81a se encerrara aberta, no meio da pergunta de Rabá bar Rav Sheila a Rav — o nome cortado no limite exato da folha. Confirma-se, pelo texto de Sefaria, que 81b completa essa frase: a pergunta era dirigida a Rav Chisda, e tratava de subir com as pedras da privada ao telhado depois de usá-las; a resposta é que grande é a honra das criaturas, a ponto de afastar um "não farás" da Torá. Mareimar ensina publicamente esse dito; Ravina objeta com a disputa conhecida entre Rabi Eliezer e os sábios sobre pegar um palito para limpar os dentes — permitido de qualquer lugar, segundo Rabi Eliezer, mas restrito à manjedoura do animal, segundo os sábios, o que sugeriria que a honra das criaturas não bastaria para afrouxar a proibição de mover objetos; a resposta distingue os dois casos: a pessoa fixa um lugar para a refeição (podendo preparar-se de véspera), mas não fixa um lugar para a privada. Disse Rav Huna: é proibido aliviar-se num campo lavrado em Shabat; a Guemará descarta duas explicações (o pisoteio, que valeria também em dia de semana; as ervas sobre o seixo, que Reish Lakish já permitira tocar) antes de chegar à razão verdadeira — o risco de, sem perceber, pegar terra de um monte e lançá-la numa cova, nivelando a lavra, um ato derivado de lavrar ou construir, segundo o ensinamento de Rabá. A própria matéria do dito de Reish Lakish sobre o seixo com ervas leva Rav Pappi a inferir que também é permitido mover um parpisa (vaso perfurado com plantas); Rav Kahana objeta que uma permissão dada por necessidade não implica permissão sem necessidade; Abaye, aproveitando o tema, ensina as consequências de mudar um parpisa entre o solo e estacas — arrancar ou plantar. Disse Rabi Yochanan: é proibido limpar-se com um caco em Shabat; a Guemará descarta o perigo e a feitiçaria (que valeriam também em dia de semana) antes de considerar que a razão é soltar pelos — mas isso seria um ato sem intenção, geralmente permitido; Rav Natan bar Oshaya explica que a proibição em Shabat visa afastar a suposição de que o estatuto de utensílio do caco tornaria seu uso preferível ao transporte de um seixo. Rava, ensinando essa mesma razão, aponta uma aparente contradição entre Rabi Yochanan e ele mesmo, pela Mishná do nazireu que pode desembaraçar os cabelos mas não penteá-los; a solução reafirma a explicação de Rav Natan bar Oshaya. Por fim, a Guemará pergunta o que é a feitiçaria mencionada, e narra o caso de Rav Chisda e Rabá bar Rav Huna, viajando de barco, e de uma matrona que pediu para embarcar com eles; recusada, ela lançou um encantamento que imobilizou o barco, desfeito pelos sábios com outro encantamento — a folha se encerra aberta, no meio da pergunta retórica da matrona, "o que posso fazer contra vós?", confirmada a continuação em 82a com a explicação: por não se limparem com um caco, não matarem piolhos sobre as próprias roupas, nem arrancarem verduras de um maço amarrado pelo hortelão.
81a se interrompera exatamente no meio de um nome próprio: "בְּעָא מִינֵּיהּ רַבָּהּ בַּר רַב שֵׁילָא מֵרַב..." — "perguntou Rabá bar Rav Sheila a Rav..." — sem que se soubesse a quem, nem qual era a pergunta. A folha aqui abre com a continuação exata: "...חִסְדָּא: מַהוּ לְהַעֲלוֹתָם אַחֲרָיו לַגַּג?" — "...Chisda: é permitido subir com elas atrás dele ao telhado?" —, revelando que o interrogado era Rav Chisda, e que a pergunta tratava de subir ao telhado com as pedras da privada depois de usá-las.
...Chisda: é permitido subir com elas atrás dele ao telhado? Disse-lhe: grande é a honra das criaturas, que afasta um "não farás" da Torá. Sentou-se Mareimar e disse esta tradição. Objetou-lhe Ravina a Mareimar: Rabi Eliezer diz: pode a pessoa pegar um palito que está diante dela para limpar com ele os dentes, e os sábios dizem: só pode pegá-lo da manjedoura do animal! Como se pode comparar?! Ali, a pessoa fixa um lugar para a refeição; aqui, acaso a pessoa fixa um lugar para a privada?
