tempo, isentando as mulheres. Por isso se mencionam a noite e o Shabat, pois há controvérsia quanto a ambos; e se Rabi Meir sustentasse, quanto a um deles, que não é ocasião para tefilin, resultaria um tempo fixo para os tefilin, e as mulheres estariam isentas. "As mulheres são obrigadas" — portanto, são ornamento para ela.
Mas isso não é um transporte feito de modo invertido?
A Guemará volta à Mishná e levanta outra dificuldade, agora quanto à responsabilidade de Rabi Meir por sair com o anel de selo: sendo esse anel algo que não é ornamento para a mulher, ela o transportaria à maneira de veste, no dedo, e não nas mãos, como se transporta habitualmente um objeto qualquer — e um transporte feito de modo atípico não deveria gerar responsabilidade pela Torá.
Disse Rabi Yirmeya: estamos tratando de uma mulher tesoureira. Disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: explicaste o caso da mulher; quanto ao homem, o que há para se dizer?
Rabi Yirmeya responde que a Mishná trata de uma mulher encarregada de tesouraria, que costuma trazer o anel de selo no dedo por necessidade de seu ofício — de modo que, para ela, esse é o modo habitual de transportá-lo, ainda que não seja ornamento. Rabi Yochanan observa, porém, que essa resposta só resolve o caso da mulher; permanece em aberto por que o homem seria responsável ao sair com anel sem selo, já que também para ele esse não é o modo costumeiro de trazê-lo.
"Mas isso não é um transporte de modo invertido" — refere-se à Mishná: o transporte do anel, que ela transporta à maneira de veste no dedo; e, sendo este algo que não é ornamento para ela, por que estaria obrigada à oferenda pelo pecado? Pois ela não o transportou do modo como todos transportam, já que quem transporta algo que não é seu ornamento o transporta nas mãos, e não à maneira de veste. "Tesoureira" — a mulher que envia constantemente selos aos encarregados sob sua responsabilidade, dizendo: deem tal quantia de dinheiro a fulano; e assim seu selo fica em sua mão, por isso é seu costume deixá-lo em seu dedo. Mas não é ornamento para ela, pois não é costume das mulheres fazer isso; ainda assim, o modo de ela transportá-lo é esse. "Quanto ao homem, o que há para se dizer" — pois disse Ula que o inverso vale para o homem, obrigando quanto ao anel que não tem selo; mas isso não é um transporte de modo invertido, já que não é costume dele transportar esse anel à maneira de veste?
Mas então disse Rava: por vezes o homem dá à sua esposa um anel que tem selo, para que ela o leve à caixa, e ela o deixa em sua mão até chegar à caixa. E por vezes a mulher dá ao seu marido um anel que não tem selo, para que ele o leve ao artesão para consertar, e ele o deixa em sua mão até chegar ao artesão.
Rava propõe outra explicação, que resolve tanto o caso da mulher quanto o do homem sem recorrer a ofícios especiais: às vezes o marido entrega à esposa seu anel de selo para que o guarde em uma caixa, e ela o traz no dedo até lá chegar; e às vezes a esposa entrega ao marido seu anel sem selo para que o leve a um artesão para consertar, e ele o traz no dedo até lá chegar. Em ambos os casos, embora o anel não seja ornamento para quem o transporta, trazê-lo no dedo é, de fato, o modo costumeiro de conduzi-lo até o destino — e por isso a responsabilidade se aplica normalmente.
"À caixa" — em francês antigo, escrine, para guardá-lo ali. E há quem explique que é a caixa que se sela com ele, e, quando a abre, torna a selá-la com ele; mas essa explicação não parece correta, pois, se assim fosse, deveria dizer que ela o deixa em seu dedo até devolvê-lo ao marido. "Ao artesão, para consertar, e ele o deixa em seu dedo" — segue-se que esse é o modo costumeiro de transportá-lo.
"Nem com o broche do colarinho, nem com a trouxinha de perfume." O que é o broche do colarinho? Disse Rav: é o fecho que prende o colarinho da veste. A trouxinha de perfume — disse Rav: é o embrulho do bálsamo perfumado. E assim também disse Rav Assi: é o embrulho do bálsamo perfumado.
A Guemará explica dois termos ainda pendentes da Mishná. O "broche do colarinho" é o fecho de metal com que se prende a abertura do colarinho da veste. A "trouxinha de perfume" é um pequeno embrulho contendo uma substância aromática, o bálsamo, usado para disfarçar odores — identificação confirmada tanto por Rav quanto, independentemente, por Rav Assi.
