A Mishná desta halachá lista, um a um, os pontos exatos "entre os parágrafos" onde a interrupção para saudações é permitida: entre a primeira bênção e a segunda, entre a segunda e o Shemá, entre o Shemá e "Vehayá im shamoa", entre este e "Vaiomer", e entre "Vaiomer" e a bênção "Emet veYatsiv". Rabi Yehudá, porém, isola este último ponto: entre "Vaiomer" e "Emet veYatsiv" não se pode interromper. A halachá, breve, traz apenas a razão de Rabi Yehudá, dada por Rabi Levi: a justaposição entre o versículo final do Shemá, que termina com "Eu sou o Senhor, vosso Deus", e o versículo de Jeremias que declara "mas o Senhor é o Deus verdadeiro" — mostrando que o final do Shemá e o início de "Emet veYatsiv" formam, na verdade, uma única unidade textual que não pode ser interrompida.
E estes são os pontos que se chamam "entre os parágrafos": entre a primeira bênção (Yotser Or) e a segunda (Ahavá Rabá); entre a segunda e o Shemá; entre o Shemá e "Vehayá im shamoa" (o segundo parágrafo do Shemá, Deuteronômio 11:13); entre "Vehayá im shamoa" e "Vaiomer" (o terceiro parágrafo, Números 15:37); entre "Vaiomer" e a bênção "Emet veYatsiv" (que se segue imediatamente ao Shemá). Rabi Yehudá diz: entre "Vaiomer" e "Emet veYatsiv" não se interrompe.
Disse Rabi Levi: a razão de Rabi Yehudá (para proibir a interrupção entre o final do Shemá e a bênção "Emet veYatsiv") é o versículo final do Shemá: "Eu sou o Senhor, vosso Deus" (Números 15:41); e está escrito (em outro lugar): "mas o Senhor Deus é verdade" (Jeremias 10:10). Assim, a palavra "verdade" do versículo de Jeremias liga-se diretamente às últimas palavras do Shemá, "Eu sou o Senhor, vosso Deus", formando com elas uma única declaração contínua — "Eu sou o Senhor, vosso Deus", verdade — que é justamente a abertura da bênção seguinte, "Emet veYatsiv" ("verdadeiro e íntegro"); por isso, entre um e outro não há lugar para qualquer interrupção.
Esta é a segunda halachá do Perek Bet do Talmud Yerushalmi, Massechet Berachot, e é a mais breve do capítulo: traz apenas a razão de Rabi Yehudá para isolar o ponto entre o fim do Shemá e a bênção "Emet veYatsiv" das demais interrupções permitidas pela Mishná. O paralelo no Talmud Bavli (Berachot 14a) atribui essa mesma explicação a Rabi Abahu em nome de Rabi Yochanan, e ali a halachá é fixada conforme Rabi Yehudá — decisão que não aparece no Yerushalmi.
Ver também no Talmud Bavli. O Bavli, Berachot 14a, traz a mesma decisão — a lei é como Rabi Yehudá, não se interrompe entre o final do Shemá e a bênção "Emet veYatsiv" — em nome de Rabi Abahu em nome de Rabi Yochanan, com o início da razão que se completa no daf seguinte.
Bavli Berachot 14a →