A resposta de Rav Chisda estabelece um princípio de largo alcance: a honra das criaturas é suficientemente grande para afastar até mesmo uma proibição bíblica (segundo Rashi, apoiada no verso "e te desviares deles" — Deuteronômio 22:1 — que isenta o ancião de agir de modo indigno de si; e por extensão, também a proibição rabínica de mover as pedras, reforçada pelos sábios sob o "não te desviarás"). Mareimar ensina publicamente esse dito. Ravina objeta com um caso análogo conhecido: mesmo para a necessidade de limpar os dentes — também uma questão de dignidade e higiene —, os sábios não permitiram pegar qualquer palito de qualquer lugar, mas restringiram-no à manjedoura do animal, onde certamente não é mukatzê; isso sugeriria que a honra das criaturas não bastaria, por si só, para afrouxar as restrições de manuseio. A resposta distingue os dois casos: a refeição tem lugar e hora previsíveis, de modo que a pessoa poderia ter preparado o palito com antecedência, na véspera de Shabat; já a necessidade de usar a privada é imprevisível, sem lugar fixo, e por isso a concessão feita ali não tem paralelo na primeira situação.
"'É permitido subir com elas atrás dele ao telhado'" — se ele subiu lá para se aliviar, acaso nos preocupamos com o esforço excessivo de carregar as pedras, ou não? "'Que afasta um não farás'" — pois está escrito (Deuteronômio 22:1) "e te desviares deles", excluindo o ancião, para quem isso não é condizente com sua honra; e aqui também, o transporte das pedras, proibido por decreto rabínico, que os sábios apoiaram num "não te desviarás" da Torá — no lugar da honra das criaturas, é afastado. "'Que está diante dela'" — palitos que estão lançados sobre o solo, e não dizemos que são mukatzê. "'Para limpar'" — para tirar a carne que está entre os dentes e limpar entre eles. "'Da manjedoura'" — que está preparada (não é mukatzê); conclui-se que os sábios mantiveram suas palavras mesmo no lugar da honra das criaturas, pois às vezes o palito entre os dentes aparece por fora, e é uma vergonha para ele. "'Ali, a pessoa fixa um lugar para a refeição'" — e deveria ter preparado ali o palito desde a véspera. "'Aqui, acaso a pessoa fixa um lugar para a privada'" — em tom de espanto: às vezes a pessoa encontra alguém lá e vai a outro lugar; a privada não era comum em suas próprias casas, pois moravam em cômodos superiores, por causa da falta de espaço nas casas.
Disse Rav Huna: é proibido aliviar-se num campo lavrado (nir) em Shabat. Qual é a razão? Se dissesses que é por causa do pisoteio (davsha) — mas isso valeria também em dia de semana! Antes, dirias que é por causa das ervas — mas não disse Reish Lakish: um seixo sobre o qual cresceram ervas é permitido limpar-se com ele, e quem as arranca dele em Shabat é responsável por uma oferenda pelo pecado? Antes, a razão é que talvez ele pegue terra de um monte e a lance numa depressão, e se torne responsável pelo ensinamento de Rabá. Pois disse Rabá: se ele tinha uma cova e a preencheu — em casa, é responsável por construir; no campo, é responsável por lavrar.
A Guemará percorre, no estilo dialético usual, três explicações possíveis para a proibição de Rav Huna antes de fixar a verdadeira. O pisoteio do solo lavrado é descartado, pois seria igualmente prejudicial em dia de semana, quando não há proibição de aliviar-se ali. As ervas que crescem sobre um seixo também são descartadas como razão, pois Reish Lakish já ensinara que é permitido limpar-se com tal seixo — o toque, sem intenção de arrancar, não constitui trabalho proibido, ainda que arrancá-las deliberadamente seja proibido pela Torá. A razão verdadeira é mais sutil: ao aliviar-se num campo recém-lavrado, a pessoa corre o risco de, sem perceber, pegar terra solta de um monte próximo e deixá-la cair numa depressão, nivelando involuntariamente a superfície — um ato que Rabá classifica como derivado de construir (quando feito em casa, sobre um piso) ou de lavrar (quando feito no campo, sobre a terra lavrada).
"'Num campo lavrado (nir)'" — a primeira lavra, que está pronta para a semeadura. "'Por causa do pisoteio'" — e se fosse no campo do companheiro, porque pisoteia sua lavra e endurece a terra arada. "'Por causa das ervas'" — pois, por causa da umidade da terra lavrada, ervas crescem sobre o seixo, e quando ele se limpa com ele, elas se arrancam. "'É permitido limpar-se'" — pois ele não tem a intenção de arrancar, e é permitido, pois a lei segue Rabi Shimon (que permite um ato sem intenção). "'E quem arranca dele'" — com intenção, é responsável, pois é o lugar de seu crescimento, ainda que seja um seixo e não terra. "'Pega de cima'" — de um lugar elevado (gibshushit). "'E lança embaixo'" — num lugar de cova, e nivela a lavra, sendo isso uma derivação (tolada) de lavrar. "'Em casa'" — aplica-se a categoria de construir, pois nivelar covas é a construção do piso; e no campo, aperfeiçoa a lavra.