"É o fecho" — em francês antigo, nosche, chamado assim porque prende e fecha as aberturas da veste. "É o embrulho do bálsamo perfumado" — o nó em que se ata uma substância chamada bálsamo, de cheiro agradável, em francês antigo, balsme, e a mulher cujo odor é ruim a carrega sobre si.
Ensinaram os Sábios numa baraita: não se sai com a trouxinha de perfume, e, se saiu, é obrigada à oferenda pelo pecado — palavras de Rabi Meir. Mas os Sábios dizem: não se sai, e, se saiu, está isenta. Rabi Eliezer diz: a mulher sai com a trouxinha de perfume mesmo de antemão.
Uma baraita apresenta três posições sobre a trouxinha de perfume: Rabi Meir a proíbe totalmente, com responsabilidade plena caso se saia com ela; os Sábios também proíbem sair com ela de antemão, mas isentam de oferenda quem o fizer sem intenção; e Rabi Eliezer permite sair com ela mesmo de antemão, sem qualquer restrição.
Sobre o que divergem? Rabi Meir sustenta que é uma carga. E os Sábios sustentam que é um ornamento, mas temem que ela venha a tirá-la e mostrá-la a outrem, e chegue a carregá-la. E Rabi Eliezer sustenta: quem costuma pôr essa trouxinha sobre si? A mulher cujo odor é ruim; e a mulher cujo odor é ruim não a tira nem a mostra, e não chega a carregá-la quatro côvados pelo domínio público.
A Guemará explica a raiz da disputa. Para Rabi Meir, a trouxinha de perfume é considerada uma carga qualquer, e não um ornamento, o que a torna proibida por lei da Torá. Para os Sábios, é de fato um ornamento, mas há um receio adicional: por vergonha ou vaidade, a mulher poderia tirá-la para mostrá-la a outra pessoa, e assim viesse a carregá-la pelo domínio público — por isso a proíbem de antemão, ainda que isentem quem já saiu com ela. Rabi Eliezer, porém, observa que só usa essa trouxinha a mulher de odor desagradável, precisamente para disfarçá-lo; e uma mulher assim jamais a tiraria para mostrá-la, pois isso revelaria o próprio problema que procura esconder — de modo que não há receio de que venha a carregá-la.
"E os Sábios sustentam que é um ornamento" — por isso, se ela saiu, está isenta; mas de antemão não deve sair, por temerem que ela venha a tirá-la e mostrá-la. "Pôr sobre si" — colocá-la em seu pescoço. E a versão correta é: "e a mulher cujo odor é ruim não a tira nem a mostra" — pois isso seria uma desonra para ela.
Mas não se ensinou numa baraita que Rabi Eliezer isenta quanto à trouxinha de perfume e ao frasco de bálsamo?
A Guemará traz uma segunda baraita, que atribui a Rabi Eliezer uma posição diferente: não a permissão total de antemão, mas apenas a isenção de quem já saiu — postura mais próxima da dos Sábios do que da permissão irrestrita citada na primeira baraita.
"Mas não se ensinou que Rabi Eliezer isenta" — enquanto aqui ele permite mesmo de antemão?
Não há dificuldade: esta baraita se dirige a Rabi Meir, e aquela se dirige aos Sábios. Ao dirigir-se a Rabi Meir, que disse que é obrigada à oferenda, ele disse que está isenta; ao dirigir-se aos Sábios, que disseram que está isenta, mas é proibido, ele disse que é permitido mesmo de antemão.
A Guemará resolve a contradição entre as duas baraitot: Rabi Eliezer não expressou uma única posição fixa, mas reagiu de modo distinto conforme o interlocutor. Diante de Rabi Meir, que responsabiliza plenamente quem sai com a trouxinha, Rabi Eliezer discorda apenas a ponto de isentá-la — é essa a baraita que o descreve como "isentando". Diante dos Sábios, que já isentam mas proíbem de antemão, Rabi Eliezer vai além, permitindo explicitamente mesmo de antemão — é essa a baraita que o descreve como permitindo desde o início. As duas formulações, portanto, descrevem a mesma posição de fundo de Rabi Eliezer, cada uma medida contra o adversário que tinha diante de si.
"Esta" — que ensina "isenta". "Ao dirigir-se a Rabi Meir" — naquela baraita não falam os Sábios, mas apenas Rabi Meir sozinho, e, diante da obrigação de Rabi Meir, cabe ensinar "Rabi Eliezer isenta", ainda que ele permita de antemão. "Ao dirigir-se aos Sábios" — na baraita anterior, em que falam os Sábios e dizem "isenta", Rabi Eliezer expressou explicitamente sua posição para discordar deles, dizendo "sai mesmo de antemão".