Depois de estabelecer, em 8:2, quem é confiável e até que distância, esta terceira halachá do Perek Chet desce ao detalhe concreto: em que forma exata do produto se pode confiar na palavra do pobre. A Mishná lista os pares: confiável quanto ao trigo em grão, mas não quanto à farinha ou ao pão; quanto ao arroz ainda em espiga, mas não descascado, seja cru seja cozido; quanto às favas, mas não quanto ao grão partido, cru ou cozido; quanto ao azeite quando o pobre diz ser do dízimo do pobre, mas não quando diz ser de azeitonas colhidas à mão; e quanto à verdura crua, mas não cozida, salvo pequena quantidade. A guemará pergunta se o pobre é confiável ao dizer que recebeu o trigo em grão e ele mesmo o transformou em farinha ou pão, e distingue esse caso do produto que passou por mãos alheias antes; traz a baraita de Rabi Yehuda, que estende a confiança do pobre ao vinho de rebuscos de uvas pisadas e ao azeite de azeitonas colhidas à mão, conforme o costume local de cada lugar; e fecha com o caso concreto da casa de Assi, que cozinhou verduras e esqueceu de separar delas o dízimo, corrigido por Gamliel o gêmeo, que o fez diretamente de dentro da panela.
Mishná: Os pobres são confiáveis quanto ao trigo (em grão, tal como colhido do campo como leket, esquecimento, peá ou dízimo do pobre), mas não são confiáveis nem quanto à farinha nem quanto ao pão (pois, uma vez moído ou assado, já não se pode verificar se o produto realmente veio dessas dádivas, e não de outra fonte). São confiáveis quanto à espiga de arroz (ainda não descascada), mas não são confiáveis a respeito dele, seja cru seja cozido (uma vez descascado). São confiáveis quanto às favas (inteiras), mas não são confiáveis quanto ao grão partido, seja cru seja cozido. São confiáveis quanto ao azeite quando dizem que é do dízimo do pobre, mas não são confiáveis quanto a ele quando dizem que é de azeitonas colhidas à mão (azeitonas ainda não maduras o bastante para cair sozinhas ao sacudir a árvore, e que por isso não seriam dádiva legítima de peá ou esquecimento). São confiáveis quanto à verdura crua, mas não são confiáveis quanto à cozida, a menos que se trate de pequena quantidade, pois assim é costume do dono da casa retirar de sua própria panela (uma pequena quantidade de verdura cozida pode plausivelmente ter vindo de sobras da própria refeição do dono da casa, e não levanta suspeita).
O que é a lei, será que o pobre é confiável ao dizer: "trigo me foi dado como leket, esquecimento ou peá, e eu mesmo o transformei em farinha", ou ao dizer: "trigo me foi dado, e eu mesmo o transformei em pão"? É óbvio para quem pergunta que ele é confiável (pois, se o próprio pobre relata todo o processo desde o grão até o produto final, sem que o produto tenha saído de suas mãos em momento algum, não há razão para desconfiar dele quanto à farinha ou ao pão que ele mesmo preparou). Mas se todos soubessem que a maioria das pessoas costuma guardar o leket (sem levá-lo logo para casa, mas armazenando-o por um tempo antes de processá-lo), mesmo assim ele não é confiável (pois, havendo esse costume geral de retenção, cresce a possibilidade de o produto ter passado por outras mãos ou se misturado com grão não isento, e a mera afirmação do pobre já não basta). Foi ensinado: Rabi Yudan diz: no lugar onde é costume pisar os rebuscos (cachos esparsos de uva deixados para os pobres), o pobre é confiável ao dizer: "este vinho é de rebuscos". E de modo semelhante, no lugar onde é costume colher azeitonas colhidas à mão (azeitonas deixadas para os pobres antes de estarem maduras o bastante para cair sozinhas), o pobre é confiável ao dizer: "este azeite é de azeitonas colhidas à mão".
Aqueles da casa de Assi cozinharam verdura e esqueceram de separar dela os devidos dízimos e teruma. Veio Gamliel o gêmeo e a corrigiu (separou dela teruma e dízimos) de dentro da própria panela (mostrando que, mesmo depois de cozida, ainda é possível separar corretamente as porções devidas, retirando-as diretamente do alimento já preparado, sem que isso invalide o restante para consumo).
Esta terceira halachá do Perek Chet continua o tema de 8:2 — em quem se confia — descendo agora ao detalhe da forma exata do produto. A Mishná fixa cinco pares: trigo em grão sim, farinha e pão não; espiga de arroz sim, arroz descascado (cru ou cozido) não; favas inteiras sim, grão partido (cru ou cozido) não; azeite dito do dízimo do pobre sim, azeite dito de azeitonas colhidas à mão não; verdura crua sim, verdura cozida não — salvo pequena quantidade, que se explica pelo costume comum de o dono da casa retirar um pouco de sua própria panela.
A guemará pergunta se o pobre é confiável ao relatar que ele mesmo transformou o trigo recebido em farinha ou pão, concluindo que sim, precisamente porque o processo inteiro se deu em suas próprias mãos — ressalvando, porém, que se fosse notório que a maioria das pessoas costuma guardar o leket antes de processá-lo, essa confiança cairia. Traz então a baraita de Rabi Yehuda, que estende esse mesmo princípio ao vinho de rebuscos de uvas pisadas e ao azeite de azeitonas colhidas à mão, sempre em função do costume local de cada lugar. E fecha com o episódio concreto da casa de Assi, que cozinhou verduras e esqueceu de separar delas teruma e dízimos, corrigido por Gamliel o gêmeo, que os separou diretamente de dentro da panela — demonstrando, na prática, que mesmo o produto já cozido ainda pode ser corrigido.