A própria matéria (gufa): disse Reish Lakish: um seixo sobre o qual cresceram ervas é permitido limpar-se com ele; e quem as arranca dele em Shabat é responsável por uma oferenda pelo pecado. Disse Rav Pappi: aprende-se disso, do dito de Reish Lakish, que este vaso perfurado (parpisa) é permitido movê-lo. Objetou Rav Kahana: se disseram isso para uma necessidade, diriam o mesmo sem necessidade? Disse Abaye: já que o parpisa chegou às nossas mãos, digamos algo sobre ele: se estava apoiado sobre o solo e alguém o colocou sobre estacas, é responsável por arrancar (tolesh); se estava apoiado sobre estacas e alguém o colocou sobre o solo, é responsável por plantar (notea).
A Guemará retoma "a própria matéria" do dito de Reish Lakish já citado, para desenvolvê-lo. Rav Pappi tenta generalizar: se é permitido tocar (e, por extensão, mover) um seixo com ervas crescidas sobre ele, o mesmo deveria valer para um parpisa — um vaso perfurado com plantas enraizadas nele, movido inteiro. Rav Kahana rejeita essa extensão: a permissão de Reish Lakish foi dada apenas para uma necessidade real (a limpeza, por respeito à honra das criaturas), e não se pode inferir dela uma permissão geral de mover o vaso sem qualquer necessidade. Abaye, aproveitando que o tema do parpisa surgiu, acrescenta um ensinamento independente sobre suas consequências: transferir o vaso do solo para cima de estacas interrompe seu contato com a terra e torna quem o move responsável por arrancar (como se tivesse desenraizado a planta); o movimento inverso, de estacas para o solo, reconecta as raízes à terra e torna a pessoa responsável por plantar.
"'Do dito de Reish Lakish'" — que disse ser permitido limpar-se com ele, e não dizemos que, quanto a este seixo, as ervas que cresceram da umidade da terra estão saindo dela, de modo que, ao levantá-lo, seria como arrancá-las de seu crescimento. "'Este parpisa'" — um vaso perfurado no qual se semeou; e encontrei nas respostas dos Gueonim que se fazem invólucros de folhas de tamareira, enchem-nos de terra e esterco de animal, e vinte e dois ou quinze dias antes de Rosh Hashaná fazem um para cada criança, menino ou menina, da casa, e semeiam neles feijão egípcio ou legumes, chamando-o de "parpisa"; cresce, e na véspera de Rosh Hashaná cada um pega o seu e o gira ao redor da cabeça sete vezes, dizendo "isto em lugar daquele, isto minha substituição, isto minha troca", e o lança ao rio. "'É permitido movê-lo'" — e não dizemos que é como arrancar. "'Para uma necessidade'" — a limpeza, por respeito à honra das criaturas. "'É responsável por arrancar'" — pois não volta a se beneficiar do cheiro da terra; e não me parece que este "responsável" seja exato, mas antes significa apenas que é proibido, por se assemelhar a arrancar — pois, se dissesse "responsável" no sentido estrito, como permitiriam os sábios, por causa da limpeza, uma proibição de extirpação e lapidação? E é semelhante a isto em Massechet Sanhedrin (62a): quem tem relações com uma cutéia é "responsável" por nashgaz (sigla de proibições que não são da Torá, mas dos sábios).
Disse Rabi Yochanan: é proibido limpar-se com um caco (cheres) em Shabat. Qual é a razão? Se dissesses que é por perigo — mas isso valeria também em dia de semana! Antes, dirias que é por causa de feitiçaria (kishuf) — mas então nem mesmo em dia de semana seria permitido! Antes, é por causa de soltar pelos (hasharat nimin) — mas isso é um ato sem intenção (davar she'eino mitkavein)! Disse-lhes Rav Natan bar Oshaya: um grande homem disse algo — digamos a razão disso: não é preciso dizer que em dia de semana é proibido; mas em Shabat, já que há sobre ele o estatuto de utensílio (torat kli), poder-se-ia pensar que está bem usá-lo; por isso ele nos ensina que é proibido mesmo assim.
A Guemará percorre, mais uma vez, o mesmo estilo dialético: o perigo do caco (que poderia romper os dentes internos do reto) é descartado como razão exclusiva do Shabat, pois valeria igualmente em dia de semana; a feitiçaria (explicada adiante) também é descartada pela mesma lógica; soltar pelos parece, à primeira vista, a razão certa, mas objeta-se que isso seria apenas um efeito colateral não intencional, geralmente permitido segundo a opinião que Rabi Yochanan mesmo sustenta noutro lugar. Rav Natan bar Oshaya resolve a dificuldade deslocando o eixo da questão: a proibição do caco em dia de semana já é óbvia, por perigo e feitiçaria; o que Rabi Yochanan realmente vem ensinar é que, em Shabat, ainda que o caco tenha estatuto de utensílio completo (podendo-se pensar que seu uso seria preferível ao transporte proibido de um seixo), ele continua proibido pelas mesmas razões que já valiam em dia de semana.
