Talmud Yerushalmi · Massechet Kilayim · Perek Bet · Halachá 2
כִּלְאַיִם

Quem muda de trigo para cevada deve esperar a semente apodrecer e então arar

Perek Bet, Halachá 2, no Talmud Yerushalmi, Massechet Kilayim

Segunda halachá do Perek Bet de Massechet Kilayim: a Mishná trata de quem tinha seu campo semeado de trigo e mudou de ideia para semeá-lo com cevada — deve esperar até que a semente apodreça e revire a terra, e só depois semear; se já brotou, não deve dizer "semeio e depois reviro", mas revira e só depois semeia. A profundidade da aradura deve ser como os sulcos da estação chuvosa, e Abá Shaul diz que basta que não sobre um quarto de kav por bet seá sem ser arado. A guemará abre perguntando por quantos dias a semente deve permanecer germinando, distingue lugar de terra úmida e lugar de terra seca, resolve o caso em que o gado desceu e raspou o campo, e discute o motivo dos sábios e o motivo de Abá Shaul, chegando à posição de Rabi Yossei de que é preciso completar todo o quarto.

A Mishná · מַתְנִיתִין

הָיְתָה שָׂדֵהוּ זְרוּעָה חִטִּים וְנִמְלַךְ לְזוֹרְעָהּ שְׂעוֹרִים יַמְתִּין לָהּ עַד שֶׁיַּתְלִיעַ וְיוֹפֵךְ וְאַחַר כָּךְ יִזְרַע. אִם צָמְחָה לֹא יֹאמַר אֶזְרַע וְאַחַר כָּךְ אוֹפֵךְ. אֶלָּא הוֹפֵךְ וְאַחַר כָּךְ זוֹרֵעַ. כַּמָּה יְהִי חָרוּשׁ כְּתַלְמֵי הָרְבִיעָה. אַבָּא שָׁאוּל אוֹמֵר כְּדֵי שֶׁלֹּא יְשַׁיֵיר רוֹבַע לְבֵית סְאָה.

Mishná: (Se) seu campo estava semeado de trigo, e (o dono) mudou de ideia para semeá-lo com cevada, deve esperar até que (a semente de trigo remanescente) apodreça (literalmente, "que crie vermes") e revire (a terra), e só depois (disso) semear. Se (a semente de trigo) já brotou, não deve dizer: "semeio (a cevada agora) e depois reviro (a terra, eliminando o trigo)", mas revira (primeiro) e só depois semeia. Quanto deve ser a aradura (quão profunda)? Como os sulcos da estação chuvosa (a aradura grosseira feita para que as chuvas de outono penetrem o solo, e não a segunda aradura, fina e reta, feita para semear). Abá Shaul diz: (basta) que não sobre um quarto (de kav de trigo não revirado) por bet seá (a área de terra que comporta a semeadura de uma seá).

A Halachá · הֲלָכָה ב

01Por quantos dias deve germinar: lugar úmido e lugar seco
Yerushalmi · Kilayim 2:2
עַד כַּמָּה הִיא מַזְרָעַת עַד כְּדֵי שֶׁתְּהֵא בָאָרֶץ שְׁלֹשָׁה יָמִים בִּמְקוֹם הַטִּינָּא אֲבָל לֹא בִּמְקוֹם הַגְּרִיד בְּעָיָא הִיא יָתֵר. וְתַנֵּי כֵּן מִקְצַת הַיּוֹם כְּכוּלּוֹ בִּמְקוֹם הַטִּינָּא וְאִם צִימְּחָה וְהוֹרִיד בְּהֶמְתּוֹ לְתוֹכָהּ וְקִירְטְמָתָהּ הֲרֵי זוּ מוּתֶּרֶת.

Halachá: Até quando (a semente de trigo continua) germinando (a ponto de ainda se aplicar a regra da Mishná)? Até que fique na terra três dias, em lugar de terra úmida (barrenta); mas em lugar de terra seca, precisa de mais (tempo). E ensinamos assim: parte do dia é como o dia inteiro (isto é, conta-se como um dia completo) em lugar de terra úmida; e se (a semente) brotou, e (o dono) trouxe seu gado para dentro (do campo), e ele (o gado) a raspou (comendo e removendo o broto), eis que isso é permitido (pois o campo ficou como se nunca tivesse brotado, dispensando a espera adicional).

