Esta sétima e última halachá do Perek Hei traz uma nova Mishná sobre as diferentes formas de empilhar o cereal já colhido: quem empilha em koval'ot, kumasot, em forma de chararah ou em feixes comuns não tem esquecimento quanto a esses montes, mas passa a ter esquecimento a partir do momento em que os leva dali para a eira; já quem empilha em gadish (grande meda) tem esquecimento a partir dela, mas já não tem esquecimento ao levá-la para a eira; a Mishná fecha com o princípio geral que rege todos esses casos — todo lugar que constitui a conclusão do trabalho de empilhar gera esquecimento a partir de si mesmo, mas não mais dali para a eira, ao passo que um lugar que ainda não é a conclusão do trabalho não gera esquecimento a partir de si, mas sim dali para a eira. A guemará, breve, dedica-se inteiramente a explicar a origem e o sentido exato de cada um dos termos técnicos da Mishná — koval'ot, kumasot, chararah e omarin — por meio de analogias com outros versículos bíblicos, e fecha com o ensinamento de Rabi Yochanan, que deriva do próprio versículo do esquecimento a razão pela qual só o feixe, e não a ceifa em si, está sujeito a essa lei.
Mishná: Quem empilha (o cereal ceifado) em koval'ot (pequenos montes em forma de elmo), e em kumasot (montes ocultos ou escondidos), para chararah (uma forma redonda, como um bolo ou uma roda), e em feixes comuns (omarin, sem nenhuma dessas formas especiais) — não tem esquecimento (esses montes provisórios, por ainda não representarem a conclusão do trabalho de empilhar, não ficam sujeitos à lei do feixe esquecido). Dali para a eira (se, ao transportar esse mesmo monte da lavoura para a eira, algo dele for esquecido no caminho ou no campo), tem esquecimento (pois esse transporte final para a eira é que representa a conclusão do trabalho de empilhar).
Quem empilha em gadish (uma grande meda, montada já como conclusão do trabalho no próprio campo), tem esquecimento a partir dela (pois a meda já constitui, nesse caso, a conclusão do trabalho de empilhar); dali para a eira (no transporte posterior da meda já constituída até a eira), não tem esquecimento (pois esse segundo transporte já não é mais o momento relevante, uma vez que a conclusão do trabalho já se deu antes, na própria formação da meda).
Esta é a regra (o princípio geral que resume e organiza os casos anteriores): todo aquele que empilha para um lugar que é a conclusão do trabalho (ou seja, para a forma final e definitiva que o cereal deveria assumir naquele campo, como a grande meda), tem esquecimento a partir dali, e para a eira não tem esquecimento (pois, uma vez concluído o trabalho, o transporte posterior já não conta). Para um lugar que não é a conclusão do trabalho (como os pequenos montes provisórios em forma de koval'ot, kumasot, chararah ou feixe comum, que ainda serão levados adiante), não tem esquecimento a partir dali, mas dali para a eira tem esquecimento (pois, nesse caso, é somente o transporte final até a eira que representa a verdadeira conclusão do trabalho, e é nesse momento que a lei do esquecimento passa a se aplicar).
Rabi Yoná disse: o termo koval'ot, mencionado na Mishná, deriva de cima (ou seja, da palavra "kova", que designa algo colocado sobre a cabeça, por cima de tudo o mais — assim como o pequeno monte de koval'ot é formado colocando-se feixes uns sobre os outros, de modo que a forma final se assemelha a um elmo assentado por cima), conforme dizes (conforme está escrito em outro versículo): "e um elmo (כוֹבַע) de bronze sobre a sua cabeça" (1 Samuel 17:5, a respeito da armadura do filisteu Golias — o mesmo termo, "kova", usado ali para o elmo colocado sobre a cabeça, é a raiz da palavra "koval'ot" empregada pela Mishná para esse tipo de monte).
Quanto ao termo kumasot (mencionado na Mishná): Rabi Avina disse que ele deriva de dentro (ou seja, do sentido de algo escondido ou oculto no interior, ao contrário do koval'ot, que deriva do que fica visível por cima — o kumasot seria, então, um monte cuja forma o mantém oculto ou resguardado), conforme dizes (conforme está escrito em outro versículo): "acaso não está isso oculto (כָמוּס) comigo?" (Deuteronômio 32:34, no Cântico de Moisés, a respeito dos tesouros da vingança divina guardados e ocultos — o mesmo termo, de raiz "kamas", é a origem da palavra "kumasot" usada pela Mishná).
Quanto ao termo chararah (mencionado na Mishná): trata-se de uma forma de monte semelhante a uma roda (גַּלְגַּל — ou seja, um monte redondo e achatado, à semelhança de um bolo redondo ou de uma roda, o mesmo formato que dá nome, em outros contextos, ao pão redondo chamado chararah).
Quanto ao termo omarin (feixes comuns, mencionado na Mishná): disse Rabi Yochanan: está escrito: "quando ceifares a tua colheita (קְצִירְךָ) em teu campo, e esqueceres um feixe (עוֹמֶר) no campo" (Deuteronômio 24:19 — o versículo une, na mesma frase, a ceifa e o feixe, e é dessa justaposição que se extrai o ensinamento seguinte). Assim como a ceifa é algo após o qual não há mais ceifa (ou seja, a ceifa mencionada no versículo é a etapa final do processo de colher o cereal em pé, não havendo, depois dela, uma nova "ceifa" subsequente), também o feixe é algo após o qual não há mais feixe (isto é, apenas o feixe formado imediatamente a partir da ceifa — a primeira etapa de empilhamento — é que se equipara à própria ceifa e fica sujeito à lei do esquecimento tal como ela; um monte posterior, refeito a partir de feixes já constituídos, como a grande meda ou o transporte para a eira, já não é mais "o" feixe da ceifa em sentido pleno, e por isso as diferentes fases de empilhamento descritas na Mishná — koval'ot, kumasot, chararah, gadish e o transporte final à eira — precisam da regra especial do que conclui ou não conclui o trabalho, para se determinar em qual delas persiste a equivalência com a ceifa original que gera o esquecimento).
Esta sétima halachá do Perek Hei traz uma nova Mishná sobre as formas provisórias de empilhar o cereal — koval'ot, kumasot, chararah e feixes comuns —, que não geram esquecimento enquanto permanecem nessa forma, mas passam a gerar esquecimento no transporte dali para a eira; o caso inverso ocorre com a grande meda (gadish), que já representa a conclusão do trabalho no próprio campo, gerando esquecimento a partir de si mesma, mas não mais no transporte posterior até a eira; a Mishná fecha com o princípio geral que unifica os casos, conforme o lugar seja ou não a conclusão do trabalho de empilhar. A guemará dedica-se por inteiro à filologia dos termos da Mishná: Rabi Yoná deriva koval'ot do elmo de bronze de 1 Samuel 17:5, entendendo-o como um monte formado "por cima"; Rabi Avina deriva kumasot do verbo "estar oculto" de Deuteronômio 32:34, entendendo-o como um monte formado "por dentro"; a chararah é explicada apenas como uma forma redonda, semelhante a uma roda; e Rabi Yochanan fecha a halachá — e todo o Perek Hei — explicando, a partir do próprio versículo do esquecimento, que assim como não há ceifa após a ceifa, também não há feixe após o feixe, sendo esse o fundamento por trás de toda a distinção entre as etapas de empilhamento que geram ou não geram esquecimento.
Com 5:7 encerra-se o Perek Hei de Massechet Peá (confirmado via Sefaria que 5:8 não existe; o Perek Vav começa em 6:1).