"'Por perigo'" — para que não rompa com ele os dentes do reto (karkeshta), que dependem deles. "'Por feitiçaria'" — como adiante, nesta mesma passagem. "'Soltar pelos'" — pois faz cair o pelo, por ser o caco pontiagudo. "'É um ato sem intenção'" — e ouvimos de Rabi Yochanan, adiante nesta mesma passagem, que ele diz que um ato sem intenção é permitido. "'Não é preciso dizer que em dia de semana'" — em que não há proibição de transportar seixos, que é proibido limpar-se com um caco, por causa da feitiçaria, já que se pode limpar com um seixo. "'Mas em Shabat, já que há sobre ele o estatuto de utensílio'" — para atiçar fogo com ele ou tirar água de uma cisterna — poder-se-ia dizer que está bem, pois é melhor que se limpe com ele do que transportar um seixo. "'Ele nos ensina'" — que não está bem, seja por perigo, seja por feitiçaria.
Rava a ensinava por causa de soltar pelos, e lhe é difícil a posição de Rabi Yochanan contra Rabi Yochanan: acaso disse Rabi Yochanan que é proibido limpar-se com um caco em Shabat? Conclui-se, então, que um ato sem intenção é proibido. Mas não disse Rabi Yochanan: a lei segue a Mishná anônima? E aprendemos: o nazireu pode lavar a cabeça e desembaraçar os cabelos com os dedos, mas não pentear! Antes, é claro que se deve explicar segundo Rav Natan bar Oshaya.
Rava, ao contrário da resolução anterior, ensinava a proibição do caco por causa de soltar pelos, e por isso confronta-se com uma contradição interna na obra de Rabi Yochanan: se sua proibição do caco implica que um ato sem intenção é proibido, isso contradiz outro princípio seu — que a lei segue a Mishná formulada de modo anônimo. E a Mishná (em Massechet Nazir) ensina, de modo anônimo, que o nazireu, a quem é proibido cortar o cabelo, pode lavar a cabeça e desembaraçar os cabelos com os dedos, mesmo correndo o risco de arrancar alguns fios sem querer — mas não pode usar um pente, cujo uso torna a queda de pelos praticamente certa. Essa Mishná pressupõe que um ato sem intenção é permitido, mesmo quando o resultado é provável, desde que não seja certo. A contradição se resolve abandonando a explicação de Rava e retornando à de Rav Natan bar Oshaya: a proibição do caco nunca foi, na verdade, sobre soltar pelos como ato sem intenção, mas sobre negar a suposição de que o estatuto de utensílio o tornaria preferível ao seixo.
"'Lava a cabeça'" — alisa seu cabelo. "'E desembaraça com os dedos'" — desembaraça (carpir, francês antigo). "'Mas não penteia'" — com um pente, pois certamente faz cair o pelo, e mesmo Rabi Shimon concorda no caso de "certamente lhe cortarão a cabeça" (pesik reisheih, onde o resultado é inevitável e o ato deixa de contar como sem intenção); mas lavar e desembaraçar com os dedos, às vezes não faz cair o pelo, e quando faz cair, sendo um ato sem intenção, é permitido.
O que é feitiçaria? Como este caso de Rav Chisda e Rabá bar Rav Huna, que estavam indo num barco; disse-lhes certa matrona (matronita): sentai-me convosco! Mas não a sentaram. Disse ela algo (um encantamento) — e imobilizou o barco. Disseram eles algo — e o soltaram. Disse-lhes ela: o que posso fazer contra vós?... (a frase é interrompida aqui, no limite da folha)
A folha se encerra no meio da fala da matrona, interrompida logo depois da pergunta retórica. Confirma-se, pelo texto de Sefaria, que 82a completa a frase: a matrona explica por que não tem poder sobre eles — porque não se limpam com um caco, não matam piolhos sobre as próprias roupas, e não arrancam verduras para comer de um maço já amarrado pelo hortelão — três práticas populares tidas como vulneráveis à feitiçaria, das quais os sábios se resguardavam. Esta folha, portanto, encerra-se aberta, assim como se abrira completando a frase igualmente interrompida de 81a.
"'Matrona'" — era gentia. "'Disse algo'" — um encantamento de feitiçaria, e imobilizou o barco, que não se moveu de seu lugar. "'Disseram eles algo'" — por meio de um nome sagrado.