02O motivo dos sábios, e o motivo de Abá Shaul
Yerushalmi · Kilayim 2:2
מַה טַעְמָא דְּרַבָּנִין. מִכֵּיוָן שֶׁנָּתַן דַּעְתּוֹ לַחֲרוֹשׁ אֲפִילוּ לֹא רָצַף. תַנֵּי. אַבָּא שָׁאוּל אוֹמֵר אֵין מְחַיְיבִין אוֹתוֹ לִהְיוֹת חוֹרֵשׁ דַּק אֶלָּא כְּתַלְמֵי הָרְבִיעָה. רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר זְנַב הַסּוּס הָיְתָה נִקְרֵאת כְּדֵי שֶׁיְּהֵא סוֹף עֲפָרָהּ שֶׁל זוֹ נוֹגֵעַ בְּזוֹ וְסוֹף עֲפָרָהּ שֶׁל זוֹ נוֹגֵעַ בְּזוֹ. מַה טַעְמָא דְּאַבָּא שָׁאוּל מִכֵּיוָן שֶׁהִתְחִיל בְּרוֹבַע דַּיּיוֹ. מַה אַבָּא שָׁאוּל כְּרִבִּי יוֹסֵי כְּרַבָּנִין הוּא דְּרַבָּנִין אָמְרֵי מִכֵּיוָן שֶׁנָּתַן דַּעְתּוֹ לַחֲרוֹשׁ אֲפִילוּ לֹא רָצַף. אָבַּא שָׁאוּל אוֹמֵר מִכֵּיוָן שֶׁהִתְחִיל דַּעְתּוֹ בְּרוֹבַע דַּיּיוֹ. רִבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר צָרִיךְ לְהַשְׁלִים אֶת כָּל הָרוֹבַע.

Halachá: Qual é o motivo dos rabanan (que exigem a aradura na medida dos sulcos da estação chuvosa, sem precisar cobrir toda a superfície)? Visto que (o dono) teve a intenção de arar, (basta,) mesmo que não (tenha arado de modo) contínuo (cobrindo cada palmo do campo). Ensinamos: Abá Shaul diz: não se obriga (o dono) a arar fino (cobrindo toda a superfície), senão como os sulcos da estação chuvosa. Rabán Shimon ben Gamliel diz: (essa aradura) costumava se chamar "cauda de cavalo" (pela forma que deixa no solo), de modo que a ponta da terra revolvida de um (sulco) toque a deste (o sulco ao lado), e a ponta da terra revolvida deste toque a daquele. Qual é o motivo de Abá Shaul? Visto que (o dono) começou (a arar), basta (mesmo que reste) um quarto (não arado). Abá Shaul segue Rabi Yossei, ou segue os rabanan? Pois os rabanan dizem: visto que teve a intenção de arar, (basta,) mesmo que não (tenha sido) contínuo; Abá Shaul diz: visto que sua intenção começou (a se cumprir), basta (que reste) um quarto. Rabi Yossei diz: precisa completar todo o quarto (não bastando apenas ter começado — é necessário arar até que não reste mistura proibida alguma).

Nota

Esta é a segunda halachá do Perek Bet de Massechet Kilayim, que retoma o tema da aradura como remédio para a mistura de espécies de cereal: quem semeou um campo com trigo e depois deseja convertê-lo para cevada não pode simplesmente semear por cima, pois isso criaria kilayim entre as duas sementes; precisa antes eliminar o trigo remanescente, seja deixando-o apodrecer na terra, seja arando-o para baixo, e só então semear a nova espécie. A Mishná fixa a profundidade mínima da aradura — como os sulcos grosseiros da estação chuvosa — e registra a posição mais leniente de Abá Shaul, que a mede pela proporção de um quarto de kav por bet seá, ecoando a mesma proporção-limite já estabelecida na halachá anterior (2:1).

A guemará abre fixando o prazo de germinação que ainda permite contar o campo como "apenas brotando" — três dias em terra úmida, mais tempo em terra seca —, com a regra de que parte do dia conta como dia inteiro, e resolve o caso em que o gado desceu ao campo e raspou o broto, tornando a semeadura imediatamente permitida. Em seguida, explica o motivo por trás da posição dos sábios (a mera intenção de arar já basta, mesmo sem cobrir toda a área) e da posição de Abá Shaul (basta ter começado a arar, restando apenas um quarto), e questiona se Abá Shaul concorda com os rabanan ou com Rabi Yossei — concluindo que sua posição é intermediária, distinta da exigência de Rabi Yossei de completar todo o quarto sem exceção.